Notas iniciais
Olá, meus amores! Esse é meu primeiro yuri e espero que realmente gostem. Eu estava ouvindo uma música (sem comentários para o nome kkkk ¬¬) e bateu uma inspiração em mim. Bem, podem ler e comentem o que acharam!

O Sol ergueu-se escondido em meio aos lençóis de nuvens, pintando o horizonte em alternadas cores através dos filamentos de luz. Bonnibel abriu as pálpebras com um deles invadindo seu quarto pela janela, pois não se lembrara de fechar as cortinas antes de dormir. Olhou para o relógio em cima da cômoda, ao lado da cama, e percebeu que faltava uma hora para despertar. Ainda assim, levantou-se, caminhou em direção ao banheiro, onde encarou seu reflexo no espelho a fim de criticar o que mais odiava em si, e, em seguida, ligou o chuveiro, permanecendo imóvel enquanto o fluxo de água penetrava entre os fios ruivos claros de cabelo. A jovem pensava nas surpresas que o colégio guardava para esse dia e, em consequência, nas brincadeiras que sofreria pelos companheiros de classe. Bonnibel não se considerava vítima de bullying, porque não ligava tanto para os gracejos. Afinal, sentia-se forte. Era o que dizia, ou o que queria ter certeza.

Após bebericar um achocolatado e comer panquecas na mesa de café da manhã, voltou ao espelho para se arrumar. Passou o rímel, curvando e dando o maior volume possível aos quase invisíveis cílios; Pressionou o batom avelã sobre os lábios, deslizando-o por toda a boca, e aplicou base nas bochechas pigmentadas de rosa, culpadas pelo sobrenome Bubblegum que seus amigos a atribuíram. O Buckholz, de seu pai, atravessou gerações, e ela pouco se importava com a omissão do verdadeiro sobrenome pelo incômodo escolar que sofria. Era até melhor, pois já bastava ter o mesmo sangue do ser desprezível que a gerou.

Nuvens acinzentadas dominavam o céu. Bonnibel estava acomodada no banco de madeira rústica, em frente ao seu domicílio, equilibrando a mochila azul no colo com as delicadas mãos de pianista, devido às suas coxas não serem grossas o suficiente para apoiar algo. O ônibus escolar aproximava-se, enquanto ajustava os óculos desproporcionais a seu rosto. A sensação de entrar em um ambiente e todos olharem diretamente a você é ruim, mas o pior é quando olham e esquivam-se simultaneamente. Bonnibel perguntava-se o que tinha de tão repugnante para ser evitada. Ela sentou-se numa poltrona no canto da janela e continuou pondo seus neurônios na brasa, ainda destemida em descobrir o motivo de ser ignorada. Talvez fosse porque não possuía amigos próximos. Dessa forma, muitos pensavam que era uma pessoa ruim e, por essa razão, ninguém ousava se aproximar dela.

Bonnibel acordou com o barulho de chuva sobre o asfalto e das gotículas entrando em contato com o vidro da janela do ônibus. Este ficou parado durante minutos, até Marceline Abadeer embarcar no mesmo. A ruiva contemplava a adolescente pálida desfilando pelo corredor do ônibus, esbanjando charme e arrancando suspiros. O longo cabelo negro era repicado: uma parte ia até o quadril, e outra despencava sobre os ombros descobertos. Bonnibel sentia certa inveja e fascínio pela morena. Por que não era como Marceline? Ela era inteligentíssima, maravilhosa, sociável e todos estavam aos seus pés. A jovem, embasbacada, pegou o celular e, imperceptivelmente, tirou uma foto da moça em pé, que apoiava-se no banco de um rapaz a fim de conversar. Segundos depois, notou o que acabara de fazer.