Papos de uma garota apaixonada
5 Capítulo 4
– Filha! Aonde estava até essa hora? – Suzane perguntou assim que a filha entrou em casa.
– Estava na casa do Thiago. – Gabriela respondeu indo ao encontro da mãe que estava sentada no sofá.
– Custava avisar?
– Desculpa mãe. É que o primo do Thi alugou um apê aqui perto e veio estudar no Santa Mônica com a gente. – Falou se ajeitando junto da mãe. – E Vitinho acabou de se mudar, também para perto daqui.
– Eu sei. – Comentou a mãe, enquanto aumentava o volume da televisão.
– Como?
– O pai dele, o Santana, ele voltou a trabalhar com o seu pai no escritório. Na verdade vieram para cá por conta disso. Tiveram que demitir muitos dos advogados do antigo emprego dele, então ele conversou com o seu pai que aceitou de bom grado refazer a sociedade. – Falou. – Eu ia até lhe contar, mas acabei esquecendo.
– Mãe! A senhora podia ter dito, poxa ele era meu melhor amigo.
– Por falar em melhor amigo, eu e seu pai temos que conversar com você.
– De novo isso? Quantas vezes eu vou ter que dizer que considero o Thiago meu irmão!
– Quieta Gabriela. Não até seu pai chegar.
A garota levantou-se irritada, seus pais já haviam tido essa conversa com ela na sétima serie e também no primeiro ano. Ela sabia o que sua mãe achava dessa amizade “Vai terminar em namoro” e também sabia que ela confiava demais no Thiago, afinal a mãe dele e a dela eram amigas desde a faculdade de licenciatura. Mas também sabia que seu pai não gostava muito que fosse tão amiga de um garoto, já havia pegado seu pai dando vários avisos ao Thiago. Até achava graça as vezes.
A porta da casa foi aberta novamente, e por ela entrou um homem com seus cinquenta anos de idade já com os cabelos grisalhos, baixinho e vestido de terno e gravata. Falava animadamente ao celular com quem Gabi entendeu ser o tio Arthur, será que ainda podia chama-lo de tio?
– Claro, sim... Podemos... Então sexta na sua casa... Até. – E desligou o telefone.
– Quem era? – Suzane perguntou.
– Artur Santana, vamos jantar na casa dele na sexta. – Falou e depois se voltou para a filha. – Acho que já sabe das novidades não é gatinha?
– Já sim pai. – Respondeu rindo e caminhando até o pai para lhe dar um abraço.
– Bem, então vamos comer. – Suzane falou levando-os em direção à cozinha.
– Falem logo, por favor. – Gabi pediu quando o silencio ficou bastante incomodo.
– Gatinha, você sabe que confiamos em você e sabemos que os dois se consideram irmãos, mas, por favor, entenda que é difícil para nós vermos você tão intima daquele garoto, desde sempre foi assim e bom...
– O que o seu pai está querendo dizer é que queremos saber se você ainda é virgem meu amor. – O rosto de Gabriela ficou ainda mais rubro do que hoje a tarde, já tinha conversado sobre isso com sua mãe e mesmo assim foi vergonhoso.
– Claro mãe. A senhora sabe disso. E não se preocupem eu nunca que teria qualquer relação dessas com o Thi, eu o amo como se fosse um irmão e ele mesmo já disse que quebrava a cara de qualquer um...
– O Thiago subiu mais uns pontos comigo por causa disso. – Ele falou sorrindo.
– Ah! Por favor Nivandi, se fosse por você sua filha só namorava com ele. – Suzane disse.
– Mas nós somos só ÓTIMOS amigos. – Gabriela interviu.
– Por falar em ótimos amigos, o filho do Santana está de volta, viu ele hoje? Era muito amigo seu quando pequenos não era? – Nivandi perguntou.
– Vi sim, era sim, e provavelmente vai continuar sempre. Ele é melhor amigo do primo do Thiago, que também ta estudando aqui, ou seja, estamos de novo no mesmo grupinho.
...
“Não Thiago, as baratas não podem ser os melhores animais só porque é cientificamente provado que elas podem sobreviver a quase tudo...”
“Mas Gabriela, olhe por esse lado, se elas são o futuro de qualquer geração e irão perdurar um bom tempo nesse mundo é obvio que são os melhores animais! Se não, porque a natureza as escolheu?”
