Palimpsesto - Dramione
26 Sangue sobre a neve.
Notas iniciais
Wiltshire, Inglaterra.
Malfoy Major.
A mansão Malfoy, antes decorada em seu jardim com as mais diversas sebes esverdeadas e flores invernais, não mais tinha a vida que Draco tanto havia se esforçado, após a morte de seu pai, para manter. Em poucos dias a presença de Lorde Voldemort e seus comensais trouxe ao ambiente uma névoa cinzenta e escura, e qualquer tipo de vida parecia se perder em meio a escuridão trazida por aqueles que seguiam as trevas.
Os pássaros, que antes pulavam pelos galhos cobertos pela neve, agora se mantinham longe o suficiente para que pudessem sobreviver, e ainda assim pequenos esquilos e animais da floresta podiam ser encontrados mortos sem motivo aparente aos arredores da mansão.
O odor que emanava era fétido, se o motivo eram os animais mortos a cada metro ou os indivíduos vivos e esbaldando-se dos luxos que o lugar oferecia, não se podia saber.
Naquela tarde a neve parecia, com muito esforço, ter a necessidade de dar lugar a grama seca que havia sobrado, e pequenas poças de água geladas eram estabelecidas em frente a mansão. E em meio a névoa cinzenta, uma figura de trajes tão escuros quanto seus cabelos crespos caminhava em direção ao povoado. Belatriz Lestrange e Antônio Dolohov riam alto, parecendo animados com a missão de perseguir Draco.
—Meu sobrinho sempre foi um fraco. —Esganiçou-se Belatriz com desdém. —Sempre soube que ele poderia fraquejar em algum momento. Puxou pelos traidores de sangue de minha família. Aquela Narcisa...Nunca confiei na minha propria irmã! Quanto mais em seu filho covarde. Lucio...Esse sim, podia ter suas falhas, mas esse sim era fiel ao lorde!
Dolohov tossiu no que seria uma tentativa de interromper a bruxa, que parecia não cansar de falar sobre Draco. Sua mente, naquele momento, vagueava por outros lugares, outros momentos…
—Bela...Você realmente conferiu se o bracelete ainda estava na cabana onde eles estavam? —Questionou, espiando a bruxa de canto de olho. Pode perceber os olhos castanhos da comensal tornando-se estáticos, como se pega em flagra, mas então Belatriz engoliu em seco.
—Óbvio que o fiz, Dolohov.
E o assunto parecia realmente concluído naquele momento, e mesmo sem crer em meia palavra que Belatriz dissera, Dolohov seguiu seu caminho com a bruxa em direção ao lugar em que encontrariam Draco novamente.
Dentro da mansão, no entanto, a névoa não perpetuava de tal forma. Talvez pelos archotes acesos, que faziam com que a sala de estar tomasse um tom avermelhado, mas um calor desconfortável se instalava no lugar. Era daquele calor que o Lorde das trevas precisava. Mal tinha vida, e o pouco que lhe restara era tão gélido que precisava estar em meio às chamas para que o mínimo de calor humano perpetuasse sobre sua pele.
O bruxo aguardava, sentado no mesmo sofá de couro que Draco aguardava todas as vezes que precisava receber uma carta de seu mestre. Brincava com sua varinha, fazendo Aysha subir e descer pelo ar, os olhinhos violetas arregalados e chorosos.
—Já falei o que faria com você, elfo inútil, se não receber informações sobre seu mestre traidor! —Sussurrou de forma calma. Não pareceria uma ameaça se não fosse levado em consideração todos os feitiços de tortura que Voldemort já havia lançado sobre a elfo.
—Aysha já disse que não sabe! —Exclamou com a voz fraca e suplicante, parecendo tentar manter uma sanidade em meio a tontura que sentia por ser manuseada. —E mesmo que soubesse, Aysha jamais trairia seu mestre! Bem que o senhor Malfoy disse que seu mestre era um homem horrível! Muito mau…
E uma faísca vermelha fugiu da varinha daquele-que-não-deve-ser-nomeado. Aysha contorcia-se no chão enquanto Voldemort, parecendo sequer perceber os gritos suplicantes da elfo, aconchegava-se no sofá, jogando os pés de sapatos lustrosos para o alto, soltou um enorme bocejo.
