Paraíso Proibido

15 Capítulo 15. Reações e Sensações


Notas iniciais
YAY YAY YAY! Consegui postar hoje, nem acredito *-* o/ um pouco atrasada em relação ao horário dos anteriores, mas enfim u.u Bom, eu passei a noite insone escrevendo esse capítulo simplesmente porque me empolguei loucamente :o só consegui terminá-lo agora a pouco, maaaas o importante é que terminei né o/ E fica dica: esse capítulo promete algumas surpresas! Tirem as crianças da sala! :x Sem mais, bora ler 8) Boa leitura!

Fernanda PDV {Fernanda: Ponto de Vista}

Quando Claire saiu para encontrar a garota na lanchonete, nós resolvemos ficar ali pelos bancos mesmo para esperá-la e ver qual seria sua reação ao voltar. Tinha certeza de que ela ia estar bem p da vida comigo, ia querer me matar! Mas eu não me importava, em quantas enrascadas ela já não havia me colocado ao longo da vida? Inúmeras. E aquilo nem era tão ruim assim, aquela garota, a Rafaela, me parecia um tanto tímida e eu duvidava que ela fosse fazer alguma coisa assim de cara com a Claire, francamente. Quem sabe elas não conversariam e acabavam por fazer uma amizade mesmo? A Claire, apesar de doida, era uma ótima amiga e eu nunca disse o contrário, ela podia até se dar bem com Rafaela — isso, claro, se ela já não tivesse abordado a menina lá na lanchonete berrando aos quatro ventos que gostava de pênis. Puts, isso seria bem constrangedor! Ela as vezes não tinha escrúpulo nenhum, era completamente doida.

– A Claire está demorando — Amanda fez notar. — Será que ela está espancando a menina? — arregalou os olhos num falso alarde. Nós rimos de leve.

– Eu duvido — falei. — Aposto que ela se rendeu e está lá fazendo um social.

– Também estou achando hein — Izie falou. Estava sentada ao meu lado, segurando minha mão. — Ela está demorando demais para quem ia simplesmente mandar a garota sair do pé dela!

Nós nos entreolhamos com os olhos estreitos de desconfiança, e rimos com a possibilidade.

– A Claire não bate muito bem, tenho até medo do que ela pode fazer com essa tal de Rafaela aí — Alisson disse.

– Bem, vamos esperar, quem sabe ela não aparece saltitante aqui de mãos dadas com a garota e dizendo que já são best friends?– respondi. — Como você mesma disse: a Claire não bate muito bem! Ela é imprevisível.

Não demorou muito para que o nosso assunto voltasse. Nós estávamos falando sobre o recesso da semana que vem quando ela apareceu, parecia um zumbi perambulando. Parou diante da mesa, olhando para nós, até parar em mim e estreitar os olhos.

– Claire? Está tudo bem? — foi Izie que perguntou, cautelosa.

– Fê, acho que ela vai te matar em três, dois, um... — Alisson disse devagar.

– Bem que eu queria matar essa bitch!– Claire saiu daquela pose de zumbi e ralhou, apontando para mim. Apertei os lábios para não rir e encolhi os ombros.

– Como foi seu encontro com a sua pretendente de olhos azuis, hã? — provoquei.

Ela abriu a boca para falar alguma coisa, provavelmente para me xingar, mas não disse nada. Ficou olhando para o vazio como se estivesse perdida em algum pensamento. Ela estava bem estranha, sério.

– Aqueles olhos... — ela murmurou. — Você... Você viu como eles brilham? A cor deles... E o sorriso... Ela tem covinhas! — fez uma cara de dor.

Tenho certeza de que eu a estava encarando com uma cara bem estranha de dúvida.

– Você não está bem, definitivamente — murmurei.

– Aconteceu alguma coisa lá? — Izie quis saber.

– Eu... Eu não consegui! Eu cheguei lá pra mandar aquela garota desencanar de mim, porque esse estrupício da minha amiga — ela me olhou fulminante — tinha falado besteira e provavelmente colocado caraminholas na cabeça dela, mas... Quando ela me olhou com aqueles olhinhos azuis, quando deu aquele sorriso de covinhas... Eu não consegui. Eu quis conversar com ela, eu quis saber dela, e... Ah– ela soltou o ar com força.

