Para Sempre...
3 Capítulo 3 - Aquela noite! - parte 2
Notas iniciais
– Sim, é melhor irmos bebendo. — disse minha mãe se levantando e pegando num dos copos que estavam na mesa.
Levantou-o para que meu pai enchesse o copo com vinho e deu-me.
– Toma querida, o primeiro copo vai para a aniversariante. — disse com um leve sorriso que mais parecia falso.
Eu continuava a olhar para ela, peguei o copo da sua mão com cara de poucos amigos, acho que minha mãe percebeu que estava furiosa porque logo se foi sentar no sofá à nossa frente. Todos ali perceberam que eu não estava em mim, afinal de contas a minha tinha acabado de se insinuar ao meu namorado. Hélder olhou para mim e perguntou se estava tudo bem, eu sorri-lhe e respondi que sim com a cabeça.
Meu pai encheu um segundo copo e deu para Hélder.
– E este vai para o nosso convidado.
Hélder pegou o copo e agradeceu. Por fim, meu pai enche os dois últimos e entrega um à minha mãe, pega outro para ele e levantou-se.
– Então, vamos brindar a quê? — perguntou ele.
De repente pensei...era o dia do meu aniversário e meu pai estava ali comigo, foi tudo o que sempre quis e não podia deixar que minha mãe estragasse aquele momento, então tratei de pôr um sorriso nos lábios e levantei-me também.
– Brindemos ao nosso reencontro, pai. Estou tão feliz por estares aqui.
Meu pai sorriu para mim e me abraçou pela cintura. Hélder e minha mãe se levantaram a seguir.
– Brindemos à Natasha? — sugeriu Hélder.
– Então brindemos à Natasha, ao nosso reencontro... — disse meu pai erguendo o copo para cima — ...a este maravilhoso dia e a este jantar. — sorriu.
Erguemos os copos para cima e brindamos uns com os outros. Enquanto dávamos os goles, a campainha tocou.
– Eu vou, deve ser o entregador. — dei o meu copo para Hélder e fui abrir a porta.
Trouxe a pizza para a mesa e começamos a comer e a conversar. Durante um longo tempo a minha mãe não voltou a tocar no assunto "eu e Hélder", falámos de episódios felizes que passamos quando éramos uma família feliz, falámos das viagens que fizemos, relembramos alguns momentos que nos marcaram, até parecia que tinha voltado tudo como era antes, digo isso porque tenho saudades de ter o meu pai em casa. Já era tarde e estávamos na segunda garrafa de vinho, como sabem o vinho do Porto é forte, e eu que não estava acostumada a beber nem sei como me estava a aguentar mas já via tudo a andar às voltas. A minha mãe já estava na fase da euforia, se ela lúcida já era como era imaginem-na bêbeda.
– Está tão calor aqui dentro. Não se importam que me descalce, pois não? — perguntou ela já tirando os saltos que usava.
– Estás em tua casa, Suzana. — disse meu pai.
– Mas temos uma visita em casa. Aliás, duas contando contigo, Carlos. — diz minha mãe pegando na garrafa de vinho e pronta para encher o copo.
– Não se incomode dona Suzana, está à vontade. — respondeu-lhe Hélder.
– Já disse para não me chamar de dona. Ou me acha velha? — perguntou-lhe com um olhar que mais parecia de sedução.
– Não, claro que não! Muito pelo contrário, nem parece que tem uma filha de dezanove anos.
Eu como já nem tinha noção das coisas, depois daquelas insinuações que minha mãe tinha feito, achava aquela conversa a coisa mais normal do mundo.
– Então olha bem para mim, achas que sou uma mãe atraente? — ela continuava a insistir em atirar-se ao meu namorado.
Mas depois desta pergunta comecei a perceber quais eram as suas intenções, apesar do seu estado. Hélder arregalou os olhos e olhou para mim e para o meu pai.
– Desculpa Hélder, é do vinho só pode! Ó Suzana, não achas que já bebeste demais? — perguntou o meu pai.
– Claro que não! — ri-se — Estou completamente lúcida, não se vê? Deixa lá o rapaz responder... Achas-me atraente, hm? — pergunta olhando directamente nos olhos de Hélder.
Meu pai levanta-se e tira-lhe o copo das mãos.
– Vá chega! Estás a ouvir bem as coisas que estás a dizer?
– Deixa pai, eu até a percebo... Sabias que desde que vocês se separaram ela nunca teve um único namorado sequer? Ninguém a aguenta...- disse eu em tom provocante e comecei a rir com se não houvesse amanhã.
A minha mãe até que era uma mulher atraente, apesar dos seus 47 anos, era uma mulher cativante, interessante, simpática, inteligente e tinha atributos físicos. Os defeitos dela é que eram maiores que as qualidades, era insuportável, chata e bastante possessiva. Acho que nenhum homem gosta de mulheres que sejam demasiado possessivas. Por conta disso, desde o divórcio deles, nunca a vi com um namorado.
– Natasha! Há coisas que não se devem dizer... — reclamou ela olhando para mim.
– Pois há mãe, e "tu"... — acentuei bem a palavra — ...devias saber disso!
– Amor, tu também não estás habituada a beber. Vamos parar por aqui? — disse-me Hélder.
Pousei o copo na mesa e ao me levantar, desequilibrei-me.
– Wow! Tens razão, Hélder... Estou com a cabeça às voltas, preciso de dormir.
– Eu levo-te ao quarto. — diz Hélder se levantando também e segurando a minha mão.
– Hélder, se quiseres podes ficar cá. Não é aconselhável conduzires depois de teres bebido. Ficas neste sofá-cama que é confortável! — sugeriu o meu pai.
– Obrigado, mas não quero incomodar. Além disso eu controlei-me, não preocupe. Vou só levá-la ao quarto. — respondeu.
Minha mãe olhava para nós e bebia do seu copo, meu pai tirou-lhe novamente o copo das mãos.
– Chega de beber, Suzana. Consegues subir ou queres que te leve ao quarto?
Eu subia as escadas abraçada ao Hélder, não consegui ouvir a resposta da minha mãe mas suponho que ela tenha dito que queria ajuda até ao quarto, já que tinha sede de homens...o meu pai seria uma ótima presa para ela.
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