Papercut

9 Capítulo 9


Capítulo 09

Sua cabeça pendia para o lado. Os lábios vermelhos – ainda cobertos de creme – partidos em um beiço interrogativo.

Sentiu um aperto. Como começar...

Tentou achar uma posição mais confortável no banco. Inclinando-se para mais perto do outro. Uma distância razoável. Só pra poder ter uma visão melhor do que se passava naqueles olhos.

\"Você se lembra... Do que me disse aquele dia?” — sua voz era meio receosa. Sem muita certeza.

Os olhinhos de Ruki se voltaram para a face encoberta por mechas.

\"Lembro...” – sua voz soou tão amena que sequer conseguiu destingir o que se passava na realidade.

Por um momento imaginou que o menor lhe questionaria para saber o que pretendia com tais palavras. Mas seu olhar se manteve calmoso.

Ou só aparentava.

Procurou algum modo mais simples de começar. Não queria adiar mais.

E antes que precisasse sequer referir-se a qualquer acontecimento passado – ou o que cobiçava -, Ruki cortou suas palavras.

“Se for para falar sobre o que aconteceu... Não precisa...” – sua voz jazia no mesmo teor de anteriormente – “Não estou te cobrando nada...”

E pôde jurar que desta vez, diferente de quando tentou encobrir o brado suplicante, a dureza e amenidade não mais existiam em sua tonalidade.

Então finalmente deu-se conta da realidade.

Ele estava, todo este tempo, esperando por uma resposta.

E se perguntava se ele, estando em seu quarto, deitado sobre os lençóis desordenados, não tinha seu peito ardido ao lembrar que sequer conseguira um retorno apropriado.

Que sequer sabia se o conseguiria.

E só agora percebia que todo este tempo ele poderia estar sofrendo, desiludo, sozinho.

Mesmo quando forçava um dos seus melhores sorrisos. Os dentes brancos à mostra, as bochechas rubras enquanto punha uma face decente para aparentar normalidade.

E só agora foi realizar o quanto fora idiota.

Mesmo que naquele dia lhe tenha dito que o esperaria, as palavras não deixavam de significar que penaria por isso.

Ruki já deixava de lhe mirar. Agora concentrado em seus próprios pensamentos.

A cabeça abaixada, como de usual.

E se condenava por desta vez sua face não estar rubra. Por que quando estivesse, não significava apenas que estava acanhado, que apenas sua presença o deixava em êxito, ventura.

Puxou-o para perto, levantando-lhe o rosto. Enquanto sua voz se mantinha em um tom macio.

“Não...” – sussurrou-lhe perto de seu ouvido.

Um arrepio percorreu suas costas, pôde sentir.

“Não é isso, eu quero...” – sua voz mantinha-se branda, o outro sem reação envolto por seus braços – “Na verdade... É o que mais quero. Poder lhe dizer...”

E levantou sua face, encontrando com os mesmos olhos chocolates que antes estavam embaçados.

Fazendo menção de aproximar mais suas faces. A face rubra como resposta, e se alegrava apenas com esse fato. Seus lábios estavam tão próximos...

Cada vez mais ansiosos.

Percebeu que não haveria rejeição no ato. Mesmo que sua frase não tenha sido concluída...

Sabia o que significava.

Além de tudo.

Tão perto...

Mas não pôde finalizar...

“Takanori?”

Foi a única coisa que ouviu antes de se virar para ver quem chamava ao seu pequeno. Sua perdição.

Que acabaria chegando, ao fim.

YEAH!

Finalmente o fim do fluff :D

Bom, pelo menos um pouco.

E obrigada a todos que estão — ainda — acompanhando.

Capítulo 10 vai demorar por que nem comecei ele.

( se vocês mandarem reviews eu consigo escrevê-lo rapidinho, viu! |D)

Até :)~