Papos de uma garota apaixonada
6 Capitulo 5
— Aglis! — Ao ouvir seu apelido, Gabriela estancou. Nicholas era o único que a chamava assim... Aglis... em homenagem a mais bela e graciosa das três graças, uma deusa grega. Como ele pode chama-la dentro da escola?!
— Nick, já falei, não podem nos ver juntos aqui. — A menina bufou enquanto o garoto aproximava-se.
— Aglis... Qual o sentido de vim estudar aqui se não puder ficar mais perto de você? — Ele gracejou com um lindo sorriso no canto dos lábios.
— Estou avisando, se continuar assim irei chama-lo de Hefestos viu. — Gabriela riu com seu trocadilho quanto à beleza do garoto.
— Adoraria. Porque assim seríamos casados! — Nick falou puxando a menina para a sala ao lado e trancando a porta em seguida.
— E você teria uma linda Afrodite para trair não é...
— Gabriela... Eu não sou mais aquele galinha que o Thiago tanto odeia. Você sabe, eu mudei por você! — Com isso o menino beijou calmamente os lábios dela.
— E é exatamente por isso que ele jamais pode saber... O Thiago lhe odeia e ele tem motivos mais que o suficiente para isso. — Afastou-se das carícias do namorado e o olhou nos olhos. — Só por favor... Amenize um pouco. Tenho certeza que convencerei meu irmão.
— Você sabe tão bem quanto eu que ele nunca irá gostar de mim. — A feição do garoto tornou-se séria. — Você não acabaria comigo por ele não é Aglis? Eu te amo e não suportaria não te ter comigo.
Gabriela arregalou os olhos. "Eu te amo". As três palavras que tanto sonhou em ouvir de Nicholas... Porém não tiveram o efeito esperado, ela pensava que se jogaria em seus braços, retribuiria a declaração e ficariam juntos até o amanhecer. Contudo somente o que passava na sua cabeça era, amor de infância... amor lembrava Vitor... Não. Não... A mente de Gabi não poderia estar confusa desse jeito pela volta de um certo galego. Certamente não era isso. Deve ser Thiago. Sim! Claro! Thiago sempre foi o único suporte de Gabriela, como ele se sentiria sabendo dessa declaração...?
— Aglis? Olhe não fique assustada! Eu não espero que você diga. Não, não precisa. Era eu que precisava externar, libertar o que estava preso em minha garganta. — Nicholas estava um pouco apreensivo e olhava atentamente os olhos chocolates de sua menina. — Eu te amo e fim. Não precisa se preocupar com nada fora isso.
— Desculpe Nick. — Depositou um selinho em seus lábios antes de falar. — Eu quero estar com você, não importa o que o Thi fale. — Sorriu — Só precisa fixar que eu necessito de um tempo antes de falar, mas eu realmente gosto muito de você.
Nicholas riu do pedido de desculpas da namorada e beijou-a intensamente. Para Gabriela não era preciso mais nada, estava nos braços de quem queria... Bom... Pelo menos achava que sim. E estava feliz nele.
— Bom, agora chega... — Sussurrou no ouvido de Nick. — Tenho que ir, vão suspeitar da minha demora.
— Você bem que podia contar logo pro Thiago e acabar com nosso segredinho.
— Ah, claro. E o Thi vai super amar a ideia. — Falou sorrindo.
— Qual é? Fazem três meses já Aglis.
— Por isso você não vai se importar de esperar mais um pouco. Agora me deixe ir. — Deu um selinho no garoto e saiu correndo antes que ele tentasse alguma coisa.
Tinha que arranjar um jeito de acabar com a rixa daqueles dois, já fazia muito tempo e na boa estava de saco cheio dessa frescurice.
— Onde você tava menina? O pessoal ficou maluco pensando que tu tinha aparatado! — Bernardo falou quando a avistou dobrando o corredor.
— Por ai... Fiquei pensando e acabai me perdendo do povo. Por falar neles...?
— Desistiram de você e foram pra casa, eu fiquei porque tinha que resolver uns troços ai com o diretor. — Falou seguindo ao lado da menina.
