Para Sempre.
13 Capítulo 13 - Doces sonhos
Notas iniciais
Lancei com muuuita felicidade este capítulo, pois é aqui que se inicia uma nova fase para a nossa querida personagen!
Espero que apreciem e deem seus Reviews em breve - estou tendo poucos leitores nessa história e estou um pouko tristinha ^^ -.
Bjks
Ami ~
O sol estava quente e aconchegante, o céu limpo e azul sem nem uma nuvem por perto e a brisa refrescava o calor do sol, mas infelizmente aquilo duraria pouco tempo. Estávamos perto do inverno e todo esse calor desapareceria fazendo com que grama verde, macia e brilhante em baixo de mim fosse substituída por um infinito tapete fofo, branco e gelado.
Desencostei da árvore grande que me cobria com a sombra de suas folhagens abundantes. Queria ficar mais ali e pensar em nada, para ser somente eu e nada mais, mas devido as circunstancias, isso era totalmente impossível de acontecer. Minha juventude passou e agora não tenho mais tempo para descanso. Pelo menos tem sido assim durante todos estes anos, mas não me arrependo deles, por mais que em algumas ocasiões as coisas não tenham corrido da maneira que eu queria e eu tenha tido várias decepções e frustrações por conseqüência. Levantei-me e limpei a sujeira atrás de mim. Não... Nada disso importa mais, é agora ou nunca.
Andei com as mãos nos bolsos até sair daquele campo de treinamento nostálgico. Por mais que eu fizesse tudo para evitar vir aqui, eu inconscientemente era levada para cá e ironicamente, era aqui onde eu me sentia verdadeiramente bem e tranqüila. Isso deve ser normal já que ele sempre me causou aquilo... Mas isso era antes. Agora, as coisas não podem ser mais as mesmas.
Saltei em direção as arvores ao me lembrar daquilo. Não queria relembrar do passado e muito menos, me lembrar dele. Aquilo não ia mudar nada mesmo.
Alcancei um telhado ao sair do campo de treinamento e olhei em volta. Tudo estava em seu devido lugar, e isso era estranho.
– Tudo está quieto... – Avancei dois telhados a frente e voltei a olhar – Geralmente é neste horário que... – Mal terminei de falar e ouvi um estrondo não muito longe de mim.
Soltei o ar pela boca levando a mão para a cabeça.
– Droga... Ele não toma jeito – Soprei um fio de cabelo do meu rosto e saltei na direção do estrondo, não demorando muito para achar a razão do barulho.
– Maldito! Volte aqui!! Você vai limpar tudo isso nem que eu tenha que te pegar a força! – Berrou, irritado, um senhor gorducho em quanto corria atrás do pequeno causador.
Pousei num telhado acima dos dois e agachei observando com as pálpebras levemente caídas a confusão.
– Nem pensar! Isso foi muito bem feito, velho gorducho! – Provocou o garoto que tinham alguns baldes de tinta nas mãos em quanto corria.
O garoto aumentou o passo, derramando um pouco de tinta em quanto corria. O senhor já fora de forma se cansou e parou de correr, arfante, mas sem tirar os olhos do garoto.
Desviei o olhar do homem ao ver quatro ninjas passarem por mim na direção do garoto. Dei uma leve risada e segui os ninjas com a maior tranqüilidade do mundo.
– Yo, como estão as coisas por aqui, sensei? – Perguntei para um ninja moreno de cabelos castanhos escuros presos no alto da cabeça.
O ninja olha para mim com o rosto cheio de surpresa. Não havia notado minha presença. Dei um sorriso para ele e ele apenas virou sua cabeça na direção do garoto que agora fugia dos ninjas.
– Do mesmo jeito de sempre, como pode observar Mitsue.
– Percebi. Desta vez ele deixou o pobre do homem realmente desgastado com toda a sua “arte” – O sensei olhou para mim de soslaio.
– Não entendo como pode ficar tão tranqüila. Você sabe que eles vão acabar te culpando por tudo outra vez... – Levantei uma de minhas mãos para ele fazendo-o calar.
