Notas iniciais
Olá, corujas! Espero que seus corações estejam preparados para algumas emoções boas, viu? Saboreiem! Abraços e até os comentários!

Paris, França.

15 de novembro de 2004.

O silêncio ainda era o principal ingrediente daquela manhã fria, temperado com as gotas de chuvas, desta vez melodiosas como um choro em seus últimos momentos.

Não estavam mais no beco frio que havia velado as noites de sono de Hermione, a ousadia dos Weasleys não permitiria isso, também como o perigo que Draco sabia que correriam. Deveriam ficar em um lugar seguro.

Quase houvera uma discussão sobre aquilo, invadir residências e enfeitiçar seus donos para que fossem para uma longa viagem de um mês não era o tipo preferido de magia de Hermione, mas a morte de Aysha ainda era próxima, recente, e então apenas calou-se. Sabia que nenhum trouxa havia sido machucado, apesar da ideia ainda lhe soar errada.

Fossem seus pais até hoje acreditando que estavam em uma viagem, ou fosse seu ideal de ética bruxa, não fazia diferença agora, e muito menos diferença.

Era um pequeno apartamento, equipado com três quartos e uma luz ambiente fraca amarelada. A cozinha tinha cheiro de torradas e café recém passado, e Gina estava lá, preparava uma comida decente para todos, em seus lábios finos havia um sorriso de resignação, quase como surpresa, mas seus olhos também não eram capazes de esconder a dor.

Depois de todo aquele tempo, finalmente estava livre. Tinha a chance de salvar sua família, enclausurada naquela prisão imunda, mas ainda assim eram tantas coisas para assimilar.

Ronald, sentado em uma poltrona que apontava para uma televisão de tubo, assistia a todos aqueles canais, maravilhado com o que os trouxas podiam fazer. Não soltava o controle por sequer um minuto. Tentava esconder um sorriso que viria a aparecer mais tarde, em respeito aos soluços da amiga, mas algo naquele sorriso de admiração trazia a lembrança do senhor Weasley, e o ruivo sabia disso.

Hermione também estava lá. Sentada em um sofá na beira da janela, olhava para o jardim coberto de flores, cujo pareciam não ter sido afetadas com a chegada do frio na cidade. Ao longe, a torre Eiffel ainda reinava. Intacta e resiliente, mas meio a grama esverdeada e a um círculo de flores coloridas, havia uma terra recém batida que chamara mais a atenção da castanha, sendo regada com as lágrimas da chuva. Não havia uma cruz que sinalizasse a morte de alguém, até porque poderia surpreender os trouxas quando estes voltassem, mas em seu lugar uma pequena e recém plantada violeta. Suas pétalas, ainda que frágeis, resistiam as gotas chuvosas, e dançavam no ritmo do vento, balançando-se com leveza e angústia, suas pétalas cabisbaixas.

Havia sido enterrada por Draco, que ainda doente e sem comer nada, não desejou sequer por um segundo não fazer aquilo, e com a particularidade da situação, apenas Hermione esteve presente. Já chovia quando seu pequeno corpinho foi entregue à terra molhada, como um cobertor prestes a aconchegar, e assim foi envolvida para sempre.

Fora enterrada usando como roupa a jaqueta de viagem que Draco havia conseguido enquanto ainda estavam na floresta, e seu cheiro a envolveria por todo o tempo que lhe fosse possível.

Aysha estava em paz. Estava no mesmo lugar que Harry, Luna e Neville. Estava bem.

Hermione soluçava baixo. Não queria incomodar, sabia da paz que um lar provisório poderia trazer aos corações de seus amigos, e até em si mesma podia sentir a paz que se arrastava antes de uma guerra certa por vir, e culpava-se por isso.

Com a mão livre, passava seus dedos delicados sobre os ferimentos na panturrilha de Draco, já havia usado todos os feitiços possíveis para que as cicatrizes em sua perna se restaurassem, e agora tudo que restava eram linhas finas e mais claras que seu próprio tom, que percorriam o perímetro de sua pele.

Sentiu o peso que o olhar do sonserino trazia para seu rosto, e então, pela milésima vez no dia, se virou para seu rosto. Estavam lá, seus dois olhos azuis, vivos como sempre foram, se não tão carregados de culpa pela morte da elfo, e sentiu seus próprios olhos se encherem novamente com lágrimas.

