Para Sempre...
8 Confusões - parte 1
Notas iniciais
Cá
estou, tomando um belo banho, esperando que meu dia seja melhor do que qualquer outro, mas sei que não será, passarei o resto do dia sozinha, já que Raymond está trabalhando na loja de conveniências do meu sogro, e todos aqui em casa resolveram fazer algo que os entretecem, as damas foram ao cinema assistir um filme que acabou de lançar, os senhores estão caçando e eu estou sem nada para fazer, ou pelo menos não tinha nada para fazer, pois acabei de ter uma grande ideia.
Corri rapidamente até o porão onde todos os nossos instrumentos ficam guardados, exceto o piano de Madeline que fica na sala como parte da decoração. Peguei meu caderno de músicas que fica na gaveta de uma cômoda, e comecei a compor uma música, peguei meu violão e comecei a cantar.
- Bela canção, mas não está tão boa. Qual o nome dela? – Blacke disse, enquanto sentava-se ao meu lado.
- Obrigada. Acho que terei que recompor. É Welcome to my death. – falei com um sorriso gentil para ele.
- Estamos com problemas Sophie.
- O que está havendo agora? – perguntei preocupada.
- Há um clã, que poucos conhecem, e eles cuidam da área de Atlanta e de vez em quando eles caçam pela nossa fronteira, o problema é que eles estão fazendo muita baderna, e isso pode acabar com o nosso fantástico disfarce de humanos normais, — ele sorriu. – temos que dar um jeito de falar com eles e proibi-los de caçar aqui, antes que arranjemos mais um motivo para que Ethan e seu clã nojento nos perturbem mais ainda.
- Ok. Isso é um aviso ou um pedido para que eu converse com eles? – ele gargalhou e me olhou com cara de pidão. – Está bem então, eu falo com eles, marque uma hora com eles e verei o que posso fazer por você. – gargalhamos um pouco e em seguida ele voltou a falar.
- O fato é que você precisa estar preparada para essa conversa, eles são pessoas... – Raymond apareceu interrompendo a nossa conversa, e Holly vinha logo atrás dele.
- Quer ir dar uma volta? – ele deu uma pausa. — E desculpem o incomodo, Paul disse que eu poderia vir aqui. –Raymond falou, Blacke sorriu gentilmente como resposta e saiu.
- Tudo bem. – guardei rapidamente o violão e fomos logo para a floresta. O silêncio era predominante então resolvi falar. – Que tal irmos caçar? Estou faminta, se eu não comer vou acabar te transformando no meu jantar. – ele sorriu e fez sinal para que eu ficasse de costas para ele. – Você vai tirar a roupa? – ele assentiu. – Não confie em mim, eu posso ser traiçoeira. – ele arqueou uma sobrancelha e sorriu. Então eu me virei e esperei, até que algo tocou o meu ombro, eu olhei um pouco acima e o vi. – Aleluia. Quem pegar o maior alce tem direito a um pedido. – disse e saímos correndo, eu fui mais rápida que ele, mas por azar eu peguei um alce não tão grande como eu queria. – Agora você tem direito a um pedido. – eu disse sentando numa pedra enquanto ele adentrou a floresta e logo voltou na forma humana.
- Posso pedir qualquer coisa? – ele perguntou sentando-se ao meu lado e olhando para mim, eu apenas assenti, e ele deu um belo sorriso. – Você confia em mim, não é?
- Claro que eu confio. Por quê? – ele sorriu maliciosamente e me beijou, eu rapidamente hesitei e ele me olhou confuso. – Faça o seu pedido e eu verei se posso cumprir.
- É apenas um beijo meu amor, você desconfia de tudo. – eu tomei a iniciativa e tornei a beija-lo com muito carinho, logo ele precisou de fôlego e nos deitamos na grama.
Depois de um tempo começou a escurecer e Raymond estava adormecido, não poderíamos continuar ali, os pernilongos podiam acabar carregando Raymond para á floresta. Comecei a distribuir beijos pelo rosto dele que não moveu nem um músculo. Resolvi usar um método mais convencional, comecei a fazer cócegas e ele acordou gargalhando muito.
