Panem.B2
4 Ferrovias
Notas iniciais
— Vamos vocês não a escutaram? Andem, está tudo sobre controle, voltem para suas casas! — Gritava o Chefe do Exército do Distrito 10. Ele era severo, toda sua família foi morta por revolucionários no ultimo protesto ocorrente. Desde então, ele se alistou para fazer parte da opressão contra os Distritos, por puro ódio. Seu nome era Marcos Dariãm.
— Capitão Dariãm, temos um pequeno levante. Um grupo de homens, eles estão exigindo saber o que está acontecendo. — Alertou um de seus subtenentes. — É melhor o senhor da uma olhada.
O Capitão Marcos já estava acostumando com esses imprevistos, mas sempre soube que se não contivesse o começo de um levante, outros poderiam se juntar ao grupo e assim, de um simples levante, outra vez iria se tornar um banho de sangue como o da ultima vez. Aquele, cujo teve que matar o filho do organizador do protesto. Um tiro, apenas um tiro certeiro em sua cabeça, fez o medo brotar no homem que perdera seu filho, e quando os outros se viram no desespero, fizeram a única coisa que lhes restavam, se render.
— O que está acontecendo aqui? — Perguntou Marcos, ao chegar à esquina seguinte, onde os manifestantes estavam. — Alguém pode me explicar porque ainda não estão em suas casas?
— Queremos saber o que está acontecendo. — Disse o representante do tumulto. Um homem de meia idade, que apontou para as crateras que se abriram nos muros e disse. — Não podemos dormir sem saber se estamos seguros!
— Pai, é melhor nos entrarmos. Não é hora para confusão. – Disse um rapaz que estava ao lado do homem, provavelmente seu filho. Foi empurrado pelo pai.
O capitão, de súbito, assimilou que eram parentes então se encaminhou para perto do jovem, sacou a arma, e atirou. O tiro varou sua mão esquerda e começou a jorrar sangue no seu próprio rosto. Em seguida, o Capitão alertou.
— Pode crer em mim, estarão mais seguros em casa do que na rua. — Disse ele através dos berros de dor do jovem ao seu lado. — Agora andem.
E foi o que fizeram todos. Assustados, apoiaram o jovem em seus braços e em menos de cinco minutos a rua estava outra vez vazia. O Capitão então correu para o tanque do exército, se trancou e lá começou a chorar pelo que tinha acabado de fazer. Ele tinha uma filha de 14 anos, e o filho era a única coisa que tinha na vida, imaginou-se dando aquele tiro em seu próprio filho, um frio correu pelas suas costas, como se o sangue gelasse. Parou de chorar, saiu do tanque e recomeçou as ordens.
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Quando Leila chegou a seu escritório na Capital, acompanhada por Luka, ela sentou em sua cadeira de mogno e ficou olhando com um olhar de ódio para o holograma, na esperança de que Snow voltasse a se comunicar.
— Senhora Presidente. – Disse Luka, em tom preocupado. — Meu irmão me ligou do Distrito Dois, ele esta muito doente. Será que eu poderia tirar o resto do dia e ficar de folga? — Luka tinha apenas 28 anos, e teve que crescer muito cedo. Seu pai havia matado sua mãe, e em seguida tinha se matado, deixando Luka com um irmão menor para criar. A única solução fora se alistar no exército, e lá se mostrou uma ótima comandante ocupando o cargo em que hoje atua. Seu irmão menor tem apenas 15 anos, e recentemente foi diagnosticado com câncer pelos médicos da antiga Brasília. Desde então, Luka tem se dedicado com a segurança do país em primeiro lugar, e com a segurança de seu próprio irmão em particular.
— Claro Luka, hoje você me foi muito útil. Providenciarei que um helicóptero leve você para o Distrito Dois. A propósito, como vai seu irmão, Kailie? — Perguntou a presidente realmente muito preocupada, pois ela mesma tinha acompanhado os diagnósticos do irmão de Luka, uma oficial que mostrou ser digna de um apreço especial.