Draco desviou o rosto.

—Está horrível, não está? —Murmurou o alvo, encarando os próprios pés enquanto permitia que seus cabelos mal cortados cobrissem a parte queimada de sua face. Draco ainda tremia, desde o momento da aparatação seu corpo não havia parado de tremer. Fosse pelos dias sem comer ou pelo trauma da morte de Aysha, Hermione não sabia, afinal mal ouvira sua voz.

Apenas queria ajudar.

Haviam feito o que podiam. Entre uma bruxa que entendia de feitiços de restauração e um médibruxo que muito entendia de cura, tudo havia sido feito. Draco havia voltado a enxergar, ainda que duvidasse muito de sua própria magia, mas o lado esquerdo de seu rosto ainda era de um tom rosado, com fissuras que caminhavam por sua pele, fazendo com que perdesse sua polidez e regularidade.

—Não se pode curar uma queimadura com fogo maldito, Draco. —Hermione sussurrou, sem querer que os amigos ouvissem. —Pelo menos você ainda pode enxergar.

Hermione sorriu fraco e tentou tocar o braço do sonserino.

Draco recuou ao sentir sua mão gelada, mas rapidamente deixou que sua mão repousasse ali mesmo, ainda recuado, como um animal que ansiava o medo.

—Isso é porque meu olho não foi queimado, fedelha. —Murmurou, mais para si mesmo do que para Hermione, que prestava atenção como se sua vida dependesse daquilo. —Só foi coberto por essa maldita pele queimada, o que o fez infeccionar. Mas essa porcaria —Apontou para o próprio rosto, o perfeito asco se formalizando em seu semblante. —Essa merda vai ficar para sempre aqui.

Hermione negou com a cabeça. Não sabia ao certo como consolá-lo, enquanto a si mesma permanecia inconsolável. Queria chegar mais perto, poder beijar aquelas cicatrizes, que a seu ver não tinham feiura nenhuma, e prometer que tudo ficaria bem.

Mas não podia prometer o que não tinha certeza.

Parecia quase loucura acreditar que em tão pouco tempo, suas vidas haviam se transformado dessa forma. Em menos de um mês, estavam os dois na mansão de Draco. Ainda havia o conforto da mansão, as conversas que beiravam a madrugada, e apesar disso, haviam se tornado outras pessoas.

—Está pronto. —Gina falou, sua voz quase inaudível. —O café.

Ronald levantou no mesmo segundo, correndo até a cozinha e enchendo os braços com as torradas que havia encontrado. Não pegou café, e na mesma velocidade já voltava à sua poltrona.

Hermione olhou mais uma vez para Draco, e mais uma vez, pode ver o olhar do sonserino divagando para outros cantos, junto com seu rosto.

E então a castanha se levantou até a cozinha. Não pode evitar passar a mão no felino que repousava logo no tapete, seus pelos escurecidos recém haviam sido secos e seu semblante ainda era irritação.

Quando chegou na cozinha, serviu seu próprio café. Era forte, quente e amargo, mas desta vez o açúcar parecia não se fazer necessário. O amargor em sua boca trazia uma sensação gostosa, um amargo diferente para se preocupar, além dos que trazia da vida. Olhou para as torradas de relance, e pela primeira vez em muito tempo, não sentia vontade de comer.

Queria que tudo aquilo fosse diferente.

Queria que salvar Draco e seus amigos lhe trouxesse paz. Queria que Aysha ainda estivesse ali, comemorando e dando pulinhos de felicidade ao ver as cicatrizes de seu dono se curando gradativamente. Queria ver os uivos de alegria de Ronald e a voz fina de Gina, pronta para um plano para acabar com Voldemort e salvar sua família.

Mas não era isso que a vida lhe trazia.

O Rony de sua imaginação ainda existia, mas estava vários anos atrás, muito antes de uma guerra acabar com suas esperanças. Ginevra, por sua vez, tinha o mesmo olhar felino e feroz, enquanto sua postura era de medo, quase que devoção.

Nada voltaria a ser igual.