No canto da sala, duas imagens ruivas encaravam o ministro. Ronald Weasley aparentava tanto tédio diante a situação quanto o próprio Voldemort. Amarrado a cordas invisíveis, permanecia de pé, em seu semblante a perfeita falta de interesse. Mas algo em meio àqueles olhos verdes parecia perturbado. Poderia ser a pupila frígida e impenetrável, ou até mesmo as lágrimas finas que escorriam por sua face magra.
Ao seu lado, Ginevra Weasley passeava com seus olhos do irmão para a elfo, e com a maior sutileza que podia oferecer, para Voldemort. Ela, por sua vez, não parecia esconder o que sentia. Seu lábio se retorcia em fúria, e seus punhos tentavam com a maior força que havia lhe sobrado desvencilhar-se das cordas invisíveis.
E eram apenas os dois, dois pontos de luz alaranjada em meio ao ambiente tão quente como seria o próprio inferno.
Um som de salto se aproximou vagarosamente da sala, fazendo com que a cada segundo se tornasse mais próximo, mas ainda assim longe, no andar superior. Alguns minutos foram necessários para que Astoria Greengrass se mostrasse presente na sala, a maquiagem impecável e um vestido tão curto quando uma meretriz ofereceria. Em seus lábios vermelhos um sorriso vencedor era esboçado.
Ele havia a escolhido, sabia que era isso.
Ele a olhava a tempos.
Ele desejava uma mulher bela e elegante, mas ao mesmo tempo, tão venenosa quanto o próprio.
Ela era perfeita para o que o Lorde desejava, e essa era a explicação de tamanha alegria.
Ele havia pedido que a chamassem pessoalmente em seu quarto, o que acabou roubando o de Draco para si.
Se aproximou devagar, e fingindo não perceber enquanto Aysha urrava de dor, logo a sua frente, aprumou-se ao lado de Voldemort.
O bruxo a mediu com lascívia, e ao puxá-la pela cintura para mais perto, uma gargalhada estridente ecoou da garganta do que seria a nova senhorita das trevas.
— X —
Dean Florest, Inglaterra.
—X—
Um brilho perpetuou, apenas em passagem, pelos olhos acobreados de Hermione, perante a ideia de Draco. Adoraria, do fundo de seu coração, ter um passeio por aquela floresta. Era o que havia feito com seus pais, poucos anos antes da guerra se instaurar no mundo bruxo,e também o que havia feito com Harry e Rony durante a guerra a qual haviam perdido. E agora, perdida e sem rumo, era o que faria com Draco Malfoy.
E então assentiu com a cabeça, e uma ruga de estranheza se apossou da testa do loiro.
—Que horas são? —Perguntou, e por um breve instinto analisou seu pulso direito, onde não havia relógio algum.
Hermione espiou pelo lado de fora da barraca, onde a neve se derretia e um sol fraco e um céu azul pálido se instaurava sobre suas cabeças. Analisou o céu por alguns segundos, e assim que encontrou a localização do sol concluiu:
—Devem ser umas três da tarde.
E automaticamente o estômago do sonserino roncou em protesto, e como que um sinal de que também deveria, Hermione sentiu uma forte pontada na barriga.
—Não comemos nada desde ontem. —Draco pontuou, mais para si mesmo do que para a castanha. E então ergueu seus olhos azuis em direção a Hermione. —Sorte sua que eu surrupiei alguns pães daquele senhor, fedelha. —E um sorriso sacana se apossou de parte de seu rosto. Seus olhos permaneceram frios.
Naquela tarde, ambos comeram os pães afanados por Draco. Sentaram-se frente a frente na pequena mesa que a barraca oferecia, e ainda com o bracelete entre os dedos, conversaram sobre o que seria aquele objeto que parecia de extrema familiaridade ao sonserino.
—Imagino que seria algo que minha mãe usaria. —Concluiu, passeando o objeto para uma mão, e então para a outra, como se o bracelete pudesse se abrir magicamente enquanto fazia aquilo. —Ela tinha um ótimo gosto para jóias, entende? —Perguntou, mas não teve a capacidade de erguer o olhar. Encarou a mesa de madeira como se fosse realmente interessante, mas não desejou ver o semblante de pena que sabia que Hermione esboçaria.
