Paperweight

3 Autumn Leaves


Notas iniciais
O que se passa na cabeça de Kurt e Jane depois de acordarem? O que eles vinham tentando esconder e negar nos últimos tempos

Antes que pudessem pensar em se mover, algo interrompeu o agridoce momento de ressaca moral de Jane e Weller. O telefone dela tocou e logo após duas vibrações passou a avisar quem era o autor da ligação: Roman. De um modo desajeitado, Jane saiu rapidamente de cima de Kurt, revelando ainda mais sua nudez e foi até o outro lado da cama enrolada no cobertor. Era sabia que o olhar dele estava sob ela, mas ela escolheu não ligar muito para isso no momento. Ela pegou seu celular no criado mudo que havia do lado da cama, onde também estava uma das roupas de Kurt. Ela fechou os olhos, suspirando fundo e pegou o celular.

— Jane… — Ela disse ainda de olhos fechados sem pensar.

— Hey, é Roman — Seu irmão disse um tanto animado do outro lado da linha. — Como você ta?

Ela riu um pouco do quão embaraçosa aquela pergunta parecia no momento, mesmo sendo aquela pergunta bem comum, principalmente entre ela e Roman.

— Estou com dor de cabeça. Como ta por ai? — Ela perguntou tentando fugir de dar qualquer detalhe para seu irmão. Ela nem sequer tinha raciocinado direito o que ia fazer depois de desligar.

Kurt esticou-se na cama, sentindo-se bem próximo a Jane e os dois se olharam ainda embaraçados. Kurt pegou seu calção, que antes estava no criado mudo, perto do celular.

— Jane? — Ela ouviu Roman dizer no telefone depois de um tempo.

— Desculpa. — Ela disse suspirando um pouco. — É que eu estou de ressaca e acordei a pouco tempo.

Ela escutou uns segundos de silêncio até que a voz de seu irmão apareceu novamente.

— Onde você está? E com quem? — Ele perguntou curioso.

Ela olhou ao redor. Kurt já não estava no quarto e ela agradeceu mentalmente por isso.

— Eu não sei onde eu estou, mas… — ela disse hesitante, sabia como seu irmão ia agir. — eu estou com Kurt.

Ela escutou a risada irônica do seu irmão e até se deu o luxo de rir um pouco também.

— Você está apenas tirando onda comigo ou ta falando sério? Injetaram alguma coisa em você? Talvez coragem? — Ele disse depois da risada.

— Não. — Ela disse também depois do riso. — Nas me presenteou com uma viagem e também a ele. Acabou que concordamos em vir.

— E então você acorda com ressaca? — Ele disse bem sério. — Pra alguma coisa tua coleguinha serviu, né?

Jane revirou os olhos.

— Não é como você está pensando. — Jane disse bem séria.

— Sério? Não teve nenhum beijinho? Vocês não dormiram juntos? — Ele disse com ironia.

— Eu não vou falar da minha vida sexual com meu irmão. — Jane confessou.

— Então aconteceu? Foi bom? — Ele disse quase rindo.

— Meu Deus, pare de ser tão irritante. — Ela disse esboçando uma risada logo depois.

— Ok. Parei, mas você vai ter que me avisar com antecedência do casamento para que eu possa planejar a volta. E eu tenho que ser padrinho do primeiro filho de vocês. — Ele disse rindo novamente.

— Meu Deus, como você é irritante. — Jane disse respondendo-o.

— Ok. Parei de vez. Só liguei pra saber como você ta, mas acompanhada de Kurt tenho certeza que mal você não ta. — Ele completou. —Se precisar só me liga, ok?

— Ok. Bom dia. Te amo. — Ela disse com um sorriso na ponta dos lábios.

— Também te amo. Bom dia. — Ele disse até que desligou.

Ela até pensou em deitar novamente na cama. Era irresistível a ideia de ficar ali deitada, mas ela sabia que não dava pra adiar qualquer conversa ou momento com o Kurt. Não quando eles ainda tinham um final de semana inteiro pela frente pra compartilhar.

Ela se levantou lentamente, ainda segurando o cobertor envolto em seu corpo e Kurt apareceu na porta do banheiro, somente com uma toalha enrolada na cintura. Ela não evitou olhar para seu corpo. A noite passada tinha sido muito boa.

— Desculpa, eu… — Ele começou a dizer quando ela balançou a cabeça.

— Está tudo ok, Kurt. — Ela disse e passou tão perto dele, adentrando no banheiro.

Ele vestiu-se e parou em frente a porta. Ainda tão reflexivo sobre o que havia acontecido. Ele sabia que o álcool tinha dado impulso para eles fazerem o que acabaram de fazer, mas será que ela queria? Será que ela gostou? Ele se perguntou indo pra cozinha.

Ele sabia que poderia não ter significado nada pra ela, afinal eles tinham bebido demais, mas significou tanto pra ele. Foi como uma vela sendo acendida em meio a escuridão. A escuridão que havia entre eles dois. E depois da noite que tiveram, foi como se uma luz fosse acendida na mente dele e agora ele poderia ver o que ainda havia dentro do coração dele por ela. Não havia nada além de amor. Ele ainda a amava, tanto quanto ele lutou contra isso, ele sabia que esse sentimento ainda estava com ele e depois da noite passada ele o viu. Ele poderia enfrentá-lo, cravar uma luta, mas ele decidiu que era hora de se abrir, de tentar consertar as coisas e ainda viver esse amor o tanto quanto eles podiam.

Ele encontrou remédio e fez suco e torradas para eles. Ele comeu silenciosamente até escutar o barulho da porta.