Sentiu as lágrimas escorrendo mais uma vez, desta vez como uma tempestade pronta a cair, fortes como nunca.

Ouviu o miado do gato, que ronronava ao tocar suas panturrilhas, e fitou aqueles olhos verdes penetrantes.

E então a castanha se abaixou. Acariciou os pelos macios do gato que ronronava freneticamente, contente por estar em um lugar seco. Sentiu seu rosto sendo fitado pelo felino, cujos olhos verdes a lembravam tanto seu amigo.

—Parece tanto com ele. —Sussurrou, e o gato, em concordância, enroscou-se contra seus punhos, recebendo mais carinho.

E algumas lágrimas a mais foram derrubadas sobre seu novo amigo.

Sentia seu rosto ficando vermelho novamente, sua pele já irritada pela quantidade de lágrimas que lhe fugiam.

Talvez, se Harry ainda estivesse vivo, tudo poderia ser diferente.

—Parece mesmo.

A voz áspera de Draco falava atrás de si, tão fraca que Hermione quase não pode ouvir. A castanha se virou para poder ver o rosto do alvo, mas assim que o fez, esse já havia se esgueirado para as sombras, onde servia seu café.

Sem açúcar.

Mais uma vez, Hermione engoliu suas próprias lágrimas. Sentia o amargo subindo cada vez mais forte por sua garganta, afogando-a, misturando-se ao gosto do café. A deixando sem ar.

Levantou-se rapidamente do chão, de forma que o gato pulou em direção oposta, assustado, e ao olhar para a sala e ver que ambos os Weasleys se distraiam com conversas íntimas demais para serem interrompidos, aproximou-se da figura alta e esguia de Draco.

E mais uma vez, tentou algum contato.

Abraçou as costas do sonserino, calma e lentamente, avaliando cada movimento que Draco poderia fazer. Aconchegou seus cabelos castanhos em sua camisa escura, misturando-se a ela.

Draco ofegou, Hermione sentiu a respiração do alvo aumentando rapidamente, assim como as batidas de seu coração, que pulsava.

Fechou os olhos naquele abraço, mas sentiu enquanto Draco se virava e a abraçava, afundando seu rosto em seus cabelos, aspirando seu aroma. Sentiu as lágrimas quentes do sonserino caindo contra seus fios e umedecendo-os. Sentiu seus braços tremerem descompassadamente, assim como seus lábios finos em contato com sua testa.

E desta vez, suas lágrimas faziam sentido.

Escorriam como se a limpassem de dentro para fora, levando junto toda a mágoa que havia guardado. Elas tinham significado, tinham história. Não eram apenas vagas gotas escorrendo pelo seu rosto.

Draco conseguia sentir tudo aquilo também, mas não era como se quisesse falar sobre aquilo. Seu corpo ainda doía, e a frustração por não conseguir curar aquelas malditas queimaduras era um rio fundo e frio, onde parecia estar imerso.

Mas a última coisa que queria era fazer mal a Hermione.

Não devia transparecer sua dor, sua frustração, ela não tinha nada a ver com aquilo, seria mais uma atitude covarde a se tomar.

—Vamos acabar com você sabe quem. —Sussurrou no ouvido da castanha, sentindo sua voz soar áspera e irregular com seu pranto. —Vamos tirar todos seus amigos de Azkaban e tudo vai ficar bem. —Prometeu, forçando seus olhos a permanecerem fechados, mesmo que de forma inútil, quando as lágrimas lhe fugiam, rebeldes. —Tudo vai ficar bem.

Hermione assentiu, deixando que seu corpo desabasse sobre o sonserino.

Draco sabia que a essa altura Ronald e Ginevra já haviam visto o que acontecia. Não precisou abrir os olhos para sentir o peso que o olhar dos irmãos trazia. Apenas deixou que Hermione chorasse em sua camisa, inundando-a.

Sabia que ia passar.

E depois disso, tudo ficaria mais leve.

—X—

Estavam naquele mesmo sofá esverdeado, na sala cujo a luz amarelada reinava, e a noite já se fazia presente. Pela janela, as luzes da rua se acendiam periodicamente, assim como nas janelas das casas e apartamentos. A chuva caia leve e fina, desta vez calma, mas a mágoa em seu gotejar ainda estava lá, debruçando-se sobre as pétalas coloridas da violeta.

