Para Sempre.
12 Capítulo 12 - Pendências
Notas iniciais
Eita... esse capítulo está beeem bacana! Espero que se corroam de coriosidade no final... HEHEHEHE
Vou parar de falar abobrinha e deixar vocês lerem de uma vez!
Bjks
Ami ~
Muitas coisas aconteceram, como já era de se esperar. Ainda mais para uma pessoa como eu: Uma estranha com “dons” letais e desconhecidos que se saírem de controle pode matar a todos, além de essa estranha ser uma sobrevivente de uma vila suspeita trazendo ainda mais ameaças para a vila Konoha, e que somente olhar para os seus olhos meio brancos bastava para trazer má sorte á qualquer um – pelo menos é oque dizem os boatos que vi se espalharem por Konoha.
Soltei um suspiro pesado.
É isso e muitas coisas mais que vou ter que enfrentar quando sair do meu quarto, como todos os dias anteriores e os que virão. Depois que me mantive longe da vila por uns anos, esse clima tenso e hostil que as pessoas jogavam para cima de mim diminuiu bastante, mas só foi saberem que a “órfã letal” é guardiã da criança que guarda dentro de si a besta de nove caudas para quebrar a minha paz, virando motivo suficiente para voltar ao clima tenso de antes. Só que muito pior.
Passei a escova mais uma vez pelos longos fios grossos de meus cabelos negros antes de pousar a escova na penteadeira e ir para a porta do quarto. Toquei a maçaneta fria da porta, mas me limitei aquilo. Realmente as coisas estavam mudando.
Olhei para trás de mim, estreitando de leve os olhos ao ver a multidão de caixas de papelão no meu quarto, algumas delas ainda abertas esperando para serem lacradas junto com as outras para esvaziar o quarto de uma vez, e as prateleiras estavam completamente vazias igualmente a minha escrivaninha que parecia estar abandonada no canto do quarto. Aquela cena era a prova de uma das mudanças que iriam acontecer, literalmente.
Com mais outro suspiro pesado, girei a maçaneta e sai do quarto juntando coragem para oque ia fazer agora. E não havia dúvidas do que eu tinha que fazer, não mesmo. Mal preguei os olhos noite passada de tanto repassar na cabeça as várias – e complicados – coisas que teria de fazer para acabar de uma vez por todas com minha aflição. Mas oque me fazia ficar daquele jeito era a primeira que eu tinha que encarar.
Engoli em seco.
Coloquei as mãos nos bolsos e respirei fundo, aumentando a velocidade dos meus passos. Já estava na rua com todas as pessoas me evitando e se afastando de mim com medo, e algumas – poucas — se afastaram apenas para imitar as outras sem saber oque eu tinha de errado, mas tendo certesa que era algo bastante ruim. Foquei-me no caminho a minha frente, tentando dirigir meus pensamentos no que teria que fazer o mais rápido possível.
Eu já tinha saído do hospital há uma semana, deixando os médicos e enfermeiras do hospital totalmente estupefatos com a velocidade de meu corpo em se recuperar de meus ferimentos. Ninguém notaria que nada daquilo aconteceu se não fossem pelas cicatrizes deixadas pelos cortes e outros machucados que ganhei, e a maior era uma que eu tinha no ombro direito, era bastante comprida quase alcançando meu cotovelo, e tinha que admitir que era um pouco medonha.
Andei tão perdida em meus devaneios que mal percebi o tempo passar ao ver que estava na frente do hospital. Um chiado escapou entre meus lábios ao ver o prédio alto e branco na minha frente.
Aquele nunca ia ser meu lugar favorito. Nunca mesmo.
Andei até as portas de vidro prestes a empurrá-las para permitir minha passagem quando notei que elas já estavam abertas. Passei por elas abrindo um meio sorriso ao ver a pessoa que tinha me feito à gentileza de abri-las.
- Você é realmente um cara pontual – admiti em quanto via a porta ser fechada novamente.
- É apenas o meu dever – Akio-sensei abriu um sorriso – Por falar nisso, por pouco você não chega em cima da hora.
Revirei os olhos.
- São pequenos detalhes que podem ser deixados de lado — Fiz uma expressão séria daí em diante, querendo ser direta – Ele já acordou?
- Há muito tempo. As enfermeiras me disseram que mal comeu des de então – apertou de leve os lábios – Parece que ele realmente esteve esperando por sua visita.
Baixei o olhar.
- Melhor eu me apressar, não quero que ele fique sem comer direito por minha causa – O sensei assentiu e fez um sinal para que eu o seguisse.
