Notas iniciais
Olá! Tudo bem com vocês? Primeiramente, quero falar que demorei uma semana a mais do que o combinado, mas desta vez foi proposital hehe. Pessoal, a fic está tomando rumos que vão levar ela pro final, e não estamos tão longe assim dele. Tirei essa semana pra pensar e repensar no futuro dela, e também pra demorar um pouco pra acabar ela, pois como uma boa escritora estou chorando só de pensar! Enfim, a notícia é essa. Não sei dizer ao certo quantos capítulos restam, maaaas acredito que ainda tenham uns bons dez ou quinze capítulos pra vocês curtirem muito!!! Não fiquem tristes comigo, tá? Juro que quando acontecer, será o melhor final possível que eu poderia dar. Espero que tenham uma boa leitura, abraços e até os comentáriosss!

Paris, França.

Se horas atrás o céu de Paris já estava escuro, naquele momento o breu tomava conta da cidade. A garoa fina era iluminada pelas luzes amareladas dos postes, que criavam pequenas orbes luminosas de água. Hermione caminhava pelos becos, e sua capa escura a cobria da cabeça aos pés.

Abraçava-se a si mesma para escapar do frio, e quanto a chuva, um simples feitiço fazia com que as gotas fossem ignoradas com facilidade.

Queria ser rápida, precisava ser. Mas suas pernas fraquejavam e a cada segundo seus piscares de olhos ofuscavam ainda mais, trazendo a tontura e ao excesso de luminosidade que a fome causava.

Pelas ruas, alguns estabelecimentos ainda permaneciam abertos, trazendo consigo placas com nomes de hospedagem e o preço logo a seguir, preço esse que Hermione não conseguiria pagar.

Lembrou-se de Viktor Krum. Não devia estar muito longe daquele ponto da cidade, e caminhando a longos passos, em menos de uma hora estaria lá. Naquele momento parecia mais sensato decidir por confiar nele, parecia melhor do que desmaiar a mercê de comensais desconhecidos.

Passaria apenas uma noite lá.

Trancaria as portas bem e se asseguraria que ninguém entraria em seu quarto, apesar de crer que Viktor jamais faria isso.

E decidida, apressou o passo.

No céu, a lua se escondia sob as nuvens, mostrando-se presente vez ou outra, por pequenos feixes de claridade, que logo se intimidavam e tornavam sob o breu liquido das nuvens escuras. Estava no meio do céu. Era meia noite.

Ao longe, Hermione podia ouvir risos embriagados e o cheiro de cigarro tão forte que o fazia parecer próximo. A rua escura a assustava, e pequenos sons de animais bastavam para que seu medo aumentasse tão rápido quanto seus passos, cada vez mais urgentes.

Abaixo da capa escura, a varinha de Draco Malfoy estava a punho.

Podia ter lutado contra as trevas durante metade de sua vida, mas sabia que a magia negra era tão forte quanto a maldade existente no coração de alguns homens.

E estar correndo em direção a um antigo desconhecido a fazia se sentir hipócrita.

Poucos metros a suas costas, vez ou outra podia ouvir os passos precavidos do felino de olhos claros. Examinava-a com frequência, e no meio de tanta escuridão, pareciam um fraco ponto de luminosidade. Não estava só, e isso já valia muito.

Os minutos arrastavam-se enquanto a castanha atravessava a cidade. Pareciam desejar não passar, e os segundos ansiavam por aquele momento, demorando-se a ir embora. Os passos rápidos pareciam não valer enquanto ainda faltava tanto tempo para chegar no lugar em que poderia se alimentar e descansar antes de ir em busca daquela maldita Horcrux. É tudo que precisava.

Seus pés doíam enquanto se arrastavam, e ainda desacreditada da ideia de conseguir caminhar sem forças, Hermione desejava andar ainda mais rápido. Tropeçava em seus tornozelos enquanto a tontura a fazia fechar os olhos demoradamente, e sentia seus pés já molhados pisando sem pudor nas poças de chuva geladas.

Quando a fraqueza parecia estar vencendo e seus passos começaram a vagarem sem rumo, uma cortina se abriu e uma luz dentro do estabelecimento se acendeu. Poucos metros acima, a escritura de pousada piscava preguiçosamente, oscilando com a chuva. Era a pousada de Krum. Havia chego.

