Panem.B2

5 Um Amor Escondido


Notas iniciais
Capitulo escrito por Miguel Ramos. Revisão por Marilu.

Naquela noite, no Distrito dois, o Capitão Marcos Dariãm estava na companhia de sua filha. Eles se encaminhavam a casa da Comandante Luka.

Há muito tempo, Luka e Dariãm se conheceram em uma reunião de antigos fuzileiros. Fora paixão logo a primeira vista, ele era dez anos mais velho, mas o amor era mais forte que a simplicidade desses anos de diferença. Nos últimos dois anos, vinham escondendo o amor, com um motivo simples: ao se alistarem no exército, assinaram um documento onde dizia que não poderia haver união estável entre servidores da pátria.

Então, o Capitão e a Comandante se encontravam, onde não seriam vistos, sempre que possível. Naquela noite, Dariam e sua filha, Safira, iriam à casa de Luka, visto que souberam a piora na saúde do irmão dela. Ele e a filha do Capitão Marcos, também tinham uma relação amorosa. Os dois, ao contrario do pai e da irmã, se encontravam todos os dias depois da escola.

Chegando a casa de Luka, Marcos apertou as flores em uma mão e o vinho na outra, e pediu que Safira tocasse a campainha. Luka escutou, do quarto do seu irmão, a campainha e foi atender a porta.

— Ah, Marcos, ainda bem que você chegou. — disse Luka. — Safira, Keilie está lá no quarto, por que não vai lá? Quem sabe ele resolva dar uma volta. — Luka queria ficar a sós com Marcos naquela noite, o trabalho se tornava uma exaustão para os dois, e ela adorava se trancar no quarto com ele sempre que podia.

Entrando na casa, Marcos e Luka se dirigiram ao quarto dela, com o vinho e as flores. Safira foi correndo para o quarto de Keilie e, chegando lá, viu que ele tinha perdido um pouco mais do cabelo que lhe restava, porém, mesmo assim, nunca deixaria de confortá-lo com seu amor. Dirigiu-se a ele e começou a falar:

— Ouviu no noticiário, hoje? Parece que amanhã iremos conviver com pessoas de Panem. Ansioso? — perguntou, querendo lhe passar um pouco de ânimo.

— Claro! Só fico preocupado se você iria me trocar por um mauricinho de Panem. — disse ele, com a voz rouca, querendo a fazer rir.

— Impossível! Nunca iria trocar você por coisa alguma.

— Mas, por quê? Olha para mim! Eu sou um verme em decomposição. — começou a chorar, pois ele tinha passado por a fase de queda de cabelo naquela tarde, e estava se sentindo inferior.

Ela não conseguiu ficar calma e deixou algumas lágrimas rolarem por seu rosto.

— Porque eu amo você. — disse Safira, o fazendo levantar e abraçá-la. Então o beijou, um beijo quente, talvez até capaz de derreter a neve que cobre uma casa. — Eu te amo. — Repetiu ela entre o beijo. Ele a ergueu, fazendo as pernas dela passarem por sua cintura e a colocando em cima de uma cômoda, o beijo se tornando mais quente, até que foi interrompido por ela, descuidadamente, derrubar a coleção de carros em miniatura dele. Os dois se assustaram, e ele a colocou no chão novamente.

— Eu não queria sair de casa hoje, mas com sua vinda gostaria de passar o resto da noite no nosso lugar secreto. — disse ele, sorrindo, porém ainda com lagrimas nos olhos.

— Vamos! — ela respondeu, empolgada.

Pegaram dois travesseiros e colocaram em uma mochila, passaram na cozinha e também uvas e refrigerante. Então pedalaram até o lago, que ficava a um quilometro de distancia da casa.

O Lago era em uma campina, havia várias árvores ao redor mesmo. Existiam duas luas naquela noite, uma no céu e outra no lago, o reflexo da lua deixava a paisagem ainda mais romântica do que de costume. Eles então colocaram os travesseiros perto da margem e deitaram, olhando para a Lua.

— Sabe... Eu estou com medo de quem possa vir morar aqui a partir de amanhã. — disse Safira, sua voz demonstrando sua aflição.

— Não fique com medo, meu peito estará sempre à espera do repouso de sua cabeça nos momentos mais escuros. — disse ele emocionado. O cheiro do corpo dela, do perfume que seu cabelo emanava, ficou com vontade de chorar de emoção por ter aquela linda menina a seu lado.

— Me abraça, Keilie. — suplicou, e ele o fez. A brisa batia nas árvores, batia no lago e em seguida nas poucas flores, então confortava o casal lá deitado. Ela dormiu por menos que uma hora sob aquela brisa e com a cabeça sobre o braço de Keilie.

Ao acordar, viu que ele estava olhando gentilmente para o seu rosto, ambos banhados pelo luar. Ela se sentia segura, passou as pernas por cima das dele e ele se aninhou a ela, naquele momento eram apenas ele, ela e a natureza.

Luka e Marcos estavam na mesma condição. Naquele momento, o amor reinava naquela parte do Distrito 2.

Notas finais
Próximo capitulo, no próximo domingo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.