Passamos por um corredor impecavelmente branco de tão limpo. Tudo parecia ser tão silencioso no corredor que apenas podia ouvir o barulho ritmado dos nossos passos ecoando pelas paredes e por toda a extensão dele. Isso só aumentou meu nervosismo. Busquei o ar em quanto andava querendo ignorar as ultimas memórias dele que passavam pela minha cabeça como se brincassem comigo, sussurrando: Olhe oque você causou. Realmente acha que tem direito de vê-lo? Se você tivesse sido mais inteligente...
- Mitsue, tudo bem com você? Está um pouco pálida... – O Sensei olhou para meu rosto em busca de sinais de que eu estivesse doente.
Tentei sorrir de um modo que parecesse convincente. Mas como me conhecia anos, aquilo nem chegou a convencê-lo.
- Olhe, se não se sentir preparada para vê-lo, eu falo com ele e você pode vir outro dia... – Começou, mas nem permiti que terminasse.
- Não é necessário sensei. Eu já enfrentei coisas piores que isso, muito piores, então acho que sou capaz de vê-lo hoje mesmo. Adiar não melhorará nada – Apertei o ombro dele em sinal de confiança.
Ele soltou o ar dos pulmões e bateu na porta. Nem percebi que já havíamos chegado.
Uma pequena enfermeira abriu a porta e ao nos ver apenas abriu um sorriso e se colocou ao lado da mesma para que entrássemos. Akio-sensei ficou parado ao meu lado, vendo que eu não me movia estendeu os braços me dando passagem.
Adentrei o quarto iluminado e o busquei com os olhos, um pouco ansiosa e nervosa ao mesmo tempo finalmente encontrei oque eu queria.
- Ryo... – Chamei em quanto andava na direção do seu leito com os olhos mostrando preocupação.
Ele estava deitado para evitar que o corte se abrisse novamente e olhava com os olhos semicerrados a janela. Ao ouvir minha voz, cuidadosamente virou o rosto na minha direção e abriu um sorriso aliviado.
- Finalmente você apareceu, estava um pouco impaciente – murmurou com a voz meio rouca. Sinal de que não falava a um bom tempo.
Sentei no banco que estava ao lado de seu leito e segurei sua mão que estava um pouco fria, procurando o leve formigamento que o toque provocava.
- Como você se sente? – Perguntei tentando manter a voz calma, sem mostrar o nervosismo e a preocupação que eu sentia.
- Sinceramente... Me sinto um pouco estranho. É só dar qualquer movimento em falso que eu sinto meu pescoço doer como se alfinetassem ele.
Apertei mais sua mão sentido o formigamento mais fraco que o normal.
- Me desculpe Ryo, Se eu tivesse agido mais rápido talvez você nem... – senti um nó na garganta que me impediu de continuar.
- Shh... Aquilo não foi sua culpa. Fui eu quem deixou ser pego, não seja tão dura com sigo mesma Ok? – Pediu dando um leve aperto na minha mão.
- Eu não posso Ryo. Eu vi você ficar praticamente morto na minha frente, isso é uma coisa difícil de esquecer. – um arrepio passou pela minha coluna.
Ryo passou o olhar para o Akio, que permanecia na porta com a enfermeira.
- Poderiam nos deixar a sós por um momento? – Pediu para os dois. A enfermeira estava prestes a negar, mas, Akio sensei colocou a mão em seu ombro e a guiou gentilmente para fora com ele, fechando a porta.
Continuei a olhar sua mão e a apertá-la de leve, pois não era capaz de olhar para ele nos olhos.
- Agora é a minha vez de perguntar. Está tudo bem com você? – Buscou meu olhar, mas eu permanecia olhando para sua mão.
- Melhor que nunca, eu saí a uma semana do hospital, então... – dei de ombros.
Ele abriu um sorriso leve para que o corte não doesse.
- Ainda bem... Tenho que admitir que fiquei mais preocupado com você do que comigo mesmo.
Torci os lábios com aquilo.
- Não devia se preocupar comigo Ryo, você sabe que eu me recupero rápido de meus ferimentos.
- Não era dos seus ferimentos que eu referia – Ele colocou sua outra mão em cima da minha.
Procurei disfarçar melhor agora dando um leve sorriso.
- Não sei a que se refere... Eu estou ótima.
- Está mesmo? – Perguntou com ar duvidoso.
- Claro que estou bem Ryo, não entendo oque te levou a pensar nisso – Falei com um pouco mais de energia.
- Então porque está evitando me olhar?
Prendi o ar, tentando buscar uma saída. Mas ela não veio.