Minha boca se abriu em um "o" de surpresa quando compreendi o que tinha acontecido. Mas Alisson foi mais rápida em disparar a pergunta:

– Você se interessou por ela?!

Claire se agitou um pouco.

– Eu... — estalou a língua e bufou. Estava com aquela cara de dor, parecia que ela ia chorar a qualquer momento. Puts...– Eu não me interessei por ela, ok? Quer dizer... Eu não sei! Nós começamos a conversar e de repente eu fiquei interessada em ouvir sobre ela, eu... Eu queria saber te odiar, Fernanda, que saco! — cruzou os braços, emburrada.

– Mas... Claire, espera — falei. Eu precisava organizar meus pensamentos. — Vocês conversaram? Sobre o que exatamente?

– Ah, sobre ela, basicamente. Ela veio de... Qual era o nome? Hum... Ah, Odessa. É uma cidade da Ucrânia. Disse que nasceu aqui, seu pai é brasileiro, mas toda a família da mãe é ucraniana e eles foram morar lá quando ela tinha nove anos. E agora voltaram. E o sobrenome dela é Kurilenko. Com K mesmo — respondeu em sua pose emburrada.

Ela com aquela cara tentando disfarçar o interesse, era muito engraçado. Ísis, assim como eu, tinha os lábios apertados para não rir. Alisson e Amanda estavam na mesma, só observando com aquela cara de quem iria rir a qualquer momento. Quem diria que a Claire ia se interessar por aquela garota?

– Que que é hein?! Não fiquem me olhando com essas caras lavadas! — Claire se irritou e as meninas abaixaram a cabeça e começaram a rir. — Isso tudo é culpa sua, Fernanda! Se você não tivesse inventado isso, nada teria acontecido, eu nunca teria reparado naquela ucraniana e não estaria numa crise de dúvida quanto a minha sexualidade! Inferno.

– Opa, opa, alto lá! — falei surpresa. — Você o que? Está em uma crise de dúvida quanto a sua sexualidade? Hein?

Ela estalou a língua e bufou. Por um momento achei que ela fosse explodir e começar a me xingar outra vez, mas ela fez bico e juntou as mãos, cabisbaixa.

– É que... Eu nunca me senti assim, poxa. Nunca. Sério, eu não sei o que aquela garota tem, mas... Que merda, está me deixando feito uma idiota! Isso não é legal. Eu não sou gay, ok? A única vez que eu beijei uma menina, você lembra, foi naquela brincadeira idiota de Verdade ou Desafio na casa do Danilo, tudo isso porque não quis admitir que ainda dormia abraçando um ursinho de pelúcia aos meus vinte e dois anos! Aff. E foi a única vez — voltou a fazer bico.

– Antes você tivesse admito, porque se bem me lembro, você beijou a Nayane! — segurei o riso. — Ela era uma das lésbicas mais atiradas do colégio, fatídico.

– Pelo menos não era uma baranga! Não exatamente — ela torceu o nariz. — Ah, que se lasque, eu não quero lembrar disso. E quanto a ucraniana, bem... Eu convidei ela para ir com a gente ao litoral. Uma idiotice, mas eu convidei, aff.

– Ir ao litoral? Quando? Você não nos disse nada sobre isso, Claire — Alisson disse confusa. Nós concordamos.

– Ai, é mesmo. Esqueci, merda. Mas é isso aí, eu já reservei a casa de ponta de praia dos meus pais e nós vamos para lá essa semana de recesso, vocês querendo ou não. Cancelem todos os seus compromissos, não aceito não como resposta. Obrigada. — resmungou.

Nós não reclamamos, afinal. Pareceu uma boa ideia para todas. Depois disso, Claire ainda ficou mais um tempo resmungando sobre Rafaela e toda a "grande merda" que eu tinha aprontado com ela. Eu estava bem feliz com o resultado, não vou negar, estava me divertindo de ver a cara da minha amiga toda encantadinha pela ucraniana. Eu não achava que ela estivesse tendo mesmo uma crise quanto a sua orientação sexual, Claire sempre fora tão decidida, talvez fosse apenas um encanto momentâneo, quem sabe? Aquela Rafaela me pareceu uma garota legal, até fofa com sua timidez e aquela vontade de se aproximar da minha amiga. Eu só esperava que aquilo não terminasse em nenhum tipo de tragédia, sinceramente. Era bom a Claire se decidir, porque eu não queria ver ela sair por aí destruindo corações não.

