Para Sempre

4 Desmaiando na festa


Na manhã seguinte, no colégio, eu me encontrei no pátio com Jessy e Mathew. Não tinha visto Rafael ainda, graças aos duendes .

Jessy tinha o cabelo loiro bem bagunçado. Os olhos verdes eram bonitos, e ela tinha algumas sardas na bochecha. Mathew era moreno, me lembrava muito um alface maluco. Semana passada estava com o cabelo pintado de verde, mas naquela semana ele tinha voltado com o castanho. Nos conhecemos desde sempre, por isso não deixamos outras pessoas entrarem no que Mathew chama de squad – mesmo que isso acontecesse involuntariamente.

Joguei a minha mochila no chão, perto de onde eles colocaram seus pertences.

– Você não responde desde sexta – Jessy comentou, cruzando os braços.

– Estava sem paciência – disse.

– Estamos esperando você abrir a boca para falar o que aconteceu. Pegou o Rafael?

Balancei a cabeça, concordando. Os dois gritaram, incrédulos. Quando eu tinha dito para eles sobre a minha suspeita, eles disseram que era coisa da minha cabeça, mas me apoiaram em ir atrás dele. Contei cada detalhe para os dois.

– Como ele pode ter feito isso com você? Dois anos jogados fora – Jessy se encostou em Mathew.

– Não sei, mas quebrei um copo na cabeça dele – disse baixinho. – Saiu sangue, ele foi de ambulância para o hospital.

– Você fez isso? – Mathew começou a rir. – Minha garota. Eu teria quebrado aquelas duas meninas do meio e ter batido com os restos dos corpos na cara dele.

Suspirei. Não me orgulhava disso, eu realmente estava querendo ver Rafael só para ver como ele estava, se ainda conseguia pensar, etc.

– Estou indiferente. Pensei que eu ficaria noites chorando, mas estou bem. Fiquei com bastante raiva, deve ser por isso.

– Ele é um merda. Convidei ele para a minha festa. Como faz para desconvidar?

– Vai mesmo acontecer essa festa escondida dos seus pais, Jessy? – Perguntei. – E se der errado?

– Já falei com eles – ela balançou os ombros e abriu um sorriso travesso. – Eles só não sabem que vai ter bebida. Quer dizer, eles devem imaginar, mas não falaram nada.

– Sério que eles concordaram?

– Uhum. É o meu aniversário de dezoito, neném. Eu mereço. Permaneci viva por todos esses anos sem dar trabalho para meus pais. Fora que vai ser bem legal, já que eu vou fazer essa festa junto com a minha prima distante, que está fazendo vinte e quatro anos. Meus pais se sentiram mais seguros com a presença dela.

Olhei para trás. Minha escola era grande, com um pátio enorme. Tinha quatro andares com várias salas. Era um bom colégio, eu gostava muito daqui – não que desse para amar uma escola, mas eu gostava dentro do possível.

Rafael estava chegando, a cabeça enfaixada e um olhar furioso. Ele me fuzilou quando me viu. Mantive a minha postura. Mesmo que eu quisesse pedir perdão por ter feito aquilo. Me virei de novo para meus amigos.

– Nossa – Mathew exclamou. – Você é poderosa.

– Demais.

– Ele ta vindo para cá.

– Como? – Me virei de novo, dando de cara com o Rafael e sua cabeça de pano. Não consegui dizer nada, apenas cruzei os braços.

– Acho que precisamos conversar – e foi só o que ele disse. Deu meia volta e andou para uma parte mais isolada do pátio. Fui atrás, sabendo que isso era uma deixa para segui-lo.

– Olha, eu só vou me desculpar por ter quebrado um copo na sua cabeça. Não queria ter feito isso, de verdade. Mas é só. Ainda odeio você pelo que fez.

Senti que ele não estava querendo falar coisas boas. Seu olhar azul elétrico me queimava.