- Olha para mim Mitsue. – pediu pacientemente.
Levantei a cabeça olhando para o travesseiro, para as cobertas e até mesmo a parede antes de encontrar seu olhar.
- Viu? Eu estou bem – Dei um belo sorriso amarelo.
- Não, não está. Dá para ver isso só de olhar nos seus olhos agora – Manteve o olhar em quanto falava – Ele falou alguma coisa para você quando perdi a consciência, não foi?
Abaixei de leve as pálpebras, me rendendo. O melhor que eu poderia fazer era não mentir para ele.
- Ele falou sobre o meu avô e o meu pai – Libertei o ar em quanto falava.
- Oque ele te disse? – Mesmo naquelas condições, a voz do Ryo saia mais calma que a minha.
Respirei fundo antes de jogar tudo em cima dele.
- Ele falou que... Meu avô tinha o chakra igual ao meu: Denso, em uma grande quantidade e mais forte que o normal e toda essa baboseira – Dei uma pausa antes de continuar – E que meu pai tinha herdado esse chakra, mas como seu corpo não o suportou ele morria aos poucos, mesmo com o selo que meu avô tinha colocado nele. O que quer dizer que mesmo ele tenha o matado, ele já ia morrer em pouco tempo – Parei de falar ali, esperando que ele digerisse oque eu tinha falado.
Depois de alguns instantes o Ryo voltou a olhar para mim.
- O Lance realmente morreu depois disso? Foi oque a enfermeira me disse.
- Eu não sei, mas eu realmente espero que ele esteja vivo ainda – Admiti sem me importar com a reação surpresa que o Ryo fez.
- Porque deseja isso? Não era oque você queria fazer lá? – Tossiu um pouco ao terminar por ter falado um pouco mais alto do que deveria.
- Não – Olhei para a janela – Eu apenas quis respostas dele. Mas eu admito que eu senti uma grande vontade de matá-lo ali mesmo.
Ryo junta as sobrancelhas e aperta os lábios antes de falar.
- Eu realmente não esperava que você também quisesse isso – Voltei a olhar para ele. Desta vez era eu quem estava surpresa.
- Como assim?
Ele se arruma na cama apenas para ganhar tempo.
- Por mais que eu não lembre direito do que aconteceu naquela floresta, eu me lembro perfeitamente de quando ele disse que pertencíamos ao mesmo clã – Ele me olhou, desta vez, mais sério – Em toda a minha vida, está é a primeira pista que eu tenho de minha origem. Uma coisa que eu sempre busquei.
Tudo aquilo que ele disse, soou perfeitamete compreensível aos meus ouvidos. Eu passei pela mesma coisa, fazendo a mesma busca durante toda a minha vida para descobri de onde eu vim e por esse motivo nós entendíamos um ao outro como ninguém poderia jamais compreender.
- Entendo – limitei a dizer.
Eu e o Ryo ficamos em silencio, deixando a tensão se espalhar no ambiente. Me remexi no banco, tentando achar um assunto para mudar o clima daquele quarto.
- Mitsue... – começou ele, olhando para mim – Eu andei pensando no que aconteceu no jardim des de que ele disse aquilo, sobre eu ser do seu clã.
Eu quase havia me esquecido da noite no jardin, quando Ryo se declarou para mim e... Tudo aconteceu. Na verdade, durante os dias que fiquei internada no hospital eu pensei naquilo durante um tempo, e estava muito confusa em relação a isso e ainda estou.
- E oque é que tem? – perguntei em voz baixa.
- Eu pensei como ficaria nossa relação um com o outro depois daquilo, mas até agora eu não sei já que ele disse de temos ligação de sangue...
- Eu também pensei sobre isso – interrompi – E cheguei em uma conclusão.
Ele ficou um pouco rígido com a minha voz séria.
- Eu acho melhor que agente não leve isso para frente, já que, agora que sabemos que somos sobreviventes do mesmo clã e há a possibilidade de...
- Sermos parentes? – Perguntou com os olhos baixos.
- Sim – concordei, o nervosismo um pouco aparente – E... eu não vou negar que eu não te amo, porque isso seria mentira – ele voltou os olhos para mim com os lábios ligeiramente abertos – Mas não sei se é aquele tipo de amor, já que sempre fomos amigos...
Ryo levantou de leve a mão impedindo que eu continuasse.
- Eu entendo – Ele voltou a olhar pela janela – O Kakashi é um sortudo mesmo... Eu juro que se não fosse por isso, eu não deixaria ele ter nenhuma chance a mais – Ele falou como se disse-se a cor da minha roupa.