– Eu já estou acostumada com isso – Abaixei a mão – E você sabe que como sou a responsável por ele a minha obrigação é me responsabilizar por isso.
O moreno olhou para mim por um tempo e por fim, deu um suspiro.
– É impressionante a persistência dele e a velocidade também. Já estamos a um bom tempo atrás dele e nenhum de nós conseguiu detê-lo.
Coloquei a mão no ombro dele e dei outro sorriso.
– Deixe comigo. Como eu disse, sou eu a responsável por ele Iruka, e não você.
Ele retribuiu o sorriso.
– Mesmo assim, deixe que nós a ajudemos – Insistiu.
– Não será necessário.
Desapareci do seu lado no instante que terminei a frase, já na frente deles. O garoto continuou a correr em direções aleatórias, saltando para todos os lados na tentativa de despistar os ninjas. Acompanhei o garoto por todas as direções que ele saltava sem muita dificuldade por causa do hábito de fazer aquilo.
– Hey! – Chamei o garoto na minha frente que virou o rosto de leve para mim, e ao me ver arregalou os olhos azuis e correu mais rápido que conseguia – Você não se cansa disso nunca? Você sabe que uma hora vai acabar sendo pego, não sabe?
– Eu não vou desistir tão fácil assim, ainda mais para você tebayo! -
Dei um suspiro, sem desviar o olhar dele.
– Tem certesa disso? Eu vou te dar uma chance... Se você se render de uma vez eu não serei obrigada a ter que te parar eu mesma daquele jeito que você conhece – Sorri ao ver ele hesitar por um momento – A escolha é sua.
Esperei pacientemente pela sua resposta sem avançar e nem nada, para que ele tivesse realmente uma chance. O garoto balançou a cabeça para os lados, fazendo que o cabelo loiro brilhasse por causa da luz do sol.
– Eu já falei que não vou desistir Mitsue-senpai dattebayo! – Sua voz se elevou como ele costumava fazer quando se sentia determinado, motivado ou muito animado.
– 0k... Você quem pediu por isso – Soltei o ar pela boca em quanto falava.
Corri pelos telhados aumentando de leve os passos de maneira ritmada e suave, algo semelhante ao trotar rápido de um cavalo. Quando estabilizei minha velocidade, desfiz o trote ritmado colocando o pé direito no telhado e dei um impulso que rapidamente me fez alcançar o Naruto. O garoto de cabelos loiros soltou um berro ao me ver a apenas alguns centímetros dele e com um sorriso peguei a gola da blusa de frio laranja dele.
Peguei os baldes de suas mãos, jogando-os para o Iruka, que ainda corria atrás de nós e, segurando a gola da blusa, dei um salto de súbito para cima fazendo que ele soltasse outro berro ao voar comigo para o alto. Suas pernas e braços se moviam para o lado e para o outro tentando parar de subir com medo de cair no chão. Segurei sua gola mais firmemente e soltei uma risada malvada.
– Não faz isso Mitsue-senpai! Por favor, não faz isso!!– Implorou ele aos berros quando já estávamos numa altura muito alta do chão.
– Tarde de mais, Naruto – Dei mais uma risada malvada antes de ir para a melhor parte da brincadeira.
Movi meu braço com o Naruto para trás para ter impulso e lancei ele para cima logo depois fazendo o garoto voar alto em direção ao céu. Cai em cima de um telhado alto suavemente e olhei para cima esperando a iminente queda dele. O garoto não parecia parar de subir e berrava sem parar até que ele parou por um momento e começou a descer em alta velocidade na minha direção.
Abri um sorriso.
– Terasu Mitsue! Oque está fazendo com ele?! – Um dos quatro ninjas olhou o garoto se aproximar do chão com os olhos arregalados de espanto.
Sem desviar meu olhar do garoto que se aproximava disse:
– Estou apenas dando uma pequena lição no Naruto para que isso não se repita.