– Não disse para ninguém o que aconteceu – ele disse. – Não vou contar, se perguntarem, diga que terminamos porque...não rolava mais química, cada um queria seguir seu caminho e essas coisas comuns. Vou dizer que caí de skate para explicar o que aconteceu com a minha cabeça. E você se cortou? – Ele apontou para o meu rosto. Não respondi.

Me sentei no banco, ao lado dele. Os cabelos cor de poeira — aquele cabelo que não tem exatamente uma cor definida, que fica entre o loiro e o nada. –E os olhos azuis me faziam lembrar que eu era – ou ainda sou – apaixonada por ele.

– E sinto muito por ter feito isso com você – ele engoliu a saliva, consegui ouvir o barulho da garganta. – Não era para ser assim.

– Já passou – digo de maneira fria.

– Sério, eu me senti mal depois.

Olhei para ele. Não! Eu não podia sentir compaixão ou sentir que eu estava perdoando a merda que ele fez.

– Era para se sentir mesmo. Bom, — me levantei. – Agora que está tudo bem, que eu sinto que você não quer me matar, eu vou voltar para a minha vida normal. Sem você.

Ele balançou a cabeça.

– Tchau, Rafael – não sei porque isso pareceu um adeus. Ele era da minha sala.

Antes que eu me virasse, ele pegou no meu pulso e me puxou.

– Aquela coisa que eu falei sobre não rolar mais química, de não...olha, é mentira. Eu só estava querendo aventuras e fui um idiota. Ainda não sei por que fiz isso, você não merecia.

– Não. Eu não merecia – e me soltei, voltando para a rodinha em que meus amigos estavam. Eu estava com um nó na garganta. Puta merda, agora eu ficaria pensando nisso o mês todo. Então ainda rolava química...

Contei tudo para meus amigos e eles quase me deram um tapa na cara por não estar sentindo repulsa ao olhar para a cara do Rafael.

– Se você, Julie, voltar com ele...eu esfrego a sua cara no chão. E que corte é esse na sua bochecha?

– Cai na rua.

– Por que não estou surpreso?

O sinal bateu e fomos para a sala. Tivemos aula de química, depois de português – a aula em que Mathew ficava jogando papelzinho num menino novo porque a professora era bem lesada. – Depois veio a aula de física. O professor dessa matéria parecia um reptiliano, uma iguana...qualquer coisa relacionada. Eu o odiava profundamente. A aula passou tão devagar, que quando o sinal bateu eu pisquei, e pisquei de novo, notando que eu não tinha prestado atenção em nada. Foi como se eu tivesse em outro mundo.

Descemos para o intervalo, eu comi minha maçã e tomei minha água. Eu odiava água, mas depois que tive pedras nos rins, comecei a tomar por obrigação.

Rafael estava sorrindo com o grupinho dele, e não olhou para mim em nenhum momento, mas eu não estava preocupada com isso.

A festa de Jessy iria acontecer nessa sexta e eu estava bem animada para ir. Falar bem alto, escutar um som legal, com uma galera legal...eu adorava festas, mesmo que eu não dançasse e nem fizesse nada. Gostava de ficar andando para lá e para cá, sorrindo para todo mundo.

Voltamos para a aula e tudo começou a passar bem rápido. Logo já era a hora de irmos embora. Me despedi de Jessy e de Mathew, e fui andando para a minha casa – que não era muito longe dali. Fui mexendo no celular até chegar na portaria, entrar no elevador e subir para o meu andar – o quarto.

Minha mãe estava trabalhando mas sempre deixava alguma coisa pronta para eu comer. Comi macarrão, depois fui me deitar. Dormi a tarde toda e quando acordei, senti um vazio. Era sempre assim. Eu não tinha vontade de fazer nada quando voltava da escola. Fiz meus deveres, comi de novo, mas depois eu fiquei irritada por não querer fazer mais nada. Voltei a dormir.

A semana se resumiu nisso. Eu ia para a escola, conversava, dormia na aula, fazia prova surpresa – que eu fui muito mal, no caso. – Comia, conversava, olhava para Rafael, chegava em casa, almoçava, dormia, acordava, via que não tinha nada para fazer, voltava a dormir. Essa era a minha rotina.

