Papercut

22 Capítulo 22


Capítulo 22

A pequena felicidade que estivera sentindo até então, acabara em um ínfimo instante.

Olhou quase que desacreditado para a cena à sua frente.

O irmão de Ruki segurando-o fortemente pelo braço. No rosto do moreno um mínimo sorriso sádico, quase que apático, e no do ruivo, um medo atemorizante.

Tentou manter o timbre da voz impassível.

“Solte-o, por favor” – dissera, sem conter a certa rispidez no tom. Sentiu um grande desgosto preencher-lhe, uma parte tomada pelo fracasso da situação e a outra apenas por ter a visão daquele rosto mais uma vez.

O moreno lhe olhou, cínico, virando os olhos e, aparentemente, cerrara o punho intensamente sobre o pequeno e delicado braço, chegando a deixar uma quase – mas não — insignificante marca vermelha.

Os olhos de Reita semicerraram-se, os orbes cinzentos apenas emanavam uma eficácia de repulsa. Fechou ainda mais os punhos, podendo vislumbrar a pulsação vermelha, fruto de sua aversão. Trincou os dentes.

E, no instante seguinte, só pode-se ver a face do moreno ir de encontro com a do seu punho.

E o corpo deste cair ao chão, livrando o ruivo de seu apego.

O pequeno, atônico, olhava a face desfigurada, tomada pelo golpe: vermelha, da boca, escorria uma linha de sangue.

“Reita?!” – olhou mais uma vez o corpo de seu irmão se contorcer em dor sobre o chão frio – “O que foi que--”

E então a única coisa que viu foi o corpo, que até então se encontrava imune, terrificado pela dor, lançar-se por cima de Reita. O loiro caiu para trás, com tanta rapidez que sequer pôde distinguir a cena. Seus olhos abriram-se.

Olhou aterrado.

“O que você pensa que está fazendo, seu merda?!” – o corpo de Aoi espargido sobre o seu agarrava-se à gola de sua camiseta, proferindo as palavras de força suja, sagaz e cínica.

Os olhos do moreno estavam envoltos de tanta repúdia que poderia cuspir naquele momento em sua cara, que a situação seria a mesma. Os punhos se alastravam sobre seu pescoço, as pernas mantinham seu corpo no lugar, prensado.

Fechou um dos olhos, sentindo a dor logo lhe abater por causa da queda.

“Reita!”

Pôde ouvir o menor lhe chamar, aflito, ao fundo. Poderia até ter se sentido medíocremente feliz com o fato de este ter usado seu nome, mas a situação não lhe permitia.

Pois, ocasionalmente, o vômito de palavras chulas que lhe eram dirigidas era a única coisa na qual sua mente semidesperta conseguia focar-se.

“Eu sinto nojo,” – Aoi cuspiu as palavras de forma escabrosa, sua face contorcendo-se em desgosto – “De ter que imaginar meu irmão gemendo que nem uma puta enquanto você fode ele sem pudor algum.\"

Sentiu aquelas palavras ríspidas serem acompanhadas pelo aumento da força exercida sobre a gola de sua camiseta, agora, completamente amarrotada...

De nada importava mais, as palavras de ódio ou o pesar.

Reita mantinha o rosto contorcido involuntariamente em dor, seja por parte física, ou pelo arrebatamento de verdades. Ambas pupilas encontravam-se fechadas, e como uma ligação, que não pode ser definida, podia sentir que naquele momento, mesmo sem poder ver, os olhos de Ruki estavam mareados, sua cara vermelha, e uma dor alojada sobre o peito, como nunca.

Os lábios tremidos, as sobrancelhas contorcidas.

A única coisa que lhe restara era a veracidade crua.

Quando foi que se comportara com real prudência? Estava mais ocupado em preencher-se em deleite com o corpo lúbrico do loiro, fazendo-o até acreditar que só estava com ele por esse motivo.

Mas então, mudara. Com a ajuda das palavras doces, sussurradas em sua orelha após ambos estarem desnudos sobre sua cama, de forma melada, como um sopro suave.Tão suave, que se passou despercebida. A mudança que aparentemente seria drástica, uma pessoa incapaz de amar, passar a agir com tamanho apego e afeto, tornou-se algo simplório. Era isso que Ruki era.

Puro, simples, amado.

E era tudo que Reita necessitava...

Era tudo o que Reita era, completado por ele.

Num baque, retirado de seus pensamentos, sentiu as mãos grandes e agressivas apertarem a gola de sua roupa, o rosto sendo trazido de encontro com o de Aoi, que agora aproximava seu lábios em emoldurado escárnio para perto de sua orelha. Assim como Ruki, quando lhe sussurrava palavras doces, mas estas lhe amarravam de forma sufocante...

“Seu viado de merda, vê se desaparece”

Sufocado...

Manteve os olhos fechados com pesar, esquecendo quase que completamente do corpo sobre si, atacando-o. Ia fazer um movimento pra lhe tirar de cima de si, mas isso não foi preciso.

Viu algo ser arremessado sobre a cabeça do moreno, fazendo esse cessar todas as suas ações. Por reflexo fechou seus olhos abruptamente, mas quando os abriu novamente viu o dono de seus pensamentos, ali atrás de seu irmão segurando um jarro.