– Mitsue, Não acha que isso é meio... – Iruka se interrompeu ao ver o garoto.
Naruto finalmente tinha se aproximado o bastante de mim em meio aos berros, prestes a cair de cara no chão, mas é claro que eu não permitiria que algo assim acontecesse. Quando o ele estava prestes a passar por mim, eu apenas estendi a mão e agarrei sua perna no ultimo instante deixando-o de cabeça para baixo.
–... Exagerado? – completou o Iruka com o rosto espantado.
Olhei para o rosto vermelho do garoto que havia parado de berrar quando notou que não estava caindo, e com os olhos super arregalados, olhou para mim arfando um pouco.
– Será que agora poderia ficar mais comportado, Naruto? – Ergui uma sobrancelha para ele – Ou quer que eu repita isso outra vez, só que um pouco mais alto?
– Não precisa!! Eu prometo que fico quieto, não vou fazer nada! – berrou em quanto balançava os braços para cima e para baixo.
Levantei mais o garoto e o aproximei do meu rosto.
– Significa que vai limpar toda a sua “arte” sem reclamar?
– Sim!! Eu juro!! – Balançou a cabeça rapidamente consentindo.
Abri um sorriso largo para ele.
– Muito bem então! Pode começar imediatamente – Peguei o braço dele e o coloquei de pé no telhado, mas tive que segura-lo por um tempo até que ele recuperasse o equilíbrio. Estava mais tonto que nunca – Pronto para começar?
Naruto balançou a cabeça com os olhos fechados para ficar mais atento e olhou para mim com seus profundos olhos azuis.
– Já estou indo limpar! – Se curvou para mim de um modo desajeitado e correu na direção que toda a confusão tinha começado.
– Incrível... – Murmurou um dos homens que estava com o Iruka.
Dei um sorriso gentil e voltei meu olhar para o Iruka-sensei.
– Iruka, é prudente que você confisque essas latas de tinta e as guarde de um modo que ele nunca mais as veja – Apontei para as latas ao lado dele.
– Vou fazer isso agora mesmo, não se preocupe.
– Obrigada. Agora eu vou atrás dele para observar seu trabalho na limpeza e me desculpar com as pessoas, novamente – Suspirei ao pensar em encarar raiva daquelas pessoas.
– Boa sorte – Pegou as latas e desapareceu com os outros ninjas.
Estava prestes a sair de onde estava quando ouço um barulho discreto atrás de mim.
– Está um pouco atrasado, tive que cuidar de tudo sozinha desta vez – Me virei, me deparando com os olhos de íris cinza claríssima, quase alcançando o tom branco.
– Foi mal... É que eu estava treinando e acabei perdendo a hora – Ryo abriu um sorriso branco e brilhante.
– Dessa vez está perdoado – Virei lentamente e comecei a andar pelo telhado – Eu acabei convencendo ele a limpar a bagunça.
Ryo colocou uma das mãos na cintura e levantou a sobrancelha para mim.
– Não me diga que você fez aquilo outra vez?
Virei o meu rosto, fazendo cara de inocente.
– Foi ele quem decidiu passar por isso... Não foi culpa minha – Dei um meio sorriso – Alem do mais, eu não joguei ele tão alto como você está pensando.
Ele levantou mais a sobrancelha.
– Quanto, aproximadamente? – fez uma voz que soou duvidosa.
– O necessário – limitei a responder isso – E acho melhor agente se apressar para que o Naruto não fuja da limpeza.
Ryo deu uma risadinha leve antes de vir para o meu lado.
– Tudo bem então. Deixe que eu fale com as vítimas da bagunça por você, apenas observe ele – Olhei para ele prestes a negar, mas o Ryo colocou a mão na minha boca – Nem pense em tentar me fazer mudar de idéia, porque eu não vou. E você já levou sermão o suficiente por ele nesta semana.
