Papercut
8 Capítulo 8
Capítulo 08
Já havia se passado praticamente uma semana após a confissão de Ruki. As coisas pareciam correr de modo extremamente... Normal, por assim dizer.
Sua mente ainda não aceitava o ocorrido.
Então, seria assim, fácil, para o pequeno? Esperar perpetuamente por um amor a ser correspondido, sem ter a certeza de que isso realmente acontecerá?
Reita mantinha-se confuso em seus pensamentos. Mas a única conclusão a que conseguira chegar – mesmo que fosse um tanto óbvio – é que Ruki era uma criatura adorável.
E paciente.
Imaginar que o menor esperaria por ele o tempo que fosse preciso lhe trazia uma sensação agradável.
Estava disposto a retribuir a essa abnegação do menor. Faria de tudo possível...
E foi quando viu que o mesmo o esperava na frente do portão onde trabalhava – e onde o ruivo estudava, como seu próprio aluno-.
Realmente...
Continuava o mesmo. Estava com a face abaixada – como que com vergonha -, o cabelo ruivo tampando seus olhos escuros, o lábio inferior sendo mantido entre os dentes.
Adorável, parado na passagem do colégio, esperando-o.
Aproximou-se do corpo menor, tocando-lhe levemente a face avermelhada. Em troca, recebendo o olhar receoso.
Puxou-o pelo braço, suavemente, trazendo-o para um canto mais afastado. Para se perderem de vista das incômodas pessoas que teimavam em observar os dois.
Como se fosse errado...
Mas não era, de qualquer forma?
“Esperou muito por mim, pequeno?” – disse uma voz mansa, sem se importar muito com os olhares que ainda recebia. Mesmo que discretamente.
“Ah... Sensei...”
Sua voz era manhosa como sempre fora...
Mesmo depois de tudo.
Estava realmente convicto que faria valer a pena. Que faria Ruki sorrir de uma forma inexata.
Colocou uma mecha ruiva atrás de sua orelha, tocando-lhe ainda que levemente as bochechas rubras.
Ruki parecia derreter ao seu toque. Então ele ainda tinha efeito no menor...
Bom.
Muito bom.
Puxou-o para mais perto. A respiração ofegante batendo contra a sua. Era difícil resistir contra aqueles lábios carnosos tão ansiosos quanto os seus.
Afligia-o apenas pelo roçar.
“Que tal... se nós sairmos agora, para dar um passeio?”
Os olhos chocolates olharam-lhe de uma forma diferente. Um brilho deleitoso.
Ainda estava desnorteado, esperando pelo beijo que não viera.
Sua face neste momento deveria estar pegando fogo. As pequenas mãos molhadas de suor pela apreensão.
“Você diz... Como um encontro?”
Sorriu. Tão inocente...
Mas era isso que adorava no ruivo. E conteve a vontade de morder-lhe a face, tão saborosa.
“É... Como um encontro. Aceita?” – e estendeu-lhe a mão como num daquele filmes bobos românticos. Mas o pequeno aceitou, de qualquer forma.
E era tudo o que precisava pra fazê-lo deleitar-se.
Não tinha muitos conceitos em encontros... A única coisa que pensou em fazer foi levar o menor para tomar um sorvete.
E pensou que iria decepcioná-lo com a idéia tão tola. Não era nada de especial.
Só precisava de um momento com ele.
Mas o outro parecia feliz só de poder segurar-lhe a mão enquanto caminhavam em passos lentos.
Ruki mantinha-se calado por todo o trajeto. E Reita não queria quebrar o silêncio...
Estava esperando a hora certa. Durante toda a semana seus pensamentos não saíam da criatura que agora lhe estava segurando as mãos grossas. Um calor gostoso formava-se entre elas.
Como uma pessoa podia ser desse jeito... Tão atenciosa?
Realmente não compreendia, não entendia como não havia se apaixonado por ele logo na primeira vez que se viram.
Quando as mãozinhas trêmulas procuraram a barra de sua própria blusa e seus lábios contorceram-se naquelas três palavras...
Quando provavelmente, no fundo de tudo, seu peito contraiu-se em palpitações fortes. Imputava o fato de não ter conseguido sequer repetir a mesma sentença.
Mas preferira deste jeito, não enganá-lo com calúnias.
E agora estava esperando o momento de...
Mais um aperto na mão. O outro estava puxando-o rapidamente para sentarem no que supôs ser um banco.
E quando percebeu o ruivinho já estava com o sorvete na mão. A boca completamente lambuzada. Os lábios entreabertos enquanto tentava limpar o local sujo de creme com a língua.
E contorceu-se para não agarrá-lo de uma ver por todas.
Mas suas mãos gélidas não se contiveram. Passou o polegar pelos lábios rosados, retirando o creme.
Seus olhos sem quebrarem o contato por um momento sequer.
E o menor sorriu. Um sorriso doce. Um sorriso que só ele poderia proporcionar.
Que só se mostrava daquela forma tão bela quando estava com ele. Quando estava satisfeito, feliz...
“Ruki...”
Chamou-o melosamente.
“Sim...?”
E viu um brilho nos orbes escuros. Depois de tudo, ele ainda estava esperando...
Certo...?
Sério.
Odiei esse capítulo. Só de transição mesmo.
E não, as coisas não vão ficar – continuar — bonitinhas no próximo capítulo...
Mas...
Reviews? -A-
PS: Capítulo 9 já está feito e betado, posto semana que vem... Ou quando eu escrever o 10.
PSS: Nossa... Até que ficou grande :D — feliz —
Até :)~
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