—Isso aqui é muito bom, Mione. —Rony exclamou, lambuzando-se com a pele do frango frito que Hermione havia feito.

Hermione sorriu.

—Comida de trouxa.

—Papai vai adorar isso quando sair de Azkaban. Vai ter que fazer pra todos nós. —Gina falou, e era tão óbvio em sua voz que quase podia se tornar verdade.

E Draco pigarregou.

Ainda se sentia deslocado. Com os Weasleys juntos, parecia se tornar parte da mobília nas conversas, mas não era algo que o incomodasse. Viu que Hermione o olhava, e seu primeiro impulso ainda gritava para que escondesse seu rosto, mas pelo contrário, apenas o abaixou.

—Amanhã eu e Hermione vamos começar a procurar os dentes de basilisco, ou qualquer outra coisa que sirva para acabar com tudo isso. —Anunciou. Torcia para que o olhar furioso de Gina não o fuziilasse, mas, sem olhar, ouviu a voz de Ronald, animada como a de uma criança.

—Legal, e eu e Gina vamos para onde?

Draco o fitou.

Tinha aquele mesmo sorriso imbecil no rosto, o que o fez querer rir por um segundo, mas o aliviou em saber que teriam ajuda falava mais alto. Sabia que todos na sala desta vez o olhavam, como se esperassem por uma ordem, e soube o que fazer.

—Acredito que seria bom nos dividirmos na cidade, mas não é bom que fiquemos sozinhos. Posso ir com Hermione para a zona norte e vocês para Sul, o que acham?

—Perfeito. —Era Gina que falava, com um fraco sorriso agradecido em seus lábios.

Hermione olhou para o rosto de todos, orgulhosa pela colaboração que estavam tendo, e seu olhar acabou mais uma vez no rosto de Draco.

E Draco sorriu em troca.

—Mione? —Gina perguntou, em sua voz havia uma brincadeira que Draco ainda não havia compreendido.

—Hum? —Perguntou a castanha, esgueirando seu olhar para a ruiva.

—Mais tarde precisamos fofocar sobre uma certa doninha saltitante. —Sugeriu, seus olhos cintilando pela primeira vez, uma antiga Gina que parecia surgir novamente.

E Hermione acompanhou o riso dos Weasleys, enquanto seu olhar divagava mais uma vez para Draco, e então percebeu que sua pele alva havia corado.

—X—

A casa que haviam saqueado possuía três quartos. Ronald e Gina combinaram de ficar nos quartos de solteiro, e após vários olhares sugestivos da ruiva para o irmão, Rony desistiu de questionar a Gina o motivo de ela e Hermione não dividirem o mesmo quarto, sendo que faziam isso a anos em Hogwarts.

A madrugada já havia chego, trazendo consigo um conforto a muito não sentido. Estavam em uma casa confortável, aquecida e com comida.

No quarto em que Hermione e Draco estavam, havia uma lareira aos pés da cama. O fogo ainda trazia a Draco sentimentos ruins, mas as labaredas fracas que lambiam a madeira não faziam efeito nenhum a sua pele, senão o de conforto.

Estava com Hermione.

A cama era grande, e assim como todo o resto da casa, confortável. Parecia incrivelmente melhor do que seu próprio quarto na mansão Malfoy, que com ou sem lareira, parecia frio a sua lembrança, sem a presença de Hermione.

A castanha estava sentada em frente a lareira. Lia um livro de feitiços e os acompanhava, lançando-os com a varinha de Draco contra os tijolos da parede, que se construiam e desconstruiam.

Draco apenas a olhava. Prestava atenção em detalhes que não havia notado antes. Como a sombra que as chamas faziam contra seus olhos castanhos, trazendo uma cor jamais vista. E as sardas em suas bochechas, que naquela luz, se tornavam cor de fogo.

Hermione bocejou.

—Está na hora de dormir, fedelha. —Draco anunciou. —Vem pra cá, deita aqui. —Apontou para o travesseiro ao seu lado. Parecia tanta coisa para um dia só. Um dia atrás, havia acreditado estar morto. E agora estava num quarto. Com aquela garota.