Encarei-o juntando as sobrancelhas, mas ele continuou me olhando sem parecer mudar de idéia. Admitindo a derrota revirei os olhos e dei de ombros e ele finalmente tirou sua mão da minha boca com um sorriso cheio de triunfo.
– Vamos! – Exclamou o Ryo que já havia começado a correr.
Corremos lado a lado, e num certo ponto ele tomou um rumo diferente para amparar e se desculpar com as vítimas que estavam evidentemente perturbadas com aquela bagunça. Eu, no entanto, continuei a correr na direção do Naruto que já estava com alguns baldes de água numa das mãos e uma escova grossa na outra. Quando ele me viu por perto, imediatamente começou a limpar as grandes e coloridas manchas de tinta que foram jogadas nas paredes, no chão, nas janelas e em vários outros lugares.
– Nada disso teria acontecido se vocês tivessem sido mais atentos com aquela peste! – o mesmo homem de agora a pouco apontava para o Naruto em quanto falava.
– Queira nos desculpar, mas o Naruto só queria chamar a atenção, e ele já esta limpando a bagunça – Ryo usou a voz mais calma que conseguiu.
– Não importa! Mesmo que ele limpe agora, todos nós sabemos que só é questão de tempo até que ele volte a pintar nossas casas!
– Nós vamos conversar com ele para que isso não ocorra novamente – Ryo olhou para mim por um instante com ar preocupado.
– Conversar?! Tem que prendê-lo, isso sim resolverá! Konoha não é lugar para aquele garoto amaldiçoado, recomendo que...
– O que quer dizer com isso?! – Cortei o homem sem me importar com oque ele fosse achar disso – Não ouse falar do Naruto de uma maneira tão estúpida! Ele é um garoto como qualquer outro desta vila, e como eles, merece o devido respeito! – O Ryo e o homem me encararam estupefatos – Não ligo para oque vocês pensam dele, mas mantenham esses pensamentos com vocês e o respeite como um ser humano – Virei de costas para o homem e segui até o Naruto que me olhava surpreso.
O homem atrás de nós bufou me fazendo parar de andar.
– Sinceramente, quem é você para falar uma coisa destas? – A voz do homem era mais rude que agora a apouco – Você nem sequer é desta vila, é apenas uma intrusa perigosa e tão amaldiçoada quanto este garoto. Não me venha com essa história toda para cima de mim. Realmente não sei oque deu no Hokage para aceitar pessoas como vocês em nossa vila.
Apertei os punhos, parada em meu lugar.
– Mitsue-senpai... – Naruto olhava para mim com os olhos tristes e preocupados.
Sorri para o Naruto e virei para o homem, desfazendo-o em seguida.
– Pouco me importo se para vocês sou uma intrusa ou uma amaldiçoada, pois mesmo que eu seja tudo isso, isso não me impede de fazer a diferença nesta vila, assim como eu fiz na guerra protegendo você e seus filhos e todas essas pessoas da destruição. Mesmo que eu tenha vindo de um outro lugar, eu sei oque é ser um ser humano e sei o significado de respeito, então se até mesmo uma amaldiçoada como eu consegue enxergar isso, por que você não mostra um pouco de respeito por nós e assim prova que é mais inteligente que eu? Pois a única coisa que você me mostrou até agora foi o puro preconceito e ignorância – baixei os olhos – Melhore a si mesmo antes de quere julgar nós dois. Você não faz ideia do que somos capazes de fazer.
Levantei a cabeça e voltei a andar na direção do Naruto para ajudar ele com a limpeza. Por mais que ele tenha dito que ia limpar, ele não ia conseguir terminar sozinho.
Naquele dia, o homem não ousou dizer mais nem uma palavra desrespeitosa para mim ou para o Naruto. Pela primeira vez em um bom tempo, eu me senti completamente leve, como se tivesse tirado um peso enorme de minhas costas.
