POV.: Violetta.

"Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmm"..."Triiiiiiiiiiiiiiiimmmmm".

Acordei com o celular vibrando e tocando estridentemente. Tenho que trocar essa campainha. Peguei o celular, desliguei o alarme e voltei a dormir.

"Violetta!", "Violetta!", Noah me gritava. "Corre!", gritou puxando minha mão. "Ela está vindo, amor!", "Corre!", ele insistia. Mas eu não conseguia correr. Quanto mais ele gritava e me puxava, menos eu me movia.Ouvi uma risada infantil e esganiçada. "Cuidado, Vivi...". Acordei com um sobressalto. Suada. Peguei o celular e olhei as horas: 09:15 am. Estava muito atrasada, não iria na escola. Levantei e fui direto pro banheiro tomar um banho. Depois, desci e encontrei minha mãe.

– Bom dia, Violetta. Não vai na escola hoje? — perguntou minha mãe.

– Ah, não, mãe. Estou atrasada e não quero sair correndo. — respondi.

– Tem algo importante hoje?

( Nada a não ser o Noah, pensei).

– Não. — disse eu.

– Tudo bem, faça um favor para mim. Compre ração pro Caio, ele está com fome.

–Okay. — respondi. — Vem cá, Caio!

O Caio é a minha bolota. Ele é um filhote muito fofo de poodle com pelo branco bem liso e macio. Quando não dávamos atenção a ele, chorava feito uma criança. Uma graça. Eu gostava de dormir com ele, mas assim que dava exatas sete horas da manhã, ele acordava e não me deixava mais dormir. Serve de despertador.

Tomei café da manhã, coloquei o Caio na coleira e fui ao pet shop com ele. Quinze minutos depois, estávamos de volta. Estava sozinha em casa. Entrei no meu Facebook, e o Martt me chamou na hora.

[Martt]: Por que a princesa não veio pra escola hoje?

[Violetta]: Foi mal. Acordei e dormi de volta.

[Martt]: Foi dormir tarde ontem? Ninguém mandou ficar fuçando o face do Noah.

[Violetta]: Eu não estava fuçando!

[Martt]: ¬¬' conta outra, amore.

[Violetta]: Só entrei duas vezes. Uma para olhar as fotos e outra pra...ah, atoa.

[Martt]: Pra ver se a vadiazinha metida a Megan Fox mandou convite pra ele. E pra ver se ele aceitou.

[Violetta]: É, foi.

[Martt]: Ela vai te matar amanhã.

[Violetta]: Por quê?

[Martt]: Hoje tem treino das líderes de torcida, esqueceu?

Bati a mão na testa: Nossa, é mesmo! Que merda, será que ainda dá pra eu entrar? Só começa uma e meia.

Quando tinha treino ou ensaio de coreografias, ficávamos até três horas na escola. Neste dia, podíamos almoçar lá.

[Martt]: Tenta entrar.

[Violetta]: Ok.

[Martt]: Deixa eu ir, prova de química agora. Sei nada.

[Violetta]: hahaha, normal. .-. Vai lá, beijos.

Entrei no face do Noah. Sim, ele havia aceitado o pedido dela. Ah, isso é natural, certo? Qual é o problema? Não quer dizer que os dois estão saindo, tentei convencer a mim mesma.

Fiquei arrumando a casa, e fiz almoço para mim. À uma hora da tarde, peguei meu uniforme de líder de torcida vermelho (Angelline havia escolhido a cor.), dei partida no meu Siena cinza e velho, e fui para a escola. Quando cheguei na quadra, minhas colegas já estavam lá se aquecendo. Olhei para a arquibancada e Noah estava sentado lá. No mesmo lugar da aula de educação física. Não olhei pra ele. Fui direto pro vestiário.

– Ei, Violetta. — Jessica me cumprimentou.

– Ei, Jess. Como vai? — perguntei.

–Vou bem e você?

– Tudo ótimo.

– Já soube da novidade?

– Não, que novidade? — perguntei, interessada.

– Noah entrou no time de futebol.

Paralisei: Jura?

– Sim. — respondeu ela. — Ele joga bem, menina. Você precisa ver. As meninas estão babando.

– Imagino.

– Você acha ele bonito?

– Ah, mais ou menos. — menti. — Por quê?

