Papercut
20 Capítulo 20
Capítulo 20
Espanto. Assombro. Delíquio. Perplexidade.
As sensações de Akira mesclavam-se com a visão débil do ruivo. Seus orbes cinzentos em desespero abriam-se enquanto seu punho se fechava. Sua visão ficara turva, mas controlou ao máximo para que este embriagar não lhe obstasse.
Sua boca lentamente fez com que as palavras mais comuns fossem ditas.
“O quê?”
O menor levantou o olhar, seu corpo ainda ostentado à porta, as pequenas gotículas de lágrimas restantes lhe escorriam pela face rosada.
“Exatamente o que você ouviu, meu irmão descobriu sobre nós, Aki. Tudo, até mesmo aquele dia... Na sua sala” – disse, aproximando-se mais do corpo indolente, agora, do loiro.
Reita permanecia estático, sua mente limitava-se a tentar compreender as informações ditas.
...Então eles haviam sido finalmente descobertos. Já imaginava que um dia isto aconteceria; fugir com o pequeno então, era algo completamente arriscado, periclitante.
E a culpa era toda sua.
Não havia se precavido por completo. Sabia disso, mas o desejo por Ruki prevaleceu nos momentos arriscados; quando deveria estar se preocupando com o fato de alguém descobrir sobre os dois, estava pensando apenas como seria tomar aquele corpo tão deleitoso novamente.
Amaldiçoou-se internamente.
Fechou seus olhos pesadamente, tentando pensar em algo para consertar a situação, mesmo sabendo que a palavra consertar não se encaixava perfeitamente no caso. Estava muito além disto, precisava de uma solução rápida, senão poderia perder tudo que conquistara até agora, e além disso, o mais hediondo, apavorante e espantoso; poderia machucá-lo, fazer a pessoa mais amada sofrer.
Enquanto soluções aparentavam revelar-se em sua cabeça desesperada, sentiu pequenas e grossas – que não perdiam a tenuidade – mãos agarrarem-lhe a barra da blusa.
Olhou para baixo, encontrando um tufo de cabelos ruivos.
“Sensei...” – pausou, fungando levemente – “... Aki... O que nós vamos fazer?”
Reita engoliu em seco, podia sentir as mãozinhas de Takanori agarrarem-lhe fortemente, como se ele dependesse completamente de suas palavras.
Passou-lhe o braço volumoso por volta da cintura, trazendo o corpo trêmulo para mais perto, o calor de ambas as carnes emanava.
“Ruki... Como... Como o seu irmão descobriu?” – disse da forma mais controlada possível – o gaguejar fora inevitável, porém -, suas palavras saindo em um fio de voz singelo assim como em um tom adocicado. Em resposta recebeu o olhar trêmulo e escuro do menor, igualmente com um apertar mais intenso em sua camada de roupa.
“Aquele dia na sua sala... Eu não sei, mas... Parece que alguma namorada do meu irmão, o Aoi, viu o que nós... fazíamos” – pausou, prendendo os lábios rosados sobre os dentes, um suspiro sôfrego lhe escapou, seus olhos que até então permaneciam em um contato cálido com os orbes cinzentos de Reita abaixaram-se dolorosamente, seu corpo tremeu levemente.
Suas delicadas mãos soltaram-se do aperto na blusa do maior, o corpo interrompeu o contato entre os dois separando-se rapidamente do outro. Sentiu o calor terno perder-se no instante que se apartara bruscamente.
Reita arregalou os olhos, atônito pela perda de calor do corpo aprazível do menor, sentiu como este tremulava, seus braços pequenos pendiam juntos ao lado do corpo imóvel que ali se estendia à sua frente com a face baixa.
“Ruki? O que foi que— ”
Antes que Reita pudesse terminar sua pergunta prudente, receada, fora acometido pelas palavras estridentes e pungentes do menor.
“Quando Aoi descobriu, ele se descontrolou. Como seria saber que seu irmão menor, aquele que por índole, por carinho ou mera afeição era o mais protegido e acolhido pela família, que seguiria ao irmão mais velho, desonrara completamente àqueles que tanto amava por... Ter se apaixonado por um homem” – sua voz era aflita, exposta em espanto, seu corpo tremulava, seus punhos se fechavam.
“Os olhos dele eram de pura raiva... Ele ia se aproximando cada vez mais pra perto de mim com seus punhos fechados, e eu... eu... estava acuado, Aki. E-ele me disse que não ia contar pro papai sobre nós se...” – seus orbes cerraram-se violentamente, o timbre choroso era impossível de se esconder, seu corpo agora entrava em espasmos assim como sua bela face era golpeada por fortes frutos da dor. Lágrimas escorriam por suas bochechas rosadas assim como os soluços em sua garganta que até então estavam sendo contidos se fizeram presentes.
Akira permanecia estático pasmadamente pela mudança de ação do ruivo, sentia seu peito ser preenchido igualmente pela dor do menor, seu soluço angustiado fazia uma imensa fenda em seu corpo; a respiração se descompassava assim como a vontade intensa de abraçá-lo e sequer saber a continuação do que acontecera.
Ardia.
Ardia intimamente por saber, tinha idéia do que poderia ser fruto de todo o pesar, mas sua mente, sua sanidade lhe dizia para esquecer, esquecer daquilo que o menor estava prestes a pronunciar.
“Aki... Eu não sabia o que fazer, quando percebi ele já estava sobre mim, e a única coisa que podia sentir era uma enorme dor. Eu gritei, chorei, empurrei, m-mas... ele não parava, Sensei... foi quando percebi que... que...” – desta vez não fora necessário continuar.