–-----------------------------------------------------------
O céu estava alaranjado, oque significava que o dia estava chegando ao fim. Passei as costas da minha mão na testa para limpar o suor que escorria. Olhei para o lado, vendo o Naruto tão cansado quanto eu, limpando a ultima janela manchada de tinta vermelha. Quando acabou de limpa-la, jogou a escova grossa em suas mãos no balde ao seu lado e caiu sentado no chão querendo descansar.
– Ahhn, eu não agüento mais limpar esse lugar tebayo! – limpou seu rosto com a manga da blusa de frio laranja.
Comecei a rir dele e me sentei ao seu lado.
– Bem feito, foi você mesmo quem sujou esse lugar, não foi? – Coloquei minha mão em sua cabeleira loira e a baguncei toda.
– A não Mitsue-senpai! E stá desarrumando-o! – Ele abriu um sorriso em quanto tentava em vão tirar minha mão de sua cabeça.
– Como assim?! Ele já estava bagunçado antes de eu começar a fazer isso! – sorri para ele.
– É mentira! Você que o bagunçou, você sabe disso! – O garoto desistiu de tirar minha mão e se ergueu e colocou a mão em cima de minha cabeça bagunçando meu cabelo também.
– Ei! Bagunçar cabelo de mulher é covardia! – Começamos os dois a rir sem parar em quanto bagunçávamos os cabelos um do outro.
– Hey, as duas crianças ai – Nós viramos a cabeça para o Ryo fazendo um bico – Vamos logo, está ficando tarde.
– Tudo bem – Concordei me levantando do chão com o Naruto.
Quando levantei o Ryo fez uma careta para nós dois.
– O que foi? – Perguntei.
Ryo colocou sua mão fechada na boca e limpou a garganta.
– Acho melhor vocês dois se arrumarem o quanto antes, as pessoas vão ter uma má idéia se virem vocês com os cabelos para o alto – Sem conseguir se segurar um riso que escapou no meio da fala.
– Sem graça – Comecei a pentear os cabelos com os dedos para diminuir a bagunça.
Quando vi que a bagunça estava mais ou menos controlada, saímos dali caminhando. Quando nos afastamos de onde estávamos, sem querer soltei um bocejo e ao ver o rosto preocupado do Ryo, dei um sorriso.
– Naruto, que tal agente dar uma passada no Ichiraku? Você comeu nada des de que começou a limpeza – Sugeriu o Ryo com um sorriso.
– Vamos! Eu estou realmente com muita vontade de comer Lámen – Abriu um sorriso enorme para o Ryo.
– E você Mitsue, vem com agente?
Parei de andar numa curva que daria para a minha casa.
– Desculpe, mas hoje não vai dar. Estou com uma papelada enorme de documentos que o Hokage me deu e preciso trabalhar neles o mais rápido possível.
– Tem certesa Mitsue-senpai? – Naruto me olhou com seus grandes e redondos olhos azuis pidões que muitas vezes me fizeram ceder as suas vontades. Mas hoje isso não ia funcionar.
– Foi mal Naruto, fica para a próxima – Me virei para fazer a curva e ir para casa trabalhar na papelada, deixando os dois continuarem seu caminho para a barraca de Lámen favorita do Naruto.
Passei pelas casas desgastadas, vítimas do tempo, até encontrar uma casa com uma cerca de madeira e uma portinhola que dava acesso ao minúsculo quintal que tinha algumas tulipas amarelas plantadas cuidadosamente numa parte segura dele.