– Por nada. Acho ele lindo. Pena que ele vai sair com a Angelline.

Puts, eu venho na escola, não acontece nada. Eu falto, a escola pega até fogo.

– Como que você sabe?

– Ouvi ela comentando com a Lauren.

– Hum...- falei, tentando abaixar a frustração na voz. — Ah, eles se merecem. Ela é bonita, ele é mais ou menos, deve dar certo, né?

– Sim, infelizmente, porque a Angelline sai com todos os meninos bonitos da escola. Não dá chance pra ninguém, fazer o quê.

– É, fazer o quê. — respondi.

Saímos juntas do vestiário. Olhei para Noah do canto do olho e ele encarava Angelline. Não deve nem ter percebido que eu estava ali.

Começou o treino.

Angelline ficava na linha de frente, e eu ficava na linha de trás. Meg ficava atrás junto com Louis (que a arremessava) comigo e com Richard (que me arremessava) e com Jess e Harry. Mais a frente, ficava Neville e Amy, Charlotte e Ryan, Celina e Justin. Nas duas primeiras linhas, dos integrantes de dança e pirueta, apenas, ficavam Marie, Peyton, Chris, Lauren, Kim, Alice, Emily, Chaz, John e Lucas e, por fim, Angelline, um pouco mais à frente de todos.

Todos nos movíamos sem dificuldades, a música era bem animada, assim como a coreografia. Terminamos o ensaio pontualmente às três horas.

– Quero todo mundo aqui na quadra na quinta-feira, sem atrasos. Quero causar uma boa impressão nesse jogo que está chegando e não vou deixar vocês estragarem isso. — Discursou Angelline.

– Mas o jogo é só daqui a dois meses. — Falei.

– Foda-se. Quero tudo perfeito, Violetta. Se não está a fim de ensaiar duro, cai fora.

– Não estou falando isso, senhorita grossa. Só acho que está exagerando. Causar boa impressão pra quem? Pro diretor?

– Não é da sua conta.

Ah! minha ficha caiu. Entrou uma nova pessoa no time, é claro que ela queria impressionar ele.

Deixei minha discussão idiota com ela pra lá e saí andando. Fui pro vestiário trocar de roupa. Quando saí, dei de cara com ele.

– Oi. — ele disse, sorrindo pra mim.

– Oi, Noah! Nossa, me assustou. — respondi.

– Desculpa. Por que não veio pra aula hoje? Senti falta da minha companhia de classe. — ele riu. Dentes lindos.

– Ah, eu acordei atrasada.

– Entendo. Você é bem corajosa, hein.

– Por quê?

– Discutindo com a capitã.

– Ah, ela é muito folgada.

– Uhuhu...quê isso, hein, nervosa, você.

Eu ri:- Não. Eu sou tranquila. Ela que me tira do sério.

– Reparei. Bom, eu tenho que ir.

– O.k. Até mais.

– Até mais, Violetta.- e saiu andando.

Quando olhei para a porta, Angelline o esperava, já sem o uniforme de líder de torcida. Ela sorriu pra ele, e eles saíram andando juntos.

Minha raiva cresceu. Fui embora.

Cheguei em casa, deixei a bolsa com o uniforme e fui pra livraria. Trabalhava lá de segunda a sexta, de uma hora da tarde às cinco da tarde. Mas como a senhora Sulpice era conhecida da família, me liberava quando tinha ensaios e não descontava do meu salário. Assim que acabava o ensaio, eu trabalhava um pouco até dar o meu horário de fim de expediente.

– Boa tarde, meu anjo.

– Oi, senhora Sulpice. O que devo fazer?

– Ah, nada demais. Apenas guarde os livros que estão fora do lugar, e preencha a tabela de vendas do mês.

– Sim, senhora.

Trabalhei calmamente, pois não tinha muito o que fazer e queria minha mente ocupada para não pensar na cena que vi na porta da quadra.

Quando deu cinco horas, despedi-me da senhora Sulpice e fui pra casa. Cheguei e ainda não tinha ninguém. Fui pro computador. Abri meu Facebook e havia uma nova solicitação de amizade. Abri e não acreditei.

Noah Jackson deseja ser seu amigo. Aceitar? Cliquei em aceitar e fiquei muito feliz.