Panem.B2

3 Uma Surpresa


Notas iniciais
Capitulo escrito por Miguel Ramos. Revisão por Marilu.

Quando Leila viu o lenço em seus lábios molhados de sangue pensou que o presidente havia sido atacado.

— Está tudo bem por aí, Presidente Snow? — Perguntou, um tanto aflita.

— Ah! Sim, tudo como sempre. Mas a quê devo a honra de sua chamada a essa hora? Está tão tarde!

— Desculpe ainda não me acostumei com esse fuso horário. Isso tudo é um pouco estranho. Bem, mas o que eu realmente quero saber é sobre o comunicado, rendeu algum resultado?

— Como sempre rende. Eu impus, dei um pouco de esperança e, como uma corda, eles mesmos se enforcaram. Tivemos mais de dez mil candidatos de cada Distrito, inclusive da Capital que se ofereceram para repopular a B2.

— Estive pensando e... Como será que iremos fazer para transportar esses milhares de pessoas, em apenas aerodeslizadores?

Com uma leve risada, como se risse da afirmação de uma criança, Snow respondeu-lhe:

— Senhorita Rousseff, você deve ter dormido durante séculos. Nossos sistemas de transportes evoluíram, optamos por ferrovias.

— Mas... O senhor já esqueceu de que não há nenhuma condição de serem colocadas ferrovias sobre a superfície terrestre fora dos territórios protegidos pelos portões?

— Minha cara, quem falou em superfície terrestre? – Perguntou ele com a maior cena se cinismo já vista.

— E como pretende... – Mas foi interrompida.

— Bem, espere e verá. Mas agora eu preciso ir, tenho uma reunião marcada com o Chefe de Transmissões. Você precisa conhecer Beetee, ele é um gênio.

E o holograma da sala se desligou, e a Presidente ficou novamente rodeada por seus móveis novos, em materiais de mogno. Sentou-se, e pensou se realmente esse rebuliço todo iria fazer algum efeito, naquele povo que outrora não acreditavam em esperança.

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Já pela manhã, os gigantescos muros do Distrito Dez (antigo estado do Amazônia) que separavam a B2 do resto do que sobrou do mundo estavam vibrando. A população encontrava-se reunida na Praça Central, o exército já estava comunicando a capital sobre o que estava acontecendo.

Então Leila deu ordem de evacuação, pegou o seu helicóptero e em menos de 30 minutos já estava sobrevoando o perímetro do Distrito. Ela tinha duas obrigações a fazer naquela manhã, primeira, descobrir o que estava acontecendo do outro lado do muro, segunda, tomar a decisão sobre como evacuar aquelas milhares de pessoas. Ou apenas deixar que o Distrito Dez deixasse de existir.

— Já descobriram algo sobre o que possa estar fazendo esses portões tremerem? — Leila perguntou a Chefe de Segurança Nacional. Uma mulher, alta magra, com a pele marrom, e cabelos em cachos pequenos e longos. Seu nome era Luka Kesley.

— Ainda nada, senhorita Rousseff, mas podemos acreditar que talvez seja algum maremoto como igual ao do ano passado, o que atingiu a Bahia. Quer dizer, o Distrito Quatro. — Luka, assim como várias outras pessoas, ainda não estava habituada a nova denominação geográfica.

— Bem, então é melhor... — De súbito, uma onda de gritos interrompeu tudo, e cobriu a região com o caos.

— Levem à Presidente, o mais rápido possível. Corram! — Luka como a chefe de segurança, tinha que manter a integridade física da presidente, antes de todos. Pegou um aparelho de comunicação e começou a berrar. — Comandante Luka para à Base, tememos que o pior esteja acontecendo. Evacuem as crianças e as mulheres, rápido!

Todas as pessoas, ao ouvirem tal sentença começaram a se desesperar. Começaram a correr e foram barrados pelo exército. Mas, nesse momento, uma enorme cratera foi aberta em vários pontos da grande muralha, quase simultaneamente 14 grandes buracos ficaram expostos, as pessoas não estavam entendendo o que acontecia.

— Luka, mas, o que esta acontecendo? O que está acontecendo!

— Calma senhora Presidente. Estamos a cem pés de altura, está segura! — Disse Luka, na esperança de tentar acalmar Leila. — Presidente, recebemos um comunicado, tem uma chamada de Panem para a senhorita. — Nesse momento Luka entregou o estranho holograma para a Presidente.

Leila pegou o objeto, apertou um botão verde, e de repente a cara mais sínica apareceu no ar do lado de fora do helicóptero. Snow!

— Snow, não é uma boa hora. — Disse ela quase aos berros por causa do vento forte. — Esta acontecendo um imprevisto aqui no Distrito Dez.

— Então acho que já deve ter recebido meu presentinho. — falou, com um tom controlado, porém um tanto sádico. — mandei, ontem depois da reunião, fico impressionado com a velocidade dos cavadores de hoje em dia. — Disse ele com um sorriso forçado.

— Mas... Mas... — Ela não sabia o que dizer, era ele o responsável por aquilo? — O que quer dizer com isso?

— Mandei uma representante junto com os cavadores, pode ficar tranquila, acho que já pode mandar as coisas por ai voltar ao normal. — E o ar em sua frente ficou preto novamente, ele tinha desligado.

— Mas que filho de uma cachorra. — Disse ela quase chorando de raiva. — Luka, mande que todos voltem para suas casas, imediatamente. — Luka pensou em perguntar o porquê, mais ficou calada, não queria ser jogada para fora do helicóptero. — Vamos para a Capital, imediatamente.

Notas finais
Próximo capitulo, no próximo domingo.