Papercut

21 Capítulo 21


Capítulo 21

“Tem certeza de que quer fazer isso?” – a voz profunda ressoou calmamente, enquanto estacionava o carro na frente do edifício tão conhecido pelo pequeno.

Este, que permanecia sentado no assento, ajeitou-se e olhou-o com aqueles orbes densos e escuros, assentindo levemente com a cabeça.

“Sim...” – E sorriu com sutileza, seus lábios rosados desenhando-se em uma figura singela. Pegou a mão do maior, acariciando-a levemente, como se quisesse provar-lhe – e a si mesmo – de que tudo daria certo.

“Vai dar tudo certo...” – pronunciou com circunspecção. Olhou-o com uma mescla de ternura e receio. Seus pequenos e finos dedos delineavam-se em cada pedaço da mão do outro, encaixando-se perfeitamente. Sorriu mais aberto ao perceber. Era como se, de alguma forma, o modo do entrelaçar de suas mãos representasse alguma união perfeita.

O loiro lhe retribuiu, simples.

Ficaram se olhando por um tempo, penetrados na presença frívola de cada um. Até que Reita decidiu quebrar o contado suave de suas palmas, perdendo o calor do menor. Separou suas mãos, abrindo logo em seguida a porta, saindo do carro. Assim fez o ruivo.

A passos curtos e lentos, lânguidos e estafermos, hesitantes, o casal adentrou o edifício.

O ruivo apressou-se levemente assim quando pisara no piso branco e lúbrico. Reita seguiu-o, surpreso pela pequena mudança descompassada. Viu como apertava freneticamente o botão do elevador, a porta de metal abrindo-se rapidamente e o menor adentrando na cabine, diligentemente.

Entrou, igualmente, percebendo Ruki ficar quieto, ali, num canto, à espera de chegarem logo ao andar.

“Ruki...? Tudo bem?” – perguntou, suavemente preocupado.

O menor lhe olhou com aqueles grandes orbes chocolates, mas seu aspecto era ligeiramente diferente de quando estavam ainda sentados no carro.

Uma camada fina transbordava. Apurada, carecendo de insegurança.

“Quanto mais rápido acabar, melhor, ne?” – disse, se perdendo na própria leveza das palavras. Sutis, suasivas, talvez.

Reita apenas assentiu, sentindo-se um pouco receoso de confortar o evidente desalento do ruivo em relação ao que estavam aptos a fazer.

Apenas olhou a figura magra do menor ao seu lado.

Tão pequeno... Tão tênue, e mesmo assim, tão distante. Sorriu um pouco triste, e, assim como o menor, repetiu a débil frase em sua mente. Daria tudo certo...

Quando percebeu, já haviam chegado.

Ruki saiu na frente, tirando a tão costumeira chave de seu bolso da vestimenta preta.

Reita, saindo de seu transe e olhando para o objeto prateado ser colocado em seu devido lugar (a fechadura), sentiu como se algo lhe tivesse abatido.

Lembrara repentinamente.

“Ru... Tem certeza de que nem seus pais nem seu irmão vão estar?”

O outro lhe devolveu o olhar.

“Não... Eles devem estar procurando por mim nesse momento. Não tem por que se preocupar” – sorriu, inerme.

Reita apenas voltou à compostura séria, vendo como a porta se abria vagarosamente e o pequeno entrava por ela, chamando-o da mesma forma com a mão.

“Vem sensei, nós não temos todo o tempo do mundo!” – soltou, bufando, com um tom brincalhão.

Reita o seguiu, novamente, um pouco menos atormentado, sentindo-se feliz por ser chamado de “sensei” (mesmo que já houvesse estipulado para o menor não chamá-lo assim), era como se... Algo novo crescesse entre eles.

Sorriu, adentrando o apartamento. Olhou em volta...

Era realmente um lugar aconchegante, pequeno e familiar. As paredes de cor salmão entravam em contraste com a aparência confortável, os milhares de quadros pendurados na parede realmente tinham a cara do chibi.

Este lhe olhou, curioso.