—Nunca gostei de Narcisa, Draco. —Concluiu Hermione, encarando também o tecido da barraca. —Mas preciso admitir que era uma mulher realmente muito bonita.
Draco sorriu fraco.
—Era uma mulher incrível.
Hermione deu de ombros.
—Infelizmente o pouco que conheci sobre a senhora Malfoy não foi muito...satisfatório.
Draco sentiu um desconforto dentro de si. Tinha vontade de desmentir Hermione, de falar para a castanha o quanto sua mãe fora uma mulher incrível, e que se assemelhava a um crime ter a ousadia de chamá-la de insatisfatória.
Mas analisou a face de Hermione.
Não havia maldade em sua feição, tampouco o desejo que ele imaginou ser de vingança. Era sincera, e o máximo que expunha era uma camuflada vergonha de admitir o que pensava de Narcisa.
—Entendo. —Draco respondeu, por fim.
—Como? —Hermione fitou os próprios pés, abraçando-se conforme fazia quando insegura.
—Digamos que a única pessoa para quem ela mostrou o lado bom fui eu...Não haveria como você saber…
E o silêncio permaneceu. Draco imaginou que Hermione realmente não tivesse palavras a falar, afinal, não haveria nada para ser falado.
—O que ela fez de bom? —Perguntou Hermione, após alguns minutos de quietude.
Draco suspirou.
Eram tantas coisas que sua mãe havia feito. Nunca havia feito pelos outros ou pelo bem de todos, mas sim por ele, por seu filho, e aquilo lhe bastava. Havia sido a única que se preocupou de fato com ele, e aquilo era mais do que o que se esperava de qualquer pessoa.
—Ela me amou. —Respondeu por fim. —Me amou quando fui criado por Lúcio, aprendendo com meu pai a ser desdenhoso e preconceituoso. Me amou quando seu amigo, Potter, era o foco de todos. Me amou quando eu fui designado como comensal, e ainda por cima me amou quando falhei em matar Dumbledore. Ninguém fez isso por mim, fedelha, e só por isso eu acredito que ela merece um crédito.
As palavras não foram ensaiadas ou pensadas. Meramente saíram de sua garganta como se estivessem a tempos instaladas por ali.
—Entendo. —Hermione respondeu, e parecia calcular algo em sua mente. —Mas Draco, sua mãe não foi a única pessoa que já te amou...Aposto que as mulheres que conheceu realmente queriam você por perto, quem sabe Pansy ou Astoria… —Divagou falando, e ao perceber a face de Draco se enrijecendo, decidiu calar-se.
—Pansy foi uma paixonite de adolescente. —Concluiu após um longo tempo quieto. —Eu e ela transavamos muito, saímos muito, bebemos muito...Bem...Nós fomos jovens intensos, e após um tempo essa chama toda se apagou. —Deu de ombros. —E Pansy jamais me amou, sempre deixamos isso claro.
Hermione assentiu, parecendo pensar se deveria ou não permanecer naquele assunto. Algo nas palavras do homem a incomodava. Seria a falta de responsabilidade com a vida, ou o tempo que perdeu com uma mulher pela qual não sentia nada.
—E Astoria?
E novamente o rosto de Draco se tornou impenetrável. Os olhos, antes líquidos em uma perfeita imensidão semelhante a um oceano em um dia nublado, haviam se tornados envidraçados, como se aquele oceano tão profundo, em um mísero segundo, cristalizasse em gelo.
—Eu e ela transamos, foi isso.
Hermione pigarreou, e sem perceber o quanto aquilo seria dolorido, continuou a questionar.
—Mas então por que...por que falar dela é tão mais incômodo do que falar sobre a Parkinson?
Draco passeou com os olhos por todo o ambiente. O pão havia acabado, e com ele sua vontade de falar. Curtos flashs passearam por sua mente. Seu quarto, uma bela mulher de cabelos longos e escuros, seus atos sexuais sendo realizados tais como se fosse um robô, os gemidos falsos e altos que Astoria fazia questão de externalizar, fazendo com que todos da mansão ouvissem. O momento em que desceu as escadas, e o olhar dos comensais sobre sua face, julgando-o como se fosse um monstro.