– Bom, meninas, eu vou indo nessa — Alisson se pronunciou, levantando. — Você vem comigo, Amanda?

Amanda se levantou em seguida.

– Claro, vamos. Me deixa em casa?

– Deixo, sem problemas.

Nós ficamos observando aquele diálogo. Alisson e Amanda não eram do tipo "super amigas", então aquilo deixou todas nós curiosas. Claro que elas se davam bem, tanto entre elas como com todas nós, mas nunca foram de "nhe nhe nhe" entre elas. Eu não fui a única a estranhar.

– Que foi? — Ali uniu as sobrancelhas, colocando sua bolsa no ombro.

– Nadinha — encolhi os ombros. Izie e Claire desconversaram e desviaram o olhar.

Ela deu de ombros e as duas saíram em direção ao estacionamento.

– Estranho — minha amiga especulou assim que elas se distanciaram.

– No mínimo curioso — Izie respondeu com os olhos estreitos.

– Será que elas estão se pegando? — Claire arregalou os olhos.

Nós rimos.

– Fala sério. A Alisson e a Amanda? Acho difícil.

– Elas são bi, até onde sabemos. Por que seria tão difícil? — Claire arqueou uma sobrancelha.

– Elas são bi? — Izie perguntou, perdidinha.

– Sim. Você não sabia?

– Não...

– Ai, nossa. Que lerda — Claire riu. Izie deu um empurrão no ombro dela. — Eu sou a única normal desse grupo.

– Diga-se de passagem, né? Já está toda caidinha aí pela ucraniana — não resisti em provocar.

Ela ficou emburrada na hora.

– Cala essa boca, não começa! Você sabe que é tudo culpa sua, então não começa! — reclamou. Mordi o lábio, segurando o riso. — Ai, quer saber? Eu vou embora, antes que eu mude de ideia quanto a te bater, Fernanda. Acho que hoje é seu dia de sorte — deu um sorrisinho ácido. — Ah não, melhor! Você vai me levar pro teu apê e preparar um belo e suculento almoço para mim, está me ouvindo? Como pedido de desculpas. Não que eu vá te desculpar nessa vida, é claro. Mas ainda assim, eu aceito o almoço. Vamos embora?

Sacudi a cabeça. Mas não reclamei, deixei que ela fosse comigo e Izie para meu apartamento. Eu tinha que fazer o almoço mesmo, então deixei que ela almoçasse lá. Preparei arroz temperado, feijão branco e estrogonofe de frango com bastante molho inglês, coisas mais rápidas, já que nenhuma de nós estava aguentando de fome. Claire desfez a pose de durona e elogiou o almoço, mas depois disse que eu não fazia mais que minha obrigação. Nós rimos e falamos algumas besteiras, e claro que eu e Izie não pudemos evitar atormentá-la tocando no nome da Rafaela. Eu estava muito curiosa para saber como ia acabar aquela história, sério. Depois que terminamos, Claire disse que seria gentil e lavaria os pratos.

– Mas não se acostume! — avisou.

Dei de ombros e cutuquei as costelas dela com um sorriso divertido. Ela riu, mas depois fechou a cara, porque "lembrou que estava brava comigo", como ela mesma disse. Tsc tsc. Depois que ajeitamos a cozinha, ficamos na sala vendo televisão.

– E você hein, Izie? Já se mudou para cá, já está morando com a Fernanda? Caramba, vocês são rápidas! Pobre dos vizinhos — sacudiu a cabeça apertando os lábios, como se reprovasse aquilo.

Izie riu.

– Eu não estou morando aqui, não exatamente. Estou passando essa semana, e não se preocupe com os vizinhos, nós somos silenciosas — disse com um sorriso malicioso.

Claire abriu a boca, espantada. Dei um empurrão no ombro de Izie, o que fez ela rir. Até eu entendi o duplo sentido daquilo!

– Safadas! — disse rindo. — Ok, nunca mais eu faço esse tipo de pergunta! Dá pra notar que vocês já estão bem... hum... "avançadas" nesse relacionamento.

– É brincadeira ow — Izie falou.

– Sei! — a doida não acreditou. Nem eu acreditaria depois daquela cara que ela fez.

