Notas iniciais
Eu demorei para postar esse capítulo, me desculpem x.x Aqui está, espero que seja do agrado de vocês.

Pandora se aproximou de mim e segurou a minha mão.

"O que devemos fazer para reverter isso então?" — disse Pandora ainda com seriedade, mas não com tanta firmeza quanto antes. Pude sentir suas frágeis mãos tremerem de leve.

Estendi minha mão, mostrando o velho pedaço de papel rasgado para ela.

"Eu encontrei isso perto da caixa..."

Ela pegou o papel com cuidado, e assim, começou a ler em voz alta todo o texto. A voz dela não pareceu ficar fraca em nenhum momento. Pandora era uma pessoa mais séria do que eu imaginava, apesar da pouca idade que tinha. Assim que ela terminou de ler, a carta simplesmente sumiu, devia ser uma carta mágica afinal...

Pandora se virou pra mim com algumas lágrimas quase saindo de seus olhos.

"Né, Yoshino... quem ela citou no final da carta... o que podemos fazer...? — Pandora disse com um tom muito triste — se não conseguirmos, tudo será culpa minha! — falou ela enquanto chorarava copiosamente.

Eu realmente não sabia como reagir, o que ela falou, de certa forma era verdade mas... eu sou a irmã mais velha dela, preciso reagir de uma forma boa e manter ela confiante.

"Hum, Pandora, não se preocupe, okay? Vamos conseguir de qualquer forma. O primeiro passo é encontrar essa pessoa citada no final da carta." — eu disse com um tom que parecia ser bem firme, enquanto na verdade, não era assim que eu realmente estava.

Ela segurou minha mão com força, olhou pra mim e fez que sim com a cabeça, assim, eu retribui o sinal.

Olhei para os lados e bem, parecia que nada da biblioteca poderia ser aproveitado naquele momento. Deixei a Pandora naquela sala e fui revirar o resto da casa. Nossos pais não estavam mais lá, simplesmente parecem ter sumido. Muitas coisas da casa haviam desaparecido também.

A única coisa que consegui pensar foi pegar uma mochila que achei em meu quarto e colocar tudo que parecia últil dentro dela: alguns remédios e utensílios que serviam para fazer curativos, algumas peças de roupa, produtos de higiene, dinheiro que estava no cofre da família, comidas não perecíveis e uma adaga, para servir de proteção.

Mandei Pandora fazer o mesmo, e assim ela colocou tudo que achou necessário em uma grande bolsa em formato de coelho que ela tinha.

Quando terminamos, andamos pela casa mais um pouco... apesar de termos nos mudado a pouco tempo, nós sentiríamos falta daquele lugar.

Eu não sabia mais o que fazer naquele momento, e nós duas não tínhamos mais a quem recorrer, a não ser "ele", a pessoa que a outra Pandora citara na carta. Quando saíssemos de lá, estaríamos mais sozinhas que nunca.

Resolvi checar novamente a casa inteira, ainda havia espaço em nossas mochilas, então, não custava nada procurar mais um pouco por algo que poderia ser de ajuda futuramente.

Olhei todos os quartos, banheiros, cozinha, salas, escritórios... até que cheguei novamente no quarto onde tudo havia começado. No chão, quase totalmente abaixo de um livro que tinha caído, tinha um papel com o aspecto semelhante à carta que tínhamos lido antes. O papel parecia mais um pergaminho, era realmente muito velho e estava dobrado em várias partes. Novamente, abri cuidadosamente, e ao ver o que era, uma sensação de alívio tomou meu corpo. Era um mapa. E logo acima dele, escrito com a mesma letra de Pandora: "Guiem-se por esse mapa."

Aquilo me deu verdadeiramente uma esperança, seria loucura saírmos sozinhas e sem rumo. Coloquei o mapa em um bolso seguro da minha mochila, e voltei até o cômodo onde Pandora estava.

Pude notar que ela tremia muito, mas me viu e sorriu mesmo assim. Era um sorriso lindo, mas ao mesmo tempo, tão triste...

"V-Vamos?" — eu disse ainda pensando no sorriso que ela acabara de abrir em seu rosto.

"Vamos." — ela disse parecendo feliz, mesmo não estando.

Assim olhamos para a grande sala de entrada, eu estava com uma sensação de que nunca mais voltaria lá de novo...

Assim, enquanto eu trancava a porta da frente, Pandora puxou um pouquinho a barra da minha saia para chamar minha atenção.

"Yoshino, quem é?" — ela disse com um pouco de medo.

Me virei e me deparei com um menino no portão de nosso casarão. Seus cabelos eram castanhos e tinham um corte que ficava bem nele, seus olhos eram também castanhos, e sua pele branquinha. Ele usava uma máscara com uma boca cheia de dentes desenhada cobrindo sua boca, sua roupa era legal, e usava uma mochila nas costas. A figura estava encostada no portão grande, do lado do muro da nossa casa.

"Uh... eu também não sei quem pode ser." — eu disse um pouco confusa.

"Será que não é quem Pandora citou na carta?" — ela disse baixinho.

Aquilo me deixou ansiosa.

"Rápido, vamos ver." — eu disse já puxando a mão de Pandora enquanto corria em direção ao menino.

Enquanto nos aproximávamos, o menino ficava nos olhando sem desviar o olhar. Não conseguíamos ver sua boca, devido a máscara que cobria ela, mas ele parecia estar sorrindo um pouco. Até que, atravessamos todo o grande jardim que havia na parte da frente, e pudemos ver o menino frente a frente.

Ele pareceu sorrir novamente e tirou a máscara da frente de sua boca.

"Prazer, meu nome é Haru. Parece que alguma de vocês abriu a caixa, não foi?" — ele disse calmamente, num tom que parecia até feliz.

"O "H" da carta... realmente... é você?" — eu disse um pouco insegura.

"Sim, sou eu." — ele disse com um sorriso no canto da boca colocando a máscara novamente.

"Prazer Haru. Meu nome é Yoshino, e essa é minha irmã Pandora. Não sabemos o que aconteceu, só esperamos que você nos ajude." — disse extendendo a mão para o menino.

Ele logo fez uma expressão gentil no rosto, e apertou minha mão.

"Parece que vamos estar juntos a partir de agora, Yoshino." — ele disse ainda parecendo feliz.

"É... sim." — eu disse.

O menino se virou.

"Bem, então vamos." — ele disse parecendo empolgado.

E assim, eu e Pandora começamos a andar atrás dele. Será que poderíamos confiar em alguém assim...? Por enquanto, isso é a unica coisa que nos resta a fazer.

Notas finais
Espero que tenham gostado 'u' No próximo capítulo terá mais aprofundamento do personagem novo.