Não se dera por si, mas em algum momento o líquido de seus olhos desmoronou, e aquele oceano tão profundo já não tinha mais barreira que o segurasse. E as lágrimas escorreram frias pelo seu rosto, repousando por poucos instantes em seus lábios e por fim, como se fossem expulsas, caindo ao chão. Seu punho estava fechado com firmeza, e o respirar era tão descompassado como se acabasse de correr sem direção. Não que naquele momento alguma direção o guiasse.
Sua visão, turva, podia mirar em Hermione, o semblante de pena que tanto temera receber.
—Você gostava dela...—Hermione suspirou, levando a mão aos lábios.
—Não. —Soluçou.
—Ora Draco… Não precisa mentir pra mim, acima de tudo eu sou sua amiga e…
—Eu e ela transamos, e não foi porque eu quis, entendeu agora, fedelha? Ela usou a maldição imperius, foi isso. —Respondeu por fim, e sua voz saiu mais alto do que realmente esperava. Os olhos de Hermione se tornaram úmidos e por fim em sua feição uma compreensão se instaurou.
—Sinto muito. —Hermione tocou a mão do sonserino, e com um sorriso fraco pareceu consolar pouco do ódio que semeava em seu coração. Hermione se levantou da mesa, e sem tirar sua mão da de Draco, a contornou, e por fim, puxou o homem para cima.
E Draco estava pouco mais alto do que Hermione. Encarou-a por um segundo, sem realmente saber o que fazer, quando sentiu os pés pequenos da castanha pisando sobre os seus. Os cabelos morenos se aninharam em seu peito, e após Draco sentir que sua camisa começara a ficar úmida, descansou sua face sobre os cachos, respirando o aroma achocolatado que Hermione exalava.
Balançaram-se ritmadamente. Não havia música, apenas o farfalhar de suas respirações e o som da batida de seus corações, que aceleravam a cada segundo. Draco espiou pelo lado de fora da cabana, e pode perceber que o escuro da noite já havia se instalado no céu. Torceu para que a neve já estivesse dispersa, e aproximou-se do lado de fora, ainda naquela dança lenta e falha.
E as suas estrelas estavam lá.
—Hermione, eu tenho uma coisa para te mostrar. —Avisou, e com delicadeza a tirou de cima de seus pés. Segurou seus dedos com os da castanha, e ao guiar-se para o lado de fora da cabana, sentiu que ela os entrelaçou.
Uma fina descarga elétrica caminhou por todo seu corpo.
Caminharam até a frente da barraca, onde havia, no céu, um espaço entre as árvores suficientemente grande para que as estrelas se fizessem presentes. Observou o chão úmido, no entanto sem neve alguma, e com sua varinha conjurou um cobertor que estava do lado de dentro, sobre sua cama.
O cobertor vermelho se chocou contra a pouca neve que restara, e se visto de muitos metros acima, poderia se assemelhar a uma gota de sangue cor de vinho sobre uma pele muito clara, tal como a de Draco.
O loiro apontou com a cabeça para o tecido, indicando que Hermione se deitasse sobre ele, e num assomo de ansiedade em mostrar o que seria seu hobbie preferido, se deitou ao lado da morena. Encararam as estrelas, cada uma em sua própria constelação, misturadas a diversas outras estrelas, asteróides e planetas, tal como Draco sabia, milhares de anos luz longe de onde estavam.
—Aquela ali. —Apontou para o céu. —É a constelação cujo recebi o nome. A constelação de Draco. Minha constelação.
Hermione sorriu.
—É uma ótima constelação. —Concluiu. —Acredito que deva ser subestimada. —E um sorriso escapou de seus lábios, fazendo com que a maçã de seu rosto se levantasse. Draco a olhou de canto de olho, e não pode evitar sorrir em companhia.
—Eu tinha uma constelação particular, sabe fedelha...No meu quarto. Óbvio que não era real, mas havia sido encantada para mostrar a noite durante o tempo todo. Era minha atividade preferida de se fazer, era tão calmo...Bonito…
—Qual você acha mais bonita? —Questionou Hermione, interrompendo-o sem ao menos perceber sua inconveniência. —A que você tinha antes, ou essa de agora?