Depois disso nós ficamos aquele resto de tarde vendo filme e jogando video game — deixando Claire bem estressada porque ela era péssima. Acabou que ela ficou ainda mais brava comigo, mas eu tinha me divertido muito. Já era noite quando ela foi embora, e eu me ofereci para deixá-la em seu condomínio, mas a fresca toda orgulhosa não quis nem saber, disse que ia de táxi. Revirei os olhos e deixei que fosse de táxi então, oras.

– Acha que ela vai te perdoar por essa? — Ísis perguntou, quando voltei para o apartamento depois de deixar minha amiga na portaria.

– Ah, um dia ela esquece isso — dei de ombros. Ela aceitou a resposta. Fui até ela no sofá e sentei em seu colo, de frente para ela, e meus dedos se enroscaram na base de seu cabelo. Suas mãos pressionaram minha cintura e ela mordeu os lábios. — E você hein, dona Ísis. Falando para a Claire que somos silenciosas...

Ela deu uma risada gostosa.

– Ué, e não somos? Somos um exemplo de vizinhas, veja: não falamos alto, não ouvimos música alta até tarde, a televisão está sempre baixa... — disse, roçando os lábios nos meus.

– Ah, claro, que ótimas vizinhas nós somos — respondi divertida. — Mas não disfarça porque não foi isso que você quis dizer!

Com um movimento rápido, ela se virou e deitou sobre mim no sofá.

– Ah, não? E o que eu quis dizer, então, hum? — mordeu meu lábio, e eu esqueci completamente sobre o que estávamos falando.

Izie me causava sensações que eu nunca tinha sentindo antes, sempre fora assim, mas agora com essa nossa nova proximidade tudo havia se intensificado. Os toques dela me deixavam com um calor que não era normal, e embora eu nunca tivesse tido nenhum tipo de relação "íntima" com uma garota, sempre que ela estava perto demais eu desejava que ela me tocasse daquele jeito. Eu tinha certo medo, claro, não sabia como seria aquilo e não saberia como agir ou reagir, mas meu desejo por ela era tão natural e instantâneo que me fazia esquecer esses pequenos grandes detalhes.

– Do que estávamos falando mesmo? — brinquei. Ela sorriu largamente.

– Sei lá — respondeu com seu sorriso malicioso, tomando meus lábios num beijo urgente, que me incendiou como fogo em pólvora.

Não só a mim, é claro. A urgência em seus lábios sobre os meus deixava claro que ela também estava em chamas. Ela pressionou seu corpo contra o meu e um arrepio dominou minha espinha, me fazendo arquear as costas ligeiramente. Sua mão livre — a outra ela usava para apoiar seu peso para não soltá-lo complemente sobre mim — passeava pela lateral do meu corpo, desde minha coxa até meu pescoço. Ela resolveu "abusar" um pouco mais daquela vez e, refazendo o caminho com a mão, ela tocou meu seio por cima da camiseta, o que me fez prender a respiração por um momento. Mas eu não conseguia pensar direito, eu estava quente e agitada, queria senti-la, queria que ela me tocasse daquele jeito que meu corpo pedia, queria que ela me tomasse de todas as formas possíveis e existentes. Eu estava enlouquecendo!

E ela não estava me ajudando. Sua mão agitada se esgueirou por baixo da minha camiseta, suas unhas arranhando levemente e propositalmente minha barriga, me fazendo contrair os músculos numa ligeira aflição. Sua boca deixou a minha e trilhou um caminho quente e perigoso até meu pescoço, descendo pelo meu ombro, onde ela deu uma leve mordida que me fez suspirar. Mordi o lábio com força, e meu corpo inteiro se retesou quando ela escorregou e sua boca foi de encontro à pele da minha barriga. Pqp! Aquela região era muito sensível em mim, muito sensível MESMO. Eu me encolhi toda, sentindo espasmos em meus músculos abdominais, minhas mãos estavam em seu cabelo, segurando os fios desalinhados com força. Ela não teve dó nem mesmo ao ver como eu me encolhia por senti-la ali, ela chupava e mordia minha pele, raspando os dentes de leve na região das minhas costelas, e eu senti que ia morrer naquele momento mesmo, adios!