Fechei a portinhola ao passar por ela e entrei na casa. Passei pelo cômodo que tinha uma lareira pequena e um sofá confortável e ao lado dele uma luminária para leitura. Entrei no corredor e avistei três portas, uma delas era o banheiro, a outra era o quarto do Naruto e a ultima era o meu quarto. Por curiosidade, fui até o quarto do Naruto e abri a porta. Nem cheguei a abrir ela toda e dei de cara com um amontoado de roupas no pé da porta. Desviei do amontoado e dei de cara com toda a bagunça e sujeira no quarto que mais parecia ser um depósito de lixo. A escrivaninha estava com lápis jogados, folhas espalhadas e algumas amassadas, a cama estava uma zona, com vários pergaminhos espalhados por ela – alguns, eu havia emprestado para ele estudar — e mais papeis. Só de ver aquela bagunça nem me atrevi a olhar o closet. Dei um suspiro cansado e morrendo de agonia de tanta sujeira acumulada num lugar só, comecei a pegar as roupas espalhadas no chão e jogar tudo num cesto de roupa suja no canto do quarto que por incrível que pareça, estava vazio. Organizei os pergaminhos, enrolando-os até formar um tubo, peguei vários papeis na cama e na escrivaninha e organizei e por ai vai. Só sei que passei uns 20 minutos naquele quarto arrumando tudo e passado esse tempo, eu havia transformado o depósito de lixo em um quarto adequado para uma pessoa.
Sai do quarto dele e fui até o meu para começar a trabalhar. Passei pela porta e encontrei o quarto perfeitamente organizado. Não era grande e nem pequeno, era confortável. Minha cama de casal estava num canto, com uma manta violeta – que ironicamente é a minha cor preferida – e mais para frente estava meu closet. Do outro lado estava minha escrivaninha de madeira entupida por livros e em cima dela estava uma prateleira também de madeira com alguns porta retratos e mais livros. Desanimei um pouco ao ver uma pilha enorme de papeis em cima da escrivaninha que esperava por mim. Juntei coragem e sentei na cadeira da escrivaninha para começar o meu trabalho.
O Hokage sempre me enchia de trabalhos, mais sua grande maioria eram trabalhos na própria vila. Era difícil eu ter algum fora dela, pois eu tinha que cuidar do Naruto o tempo inteiro e para isso o melhor é que eu não fizesse missões fora da vila, só saio da vila em casos de urgência e mesmo assim é só por alguns dias. Ele me disse que esses trabalhos eram dados a mim para que eu não ficasse sem fazer missões como todos os outros, então para compensar isso eu cuidava das coisas por aqui, inclusive a papelada da vila.
Já havia terminado de ler e separar metade da papelada que tinha na escrivaninha, e só para isso eu gastei duas horas e meia. Eu estava começando a ficar exausta por ter ajudado o Naruto a limpar tudo o dia inteiro e ainda por ter que fazer esse esforço mental, mas eu não me rendi fácil ao cansaço, eu continuei a ler juntando toda a minha coragem.
Meia hora depois, ouvi o barulho da porta da casa sendo aberta. O Naruto tinha acabado de voltar. Voltei a me concentrar no trabalho que tinha notando que ele já estava perto de acabar. Estava no meio da leitura de um dos documentos quando ouço alguém bater na minha porta.
– Pode entrar – Limpei a garganta ao notar que minha voz saiu meio arrastada.
A porta se abriu e o Naruto apareceu, mas ele não estava sozinho.
– Estamos interrompendo? – Ryo observou os montes de papel de quantidades variadas que estavam empilhados na escrivaninha.
– Não se preocupem com isso – Dei um sorriso cansado – Algum problema?
O Naruto entrou no quarto e ficou do meu lado e deu um sorriso.
– Eu só queria ver oque era o seu trabalho Mitsue-senpai – olhou para os documentos – Isso parece ser difícil.
– Um pouco – concordei – Mas não é nada impossível de se fazer.
Ryo foi até o lado do Naruto.
– Posso ajudar em alguma coisa? Você parece meio derrotada.
Olhei para os papeis na mesa da escrivaninha e dei um suspiro.
– Não preciso, eu já estou prestes a acabar.
– Já sei oque podemos fazer! – Ryo e eu olhamos o loiro que arrumava os óculos verdes na testa – Nós podemos fazer um chá para você, assim você fica mais disposta – Naruto se virou para o Ryo com um sorriso.
– É uma boa idéia – Ryo concordou – Deixe que eu mesmo faço o chá.
Naruto fez um bico.
– Por que só você vai fazer o chá?! – Cruzou os braços.