E os olhos claros do homem se focaram sobre o rosto de Hermione, que não havia se movido sequer um centímetro do que a fazia olhar diretamente ao céu.
—A de agora. —Concluiu, sorrindo. —Com certeza a de agora.
E sua mão voltou a tocar a de Hermione, que tremia, se possível, ainda mais que a sua.
—Você é especial, Draco. —Hermione afirmou em plena convicção. —E apesar dos seus erros, eu sou eternamente grata por ter me tirado daquele inferno.
Draco soltou um riso fraco.
—Eu ainda sou um monstro, garota. Não mereço nem um terço do que você está falando.
E ela desviou o olhar da constelação, encarando então o verdadeiro Draco, o que se encontrava a sua frente, envergonhado e temeroso.
—Você deixou tudo que tinha, Draco. —Respondeu após alguns segundos do que seria um olhar de julgamento. —Você só está passando por tudo isso por minha culpa, doninha! —Exclamou, como se o que fizesse fosse um erro descabido.
Uma mecha do cabelo de Hermione escorreu para seus lábios, que sorriam incrédulos.
E Draco, com a maior delicadeza que poderia oferecer em seus dedos gélidos, a retirou dali, colocando-a novamente para trás das orelhas.
—E está sendo a melhor experiência da minha vida, fedelha.
Desta vez aproximou seus lábios da morena de forma proposital. Desejou guardar cada momento em uma penseira, se assim a tivesse. Prestou atenção em cada milésimo de segundo. Esbaldou-se com a respiração quente de Hermione tão próxima de sua face, causando arrepios ao longo de seu pescoço.
Ela não recuou, pelo contrário, pareceu permitir que cada movimento de proximidade fosse realizado. Hermione sentiu seu coração falhar quando a respiração de Draco aproximou-se de seus lábios, e no momento em que se tocaram por fim, quando o frio e o calor finalmente se misturaram à luz da constelação de Draco. A mão de Draco, ocupada com a mecha rebelde da castanha, aconchegou-se sobre a face de Hermione, que nada pareceu se incomodar com aquilo.
As pulsações de Draco tremiam, e lutavam ferozmente contra a calma que o loiro desejava oferecer para aquele momento. O frio do clima não mais possuía a menor influência sobre seus corpos, agora ocupados com o calor que um causava no outro. Draco sentiu arrepios se prolongarem por toda a extensão de seu corpo, e desejando não ter aquele tipo de desejo naquele momento, foi contra sua razão e aprofundou o beijo.
Hermione não quis se negar a fazer o que faziam. Seus corpos estavam tão próximos, tão quentes…
E ela sentiu algo do qual sequer se lembrava. Sentiu uma onda gelada passeando por seu corpo, e latejando, implorando por ainda mais proximidade. E então foi ela que o puxou ainda mais.
E por um mínimo instante, seus lábios perderam o contato.
—Her...Mione...—Draco sussurrou em seu ouvido, sua voz trêmula e esbanjando o desejo que sentia por dentro. —Eu acho melhor pararmos por aqui...É cedo...—Concluiu, em meio ao ofegar.
E voltando ao juízo, Hermione também achava cedo. Assentiu com a cabeça, e sem se afastar, aprofundou-se no peito do homem, respirando seu aroma amentado.
Não sabia em que momento aconteceu, mas em algum momento da madrugada seus olhos piscaram, atordoados. Pouco pode reconhecer em meio a escuridão, mas a julgar pelo tecido confortável sobre seu corpo, concluiu que estava, ainda, deitada na floresta com Draco. Algum feitiço de impermeabilidade havia sido conjurado ali, afinal o frio que o inverno trazia não podia entrar no ninho que haviam formado. Mexeu a cabeça e percebeu que havia adormecido ainda no peito do sonserino.
Por um mísero momento sentiu-se impura. Sentiu que pecava em estar ali, deitada nos braços de um homem que a pouco era seu maior inimigo, mas o sentimento não se demorou quando aquele homem a quem havia tanto odiado resmungou, no meio do sono.
—Her...Mi...O...Ne.
Mais uma vez a castanha aconchegou-se, e observando a presença da constelação de Draco, sentiu seus olhos pesarem novamente.
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