Na quinta feira, decidi que eu deveria fazer alguma coisa útil. Fui procurar empregos de meio período – e na escola, já nem prestava atenção em Rafael. – Fui no shopping para ver se não tinha nenhuma loja contratando, e para a minha felicidade...tinha. Mas precisava ter no mínimo dezoito anos. Tentei convencer a moça, dizendo que eu faria aniversário em breve, mas ela disse que não podia. Dei mais algumas voltas, todas as lojas que precisavam era para os maiores de idade.

Desisti, fui para a minha casa de novo, mas fiquei satisfeita por não ter dormido a tarde toda. Poderia vender bijuteria, pensei. Fiquei rindo com a ideia. Fazia isso aos meus dez anos, ganhava um dinheiro bom. Vinte reais – mas para mim era suficiente.

Quando anoiteceu, minha mãe logo chegou do trabalho, trazendo sushi para comer. Ah, eu amava sushi. Dei um beijo nela e peguei os pratos. Nos servimos e começamos a conversar.

– Amanhã tem a festa da Jessy – disse. – Vou voltar tarde.

Ela fez cara feia.

– Não gosto quando você volta tarde.

– É uma festa, mãe. Na sexta feira. É capaz que eu durma lá.

– Os pais dela estão em casa?

– Não, mas é o aniversário de dezoito dela! Por favor.

Minha mãe sabia que eu não era de fazer besteiras – fora cair na rua, mas isso não tinha jeito.

– Está bem, só que eu quero você aqui antes do almoço. Vamos na casa da sua avó.

– O que? Ah, não!

Ir para a casa da minha avó era sempre chato. Tinha aquelas reuniões chatas de velhas, onde reuniam a família dos vizinhos e comiam bolinho e tomavam chá com gosto de xixi. Sempre tinhamos que ir arrumadas para não envergonhar minha avó diante da sociedade. Ela tinha se casado com um rico depois que meu avô morreu, agora se achava uma socialite poderosa, mas não passava de uma velha com o cabelo pintado de loiro – e muita maquiagem.

– Fui procurar emprego hoje – comentei.

– Hum, muito bom! Conseguiu alguma coisa?

– Nada. Sou menor de dezoito, mãe.

– E aqueles empregos de meio período? Tem um monte.

– Naquele shopping não tem. Depois eu vou procurar melhor, fiz isso para me ocupar.

– Entendi. Cansou de dormir a tarde inteira?

– Nem me fala – suspirei.

– E você e o Rafa?

– Conversamos na segunda, está tudo bem. Somos colegas.

– Ainda não acredito que quebrou um copo na cabeça dele, Julie!

– Nem eu.

– Não posso reclamar. Fiz parecido com um namorado meu, só que ele desmaiou.

Terminei de comer, coloquei o prato na pia, fiz meus deveres que eu ainda não tinha feito, tomei banho e fui deitar. Eu gostava de dormir, e como tinha quebrado minha rotina, estava parecendo um peixe de tanto sono que estava. Meus olhos inchados e meu corpo pedia para deitar.

Pela manhã, eu estava ansiosa. Hoje era a festa da Jessy e da prima estranha dela. Pelo que eu sei, a prima de quem ela falava era uma menina que morava longe e que passava alguns dias na casa do pai que morava aqui na cidade. Como nasceram no mesmo dia, resolveram fazer a festa juntas – e Jessy foi bem esperta em chamar a prima. Duvido muito que os pais dela teriam deixado a festa acontecer

Fui para o colégio, aconteceu tudo o que tinha para acontecer. Rafael já estava sem o pano na cabeça, e continuava feliz com o grupinho fitness dele. Mais aulas, mais lição, mais conversas e risadas. Eu me divertia muito na escola, e todo mundo estava comentando sobre a festa de Jessy. Me ofereci para ajudar a organizar, mas ela disse que a prima dela levaria uns amigos para fazer isso.