- Acorda dorminhoco. – falei ainda fazendo cócegas nele que não conseguia nem falar de tanto rir.
- Para, por favor. – falou quando eu finalmente dei uma trégua. – Eu acordei, estou aqui.
- Eu sei que você está aqui, temos que ir, está ficando tarde.
- É verdade, vamos logo. – ele olhou para mim e começou a dar suas gargalhadas estrondosas.
- Por que as gargalhadas? – disse seriamente.
- Nada meu amor.
Levantamo-nos e fomos para minha casa, já que ele fez questão de nunca me deixar andar sozinha por ai, ele alega ser medo de que Ethan apareça de surpresa e me leve embora.
Chegamos e fui direto para o meu quarto pegar uma surpresa que eu guardei para Raymond, segundos depois eu já estava no segundo andar, para ser exata eu fui direto ao escritório de Derek, onde Raymond e Angel estavam conversando. Aproximei-me deles, e Alyssa começou a chorar no andar de cima, Angel rapidamente saiu do escritório nos deixando a sós.
- Uma coisinha para você. – eu disse sorrindo e pondo em suas mãos o diário que eu utilizava quando ainda era humana. – É o diário de quando eu ainda era humana, espero que você não se entedie lendo isso, só acho que você deve ter uma parte de mim com você.
- Eu vou guarda-lo com muito cuidado, pelo visto ele é bem velho. – eu o olhei seriamente e ele sorriu.
- Esse couro é de verdade? – perguntou Blacke, tomando o diário das mãos de Raymond. – Hm. Parece ser de verdade, mas está antigo que é uma beleza. – ele começou a gargalhar e Raymond o acompanhou, enquanto eu os olhava ameaçadoramente. – Relaxa irmãzinha, isso acontece, se eu fosse você usaria mais creme anti-idade, logo as suas rugas não poderão mais ser escondidas com maquiagem. – ele rolou no chão gargalhando estrondosamente com o Raymond o acompanhando.
- Se vocês não se calarem, eu juro que arranco suas cabeças fora. – Leslie entrou e veio me defender.
- Minha heroína. – falei abraçando-a o que fez com que os dois palhaços gargalhassem ainda mais alto.
- Cuidado para não viciar, se não teremos que gastar o dinheiro das roupas no seu tratamento contra o vicio. – Blacke vai perder a cabeça. Eu avancei em cima dele e caímos da sacada, o que foi melhor ainda, pelo menos não destruirá a decoração.
Eu pulei em cima dele o prendendo no chão, então ele me jogou e veio para cima de mim, desviei dos socos e o joguei contra uma árvore. Todos assistiam a nossa luta, alguns riam, outros nos chamavam de bobos, Tracy só fazia cara de tédio. Estava muito empolgante, e eu com toda minha experiência em lutas, acabei ganhando e Blacke ficou triste por ter perdido para uma garota.
- Nunca mais me irrite se não quiser perder para uma garotinha. – eu disse gargalhando.
Peguei a mão de Raymond e o guiei até o meu quarto, o joguei na cama e lancei um olhar mortal, que fez com que ele me fitasse com medo. Gargalhei e ele ficou totalmente confuso com a minha atitude. Sentei-me ao lado dele e fiquei a olhar seus belos olhos negros. Ele se sentou e puxou o meu rosto para mais perto do seu, e começou a me beijar com ternura e carinho. Ele começou a acelerar o ritmo do beijo, e me puxou contra si, em resposta eu o empurrei e ele corou.
- Nunca mais faça isso comigo, Raymond Sandler, garoto mal criado. – ele sorriu levemente para mim e abaixou a cabeça. – O que? Eu te machuquei?
- Não. Desculpa-me por isso. – ele corou novamente, mas eu não estava entendendo.
- Eu estou confusa. Mas antes que você me diga por que está corando e se desculpando, eu te trouxe aqui para que você não precise ir para casa hoje, quero que você durma aqui.
