Para Sempre.
13 Atraso.
Agora eu estava perdida. Noah e Angelline começariam a namorar e eu ficaria babando.
– Garota estúpida. – xinguei alto, enquanto ia dirigindo para a livraria. Não sabia quem eu xingava. A mim, que havia feito a burrada, ou a Angelline, por tê-lo conquistado tão rápido.
— Boa tarde, doçura. — senhora Sulpice me cumprimentou.
— Olá. Como está? – entrei atrás do balcão, colocando minha bolsa no canto, em cima do armarinho.
— Nada bem. — respirou fundo.
— O que aconteceu? – cheguei mais perto.
— O Mark, minha filha. – seus pequenos olhinhos encheram-se de lágrimas.
— O que ele tem? – esperei pelo pior.
— Preciso levá-lo a Houston. Não era um resfriado. Ele tem rinite crônica, vai precisar fazer uma cirurgia. Seu nariz está totalmente obstruído. Eu não achava que as alergias dele eram algo sério!- ela jogou as mãos para o alto, chorando. – Sempre que atacava, eu o levava ao médico e ele dizia serem apenas poeira e coisas do tipo. Ele é meu menininho, Violetta! Estou com tanto medo!
— Vai dar tudo certo, Pomona. – raramente a chamava pelo nome. – Quando vocês viajam?
— Amanhã, ás sete. — fungou.
— Tudo bem, eu tomo conta da livraria. – decidi.
— Não, Violetta. Vai sobrecarregar para o seu lado, não se preocupe. Pedi ao meu irmão para ficar aqui, enquanto eu... – voltou a chorar.
— Tem certeza?
— Sim, ele ficará em tempo integral. É bom para você descansar um pouco, férias de brinde. – tentou sorrir.
Ela era um amor. Fiquei com pena dela pelo Mark, pois ela vivia sozinha com ele desde que perdera o marido anos atrás, e ele era tudo quem ela mais amava na vida. Por outro lado, fiquei feliz por ela ter me dado uns diazinhos de férias, pois estava lotada até o pescoço de trabalho.
Depois do expediente, fui para casa, esperar meu pai chegar para resolver o problema dos pneus.
A porta da frente foi aberta sem eu ter visto e fiquei feliz por ele ter chegado.
— Até que enfim, pai! Já são oito horas. – fingi aborrecimento, virada de costas.
— Ele não chegou ainda? – falou uma mãe raivosa.
— Ah, mãe, é você? Pensei que fosse o papai. Ainda não. Mas deve estar chegando já. Disse que chegaria sete e meia porque faria horas extras. Ás vezes pediram para ele ficar mais um tempinho lá ou o trânsito está agarrado. — dei de ombros.
— Não o encontrei hoje de manhã. – falou, andando para a cozinha.
— É, ele saiu mais cedo hoje. – ri ao lembrar a cena de hoje de manhã.
— Ele está na minha reta. – bateu as panelas no balcão. – vai querer jantar o quê?
— Spaguetti. – balbuciei.
— OK. – começou a preparar o molho e colocar o macarrão para cozinhar.
— Precisa de ajuda? – torci para ela responder que não.
— Não. – Graças a Deus!
— Vou tomar um banho. – subi as escadas, desistindo de esperar pelo meu pai.
Depois da janta, voltei para o meu quarto e comecei a fazer alguns trabalhos. Meia hora depois, a porta do meu quarto é aberta abruptamente.
— Me desculpe minha filha. Tive uma reunião de urgência, não pude nem ligar. – meu pai desculpou-se.
— Está tudo bem. – respondi sem olhar para trás. – A gente olha isso outro dia.
Ele respirou pesadamente e segundos depois a porta do meu quarto foi fechada levemente.
Quer saber de uma coisa? Vou dormir, pensei. Deitei na cama ainda sem sono, pensando no meu pai. Ao pensar no meu pai, imaginei os pais das outras famílias, imaginando como deve ser o comportamento deles na vida dos filhos, isso me fez pensar em Noah. O pai dele parecia ser bem carinhoso com ele. Tentei apagar a cena imaginária na minha cabeça de Noah pequeno e seu pai o ensinando a andar de bicicleta no quintal. Eu não sei andar de bicicleta. Só sei nadar.
Ai! Plena quarta-feira, dia dois de outubro e eu acordando suada de um pesadelo. Tinha que ser quarta-feira! Não conseguia lembrar o que tinha sonhado, mas era perturbador.
Me levantei da cama quase morrendo de sono e fui tomar banho. Tomei café e saí. Entrei na sala de aula e me sentei na carteira, Noah ainda não havia chegado. O primeiro horário se passou e reparei que Angelline ficava o tempo todo com o telefone no ouvido.
— Merda! Ele não atende! – ela falou alto.
— Calma, amiga, ele vai chegar. – Lauren a acalmou, sem sucesso.
— Mas ele nunca se atrasa. E se estiver passando mal ou será que aconteceu algo com ele? Ai, meu Deus! – choramingou, tentando ligar novamente.
— Algum problema aí atrás, Angelline? Gostaria de compartilhar com a turma sua conversa com Lauren? – o professor de biologia, Cedric, chamou atenção delas.
— Não. – Angelline respondeu ríspida.
O professor ignorou e prosseguiu a aula.
Quando bateu o sinal para o segundo horário, Noah entra na sala, tranquilamente.
— Noah! – Angelline grita desesperada correndo ao encontro dele com Lauren atrás, tentando conter a amiga. Tenho dó da Lauren, ela é o tipo de “amiga” a quem chamamos de “pau mandado”.- Onde você estava? Achei que tinha acontecido alguma coisa.
— Hã? Claro que não, anjo. Só acordei atrasado. – Ouvia a conversa com a cabeça baixa, fingindo ler o livro de biologia. Corei e senti uma pitada de ciúmes mesclada a raiva quando ele a chamou de anjo. – Relaxa tá?
— Relaxa? – ela quase gritou e olhou pra mim, que a olhei de volta. – Você tem que me avisar, amor. – falou mais baixo.
– Depois a gente conversa. Estamos no meio da sala, o professor já deve estar chegando. – ele deixou um beijo no rosto dela e se sentou ao meu lado.
— Na bochecha? – resmungou indignada.
— É claro! Quer que eu te agarre na frente da sala toda, garota? – falou, irritado.
— Sabe que não seria má ideia...- falou maliciosamente sentando-se em cima da mesa dele.
— Vai sentar, anjo. – revirou os olhos. – Conversamos no recreio.
— Tá. – falou com raiva, lançando um olhar feio para mim antes de sair rebolando pro fundo da sala com Lauren.
— Nossa, que show que ela deu. – Noah puxou assunto comigo, passando a mão nos cabelos.
Eu apenas ri. Viiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiu, bem feito! Agora, TERMINA COM ELA! – Uma voz gritava na minha cabeça insistentemente. Balancei a cabeça.
— Vou precisar de muita paciência para lidar com ela.
— E você acha que vale a pena? – perguntei, olhando em seus olhos.
— Sim. – ele me respondeu. – Vale totalmente a pena.
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