Ela veio silenciosamente até ele e eles se entreolharam. O silêncio pairou até que ela sentou na frente dele.

— Bom dia. — Ele disse depois de alguns segundos.

— Bom dia. — Ela disse olhando bem séria pra ele.

— Eu fiz pra você. — Ele disse apontando pras torradas. — Tem suco dentro da geladeira. Também tem remédio aqui caso esteja de ressaca. — Ele concluiu.

Ela se serviu e voltou a sentar na frente dele.

— Obrigada. — Ela disse logo que mordeu num primeiro momento a torrada.

Ele apenas assentiu com a cabeça. Eles comeram em silêncio e ela ficou alternando entre olhar a comida e ele.

Sua cabeça estava uma loucura. Ela não sabia se era um erro ou não ter ido pra cama com ela. Ela estava satisfeita, feliz por saber que ele ainda a desejava, mas ela tinha medo do que poderia sair dali. Agora ele sabia que ela também o desejava ainda, apesar de tudo. Isso a aterrorizava porque aquilo poderia não ter significado nada pra ele e ela só ia se magoar de novo. Ela sabia, mas tinha ficado ainda mais óbvio depois de ontem que ela ainda sentia algo por ele. Ela ainda o amava e ela amou ter sido tão genuinamente feliz nos momentos da noite passada com ele.

— Nós precisamos conversar sobre o que aconteceu, Jane. — Ele disse tirando-a de seu pensamento.

Ela passou a mão em seu rosto. Sua cabeça estava quase explodindo de dor, mas ela o olhou.

— Precisamos. — Ela disse levantando-se, indo em direção a onde ele tinha colocado o remédio e tomando, pegando seu suco.

Ela sentou-se novamente na frente dele.

— Podemos conversar mais tarde? — Ela disse olhando pra ele. — Eu juro que não estou fugindo, eu só… preciso de mais energia. Estou me sentindo horrível com essa dor de cabeça e essa dor no corpo.

— Ok. — Ele disse levantando-se e indo lavar o que tinha sujado de louça. — Isso é o efeito do álcool. Se lhe faz bem, você poderia correr ou fazer algo que libere o suor, assim o álcool sai mais rápido do seu corpo.

— Obrigada pela dica. — Ela disse com um meio sorriso pra ele.

Ele terminou e decidiu sair, talvez correr pra também suar e liberar álcool, tentando se libertar dessa sensação de ressaca. Ao dar uma volta pela casa, ele encontrou uma academia do lado de fora em uma sala com portas de vidro, logo a frente da piscina. Ele decidiu ir correr na esteira e foi isso que ele fez.

Jane tinha adentrado no quarto pra apanhar o celular, até que ela pegou o celular da casa e viu que havia mais da casa do lado de fora. Uma academia e uma piscina. Ela decidiu ir pra piscina. Ela foi se trocar quando avistou um pacote dentro do guarda roupa. Havia uma etiqueta pro lado de fora e ela leu: era de Nas pra ela.

Ela abriu devagar e viu que ela um biquini preto. Ela tinha trazido um, mas acabou decidindo vestir aquele. Ela saiu de casa com protetor na mão e água em uma garrafa. Ela mergulhou fundo, nadando o máximo que poderia , até que ela decidiu deitar em uma das esteiras que estavam no sol. O calor a faria transpirar mais rápido. Ela passou protetor solar em si mesma e deitou-se, não parando de pensar no que havia acontecido. Ela olhou pro horizonte até que viu Kurt de costas para a piscina em uma esteira.

Ela sorriu involuntariamente. Ela sabia que ela gostava de observá-lo. Ela tinha uma nata admiração por ficar apenas olhando pra ele, e com ele não vendo-a, ela se aproveitou para continuar olhando-o, até que seus olhos pesaram e ela acabou cochilando ali mesmo.

Já faziam longos minutos que ele estava correndo e sua camisa cinza já estava ensopada de suor quando ele decidiu que poderia parar. Ele desligou, desacelerando seus passos até que parou. Ao sair, ele olhou para a piscina para encontrar Jane deitada ao lado. Ela parecia estar olhando para onde ele estava, mas logo que ele se reaproximou, ele percebeu que ela estava dormindo. Ele olhou pro relógio. A tarde já adentrava e o sol estava mais agressivo que o normal naquele dia. Ele aproximou-se, observando-a mais ternamente dormir. Como ela era mais linda assim, ele pensou. Ele porém não poderia mais deixar ela ali, ou ela pegaria uma insolação. Ele pensou em pegá-la nos braços, não querendo acordá-la, mas ele sabia que eles tinham coisas a resolver e caso ela acordasse nos braços dele, as coisas poderiam ficar ainda mais estranhas e não era o que ele desejava. Ele tocou seu ombro levemente, chamando seu nome e logo viu seus olhos piscando, olhando para os lados um pouco sem entender o que estava acontecendo.

— Desculpa acordá-la. — Ele disse de pé, diante dela que estava se sentando na esteira. — O sol está ficando mais forte.

— Obrigada. — Ela disse sorrindo. Ela o olhou dos pés a cabeça. Ele estava tão lindo suado naquela camiseta.

Ele também a olhou. Ela parecia ficar mais linda a cada vez que ele olhava pra ela. Ele despertou pensamentos e os recusou, antes que pudesse se enganar novamente. Ele deu um passo para voltar pra casa quando ela o chamou.

— Kurt…. — Ela disse até que ele virou-se pra ele. — Acho que nós precisamos conversar agora.

Notas finais
O que acham que vai sair dessa conversa? Espero animadamente os comentários de vocês!