- Obrigado. Posso ir ao banheiro? – ele perguntou sem me encarar.
- Claro. Se você não quer me contar o motivo disso é só fazer uma saída estratégica. – ele entrou no banheiro e eu desci para a cozinha, tinha que preparar algo para ele comer.
- E ai maninha? Está cozinhando, milagres realmente acontecem. – falou Blacke com um sorriso enorme. – Tenho que ir, o trabalho me chama.
- O quê? Que trabalho? – perguntei enquanto colocava o macarrão na panela.
- Nenhum, só modo de falar, — eu ouvi a voz de Raymond, mas não entendi muito bem o que ele disse. – tchau maninha. – ele sumiu da cozinha me deixando sozinha com meus devaneios.
Terminei de preparar a comida, e subi com a bandeja. Quando adentrei o quarto não senti o cheiro de Raymond, pus a bandeja em cima da cama e fui em direção á sacada, e lá estavam as duas crianças brigando, Raymond e Blacke estavam lutando um contra o outro, como dois desocupados. Resolvi arrumar o quarto para quando Raymond fosse dormir, deixei a bandeja lá e pulei a sacada do meu quarto para reclamar com os dois.
- Os dois parem com isso agora. – eu disse enquanto puxava Blacke, já que Raymond estava na forma de lobo e era três vezes maior que eu.
- Deixa a gente se divertir velhota, nem é hora de dormir ainda. – Raymond pulou em cima de Blacke depois do que ele falou, eu empurrei Raymond e sussurrei em seu ouvido para que ele parasse.
- Está na hora de entrar Raymond, e isso é uma ordem. – falei e pulei na sacada do meu quarto, minutos depois Raymond entrou no quarto com um enorme sorriso estampado no rosto. – Seu jantar está pronto. – eu o entreguei a bandeja e fui em direção à porta, mas ele segurou o meu braço. – Eu volto, assim que você terminar de comer eu estarei de volta.
- Não vai, por favor. – disse ele com um sorriso gentil eu assenti e sentei ao seu lado, enquanto ele devorava a macarronada que eu preparei. – Estava realmente deliciosa. – ele disse bocejando e me entregando a bandeja.
- Vou levar as coisas para a cozinha e volto antes de você dormir. – ele assentiu e se atirou na cama. Eu desci rapidamente e depositei a louça na pia, e subi novamente para o quarto. – Voltei. – disse me sentando ao lado de Raymond e o cobrindo.
- Deita aqui. – pediu ele e eu apenas encostei-me à cabeceira da cama e fiquei acariciando seus cabelos. – Assim vou acabar dormindo mais rápido do que pretendo. – falou ele sorrindo e eu lhe dei um beijo no topo de sua cabeça. – Boa noite meu amor.
- Bons sonhos. – eu sorri e ele fechou os olhos, em questão de segundos a sua respiração ficou pesada, anunciando que estava adormecido. Eu desci e sentei-me na sala de estar, Tracy, Hale e Madeline sentaram-se ao meu lado. – O que querem?
- Estou com os catálogos de uma loja de noivas que fica em Paris, e vamos escolher agora os vestidos. – falou Madeline quicando no sofá.
- Calminha pipoca ambulante, passa para cá um dos catálogos para que eu possa escolher o meu vestido sozinha. – ela me passou um dos catálogos que eram bem grossos por sinal e eu comecei a folhear rapidamente, parei em um simples vestido longo de seda de um ombro só. – Já achei o meu.
- Me amostra! – falou Madeline e as outras se juntaram a ela, mostrei o vestido e todas deram um sorriso satisfeito. – É bonitinho, vou te deixar parecendo uma linda boneca. – depois disso eu ouvi Raymond resmungando algo e subi rapidamente para saber o que era.
- Raymond. – ele estava chorando, o que era sinal de pesadelo. – Acorda, é só um pesadelo, eu estou aqui com você. – o abracei e ele enxugou as lágrimas.
- Eu te amo não se esqueça disso. – ele falou enquanto fazia um carinho em meu rosto, e mais uma lágrima escorreu de seus olhos.