Parou em frente a janela, percebendo então que seu queixo tremia junto ao maxilar, que rangia dolorosamente, e esperou ver alguém. Na sacada, um vulto escuro apareceu.

—Viktor...Me ajuda. —Resmungou tão baixo que foi incapaz de ouvir sua própria voz. Viu um sorriso fraco nos lábios do comensal enquanto ele voltava para o estabelecimento, onde sabia que ele abriria a porta para ela.

Ouviu os passos ao longe, misturados ao som da chuva que caia sem piedade sobre o telhado. Conseguia distinguir cada passo, contava-os como de costume. Ouvia-os aproximando-se da porta algumas vezes e voltando novamente ao andar de cima, com impaciência.

Esperou por um minuto com paciência, imaginando que o amigo estava procurando pelas chaves.

Esperou por dois minutos, sentindo suas pernas fraquejarem e seus joelhos tremerem com violência, a forçando a ajoelhar sobre a calçada encharcada.

No terceiro minuto, seus olhos se fechavam e se abriam vagarosamente, prontos a pegar no sono naquele mesmo lugar, enrolada em seus próprios trapos.

No quarto minuto um estalar foi ouvido e Hermione olhou para a porta, mas ainda estava fechada. Imaginou estar delirando e fechou os olhos mais uma vez, esperando pelo momento em que a maldita porta se abriria.

Sentiu mãos sobre seu pulso e abriu os olhos imaginando a quanto tempo estava dormindo, quando percebeu que nem um segundo havia se passado. Grandes olhos violetas a encaravam com extrema proximidade, banhados com lágrimas de emoção. Era Aysha. Havia vindo a buscar.

Mas onde estava Viktor?

—Preciso avisar Viktor... —Sussurrou para Aysha, que parecendo incapaz de falar algo, arregalou os olhos em negação.

Assim como o som do estalar de Aysha, diversos do mesmo som se formaram ao redor de Hermione, que pode ver vultos pretos se materializando a sua frente. E então a porta finalmente se abria, de dentro dela saia um jato de luz vermelha acompanhado do dono da pensão, Viktor. O bruxo estava sério e apontava a varinha com firmeza para Hermione.

Sua blusa, dobrada até o cotovelo, deixava transparecer a marca negra recém acesa.

Estava chamando outros comensais.

Hermione olhou para os lados. Via os homens de capas pretas se aproximando, rostos que já conhecia, mas não podia lembrar de seus nomes.

E no mesmo instante que Hermione identificou o rosto de Bellatriz Lestrange sorrindo em vitória, sentiu seu umbigo sendo puxado e seu corpo sendo levado por Aysha, que segurava sua mão com força enquanto seus dedinhos tremiam com violência.

—X—

O chão parecia firme aos dedos de Hermione, que o apalpou em busca de sua mochila. Sentia grades abaixo de seus dedos, e imaginou-se deitada em uma gaiola de pássaros.

E então seus olhos se abriram com urgência. Não poderia estar presa mais uma vez. Não aceitaria. Ainda tinha muito o que fazer.

Apesar da vertigem da viagem de aparatação que Aysha a havia fornecido, não sentia mais a mesma tontura que quase a fez desmaiar. Sentia seu estômago devidamente cheio, e o frio que a fazia tremer era substituído por uma confortável manta de retalhos.

Parecia tanto com as mantas que sua mãe costurava para ela quando pequena.

Observou ao seu redor e teve certeza de que não estava presa. Pairava em algum lugar alto cujo vento batia com violência, ainda incapaz de a afetar. Aquela manta parecia mágica.

Ouviu passos ao longe e endireitou-se rapidamente contra o piso de arame. Eram passos leves e quase imperceptíveis. Delicados e lentos. Como os de uma criança.

E então Hermione lembrou-se de Aysha. E instantaneamente todo seu corpo relaxou.

Viu o vulto da criatura se aproximando. Ao longe, era semelhante a mesma Aysha que sempre conheceu. Mas a cada passo em que se aproximava, parecia encolher ao invés de aumentar. Hermione limpou os olhos contra os punhos e os abriu novamente, deparando-se com a figura calejada de Aysha.