Voltei para a casa e fui me deitar. Precisava dormir para aguentar até o final da festa. Não lembro com o que sonhei, mas tinha certeza de ter visto a cara do meu professor de física em algum momento. Quando acordei, eram sete horas. SETE HORAS. Eu estava muito atrasada. A festa começava as seis e meia.

Me levantei, tomei banho, arrumei meu cabelo, fiz um reboco na cara para esconder algumas manchas de espinhas que todo adolescente tem. Na verdade, eu só falo isso para me conformar. Não sei por qual motivo a minha pele ficava marcada toda vez que nascia uma espinha. Ainda bem que eu tinha poucas. Passei um batom escuro, coloquei uma calça, uma blusinha e uma bota preta de salto. Fim. Corri para a sala e minha mãe tinha acabado de chegar.

– Mãe, você precisa me levar para a casa da Jessy.

Ela balançou as chaves do carro e eu fui desesperadamente para a garagem. Respirei fundo. Era só uma festa, eu não estava totalmente atrasada. Eram 20h33min mas ninguém chega na hora, pensei.

No carro, coloquei uma música no rádio e fui cantando. Minha mãe adorava cantar comigo as músicas que ela conhecia, mas não eram muitas.

– Novamente. Eu quero você aqui antes do almoço. Está levando pijama?

– Está na minha bolça.

– Escova de dente?

– Na minha bolça.

– Calcinha?

Puts, a calcinha.

– Mãe, acho que eu não vou tomar banho lá. Quando eu chegar em casa eu faço isso.

Ela parou em frente a casa, e tinha muita gente do lado de fora, com copinhos vermelho nas mãos. Típico. O som estava bem alto e apressei minha mãe para ir embora.

– Cuidado.

– Amo você – disse para ela, que mandou um beijo em resposta.

Minha mãe seguiu o caminho dela de volta para casa e eu fui entrando na casa, que estava meia aberta. Tinha gente por todo canto, não conseguia achar Jessy de maneira alguma. Aliás, a maioria das pessoas que estavam ali eu não conhecia. Deviam ser amigos da prima dela, pensei. Fui andando como seu eu fosse uma princesa esnobe, mas a minha postura diva acabou quando um menino trombou em mim.

– Desculpa – e foi embora com uma garota agarrada nele.

A casa da Jessy não era grande, mas cabia bastante gente. A decoração não era nada demais, o importante era a festa em si. Encontrei Mathew falando com umas meninas da escola, mas ele não me viu. Continuei a procurar por Jessy. Eu só iria dar parabéns agora porque ela nasceu as nove horas. Gostava de ser exata.

– Julie – me virei e vi Jessy no banheiro. Ela me puxou e trancou a porta.

– Parabéns, amiga! – Dei um abraço nela. – Tudo de bom para você, muitos meninos, festas, e eu. Eu te amo.

– Eu te amo – ela disse de volta.

Ela estava retocando a maquiagem e aproveitou para fazer xixi. Alguém bateu na porta do banheiro e ela gritou, falando que estava ocupado.

– Esses amigos da minha prima são lindos. Tem um lá na sala que...nossa!

Sorri.

Saímos do banheiro e continuamos andando pela casa até acharmos a prima dela. Era uma menina com o cabelo castanho e olhos escuros. Era muito alta e muito branca.

– Essa é minha prima Sarah.

– Oi, Sarah.

– Qual seu nome, linda?

– Julie.

Ela parecia louca, estava segurando um copo com bebida.

– Quer ? – Ela me ofereceu. – É livre.

Aceitei. Ela me serviu um copo cheio de vodka – essas bebidinhas de festa adolescente. Jessy havia sumido, então eu resolvi ficar por conta própria. Me sentei num canto do sofá, observando as pessoas. Alguns amigos de Sarah pareciam tão loucos quanto ela, mas outros pareciam normais.

Um menino com cabelo escuro até o ombro se sentou do meu lado e sorriu para mim. Retribui o sorriso.

– Como vai, linda? Está sozinha?

– Parece que sim.

– Não está mais. Meu nome é Fred, e o seu?