— E quais os planos para hoje?
— Na verdade nenhum, cada qual que foi pra sua própria casa.
— Que sem graça. Então vou passar mais um dia vegetando e assistindo netflix... — Gabriela bufou fazendo o nerd rir.
— Ou podemos assistir um filme culto, que ninguém sabe nem o nome e dar uma de crítico de cinema — Bernardo sugeriu como quem não quer nada. O que não era verdade, já que depois de jogos o passatempo preferido dessa dupla era ver filmes independentes no cinema meio ripster do centro da cidade.
— AH BÊ — Gabriela gritou pulando nas costas do menino. Não deu certo. E os dois caíram no chão morrendo de rir. — A gente podia se casar e virar dois velhinhos cinéfilos super cultos.
— E nossos netos teriam o melhor repertório cultural de todos. Além de serem super ricos já que o gênio aqui vai criar uma patente e ficar podre de rico. — Bernardo se gabou, levantando-se e ajudando Gaby a se levantar também.
— Tenho pena da mulher que tiver que aguentar todo essa sua prepotência meu caro gênio. — A menina falou com cara de pena.
— Olha quem fala. – Resmungou. – E ai, o que vai fazer com o Vitor? – Perguntou sorrindo, sorriso este que murchou quando notou o olhar cabisbaixo da menina. – Qual é? Nunca vi você tão desanimada com um desafio ou vingança.
— Ai bê, eu não sei o que fazer. Quer dizer... eu tenho várias ideias, mas nenhuma que possa fazer, todas parecem graves de mais.
— Gabriela! – Bernardo parou na porta da escola e olhou nos olhos da amiga. – Você colou eu e minha irmã por dois dias e só conseguimos nos soltar quando pedimos de joelhos para você. Subornou o Luan para dar um gelo na Laura enquanto eles namoravam só para ela aprender que a amizade de vocês valia muito. – Suspirou. – A única pessoa que você não mexe, bem só pressão psicológica mesmo, é o Thi. Então me diz Gabriela Moscovis, o que o Vitor tem?
— Eu posso não falar nada, esquecemos isso e vamos assistir o filme? – Perguntou com um sorriso falso.
— Não. Não. Não vai me dizer que... – Bernardo fechou os olhos e coçou a cabeça num gesto de claro nervosismo. – Olha Gabi, eu nunca te perguntei isso e realmente depois que ele foi embora não achei que fosse tocar no assunto. – O menino abriu os olhos e encarou a garota. – Você gostava do Vitor?
— Era assim tão obvio na época?
— Hamm sim. Você era grudada nele, fazia tudo o que ele queria e tals. Só ele que era tapado demais para perceber. Mas diz ai, tu ainda gosta dele?
— Bê, eu vou te dar a mesma resposta que dei pra tua irmã no primeiro dia de aula: meu coração ta um tiquinho mexido. Mas nada que vá dar merda no final, só me pegou de surpresa e eu tenho o Nick e... – A menina parou quando se deu conta da merda que falou.
— É o que? – Bernardo perguntou surpreso. – Você tá com o Nicholas? O Nicholas que pegou duas namoradas do Thiago?
— É... Olha não foi planejado e eu vou contar pro Thi, só preciso de um tempinho.
— Gabi, na boa, tua vida ta melhor que novela mexicana.
— Cala boca. – Deu um tapa no ombro do amigo rindo.
— Agora eu vou te deixar em casa e ir atrás da Patty.
— Hummm, vai dar uma passada na sua amiga colorida é. Porque vocês dois não começam a namorar logo hein?
— Porque você sabe muito bem que relacionamentos não é para mim. Além do mais, a Patty ama essas coisas abertas, porque ela não é de um só.
— Se superdotação significa zero relacionamentos amorosos eu sou super feliz sendo uma mera mortal.
— Bom, te deixo aqui e to indo. – Deu um beijo na testa da amiga. – E decide logo tá. Lembra que tu tem que cumprir o desafio se não vai ficar estranho pro teu lado.
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