Piscou algumas vezes, tentando assimilar a cena.

E agora o ruivinho não estava mais ali olhando apenas a cena, amuado, temeroso, com os lábios trêmulos e os dedos receosos.

Ruki estava ofegante, sua face vermelha e os orbes escuros encobertos de raiva.

“Quem devia desaparecer era você!”

Aoi levantou-se subitamente de cima do seu corpo, fazendo-o suspirar aliviado, porém ainda continuava ali, esparramado no chão sem grandes forças para conseguir levantar.

Viu o mais alto posicionar-se ferozmente na frente do pequeno, com raiva.

“O que você pensa que está fazendo!?” – atacou o pequenino com o olhar, agressivo e revoltado. Descrente do que acontecera: o próprio irmão que até aquele momento sequer tinha se oposto, ataca-lhe com um pedaço de vidro!

Mas Ruki não se sentiu intimidado, manteve o olhar firme, assim como a fala que logo se fez presente mais uma vez.

“Você...” – começou, em voz baixa mais ainda possível de se escutar, suas frágeis mãos deixando cair o objeto no chão – “Pode me chamar do que quiser, puta, viado... Tanto faz. Pode... abusar de mim... Fazer-me sentir dor a ponto de desistir de tudo, mas...” – fez uma pequena pausa aproximando-se de Reita e colocando-se à frente deste – “Mas algo que você não tem o direito, é dirigir-se a ele, a pessoa que eu mais amo, desta forma.”

Reita abriu os orbes, surpreso.

Estava atônito; à sua frente, estava Ruki defendendo-o de forma admirável. Sentiu-se meio bobo com a idéia, parte sendo patético por isso ser preciso, e parte por isto ser... uma das ações mais corajosas do ruivinho.

Sorriu, sem jeito, conseguindo a força necessária para seus músculos enrijecerem e colocar-se de pé, aonde deveria estar, ao lado daquele que lhe protegia com palavras tão sinceras e compostas inteiramente de exatidão.

Colocava-se de pé, pouco a pouco, ouvindo como murmúrios as frases em resposta de Aoi, mas ignorava...

E com ínfima dificuldade, posicionou-se ao lado de Ruki, vendo-o girar a face.

Estava corado, os lábios vermelhos tremiam suavemente, viu como seus olhos frágeis procuravam os seus próprios.

E sorriu-lhe, recebendo o ato de volta, singelamente, dizendo roucamente:

“Se quiser nos impedir, vai ter que passar por esse viado de merda”

Porém, o ar superior que tentou passar, a voz grossa, grave e firme, não fizera tanto efeito, pois a próxima coisa que viram, com seus olhos surpresos, foi Aoi soltar uma gargalhada. Alta e estridente. O homem colocava as mãos sobre a barriga, seus olhos fechavam-se com a conseqüência da gargalhada e da sua boca só saía este timbre cínico.

Ambos se entreolharam... Estranhando a situação, um frio na barriga lhes abatia...

O efeito da gargalhada começava a cessar, o moreno recompunha-se de forma lenta, limpando as pequenas lágrimas causadas pelo riso intenso que lhe apareciam sobre os olhos. Sorriu, sagaz, e depois de ter ouvido todas aquelas palavras de amor e aquele blá blá romântico, atacou o casal.

“Hahaha, você devem estar de brincadeira. Acho que se esqueceu de um pequeno detalhe, irmão” – sorri petulante – “Se eu disser uma palavra pra polícia, o seu amorzinho aí pode ir direto pra cadeia”

Reita congelou.

Era o que temera até então. A primeira coisa era que o seu relacionamento com Ruki fosse descoberto, o que já acontecera. Agora, o próximo e letífero passo para que tudo se insubordinasse contra eles é que alguma denúncia fosse feita. E sabia, que com o fato do próprio irmão do ruivo ter descoberto o caso entre os dois, que a situação se complicara ainda mais... A menor sentença o colocaria por trás de grades de aço.

Longe, longe de tudo que alcançara até agora.

Perderia tudo.

Perderia a Ruki.

Ruki...

Olhou pra este, que estranhamente, deduziu, tinha um sorriso pequeno nos lábios.

Um sorriso... Supino? Como poderia estar confidente numa situação destas...

“Acho que isso não vai ser necessário, irmão” – disse, tirando uma pequena fotografia do bolso de sua calça – “Além do mais... Eu tenho isso, que vale mais do que mil provas contra você”

A face de Aoi petrificou.

...

*foge*

D:

Omfgooaushauasihossajsajhs

Ta, eu sei que sumi, muuuito! Em primeiro lugar, eu desanimei em continuar essa fiz, e em segundo eu fiquei super sem tempo de escrever por causa do colégio novo e tudo mais...

Mas cá estou eu com o penúltimo capítulo! O próximo será o último juntamente com um epílogo...

Então é isso ai pessoa, VÊ SE ME MANDEM REVIEW OK D:

HASUAUHSUHASUASHSALPSAPAS –n

Mandem seu amor por nós! (L)

Ah, e não se preocupem, eu não vou demorar pra escrever esses dois últimos capítulos, dessa vez é algo sério, pois eu quase já tenho eles 8D/

Então é isso ae povo.

<3

Notas finais
e ae bhu gatchênha, dedicatória pra ti bgs bgs.