Pandora's Box

6 Rotas de viagem


Notas iniciais
Esse capítulo ficou mais tranquilo, e um pouco mais comprido por causa das explicações. Espero que gostem 'u'

A casa de Haru era realmente grande, ainda mais para alguém que morava sozinho.

"Entrem." — falou ele segurando a pesada porta para nós duas entrarmos.

Passei pela porta, lá havia um hall de entrada simples, porém, muito bonito. Em cima de um aparador que lá ficava, estava um grande abajur, que emitia uma luz amarela.

"Ah, podem esperar na sala. Eu vou pegar alguma coisa para comermos." — disse o menino andando em direção a uma porta giratória, que aparentemente, dava para a cozinha.

Eu e Pandora nos sentamos em um sofá da sala de estar, logo em nossa frente havia uma prateleira cheia de livros. A decoração daquela sala também era muito elegante, tendo um lustre realmente lindo, que iluminava a sala toda com uma luz branca e forte.

Não demorou muito para Haru, já sem sua máscara, chegar na sala com uma bandeja nas mãos, trazendo algumas tortas para nós comermos.

"Wow, parecem estar muito boas." — falei enquanto olhava para a bandeja.

"Podem se servir à vontade!" — falou ele sorrindo.

Pandora pegou dois pedaços de torta e começou a comê-los simultaneamente, ela estava com bastante fome mesmo. Chegava a ser fofinho ver ela tão animada assim para experimentar os doces.

Servi um pedaço em meu prato, e Haru fez o mesmo logo em seguida.

"Bem, Yoshino, você entendeu o que aconteceu lá, não é?" — perguntou ele.

"Uh... mais ou menos." — respondi.

"Bem, logo que eu quebrei o colar que a personificação do Desespero estava usando, ela retornou a ser o que era antes, a personificação da Calma." — explicou ele enquanto colocava um pedaço de torta na boca.

"Era exatamente isso que eu achava que seria. Mas, o que me deixou inquieta foi que, sinto que fui dominada por desespero por um momento." — falei.

"Ah, quanta a isso, pode-se dizer que é o ponto fraco do desespero. Muitas vezes, as pessoas que são dominadas por esse sentimento, acabam se voltando contra ele. Portanto, por ter sido afetada pela presença da personificação do desespero, você conseguiu me salvar, e conseguimos quebrar o colar." — disse ele.

"Depois que o Desespero foi transformado em Calma, para onde foi?" — perguntou Pandora com a boca meio cheia.

"O Desespero voltou instantaneamente para a caixa, e a calma se espalhou pelo mundo, como antes era." — afirmou Haru.

"Então quer dizer que... as coisas ruins vão ser guardadas?" — perguntei surpresa.
"Sim." — falou ele enquanto me olhava — "Isso pode gerar outro colapso no mundo. Mas de uma forma positiva."

"Tudo vai voltar como era antes...?" — falei ainda mais surpresa — "Quer dizer, como eram a muito, muito tempo atrás? Antes da outra Pandora abrir a caixa?"

"Sim." — falou Haru com uma expressão séria em seu rosto.

A sala ficou tomada por silêncio. Terminei de comer a fatia que tinha colocado em meu prato e logo voltei a encarar Haru e Pandora.

"Eu simplesmente não consigo imaginar o mundo sem todas essas coisas... não vai ser igual. Coisas ruins são necessárias de vez em quando, não são?" — falei de forma rápida.

"Sim... você tem razão. Mas, ninguém pode alterar a caixa, pelo menos por enquanto." — falou Haru. Seus olhos estavam com uma expressão triste, e brilhavam menos que o normal.

"Como assim?" — falei.

"Não é nada." — falou ele rapidamente — "Ah, eu esqueci de perguntar algo para vocês antes. Vocês estão com o mapa, não estão?"

"A Yoshino encontrou um." — falou Pandora, agora com o rosto sujo de glacê.

"Exatamente, eu encontrei um pouco antes de saírmos de casa." — falei enquanto limpava o rosto de Pandora com um guardanapo.

"Precisamos dele para nos guiar." — falou Haru — "Eu posso manter o controle da situação, mas não conseguirei achar o caminho correto sem ajuda desse mapa."