Hermione corou violentamente, e nem mesmo a cor das chamas se igualavam ao rosa que havia tomado conta de suas bochechas.

Draco não entendeu.

Percebeu que Hermione não o respondeu, e sim ficou em silêncio. Seus olhos se fecharam e mais uma vez, sua respiração era profunda.

Ela sentia medo.

Draco se aproximou, levantou da cama e empurrou os edredons para o outro lado. Chegou perto de Hermione, sentindo o morno deixado pelo fogo, e a pegou na mão.

Hermione o olhou, fitou o fundo de seus olhos como se estivesse vendo sua própria alma. Em suas íris castanhas, havia um rastro deixado pelas lágrimas da tarde.

—Eu sei que está feio, fedelha. —Sussurrou. Era compreensível. Qualquer um teria medo de deitar ao lado de alguém que parecia um monstro. —Mas eu te prometo que eu nunca vou te machucar.

Os olhos cautelosos da castanha se tornaram confusos, e então, temíveis. Hermione abriu a boca para falar algumas vezes, mas não saia nenhum som.

Draco sentiu que a amedrontava, e então soltou sua mão.

—Acha que eu estou com medo por causa do seu rosto? —Hermione perguntou, sua testa se formava em um vinco. —Draco, acha mesmo que eu ligaria pra isso? Você continua lindo, você sempre foi.

E foi a vez de Draco se confundir.

—Então...o que?

Hermione fechou os olhos e respirou fundo. Sua pele parecia corar a cada instante mais, passando do tom rosado para o vermelho, e Draco imaginou que ela fosse chorar mais uma vez. Preparava-se para consolá-la quando um baixo sussurrou escapou dos lábios da grifina.

—É só que eu achei que agora que está tudo bem você poderia querer alguma coisa a mais...E tinha medo de não saber como fazer isso.

O alvo a fitou em confusão.

Alguma coisa a mais?

As palavras demoraram para se alinharem em sua mente.

E Draco a abraçou.

—Juro por Merlin que eu nem havia pensado nisso, fedelha.

Hermione concordou, aninhando-se em seu abraço. Draco a puxou para a cama, para mais perto, e ainda sem se distanciar, puxou o edredom para que a cobrisse.

Ficaram assim por minutos, ambos acordados. Apenas sentiam a respiração um do outro, assim como os batimentos cardíacos.

Hermione era quente, e mesmo longe do fogo sua pele tinha uma estranha e acolhedora temperatura, que em contraste com a pele de Draco, era um calmante natural.

—Você sempre teve uma fama assim, sabe? Por isso imaginei… —Hermione começou a se justificar, mas Draco a interrompeu.

—Não é mentira, fedelha, mas de uns tempos pra cá, tenho tentado manter essa fama longe de mim.

—Você ia ficar com a Pansy aquela noite. —Hermione retrucou.

—Eu estava sob efeito de uma poção naquela noite. —E um novo silêncio se fez. Draco imaginou que Hermione havia caído no sono, mas sua pele se esquentava novamente enquanto seus batimentos aumentavam.

—O que foi agora, fedelha?

Um forte vento entrou pela janela, apagando a chama que iluminava o quarto, mas o alvo sabia que Hermione estava corada.

—Você sentia atração por outras mulheres...Fico pensando se você também sente por mim.

Draco riu baixinho.

Era uma pergunta tão boba.

—Você é uma mulher linda, Hermione. Acho difícil que exista um homem que não se sinta atraído por você. —Draco sentiu um sorriso fraco se formando nos lábios da castanha, mas este sumiu rapidamente. —Mas se quer saber, temos todo tempo do mundo para tentarmos algo a mais. —Uma malícia acompanhava a voz do sonserino. —Você já me conquistou mesmo, vou estar sempre por aqui.

—E quando eu estiver pronta?

—Então eu também estarei, Hermione Jean Granger.

—Malfoy. —A castanha sussurrou, e Draco achou que estava sendo repreendido.

—O que eu fiz?

—É Hermione Jean Granger Malfoy. —Hermione bocejou, sua voz ficando mais fraca a cada palavra, mas ainda dando a possibilidade para que Draco pudesse sorrir ao ouvir a entonação de suas palavras.

Notas finais
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