– Por que você esta todo sujo e precisa de um banho imediatamente – Eu intervi na conversa franzindo o nariz ao olhar para o Naruto.
– Ela tem razão, você pode ir tomar um banho em quanto eu preparo o chá, Ok? – Ryo tocou o ombro do Naruto.
– Tudo bem, já eu volto – E o garoto loiro correu porta á fora indo na direção do banheiro.
Comecei a rir baixo do Naruto. Ele tinha muita energia.
– Vou para a cozinha – Ryo tocou meu ombro antes de sair, fechando a porta atrás dele.
Encostei-me na cadeira assim que ele saiu e levantei os braços me espreguiçando, oque fez meus braços e coluna estalarem. Abaixei os braços e me pus a ler o documento na minha frente. Terminei de ler ele e coloquei num dos montes de papel, tinha acabado de colocar quando sinto um arrepio percorrer meu corpo. Olhei para a janela do meu quarto e estreitei os olhos de leve.
– Que presença é essa? – Levantei da cadeira e fui até a janela, abrindo-a. Coloquei a cabeça para fora dela, me apoiando no parapeito e observei o lugar a minha volta, mas não tinha ninguém. Tirei minha cabeça de fora da janela e fechei-a.
– Eu realmente estou cansada... – Bocejei longamente e voltei a me sentar na cadeira.
Passei mais uma hora e meia naquele quarto, organizando os papeis. O Ryo tinha feito um pouco de chá verde para mim e isso pareceu realmente melhorar minha disposição e agilizei o trabalho.
Quando aquilo finalmente acabou, levantei da cadeira e sai do quarto a fim de tomar um bom e demorado banho.
– Mitsue-senpai...– Naruto vestia seu pijama e estava com a mão na maçaneta de sua porta aberta com o olhar cansado como se tivesse acabado de acordar – Já terminou o seu... – boceja -... Trabalho?
– Acabei de termina-lo – Coloquei minha mão no rosto cansado dele – E oque você faz acordado tão tarde?
Naruto abriu um sorriso ao sentir minha mão no seu rosto e corou de leve.
– Eu estava esperando que a Mitsue-senpai terminasse o seu trabalho... Por isso fiquei acordado... Mas acho que cochilei – Bocejou outra vez.
Abri um sorriso e me abaixei para ficar na sua altura.
– Obrigada por se preocupar comigo Naruto, mas eu quero que durma – Levantei a touca que cobria a testa dele e a beijei – Amanhã você tem que acordar disposto para chegar a academia ninja.
– Ok... Boa noite Mitsue-senpai. – Me olhou com outro sorriso. As pálpebras dele estavam bastante caídas de sono.
– Boa noite – Levantei e segui para o banheiro, ouvindo a porta se fechar atrás de mim.
Entrei no banheiro e liguei a torneira da banheira e deixando a água numa temperatura agradável. Comecei a me despir tirando primeiro as bolsas de equipamentos do meu corpo e depois tirei a roupa que sempre usava tanto em batalhas quanto em casa, para prevenir.
Quando a banheira encheu de água, desliguei a torneira entrei nela, deixando a água subir até cobrir a boca.
Eu estava exausta.
Quase todo o dia o Naruto aprontava alguma coisa e eu sempre tinha que ir atrás dele e ajudá-lo a limpar a bagunça que ele fazia. Aquilo era cansativo de mais, mas eu não reclamava. Não era justo reclamar já que eu quis ser guardiã dele, mesmo sabendo das conseqüências daquilo. E de certa forma, eu gostava de cuidar do Naruto, pois eu entendia oque ele passava e o que ele sentia, e queria que ele tivesse um apoio, alguém para confiar.
Uma coisa que eu sempre desejei mais nunca tive.
Sim, eu tinha a Senhora Yume do meu lado, mas eu não poderia contar tudo para ela, para que ela não se preocupasse ou que fosse vítima das pessoas que me tratavam mal. Então eu mantive em silencio grande parte do que sentia e mantive esse silêncio até hoje. Ninguém sabe pelo oque eu passei, mas eu quero que o Naruto tenha uma chance e que possa confiar em mim para compartilhar tudo. Não importa oque seja.