- Eu também amo você, não chore. Quer me contar o seu pesadelo? – falei secando suas lágrimas.
- Melhor não meu amor. Eu estou bem agora. – acariciei seu rosto e me levantei indoem direção à porta, mas ele segurou meu braço. – Não vai embora, fica aqui comigo.
- Eu só vou pegar um copo de água para você. – acariciei seus cabelos e sorri largamente. – Volto antes que você durma de novo. – nós rimos e eu desci para a cozinha, estavam todos na sala, a Alyssa estava dormindo e Holly fica sempre no quarto dela na hora de dormir. Peguei o copo com água e subi para o meu quarto novamente. – Disse que voltaria logo. – eu disse indo em direção á sacada onde ele se encontrava admirando as estrelas.
- Obrigada. – disse ele quando lhe entreguei o copo. – Sabe Sophie, às vezes temo não poder mais admirar a sua beleza, que você vá embora e nunca mais volte.
- Isso jamais irá acontecer, eu prometo. – disse e ele me beijou gentilmente. – Eu preciso descer, Hale está me chamando, eu volto assim que possível. – ele assentiu e eu desci as escadas rapidamente. – O que houve Hale?
- Temos noticias festeiras para você. – disse ela com um enorme sorriso e Blacke interveio.
- Vamos passar a semana ensaiando, nossa banda precisa de melhoras. Madeline foi convidada para cantar numa festa na casa do clã Johnson, Leonardo está aniversariando.
- Vamos para a Rússia. – disse Madeline com um sorriso radiante batendo palminhas. – Nós temos que arrumar as malas, e passar o resto da semana ensaiando.
- O que eu terei que fazer na banda? Eu nem sabia que tínhamos uma banda. – eu disse sentando-me no sofá ao lado de Tracy.
- Pois é, precisamos de um nome para a banda. – dizia Blacke entusiasmado.
- Que tal, — parei um pouco pensativa. –Moonlight. – todos sorriram largamente. – Tenho que subir.
Cheguei ao quarto e Raymond dormia tranquilamente, já estava quase amanhecendo e eu queria aproveitar o lindo amanhecer. Beijei-lhe a bochecha e deitei-me ao seu lado e ele resmunou alguma coisa, eu não entendi o que ele disse, foi muito estranho. Mas não me importei, e fiquei apreciando o seu sono, tão calmo. Os primeiros raios de sol nasceram, e eu resolvi deixa-lo descansar.
Desci e os instrumentos estavam todos organizados na sala de estar. Tenho certeza que devem estar se trocando para ensaiarmos, e como eu já estou á muito tempo com essa roupa é melhor eu também ir tomar um bom banho. Subi novamente para o meu quarto e entrei logo no banheiro, entrei na banheira e fiquei um tempo deitada, somente me livrando dos maus pensamentos. De repente sem que eu percebesse, Raymond entrou no banheiro e se assustou, eu sorri levemente para ele que estava paralisado olhando para mim.
- Você está bem? – perguntei ficando invisível e me enrolando numa toalha, ele assentiu e corou, eu voltei a forma normal. – O que?
- Você é perfeita. – falou ele com a cabeça baixa.
- Meu amor, você está assim por me ver na banheira, coberta de espuma? – perguntei totalmente confusa, eu estava me segurando para não soltar uma bela gargalhada.
- É melhor eu ir, meu pai deve estar preocupado, e ele tem problemas cardíacos, e – ele parou um pouco, seu coração estava acelerado, entregando o seu desejo. – é melhor eu ir. – ele me deu um beijo no alto de minha cabeça e se virou indo em direção à porta, eu segurei seu braço fazendo com que ele me olhasse completamente confuso, me aproximei lentamente e lhe beijei os lábios carinhosamente, ele me apertou mais contra seu corpo, aprofundando mais o beijo, eu o afastei gentilmente e sai em direção ao closet. – Fiz algo errado? – ele perguntou me seguindo, mas fui rápida e fechei a porta do closet.
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