“Se é assim devemos ser nós os melhores animais, uma vez que somos a espécie dominante desse planeta!”
“E as formigas?”
“Que?!”
“Elas estão em todos os lugares, dominam a parada... Mas mesmo assim as baratas conseguem qualquer coisa. Elas têm até asas!”
“Eu ainda não acredito que estamos nessa conversa de espécies há mais de cinquenta minutos! Se não fosse os bônus eu já teria desligado.” – Gabriela falou rindo.
“Bem. Temos esse plano para isso... Mudando de assunto, arrume-se logo, pois Vitor e Pedro já estão aqui em casa e daqui a deis minutos estamos ai”
“Eita merda, esqueci totalmente que temos aula hoje. Ainda estou de pijama... A culpa é sua Thiago! Não era para ligar para mim de cinco horas da manhã!” – A menina falou irritada tirando a camisa que usava como pijama e correndo para o banheiro.
“Humm, que dizer que você está com aquela camisa do seu pai?” – Gabi ouviu seu amigo falar.
“Cala a boca que eu vou tomar banho agora, vou desligar e...”
“Beleza amorzinho te vemos daqui a pouco.”
E foi só quando ouviu Vitor pronunciar essa última frase foi que a garota se lembrou da aposta que tinha feito. Só achava que tinha pego um pouco pesado... O que poderia fazer de ruim contra aquele garoto desde que não o machuque muito? Mas Gabriela podia pensar nisso mais tarde, ainda tinha uma semana pela frente e a prioridade agora era não se atrasar para a escola.
–... Como você está crescido garoto, está tão lindo. – Dona Suzane falava com Vitor e assim que vê Gabriela abre um sorriso. – Não está lindo Gabi?
– Claro mãe, a coisinha mais linda do mundo! – A garota fala rindo.
– Ei! Você ainda se lembra disso? – Ele perguntou. – Bem, que seja, mas se esqueça desta frase.
– Vamos? – Pedro perguntou.
Ir para a escola em pleno sábado de manhã era um sacrifício que aceitaram sem saber exatamente o que era. Faziam parte do comitê de festas, ou seja, estavam responsáveis pela festa de conclusão e qualquer outra coisa que pudessem pensar.
– Alguém poderia me dizer o porquê de nós estarmos nesse comitê? – Camila perguntou assim que viu os amigos entrarem na quadra.
– Bem, a ideia foi sua. E por conta daquele gato que acabou de entrar. – Laura disse apontando discretamente para o garoto.
– Oh! É mesmo, com um comitê desses quem não ajudaria? – Camila falou.
– Já estão em cima do Nicholas? – Gabi perguntou rindo.
– Então esse é o Nicholas grego! – Laura falou com uma voz maliciosa.
– Humm, então temos mais um fluente em grego entre nós? – Cam ponderou. – Faz sentido, ele é um deus.
– Tira o olho Camila, ele já é da Gabi. – Lau.
– Oh é mesmo.
– As senhoritas poderiam parar de falar do cara? – Thiago começou. — Eu sou o único homem da vida da Gabi. – Thiago falou pegando a garota nos braços.
– Thiago coloque as mãos em cima da cabeça, por favor. – Bernardo pediu e Thi o fez confuso. – Ótimo, já está sentindo os chifrinos? – Terminou rindo.
– Por favor, estudantes! Atenção! – Gritou a professora Santos, responsável pelo terceiro ano. –Bem melhor. Agora, precisamos eleger a cúpula do comitê, dois de cada sala para ser mais precisa. Votem entrem si mesmos e me deem os nomes em dois minutos.
– Têm mais alguém da nossa sala fora nós? – Bernardo perguntou observando o resto da quadra.
– Não. Somos só nós. – Vitor respondeu.
– Eu voto na Gabi e no Bê. – Thiago.
– Eu e a Gabi. – Laura.
– Vitor e Laura. – Camila.
– Laura e Gabi. – Bernardo.
– Gabi e Bê. – Pedro
– Gabi e Bê – Vitor.
– Laura e Camila. Gabriela.
– Então ta feito, Gabi e Lau. Agora vão até a Santos e finjam que estão super interessadas. – Camila falou empurrando as amigas.
– Mas eu realmente estou super animada com essa coisa de organizar festas. – Laura falou radiante.
– Ah é mesmo! Esqueci que a patricinha tem um fraco para festinhas. – Pedro cantarolou rindo.
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