Sentiu seus olhos se preenchendo com lágrimas enquanto a pequena criatura abria um sorriso condescendente e seus olhinhos se umedeciam na mesma velocidade.

—Você está tão machucada! —Desabou enquanto abraçava Aysha, que pela primeira vez não tinha nada a falar, senão abraçar aquela garota tão doce que havia conhecido e a salvado de seu próprio mestre.

Aysha estava feliz.

Aysha havia conseguido cumprir a missão que seu mestre a havia passado.

Aysha havia salvado a garota que seu mestre amava.

E nenhuma dor ou estrunchamento a preocuparia naquele momento. Precisava cuidar da garota e levá-la para algum lugar seguro.

Hermione chorou enquanto comia a sopa de abóbora indevidamente emprestada de um bistrô no centro da cidade, sem tirar os olhos de Aysha, que parecia satisfeita em mordiscar sua cenoura crua, esta que havia tomado emprestada junto da sopa.

A castanha queria falar algo. Queria perguntar a elfo como havia a encontrado e fugido. Queria poder ajuda-la com os diversos ferimentos abertos ao decorrer de seus braços finos e os pedaços de pele que se penduravam contra seus joelhos magros, deixando a mostra a carne viva e esbranquiçada pela umidade.

Mas tudo que conseguia era encarar Aysha, os lábios trêmulos e os olhos úmidos.

Observaram-se por algum tempo. Aysha choramingava abraçada à mão livre de Hermione, fungando contra o tecido de retalhos que usava.

—Onde você estava? —Hermione perguntou após terminar sua sopa de abóbora. Um nó se formava em sua garganta à perspectiva da possibilidade de uma notícia ruim.

—Aysha ficou na mansão de seu mestre, senhorita Hermione...Aysha não abandonaria a mansão de seu mestre nas mãos daqueles homens tão sujos, senhorita Hermione.

Hermione engoliu em seco.

A elfo havia sido fiel até mesmo naquele estado de podridão.

—Eles ainda estão lá? —Perguntou mais uma vez, procurando fingir o tom de uma conversa informal. Sentia medo de assustar Aysha com suas perguntas, e não ter as respostas que precisava.

—Estão sim, senhorita. Estão todos eles, sujando os tapetes novinhos do meu mestre com vinho, fazendo orgias nos quartos de hóspedes que Aysha cuidava tanto para limpar! Por Merlin, senhorita...

A castanha riu baixinho, imaginando a inocência da criatura perante a situação. Estava aos trapos, tanto as roupas quanto a própria pele, mas sequer por um instante Aysha parecia se preocupar consigo mesma.

—E Draco? Como ele está? —Perguntou em meio ao riso baixo, imaginando tomar um caminho mais importante para o que precisava saber.

No entanto, o desespero de Aysha comparado às orgias e ao vinho derramado no carpete parecia ter se diminuído ao pó, quando comparado com os olhos lacrimejantes que o substituiu. A elfo jogou-se contra o chão de arames, espremendo seu próprio rosto contra o metal enferrujado.

—O mestre de Aysha! Pobrezinho...A senhora Malfoy havia pedido tanto à Aysha para que cuidasse bem do menino Malfoy...Aysha falhou, senhorita Hermione....

O coração de Hermione se apertou violentamente contra o peito.

Não havia mais rodeios para o que precisava falar.

—Ele vai ficar bem? O que aconteceu com ele, Aysha?

—O senhor Malfoy está cego de um olho, senhorita! Metade do rosto queimada feito cera! —A elfo puxou as próprias orelhas para o alto, forçando-as contra sua cabeça. —O senhor das trevas foi muito malvado com ele, senhorita! Muito malvado! Aysha precisa voltar lá senhorita...Aysha precisa tirar seu mestre de lá... Nem que seja a última coisa que Aysha faça, senhorita! Salvar o menino Malfoy....

O que antes era um aperto contra o peito de Hermione, havia se transformado em gelo. Mal ouvira as palavras de Aysha que seguiam a notícia sobre Draco. O vento que batia com violência contra as grades daquele lugar, que mais se assemelhava a uma gaiola, ainda que gelado, não podia ser comparado com o frio que se assomara em seu peito. Doía.