— Parece que ele piorou um pouco, mas tenho toda certeza de que vai se estabilizar.
Luka saiu da sala fechando a porta atrás de si. Dois minutos depois, a porta foi violentamente escancarada, dois homens de uniforme e capacete brancos tomaram posição, ficou um a esquerdo e o outro a direita da porta. Leila não entendeu o que estava acontecendo.
— Mas quem diabos são vocês?
— Acalme-se, queridinha! — Uma voz extravagante de uma mulher veio, enchendo a sala. Em seguida, uma mulher ainda mais extravagante que a voz apareceu, usava uma peruca cor de limão e um vestido da mesma cor. — Como o Snow deve ter alertado, eu sou a representante que veio com os cavadores. Onde eu posso me sentar?
Leila não sabia o que fazer, nunca tinha visto algo tão extravagante quanto aquilo em anos.
— Sente-se aqui, por favor. — Disse Leila, indicando a cadeira à sua frente. — Vai me explicar o que está acontecendo? Desde que acordei estou por fora das estratégias de Snow.
— Bem, primeiramente meu nome é Ellieh Trinket. — Ellieh Trinket, era uma mulher típica da capital, tinha uma filha de 16 anos chamada Effie Trinket, que futuramente também seria representante da capital de Panem. Ellieh era bem alta, grande como uma girafa e tão magra que parecia ser apenas pele e esqueleto.
— Snow me mandou com os cavadores para explicar lhe o porquê de toda essa confusão. Bem, escolhemos o Distrito 10 como forma de ligação das ferrovias ente a B2 e Panem, as ferrovias se elevam a 900 metros do mar. São ao total, 14 estradas, uma para cada Distrito e outra para a Capital, como Panem. Talvez hoje mesmo eles terminem de fazer as estações, amanhã será o dia da recolonização da B2. Mais alguma pergunta? Ah! Afinal, sinto enorme satisfação em conhecer a Presidente da Base Dois, Senhorita Rousseff.
— Bem, pensei que Snow queria destruir o Distrito 10.
— Bobinha, nada disso. – Disse Ellieh, já se levantando. — Bem, já comuniquei o que tinha de comunicar, agora tenho que ir para Panem novamente, uma comissão me aguarda. – Se direcionou a porta e saiu sem dizer mais. Os pacificadores a acompanharam, e Leila foi deixada novamente a sós.
O Holograma encheu a sala, e o hino, e depois a imagem de Snow.
— Preparada? Amanhã os Distritos serão novamente repovoados, a população voltará a crescer. — Disse Snow, com um sorriso no rosto. Talvez estivesse (de maneira assustadora) realmente feliz.
— Eu só peço que, daqui em diante eu seja comunicada, antes de cavadores abrirem crateras nos muros da B2. – Disse ela, calmamente.
— Eu gosto de pregar peças em calouros. — Informou Snow, ainda com o irritante (e assustador) sorriso. – De qualquer forma, estamos em progresso.
— Bem, Snow... — Mas foi interrompida pela falta de educação de Snow mais uma vez.
— Ellieh lhe deixou as fitas dos últimos Jogos, quero que assista e veja que a B2 está prestes a entrar em uma rigorosidade extrema.
— Mas aquela extravagante mulher não deixou nada comigo, muito menos fitas.
Snow apontou com a cabeça para extremidade da mesa e Leila pôde ver, onde Snow apontava-lhe, um maço, que não tinha percebido antes. Quando se virou para confirmar, o ar da sala já estava preto, o holograma de desligou. Mais uma vez, Snow se mostrou um cretino.
Leila puxou o embrulho e lá viu escrito: “Ultimas Edições Dos Jogos Vorazes”
Pegou a primeira fita, que nem era realmente uma fita, apenas uma espécie evoluída de um CD, e colocou dentro de um equipamento também recém-chegado de Panem.
O ar mais uma vez ficou preto, e ela assistiu a colheita, em seguida o treinamento, e depois a Arena.
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