Sua boca se aproximou da base do shorts que eu usava, próximo ao meu baixo-ventre, e quando ela roçou os dentes ali eu não consegui conter o gemido que escapou por meus lábios. Porra, Ísis! Meu Deus, eu ia morrer, é sério, socorro. Pude notar que ela sorriu contra minha pele, e então depositou um beijo ali e retomou seu caminho, a ponta de sua língua passeando pela minha barriga, até chegar em meu pescoço, onde ela deu uma última mordida antes de voltar a me beijar. Envolvi meus braços em seu pescoço e apertei meu corpo contra o seu, implorando por contato. Eu estava tão malditamente entregue, que tudo o que eu conseguia fazer era desejar que ela me fizesse dela ali mesmo e o quanto antes. Eu não podia mais aguentar, havia um turbilhão de sensações implorando para serem liberadas dentro de mim.

Mas, eu não sei porque diabos em seguida os lábios dela deixaram os meus e ela levantou, sentando novamente no sofá. Eu fiquei sem reação por um momento, ofegante. Mas por que, pelos sete infernos, ela tinha feito aquilo?! Que merda! Quando dei por mim, eu já levantava num impulso e estava em cima dela outra vez. Segurei firme seu queixo, quase furiosa por ela ter se afastado, meus lábios próximos aos dela, sem tocá-los.

– Você acha que pode abusar de mim assim e sair como se nada tivesse acontecido, é? — perguntei baixo, entre os dentes.

– E não posso não? — ela sorriu. Seus olhos azulados estavam mais escuros, intensos e selvagens, me devoravam.

– Não! Isso não é justo — choraminguei. Meu corpo estava em crise com aquele monte de sensações.

– Mas por que não? — ela fingiu uma carinha inocente. Ela era tudo naquele momento, menos inocente! Tinha plena certeza de que ela sabia exatamente o que havia causado em mim.

– Porque não, Ísis!

Ela riu de leve, mordendo os lábios daquele jeito sexy que parecia ter ficado mil vezes mais sexy naquele momento.

– Então me diz o que você quer. Me diz o que você quer e eu te dou, amor — ela sussurrou em meus lábios entreabertos.

Meu estomago se remexeu com meus pensamentos impuros.

– Eu quero você, Izie. Eu quero você agora! Quero ser sua, por favor, eu não aguento mais — minha voz saiu baixa, rouca, sôfrega. Eu sentia como se pudesse desmaiar a qualquer momento e ter um piripaque se ela não me tocasse como eu queria.

Minha resposta pareceu despertar algo primitivo nela, pois ela suspirou pesadamente e mordeu meu lábio inferior, sugando-o. No instante seguinte, ficou de pé e me prendeu ao seu corpo, me mantendo suspensa com facilidade. Enlacei minhas pernas em sua cintura, com medo de cair, apesar de seus braços me segurarem com firmeza. Ela deixou a sala, sem nem se importar em desligar a tv ainda ligada — na boa, quem se importava? — e, de repente, o tempo pareceu parar e eu só voltei à realidade quando a porta do quarto bateu atrás de nós e meu corpo tocou o colchão, o corpo dela sobre o meu. Ela voltou a me beijar e eu a agarrei com todas as minhas forças. Seu corpo pressionava o meu, seu quadril forçando contra o meu, fazendo minha espinha se contorcer num arrepio de expectativa. Suas mãos voltaram a me explorar, as unhas arranhando de leve minha pele, enquanto seus lábios tomavam os meus com desejo, me fazendo desejá-la cada vez mais. Ela parou o beijo por um instante, e era oficial: eu ia enlouquecer! O que ela estava fazendo agora?!

– Eu não quero que seja assim, Fê, tem que ser especial pra você... — ela sussurrou.

Respirei fundo, me contendo para não surtar.

– Izie, pare de pensar nisso, pelo amor de Deus! — trinquei os dentes.

– Mas...

– Não, sem mas. É sério, se você não me fizer sua agora mesmo eu vou morrer! — eu passei as mãos no rosto, em desespero. Isso era mais sério do que parecia, eu sentia que ia ter um piripaque mesmo! Meu corpo ardia, mas eu suava frio, aquilo estava me matando, cara.