Virei-me e peguei o mapa que estava em um dos bolsos de minha mochila, entreguei a Haru, que o desdobrou com cuidado e colocou-o sobre a parte da mesa que não estava ocupada no momento.

"Estão vendo esses pontos marcados com pequenos símbolos em formato de coelhos?" — disse ele indicando um dos pontos no mapa com seus dedos — "Precisamos passar por cada um desses lugares e trazer de volta a parte bondosa de cada personificação."

Observei o mapa cuidadosamente.

"Certo... continuaremos a procurar pelas personificações amanhã?" — perguntei.

"Sim. Vamos tentar partir amanhã cedo, assim teremos muito mais tempo, e podemos andar mais devagar também." — disse Haru.

"Ah, eu esqueci de perguntar uma coisa a você. Quando eu estava me aproximando da Desespero, eu ouvi uma voz." — falei meio tensa.

"Uma voz?" — perguntou Pandora curiosa.

"Sim. Era uma voz feminina, muito doce." — expliquei.

Haru me olhou com os olhos arregalados.

"Só pode ter sido a voz de Pandora... quero dizer, da de tempos atrás." — ele disse surpreso.

"Mas por que ela veio falar justo com a Yoshino?" — perguntou minha irmãzinha, já pegando outro pedaço de torta.

"Eu não sei... mas, Yoshino, você deve escutar tudo que ela disser. Ela sabe mais dessa situação melhor que ninguém." — falou ele olhando fixamente nos meus olhos.
"Okay, entendi." — falei ainda tensa.

Haru sorriu para mim e voltou a olhar para o mapa, traçando a nossa rota com uma caneta vermelha.

"Então, amanhã vamos andar até a cidade vizinha e pegar um trem. Aparentemente, chegaremos até onde está a segunda personificação. Eu ainda não sei qual delas é, mas com certeza terá alguma." — falou ele.

"Dessa vez, você não vai ir encarar ele, ou ela, sozinho. Nós iremos com você." — eu disse firmemente.

"Vocês tem certeza? Tem algumas que são muito perigosas, e vocês poderiam se machucar." — falou ele com um tom preocupado.

"Isso não importa, você saiu machucado dessa vez, e não queremos que aconteça de novo." — falei — "Nós iremos com você."

Ele sorriu mais uma vez.

"Você não tem jeito mesmo." — falou ele enquanto levantava e levava os pratos para a cozinha.

Pouco tempo depois, ele apareceu na sala de novo.

"Vocês podem ficar naquele quarto." — disse ele enquanto apontava para um quarto que aparentava ser bem grande. — "O banheiro é por alí, vocês podem tomar banho lá a vontade."

"Okay. Muito obrigada por nos receber aqui." — falei.

"Sim, obrigada!" — disse Pandora sorrindo enquanto já ia correndo para o quarto.

"Não há de que, e além do mais, não é todo dia que consigo trazer duas garotas bonitas para cá." — falou ele soltando um pequeno riso.

"Sei." — falei enquanto ia para o quarto rindo.

Era um cômodo incrivelmente grande, tinha um beliche bem no meio do quarto com lençóis brancos extendidos na cama. As paredes tinham quadros lindos, com pinturas de flores e paisagens, pintados com muita delicadeza.

Deixamos nossas mochilas lá e pegamos outras mudas de roupas e o que mais era necessário para podermos tomar banho. O tempo passou tão rápido naquele dia... depois de tomarmos banho, fomos nos deitar naqueles beliches para dormir, mas, tinham tantas coisas passando pela minha cabeça que demorei para conseguir fazer isso, mas por fim, acabei conseguindo.

Já era de manhã quando senti alguém cutucar a minha bochecha.

"Yoshino, acorde, precisamos sair daqui a pouco." — falou Pandora já completamente animada e disposta.

"Certo, já vou levantar." — falei enquanto bocejava um pouco e lembrava de tudo que havia acontecido no dia anterior, ficando mais e mais ansiosa, e com mais medo de encarar tudo de novo.

E assim, mais um dia estava começando.

Notas finais
Espero que tenha sido do agrado de vocês ^^