– Julie.

– Quer?- Ele mostrou um cigarro de maconha.

– Não, obrigada.

– Vai, entra na vibe comigo, linda. A noite só está começando.

Eu odiava o cheiro de maconha, então não quis chegar perto. Resolvi sair dali e dar uma volta. Fui balançando no ritmo da música até o corredor. Tinha bastante gente se beijando. Enquanto eu passava, um cara me puxou para junto dele e tentou enfiar a língua na minha boca. O empurrei.

– Desculpa – e continuei seguindo meu caminho em direção ao andar de cima. Eu tinha certeza que meu dente estava sujo de batom, e sentia eu rosto borrado. Iria me olhar no espelho do andar de cima e tudo ficaria bem. A porta do banheiro estava trancada, então bati. No mesmo instante a porta se abriu, saindo dali Rafael e mais uma garota. Ele me olhou por um instante, sorri para ele – mesmo que eu estivesse desfalecendo – e entrei no banheiro. Tranquei a porta e respirei fundo. Peguei meu celular e resolvi mandar uma mensagem para Steve. Eu não tive noticias dele a semana toda, e eu estava irritada. Por algum motivo Steve me acalmava.

“Steve?” E apertei o botão de ENVIAR.

Me olhei no espelho e para a minha alegria, não tinha nada no meu dente e minha maquiagem estava perfeita. Imagina sorrir para alguém com o dente todo sujo de batom? Já aconteceu comigo, mas foi para uma menina.

Meu celular vibrou.

“Julie?”

Meu coração ficou acelerado com aquela mensagem. Pensei que ele não fosse me responder.

“Está tudo bem com você? Sumiu.”

“Como eu poderia ter sumido? Só nos falamos por um dia.”

“ Mas pensei que...bom, você está fazendo alguma coisa?”

“ Estava assistindo um filme, mas nada de importante. Por que?”

“Quer vir numa festa? Estou sozinha, imaginei que você pudesse vir para cá e...eu poderia me desculpar por ter sido chata.”

“ Qual o endereço?”

Fiquei surpresa com a facilidade em convence-lo a vir. Ele não poderia estar bravo comigo, então. Passei o endereço e ele me mandou uma mensagem segundos depois:

“É pertinho da minha casa. Mas vou demorar para chegar, acabei de lembrar que tenho que buscar minha mãe. Ela está sem carro.”

“ Estou te esperando.”

Guardei meu celular, sai do banheiro e desci as escadas. Fui para o lado de fora da casa para tomar um ar. Passou umas duas horas desde que mandei a mensagem para Steve, e eu já tinha me conformado que ele não viria. O efeito do álcool parecia estar fazendo efeito na maioria dos adolescentes.

Eu ainda estava do lado de fora, curtindo a música que estava tocando. Um cara se aproximou de mim e disse:

– Você é linda.

Dei risada.

– Obrigada.

Ele tinha o cabelo escuro, os olhos escuros e usava uma jaqueta de couro. Era bem forte, parecia amigável.

– Reparei que está sozinha, meu amor. Trouxe essa bebida para você. Vamos tomar um drinque juntos – e me deu um copo. Ele levantou o copo para brindarmos e eu fiz isso porque não sabia o que fazer. Dei um gole na bebida que desceu deliciosamente pela minha garganta.

Ao fundo, Rafael me olhava sem disfarçar, tentei desviar o olhar e acabei me encontrando com os olhos verdes de Steve. Ele estava parado na calçada e a cara não estava muito boa.

De repente as coisas começaram a ficar embaçadas.

– Vamos subir, amor – o cara disse.

Eu estava vendo dois estranhos na minha frente. Tinha dois do Rafael e dois do Steve. Tudo começou a ficar preto e eu não conseguia pensar em nada para dizer.

Dei um passo, minhas pernas estavam bambas. Não conseguia mais ouvir nada. A última coisa que me lembro foi de olhar para o rosto do rapaz e depois ver o céu. Tudo ficou escuro e eu desmaiei.