Ela riu e mordeu os lábios. A malícia voltou a se instalar em seus olhos. O quarto estava parcialmente escuro, apenas a luz de algum poste lá fora jogava pouca claridade através da cortina fina para dentro do lugar, o que não me dava uma visão muito clara do rosto dela, mas nem era preciso que eu a enxergasse totalmente; seu olhar ardia sobre mim.

– Ninguém morre de tesão, meu amor — ela sussurrou, mordendo minha orelha. Engano dela: eu já via a luz no fim do túnel!

– Então eu vou ser o primeiro caso, no mundo! — retruquei, suspirando ao sentir seus lábios em meu pescoço. Ela sorriu largamente.

– Vai ser mais especial que isso — disse, havia uma certeza visível em sua voz, como se ela já tivesse tudo previamente planejado. Em outro momento eu teria ficado curiosa, agora deixei passar batido. — Maaas... – ela enfatizou — Eu posso dar uma demonstraçãozinha agora.

Já era um começo. Melhor que morrer ali!

– Por favor! — quase supliquei. — Qualquer coisa, Izie, mas já! Você não vai querer que eu morra aqui e agora, me ouça.

– Não mesmo — ela respondeu com um sorriso. Com os lábios roçando os meus, ela lançou as provocações: — Eu quero você bem viva pra sentir quando eu te tocar. Quero sentir teu corpo estremecer quando eu te fizer minha...

Eu gemi em expectativa, e meu corpo já de cara reagiu àquelas palavras, estremecendo involuntariamente. Seu sorriso aumentou, e então ela me beijou com extrema urgência e excitação. Sua mão livre tocou meu seio novamente, por baixo da blusa — mas ainda por cima do sutiã -, e desceu arranhando a lateral até chegar em minha coxa. Meus músculos se retesaram com a proximidade de sua mão aonde eu mais queria senti-la, e ela respirou pesadamente, descendo os lábios até meu pescoço ao mesmo tempo que sua mão ia diretamente para o meu ponto principal de calor. Foi como um choque, meu corpo inteiro pareceu explodir quando senti sua mão em meu sexo, e por longos instantes eu até deixei de respirar. Meu Deus! Eu pulsava dolorosamente em todos os lugares possíveis, e podia sentir claramente o quanto eu estava excitada e o quanto aquilo parecia excitá-la também.

Izie desceu os lábios para minha barriga novamente, fazendo meus músculos se contraírem novamente, e foi descendo até chegar ao meu baixo-ventre outra vez. Com um movimento ágil, ela abriu o botão e o zíper do meu shorts e começou a desce-lo vagarosamente, levando junto minha lingerie, enquanto eu me contorcia para que ela fizesse aquilo de uma vez. Ela terminou de tirar as peças de roupa e as jogou em algum lugar que realmente não me importava nem um pouco, e voltou a subir até alcançar meus lábios, encaixando sua perna no meio das minhas. O contato de sua pele contra a minha me fez gemer baixinho, era como se eu estivesse sendo eletrizada, era uma sensação gostosa demais.

Sua mão desceu devagar, trilhando um caminho perigoso em direção ao meu sexo pulsante, e quando finalmente me tocou, novamente aquela sensação de explosão aflorou dentro de mim. Ela gemeu roucamente em meu ouvido, mordiscando o lóbulo da minha orelha. Conforme ela me tocava ali, aquela excitação só aumentava, fazendo meu corpo arder e entrar em total combustão; seus dedos me exploravam, enquanto seus lábios iam dos meus lábios ao meu pescoço, mordiscando, e ela suspirava contra minha pele. Eu paralisei por um instante, quando senti que ela pedia passagem para me invadir com seu dedo, mas isso durou meio segundo apenas. Ela sussurrou um "Posso?" quase inaudível, eu não teria escutado se sua boca não estivesse tão próxima ao meu ouvido. Eu não encontrei voz para dizer qualquer palavra, então apenas assenti em confirmação, e ela gemeu em satisfação, sorrindo de leve em meus lábios.

Devagar e delicadamente — uma delicadeza que não combinava nada com a urgência de nossos corpos -, ela introduziu um dedo em mim. Mas o quadro mudou quando pôde me sentir ali, sentir o quanto eu estava molhada e necessitando dela, e ela esqueceu toda a delicadeza por um instante, seu dedo entrou em mim com força pressionando minhas paredes internas, e foi como se eu tivesse apagado. A sensação foi tão forte, tão intensa, que minha vista escureceu e eu deixei de ouvir qualquer som, não tive nem consciência do gemido rouco que saiu do fundo da minha garganta, tudo o que eu podia fazer era senti-la em meu íntimo, me tocando daquela forma perigosa e que me fazia literalmente perder os sentidos.