Ele estava sofrendo. Era isso. Não havia sequer avisado pelas cartas... não havia sequer mencionado qualquer queimadura.

Conhecia aquele Malfoy a pouco tempo, mas sabia o suficiente, e Hermione tinha certeza de que o ego do alvo jamais voltaria a ser o mesmo.

A ela pouco importava se naquele rosto cujo vivia uma imensidão azul haviam ou não queimaduras ou cicatrizes, ou se a pele fina e gelada como mármore havia sido substituída por um granito irregular. Ainda era ele, e um pouco daquela infinitude acinzentada ainda existia.

Olhou em meio aos olhos úmidos para Aysha. Magra e calejada, o corpo ferido e repleto de hematomas. Ao norte daquele mesmo lugar, um Draco também machucado a esperava.

Tudo estava sendo feito para que fosse salva.

Estava machucando pessoas para salvar sua própria pele, e arriscar salvar o mundo bruxo de algo que estava tão distante quanto seus sonhos.

Hermione nunca se sentiu tão culpada. O gosto amargo correndo pela garganta e engasgando-a, de forma que puxava e apertava, causando uma dor que não era apenas física. Uma ânsia de vômito que perambulava pelo seu estômago, e o desejo de sumir da frente de Aysha, deixá-la livre para viver, e não apenas para voltar para aquela mansão onde Voldemort a aguardava.

Sentiu mais uma vez o vento bater com violência contra seu rosto, trazendo desta vez gotículas da chuva que começava, os pingos grandes e gelados.

Hermione respirou fundo e se levantou. Precisava saber onde estavam, e desta vez não confiaria em mais ninguém.

E com o vento cortante contra sua pele, pode enxergar toda Paris.

Podia ver as crianças correndo da chuva, pisando nas poças de água para inundar seus próprios pés. Conseguia enxergar casais correndo de mãos dadas para baixo dos toldos de cafeterias e estabelecimentos cujo sabores dos croissants deveriam ser incríveis, e sequer uma trouxa daquela cidade conseguia imaginar o quanto suas vidas dependiam, também, da decisão de Hermione.

E no mesmo instante que sentiu seu peito inflar com uma esperança acolhedora, sentiu os dedinhos finos de Aysha pegando em sua mão.

—X—

Wiltshire, Inglaterra.

—X—

Sentado e com as costas encostadas contra a parede, Draco apenas esperava. Podia ver feixes de luz escapando pelos buracos nas paredes, e sabia que o dia recém amanhecia.

Ouvia as gotas de uma chuva recém passada caindo do telhado, diretamente contra as poças que cercavam sua mansão. Escutava cada pingo caindo preguiçosamente, e também havia percebido que dentro de uma prisão, qualquer interação parecia melhor do que o nada.

Sentia que se não se concentrasse na chuva, a qualquer momento poderia enlouquecer.

Seu estômago se revirava implorando por comida, e a cada vez que engolia sua respiração, sentia sua garganta sendo rasgada pela falta de líquido.

Era capaz até mesmo de sentir o gosto de sangue em sua boca, resultado de tantos ferimentos e inflamações. O sabor que antes o fazia enjoar, agora conseguia ao menos enganar sua própria fome.

Era um médico. Sabia o que estava acontecendo. Sentia sua pele inflamando e infeccionando. Sentia seu corpo definhando de fora pra dentro, a cada minuto mais perto do inevitável.

Já não tinha mais medo da reação de Hermione quando o visse, parecia esperançosa demais a ideia de que sobreviveria para vê-la, era mais sóbrio acreditar que ela, assim como sempre, seria inteligente para resolver qualquer problema que aparecesse.

Sempre soube que ela era mais capaz do que ele poderia sonhar em ser um dia.

Procurou ao seu redor pela vista alaranjada dos cabelos dos Weasleys. Cochichavam baixo, e a cada olhar que recebia dos irmãos, vinha acompanhado o sentimento de pena que o fazia odiar a si mesmo.

E o pássaro não havia mais voltado.