E enquanto fechava-se em uma barreira invisível, espessa, vultuosa; infundindo-se em seus espasmos, sentiu dois braços fortes lhe rodearem.
Surpreso pela ação do loiro, seus lábios agora arroxeados tanto pela pressão feita neles assim como o congelamento consecutivo de seu corpo, moveram-se em um ímpeto de dizer algo.
Mas antes que o pudesse fazer, pôde ouvir Reita pronunciar palavras tênues em sua orelha, e na curva de seu pescoço, sentiu pequenas lágrimas molharem sua pele eriçada.
“A-aki...?” – chamou baixinho, surpreso pela maneira como o outro lhe abraçava tão fortemente, sua face escondida sobre seu ombro, só tinha a imagem dos fios loiros que ali se espalhavam. Sentiu como as mãos grossas esparramadas do outro em suas costas apertavam-se mais.
“Por favor, não fale nada, já não é... Mais necessário.”
Sentiu a cabeça do menor pender em seu peito, as mãos mutuamente rodeavam sua cintura, afundando-se no aroma adocicado, tentando recompor sua postura, agarrando o ar para que sua respiração ficasse compassada.
Não era mais necessário ouvir a continuidade de palavras dolorosas, muito menos vislumbrar a face de Ruki vermelha, os olhos inchados e a boca trêmula, seu corpo contido, os braços rodeando-se em uma forma de proteção. Seus olhos escuros mortos...
Assim, Reita desabava.
Desabava nos braços da pessoa amada, aquela que fora violada, usada e descartada no final. Seus olhos inundavam, assim como seu peito, e seu corpo que findava para frente, não suportando o peso que as poucas palavras ditas lhe fizeram. E conseguira fazer algo que até então temia e evitava ao máximo.
Machucá-lo.
Fazê-lo chorar daquela maneira desesperadora, novamente. Fazer seu corpo sofrer a todas as agressões possível, marcas tanto físicas como sentimentais que nunca haveriam de se dissipar.
Nunca chegaria a imaginar que a relação entre ambos poderia causar conseqüências absurdamente mordazes, capazes de fazer o irmão de Ruki esmagá-lo de tal maneira. E pensar que carregava parte da culpa...
Deixou seus olhos derramaram as lágrimas que tanto reprimia, aflito para não deixá-las transbordar, mas que agora escorriam livremente por seu rosto indo em direção à pele alva da curva do pescoço do menor, deixando um pouco de seu ressentimento, culpa e amargura.
Levantou minimamente seu rosto, seus olhos agora inchados fitando a face vermelha de Ruki, que igualmente possuía os orbes castanhos dilatados.
Mirou profundamente aqueles olhos que tanto amava, e, sem emitir som algum, moveu seus lábios como se pronunciasse um singelo e delicado vai ficar tudo bem. Seja apenas para conformar a si mesmo de que realmente tudo estaria bem, ou por pena.
Mesmo sem o conhecimento da razão das palavras, sentiu como os orbes de Ruki se abriam violentamente, tomando um brilho diferente e este sem se afastar de seu corpo, disse convictamente;
“Eu não quero compreensão pelas minhas escolhas, aceitação ou pena das conseqüências que vieram, Akira” – pausou, sentindo as lágrimas brotarem de novo na base de seus olhos — “Eu só quero... você, ficar com... você...”
Deixando soltar as últimas palavras e em um pedido sôfrego, aproximou seu rosto rosado para mais perto da face do outro, mantendo uma mínima distância. Sentia a respiração de Akira se chocar com a sua ainda um pouco descompassada, sentindo, levemente, o quase roçar de seus lábios trêmulos.
“Não me deixe, Aki! Não agora... Nem nunca, por favor. Eu te amo... Tanto”
Agarrou-se ao corpo do maior, apertando suas delicadas mãos na barra da blusa, agora, completamente amassada. Deixou que as últimas lágrimas escorressem de seus olhos já cansados, e, quando deu por si, sentiu o par de lábios sobre os seus.
Arregalou levemente os olhos, não esperando isso vindo do loiro, mas assim que sentiu a língua deste pedir-lhe passagem para aprofundar o beijo, entregou-se ao contato deleitoso. Sua boca abriu-se involuntariamente de modo que as línguas fizessem contato, atrelando sua respiração enquanto sentia a boca de Reita tomar conta completamente sobre a sua. Seu polegar, timidamente, arrastou-se através de seu queixo, enquanto sua mão dispôs-se a agarrar o pescoço, dedos entrelaçando-se nos fios falsamente dourados. Sentiu igualmente os longos dedos de Reita acharam seu lugar debaixo de sua blusa, sobre seu quadril, acariciando a pele recém descoberta levemente. Tremeu.
“Mnnn...” – deixou um prazeroso gemido escapar-lhe entre os lábios já inchados quando sentiu as mãos do outro subirem de seu quadril até sua barriga, apertando e abusando da carne.
Assim que estava a mexer seus pequenos dedos para acariciar-lhe mutuamente, sentiu o maior quebrar o contato repentinamente. Este afastou a face rapidamente da sua, os lábios já vermelhos e cobertos por uma pequena camada de saliva. Estava atônico pelo beijo de tirar-lhe o fôlego assim como a ação abrupta de quebrar o contato prazeroso.
Viu como o loiro se distanciava de seu corpo, primeiramente a desentrelaçar seus longos braços de sua fina cintura, para logo desviar o olhar, e em seguida, andar até o lado do sofá, pegando as malas que ali permaneciam.
“A-Akira...?” – chamou, confuso.
“Agora... Estamos prontos” – disse segurando as malas em suas mãos — “Vamos, Ru-chan?”
:D
rerere~ (8)
obs: Bhu, sua capeta, só por que eu te amo sua pinguça ok (L)
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