Antes que os meus dedos virassem uvas passas, eu sai da banheira e me cobri com um roupão felpudo que eu deixava pendurado no gancho do banheiro. Peguei as roupas e coloquei no cesto do banheiro, esvaziei a banheira e me dirigi para o meu quarto.
Vesti um pijama branco e longo que quase alcançava meus pés e penteei meus cabelos antes de me cobrir com a manta violeta da cama de casal e dormir.
-------------------------------------------------------
Ouço um barulho esquisito perto de mim.
Me viro na cama.
O barulho se repete só que mais discreto. Muito sonolenta, abri os olhos devagar enxergando o meu quarto só que um pouco embaçado. Pisco mais vezes e olho novamente e enxergo a silhueta de uma pessoa que observava algo pela janela e seu rosto era iluminado pela lua do lado de fora.
Levanto-me de pronto e olho aquela pessoa com o coração aos pulos e com um calor passando pelo corpo.
Aquela sensação... Era aquela sensação! Mas isso era impossível, completamente impossível.
A pessoa que olhava pela minha janela, rapidamente virou seu rosto na minha direção e ficou completamente parada ao notar que eu avia acordado.
– Droga... – murmurou tão baixo que quase não pude escutar. A pessoa abriu a janela e se preparou para sair dali.
Quando vi ela dar o primeiro passo para sair dali, o meu coração doeu, e meu rosto queimou. Eu não queria que ela fosse em bora.
Levantei-me em um segundo na cama e controlada pelo oque sentia abracei a pessoa por trás possessivamente, tremendo um pouco e ao sentir que eu a abraçava, a pessoa parou de se mexer completamente e sua respiração se acelerou.
Fiquei completamente estupefata com minha própria reação. Por que eu estava fazendo aquilo com um completo estranho.
– Me solte – Pediu a pessoa. Ao ouvi-la falar meu coração pulou para a garganta e aquilo só me fez abraçar ele mais forte.
Completamente confusa, olhei para cima para enxergar o rosto dele, mas mesmo não conseguindo, pois ele estava de costas para mim, fiquei completamente sem ar ao ver oque eu vi. Os cabelos dele eram completamente brancos, só que eram maiores que os que eu conhecia, bem maiores.
– Por favor, me solte – Não tenho certesa, mas sua voz saiu tão sem ar quanto eu me sentia.
– Não, eu não posso. Desculpe-me... – Meu rosto queimou mais que antes e senti a mínima vontade de solta-lo.
– Por favor...
– Não vai em bora! – interrompi – Eu não sei oque está acontecendo mas não vá em bora!
Enterrei o rosto nas suas costas e senti minhas mãos tremerem mais. O estranho tocou meus pulsos e comecei a ficar preocupada, eu estava tremendo e seria facil para ele se soltar do meu abraço.
Mas ele não fez isso.
Ele apenas afrouxou o meu abraço e se virou para mim e me abraçou, tão forte, de uma forma tão calorosa, que eu senti que poderia derreter ali.
– Eu não vou em bora – murmurou baixinho o estranho.
Sem ter controle de minhas palavras, disse:
– Promete?
O estranho me apertou um pouco mais forte e senti seu rosto tocar minha cabeça.
– Sim – Murmurou mais baixo que nas ultimas vezes.
Apenas quando senti algo molhado cair no meu braço, foi que percebi que eu chorava. Não muito, mas chorava.
– Isso... isso é um sonho... – Murmurei.
– Se você desejar – Respondeu o estranho.
Do nada, o meu corpo começou a adormecer e fiquei sonolenta.
– Não... não quero ir... – sussurrei prestes a perder a consciência.
No ultimo segundo senti algo quente nos meus lábios e tudo apagou.
Notas finais
Enfim. Tchauzinho! Depois nos vemos.
Bjks
Ami ~
Fale com o autor