Aysha havia partido a tanto tempo, e cada segundo sem Voldemort perceber sua falta parecia fazer toda diferença em sua vida.

As luzes resultantes da cegueira de um de seus olhos já não mais o incomodavam, e sim pareciam guia-lo vagamente, como vultos de cor, e a textura irregular de sua pele havia sido devidamente resolvida.

Desta vez, um pedaço rasgado de sua calça cobria metade de seu rosto, fazendo com que apenas a parte saudável fosse notada.

Era ridículo. Esconder o que não podia ser escondido. Esconder seus ferimentos de quem? Se morreria ali mesmo, e com certeza em poucas horas, ainda que Aysha voltasse.

Havia feito seus próprios cálculos.

A cada dois segundos, uma gota caia contra a poça.

Eram trinta gotas contadas, e apenas um minuto havia se passado.

Não ouviria mais do que dez mil gotas.

Fechou seu olho e acompanhou o som da chuva se esvaindo. Cada gota era menos tempo para sua vida.

E ouviu sua vida se esvaindo, misturando as gotas de chuva com o líquido cristalino que escorria contra sua face.

Ao longe, passos apressados ecoavam pelas paredes da casa, nem uma, nem duas pessoas, mas diversos pés pisavam bruscamente contra o chão de carvalho. O som se aproximava cada vez mais, e entre barulhos de portas batendo, Draco soube o que procuravam.

Sabiam que a elfo havia fugido.

Ouviu vozes em tom imperativo no que imaginou ser sua sala de jantar, e o riso esganiçado de Bellatriz fez-se ecoar pelas janelas.

E as gotas haviam se perdido na contagem, não que elas ainda importassem, uma vez que Draco sabia que não duraria nem mais cem gotas.

Ouviu os passos se aproximando. Ouviu feitiços sendo lançados e também pode sentir os passos apressados dos Weasleys.

Sentiu seu corpo sendo sacudido bruscamente. Eles estavam tentando o levantar.

Jamais havia imaginado que os ruivos que o odiavam tanto tentariam salvar sua vida.

Deu um riso fraco em resposta. Era tão irônico. Seria morto dentro de sua própria casa, por seus antigos amigos mais profundos, com seus grandes inimigos tentando o salvar.

As mãos que o tentaram arrastar para longe perceberam que suas forças não faziam efeito, e assim que sentiu que seria solto, Draco decidiu que era melhor assim. Morreria sozinho, assim como sempre foi. Era o certo. Era o merecido.

Parecia até demais acreditar que ao menos teria vivido um pouco ao lado de Hermione. Apenas a ideia de que havia conhecido a verdadeira vida, o significado do amor, era demais para ele. Morreria tendo muito mais do que mereceu.

Os passos agora corriam pela casa com desespero.

Eram tão idiotas, como se ele tivesse para onde fugir.

Continuou com seus olhos fechados, e a porta da masmorra se escancarou. Ouviu a voz de sua própria tia pronunciando um feitiço qualquer, mas não precisava saber qual era. Morreria de qualquer forma, e não era nisso que gostaria de se concentrar.

Lembrou-se da noite que passou com Hermione naquela pequena cidade da França. Um rádio antigo, uma música lenta e uma dança a dois. Era tão íntimo, tão singelo. E ainda naquele momento não havia percebido seus sentimentos.

Talvez fora naquele momento em que seu coração acelerou. Quando observou aqueles olhos castanhos tão de perto, como se houvesse mel e chocolate dentro de suas íris. Um sorriso tímido, os cabelos amendoados que combinavam tanto com o rubor de sua pele.

E aquela seria a última imagem que gostaria de se lembrar.

Seria rápido.

Sentiu um feitiço batendo com força contra seu peito. Sentiu seu corpo voar alguns metros para trás e bater com violência contra a parede dura, que estremeceu. Sentiu o sangue escorrer com força de seus lábios, e um frio tomar seu corpo.

Então aquilo era a morte.

Ao longe, ouviu uma voz conhecida. Era brava, mas também doce. Embargada e em meio aos soluços, era a voz de Hermione.

Então aquilo deveria ser o paraíso.

Notas finais
Comentem o que acharam!!!