Palimpsesto - Dramione
1 Prólogo.
Notas iniciais
Azkaban, 2 de setembro de 2004
Uma pequena silhueta balançava-se no escuro de forma quase imperceptível. Ao observar mais de perto, podia-se notar uma pele pálida, quase acinzentada onde se podia contar cada osso do corpo pequeno que ali permanecia, cada hematoma naquele singelo corpo parecia ser apenas mero detalhe. Era frágil e parecia de porcelana, que com um toque se romperia em mil pedaços.
Um
Dois
Três
Quatro
...
Hermione contava, desde a hora em que havia acordado, quantos segundos passaram, balançava seu corpo ritmadamente tentando manter a temperatura suportável, rezando para que esse fosse o dia em que alguém lhe jogaria um pão mofo ou até mesmo comida regurgitada.
Não fazia ideia de que dia era, nem com qual frequência comia, mas julgando pelos ossos quase expostos podia concluir que eram raras as vezes em que se alimentava. Havia criado o habito de salivar e engolir a saliva repetidas vezes para matar a sede, e mastigar seus cabelos e unhas sem cessar quando seu estômago pareceria fugir de tanta fome, parecia adiantar pouco, mas pelo menos se distraia.
os dementadores passeavam fora da cela, fazendo com que seus orbes castanhos se focassem em um medíocre reflexo da luz da lua para evitar o contato visual com os seres. Sabia as consequências que teria caso esses monstros se incomodassem com sua presença
Contraiu a mania de contar a quantos dias estava naquele lugar, e se deteve ao chegar no quinto ano em Azkaban, sabia exatamente a quantos segundos estava ali, e sabia o quanto isso era ridículo comparado aos anos que teria que pagar. Mas contar era sua única estratégia para não enlouquecer completamente
Vinte e dois mil duzentos e setenta e nove.
Vinte e dois mil duzentos e oitenta.
Vinte e dois mil duzentos e oitenta e um.
Antes que chegasse em vinte e três mil, a garota já havia caído em um sono profundo novamente, e ali naquele chão irregular e frio, permaneceu.
X—X—X
Mansão Malfoy, Wiltshire — Inglaterra.
Draco Lucio Malfoy. O mais novo médibruxo do ministério. Aos seus vinte e quatro anos o jovem ostentava com orgulho seu título de doutor-prodígio.
Tudo havia sido fácil para a família Malfoy após a queda do garoto que sobreviveu. O sonserino era, acima de tudo, um exemplo de fidelidade ao lorde das trevas, que agora comandava o ministério de acordo com suas crenças e preconceitos.
O loiro possuía tudo que sua família almejara.
Dinheiro? Não era algo com que se preocupasse, afinal sua profissão de médico era apenas um passatempo, levando em conta que possuía sociedade com alguns comensais e tinha posse de quase todo o território bruxo.
Fama? Draco malfoy era conhecido como "aquele que permaneceu", ficando ao lado de Voldemort até o final de sua luta, ajudando-o a castigar cada alma de sangue-ruim que havia naquele maldito mundo.
Mulheres? Draco tinha aquela que quisesse. Aonde ia, cada mulher se jogava aos seus pés, quase implorando para provar do que seria uma noite ao lado daquele que permaneceu. Era fácil e chegava a ser entediante a forma como ele não precisava sequer gastar sua educação com elas.
Harry Potter jazia em paz -ou quase isso- em uma floresta abandonada próximo a Azkaban, onde permaneciam todos aqueles que morreram em prol da guerra. Luna Lovegood. Fred Weasley. Dino Thomas. Neville Longbottom. Todos permaneciam ali, e Draco chegava a se culpar ao lembrar que não teve responsabilidade pela morte de nenhum entre esses. Quem o dera pudesse ter tirado a luz da vida dos olhos de qualquer um desses imprestáveis.
Apesar dos pesares, sonserino orgulhava-se de seus méritos. Foi ele quem havia ajudado a prender Weasley em Azkaban, aproveitando-se do momento para torturar todos seus familiares em frente ao ruivo, e logo após jogando cada indivíduo em uma cela separada, não mereciam ficar próximos.
Mas seu maior mérito era Hermione Granger. Aquela fedelha de sangue ruim. O platinado fez questão de que a grifinoria fosse presa sobre sua responsabilidade. Ele a encontrou jogada como uma peça descartável na Torre de astronomia durante a guerra, linhas finas e vermelhas delineavam seu rosto, como um sinal de luta. Jamais parecera tão frágil, e o platinado não pensou duas vezes antes de tomar seu corpo franzino para si e leva-lo direto até Voldemort, que a penalizou com trezentos anos de detenção em Azkaban, ou, como disse o próprio Malfoy para a morena, tempo o suficiente para que se tornasse um cadáver sabe-tudo de primeira.
Hermione saiu de cabeça baixa do julgamento, que havia sido realizado pelo próprio Lucio Malfoy, e ao passar pelo lado do seu inimigo de infância, limitou-se a soltar uma lágrima singela e fria, que ele levou em sua memória como troféu.
Aquela havia sido a ultima lágrima de Hermione Granger.
Desde então, Draco Lucio Malfoy jamais visitou Azkaban.
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