“Que foi?” – indagou.

“Hnn, nada” –sorriu, cobiçado. Aproximando-se do corpo menor.

Ruki deu um passo pra trás, seu rosto redondo tomando uma tonalidade mais rósea do que o normal. Olhou o maior, confuso.

“É-é melhor eu ir pegando minhas coisas logo, antes que alguém apareça” – disse, gaguejando pela proximidade inesperada de Reita e arrastando seu corpo para longe do calor eminente deste.

“Ruki, espera”

“O que f—“ – Não conseguiu terminar a frase por sentir um par de lábios finos e macios sobre os seus próprios.

O toque foi suave, doce, e ligeiro.

“Só queria que você soubesse que eu te amo” – disse, sentindo uma quentura nas maçãs do rosto.

O melhor lhe sorriu tímido, a face praticamente pegando fogo. Eram raros os momentos como este. Sentiu toda a sua inquietude se dissipar, como se um pequeno cuidado, mimo, daquele homem à sua frente fosse um medicamento.

Clichê de se dizer.

Mas não pôde conter a vermelhidão de seu rosto, nem o modo como seus lábios se tingiram em um sorriso fino e tênue.

“B-bem... é melhor que eu vá preparar as coisas, então...”

Disse, acanhado, se dirigindo com o corpo tenso até o quarto.

Reita sorriu com a imagem. Aliviado pela atmosfera menos densa, e ainda pelo doce calor da presença do ruivinho, da sua boca quente e úmida, da face corada, tímida. E até a forma como andava freneticamente, acanhado pela ação inesperada do maior.

Não sentia mais temor em pronunciar as três palavras.

Não depois de tudo que já lhe oferecera. Da presença... Da fuga. Da companhia. Sólida.

E via como o ocasionador de suas mudanças purgantes se dirigia para a idealização de tudo, como se o pegar de suas coisas significasse muito mais do que uma mochila jogada no canto de um metrô, e como a insegurança fosse apenas mais um passo para uma realização.

Sorriu, confiante. As palavrinhas que ressonavam antes em sua mente já se transformavam em uma verdade, não em uma idealização de que “daria”, era algo concreto.

Aquilo sim era a verdade.

De que depois de tudo, poderiam estar juntos.

Ouvindo sua voz no amanhecer quando tudo será... Certo.

Finalmente.

Olhou à sua volta, vendo a figura pequena se dissipar do seu campo de visão. Esperou ali, em pé, enquanto sua mente ainda deixava-se dispersar do mundo, só por um curto tempo...

Mas ouviu um grunhido, gutural, que quase podia ser reconhecido como seu nome.

Chamou pelo pequeno, mas este não respondeu.

Franziu o cenho. Preocupou-se.

Suas mãos que até então se estendiam ao lado do seu corpo, inertes, fecharam-se em punhos.

A passos rápidos andou até o quarto do pequeno — deduzindo onde ficava, obviamente. Abriu abruptamente a porta.

Sua face ficou petrificada, com uma violenta emoção silenciosa. Seus orbes cinzentos se dilataram, derramando-se na verdade. A boca que não tremia, agora oscilava.

“Ora, ora... Então quer dizer que o professorzinho também está aqui?”

Ai, j-zuis, que bosta de capítulo. HAUSUASHUASHAUS

Mas enfim, era só pra dar uma ênfase no final. E desculpem pela demora, povo. Além do mais os meus leitores fieis me abandonaram! Mas fico feliz pelos que continuam acompanhando, vocês fazem meus dias mais gays *-*

HIHIHIHIHIHIHHIHI –Q

E NESSE DIA 14 PAPER FEZ UM ANO!

AI GALERË DO MEU HEART! Ktal deixar review? Heim? *-*

Além do mais só faltam 3 capítulos pra essa joça acabar. MOSTREM COMO VOCÊS AMAM ISSO 8DD *joga purpurina *

-n

hihihihi

<3

* sai voando *

obs: Bhu, sua chantagista gostosaa D: aqui tá sua dedicatória de rodapé, contente-se (LL\'