Eu nunca tinha sentido uma sensação tão gostosa em toda a minha vida — mas eu pensei isso cedo demais. Tudo se intensificou quando ela começou a se movimentar dentro de mim, devagar a princípio, e ia aumentando a velocidade conforme sua excitação ia crescendo junto com a minha. Eu não conseguia controlar os sons que saíam da minha boca, apertava os olhos com força, trintava os dentes, mordia seus lábios e agarrava seu cabelo, arranhando sua nuca. Aquilo parecia enlouquecê-la. Naquele ritmo, com o vai-e-vem, com as carícias que ela fazia, os movimentos circulares, ora rápido ora lento, que ela fazia em meu clitóris sensível... Não demorou muito para que eu explodisse em um orgasmo tão intenso que por um momento achei que era capaz de morrer mesmo, foi simplesmente fora do nível de imaginação, fez meu corpo inteiro arquear e explodir em calor e arrepios, contorcendo minha espinha e todos os meus músculos internos e externos de uma forma dolorosamente gostosa.

Aquela sim tinha sido a melhor sensação de todas. Quando meu corpo caiu sobre o colchão de novo, tremendo, transpirante e ofegante, eu ainda demorei alguns segundos para recobrar os sentidos. O rosto de Izie apareceu em meu campo de visão, mas eu não conseguia enxergá-la nitidamente, minha visão e audição estavam turvas, meu coração descompassado pulsava em meus ouvidos, martelando incansavelmente em meu peito. Ela sorria, eu podia ver, e isso me fez sorrir de um jeito meio bobo em resposta. Pisquei meus olhos para tentar focar minha visão, mas ainda demorou um pouco para ela normalizar. Izie distribuía beijinhos em meu rosto, no meu queixo, na ponta do meu nariz, e afundou o rosto na curva do meu pescoço, puxando o ar com força.

– Eu amo seu cheiro, sério — murmurou baixinho. — Você é deliciosa, meu Deus...

Funguei um sorriso. Minha mão foi para o seu cabelo, acariciando os fios macios. Meu corpo ainda tremia, os músculos pulsando em espasmos.

– Não quer parar... — comentei quase com divertimento.

– O que? — ela perguntou com um sorriso, voltando a me olhar nos olhos.

– Os espasmos, a tremedeira... Eu estou sem forças — respondi sacudindo a cabeça.

Ela riu de leve, seus olhos brilhando com a luz que transpassava a fina cortina cobrindo a janela acima de nós.

– Bem-vinda ao orgasmo lésbico, baby– disse divertida, me fazendo rir feito boba com ela. Ela beijou meus lábios calmamente. — Na próxima vez vai ser bem melhor, eu te garanto, meu amor.

– Então eu já vou me preparando desde já para não morrer na próxima vez, porque hoje foi por pouco! Tesão mata sim, ou algo bem próximo disso — retruquei e ela riu.

Depois disso, nós nos ajeitamos na cama. Não fazíamos a menor ideia de que hora era, mas, depois de tirar o shorts jeans que usava para poder ficar mais confortável, Izie jogou o lençol por cima de nós, me abraçou pelas costas e o mundo pareceu se silenciar ao nosso redor. Eu peguei no sono ouvindo e sentindo sua respiração, sentindo seu cheiro por todo o quarto. Eu nunca havia sentido uma paz tão grande em toda a minha vida. Eu pertencia à ela. E isso havia sido só o começo.

Notas finais
WOOOOW! Quem esperava por esse desfecho? Hein hein? Ninguém, eu seeeeei *o* ahsoasiuh, me amem que eu deixo *-* s2 Bom, agora ficou claro minha empolgação toda para escrever esse capítulo :x eu acho, desde sempre, que não sou muito boa para escrever oranges, mas eu gosto de escrevê-los, isso é um problema (gostar e não ser boa exatamente, tsc '-') Mas eu espero que tenha agradado minhas leitoras! Até o próximo capítulo, suas lindas. Beijos.