- Isso não é necessário. – Comecei a me levantar do banco, soltando a mão do Ryo – Eu vou continuar atrás dele por um tempo, procurando respostas de seu paradeiro, mas se ele não der um sinal, se ele realmente estiver junto com quem eu penso que está, todas as chances que tínhamos de ter uma boa relação novamente vai acabar agora – Apertei minhas mãos segurando as lagrimas que queriam vir ao pensar nele.
Ryo levantou uma sobrancelha para mim.
- Como assim “se ele estiver junto com quem penso que está”? Com quem?
Olhei para ele e dei um meio sorriso.
- Eu te conto mais tarde, quando eu terminar de resolver as coisas. Mas não se preocupe, de qualquer maneira, você vai ficar sabendo mais cedo ou mais tarde, mas agora eu tenho que ir – Me inclinei e beijei sua testa.
- Obrigado por vir – Abriu um sorriso tocando minha mão pela ultima vez antes que eu me afastasse.
Fui à direção da porta, mas ao me lembrar de uma coisa importante parei quando estava prestes a abri-la.
- Ah, quase que me esqueço – virei na direção dele – Melhor ser bem obediente com os médicos e se curar rápido – dei um grande sorriso.
- Porque isso agora? – Me olhou confuso.
Coloquei a mão na cintura olhando para ele como se fosse óbvio.
- Já se esqueceu? Vou precisar de ajuda para cuidar do Naruto, então preciso de uma pessoa valente do meu lado – Pisquei.
Ryo abriu um sorriso largo sem se importar com o corte.
- Vou me cuidar, com certesa.
- Ótimo, estou contando com você Ryo – Me virei ainda com um sorriso e sai do quarto dando de cara com a enfermeira e o Akio-sensei que esperavam por minha saída.
- Conseguiu resolver oque queria? – perguntou Akio para mim.
- Sim, de alguma maneira... – Observei a enfermeira entrar novamente no quarto em quanto falava e quando ela fechou a porta, me virei para o Sensei — Agora só me falta resolver mais uma coisa.
- Está já querendo buscar o Naruto agora? Se não me engano, ele acabou de completar um ano... – Me olhou de soslaio em quanto andávamos no corredor na direção da saída.
- Não, isso é a ultima coisa que devo fazer hoje. Antes eu tenho que falar com alguém – Passamos pela porta de vidro do prédio e chegamos à calçada do lado de fora.
- Quem exatamente? – Perguntou confuso.
Parei de andar quando estávamos próximos do muro que separa a área do hospital da calçada do lado de fora.
- Vá onde o Naruto está e espere por mim que mais tarde eu te explico.
- Tudo bem, estaremos te esperando lá – E logo em seguida desapareceu de minha vista.
Continuei meu caminho, alcançando o muro do hospital e fiz a curva para a calçada, mas parei assim que me virei.
A pequena garota de cabelos ruivos escuros e olhos violeta estava encostada no muro em quanto olhava, com os olhos baixos, as unhas pintadas de vermelho rubro.
- Foi você quem me chamou não foi? – perguntou sem olhar para mim.
Concordei com a cabeça sabendo que mesmo não olhando para mim, ela entenderia. A pequena ruiva desencostou do muro e ficou de frente para mim, colocando uma das mãos no bolso da calça.
- Ok, fale logo oque que quer de mim, vamos dizer que você é uma das ultimas pessoas que eu gostaria de ter uma conversa longa – Olhou para mim com suas pálpebras um pouco caídas, mostrando desinteresse.
Olhei para os olhos violetas dela com a expressão séria no rosto.
- Quero que me conte tudo que sabe sobre Hatake Kakashi, Arisu. – falei sem delongas.
A ruiva deu um suspiro cansado.
- Ah, pelo jeito essa conversa vai ser longa mesmo – Revirou os olhos – Mas, me diz uma coisa, porque está perguntando isso para mim?
Pensei se deveria contar a ela das vozes que pude escutar quando estava meio inconsciente. Mas por fim, decidi contar a ela apenas oque devia saber.
- Na minha ultima missão, eu ouvi algumas vozes em quanto estava semiconsciente, e reconheci a sua voz e outra que pareceu ser a dele – Os olhos da ruiva aumentaram de leve – Quero que me conte oque sabe sobre ele Arisu.
A ruiva olhou para mim de cima para baixo por um tempo e logo após se virou, andando pela calçada e fez um sinal com a mão para que eu a seguisse.
- Venha comigo, vou te contar apenas oque sei – Sem opção, a segui pela calçada, mas que ansiosa para saber sobre ele.
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