Palimpsesto - Dramione

11 Orgulho e preconceito.


Notas iniciais
Olá! Sei que eu vim suuuper rápido! hahaah Enfim, como sempre desejo a todos uma boa leitura! Até as notas finais ♥

Wiltshire, Inglaterra.

Hermione permaneceu na biblioteca, passeando com seus dedos por cada livro que teria acesso. Entre eles haviam dezenas de leituras sobre poções medicinais, feitiços revigorantes, doenças crônicas no século XXI, entre outros livros que teve certeza que seriam sobre a profissão do loiro, que com certeza havia estudado muito.

O que surpreendeu Hermione foi, entre diversas leituras bruxas, uma estante destinada apenas a livros trouxas, em um canto da sala.

Alice no país das maravilhas.

Frankstein.

Orgulho e preconceito.

Um sorriso irônico lhe escapou dos lábios, Draco Malfoy lendo orgulho e preconceito? Jane Austen? Impossível.

Com certeza é apenas decorativo.

Lembrava-se de ter lido o livro durante sua adolescência, pouco antes da segunda guerra estourar. Uma época de sua vida que poderia ser descrita como normal, se não fosse uma bruxa. Mesma época essa em que era apaixonada por Ronald Weasley, mas com os acontecimentos do baile de inverno, acabou recomendando o livro a Viktor Krum. O jovem nunca leu, apesar de jurar de pés juntos a Hermione que havia lido, sim.

Ela sabia que era mentira.

Um cheiro característico parecia vir do andar inferior, onde Aysha fazia o jantar, o que fez o estômago da castanha roncar fortemente em resposta. O som de talheres se chocando entre si pode ter ouvido, o que a fez saber que Draco já estava jantando.

Em sinal de birra, não foi jantar.

Juntou o livro de Jane Austen e rumou até a grande mesa que havia no centro da biblioteca. Acomodou-se ali, ignorando o cheiro que lhe fazia salivar. Após o que julgou uma hora de leitura, percebeu ter voltado ao seu ritmo normal, tal como notou ter adquirido o costume de repetir tudo que lia, em voz alta.

—São muitos os meus defeitos, mas nenhum de compreensão, espero. Quanto a meu temperamento, não respondo por ele. É, segundo creio, um pouco ríspido demais… para a conveniência das pessoas. Não esqueço com facilidade tanto os disparates e vícios dos outros como as ofensas praticadas contra mim. Meus sentimentos não se manifestam por qualquer coisa.

—Meu temperamento poderia talvez ser classificado de vingativo. Minha opinião, uma vez perdida, fica perdida para sempre. —A voz de Draco surgiu completando a leitura de Hermione, do outro lado da biblioteca. Seu semblante, antes sério, pareceu adquirir um tom de calma. —O jantar está pronto, Granger.

Hermione piscou, atordoada.

—Como você... —Fechou o livro num rompante, como se o loiro pudesse ter espiado o que estava escrito.

—Toda casa podia ouvir você lendo, fedelha. —Apoiou-se na parede ao lado da porta. Draco estava impaciente, como Hermione pode deixa-lo jantar sozinho em sua própria casa?

—Não, digo...Você conhecia...

—E quem não conhece Jane Austen? —Revirou os olhos como se fosse óbvio demais até mesmo para uma criança. —Venha, Aysha está em prantos como nunca vi no andar de baixo.

E então saiu, a passos rápidos, pelo corredor.

Hermione devolveu o livro ao exato lugar de onde havia retirado, e caminhou para fora da biblioteca, fechando suas portas. Era incrível como a passagem tornou-se sombria sem o acesso das luzes do ambiente, agora fechado.

Encontrou a escada com facilidade, e percebeu que a sala de jantar se encontrava alguns passos para trás da sala de estar.

Uma mesa longa, onde caberiam dezenas de pessoas, era ocupada de forma singular por Draco, que se sentava em uma cadeira alta e decorada, no extremo oposto ao qual Hermione estava.

Na távola haviam tantos tipos diferentes de comida que a castanha sequer podia se lembrar de já ter provado todos. Ao centro, costeletas de carneiro decoravam-se por si só, cobertas por um molho alaranjado que Hermione não reconhecia. Pode perceber pudins de limão e tortas assadas ao decorrer da mesa.

Uma Aysha empolgada e saltitante esperava, ansiosa, no canto da sala.

—Estava esperando Hermione para jantar! Aysha fez um menu especial para a senhorita! —Pronunciou-se, direcionando seu corpinho para a outra cadeira extrema da mesa, oposta alguns metros a de Draco. Puxou a cadeira e fez sinal para que a castanha sentasse. Hermione ocupou seu lugar, sorrindo fraco.

Draco, que saboreava seu vinho categoricamente, observou a cena com um sorriso descontente nos lábios.

—Tenho essa elfo fazem anos e com um dia uma desconhecida a cativa! Mas que...

—Que ótimo! —Hermione concluiu, sorrindo para a criatura. —Por que não se senta e ceia conosco, querida?

Deu um tapinha na cadeira, mostrando que Aysha poderia sentar.

Draco teve uma imensa vontade de rir em sinal de sarcasmo, mas engoliu-a com força transformando em uma tosse esquisita.

A pele esbranquiçada de Aysha tornou-se rubra em um instante. Olhou para seu mestre como quem pedia permissão, mas o alvo fingiu estar distraído com a cor de seu vinho.

Hermione sorriu, motivando-a.

A passos curtinhos, como quem não queria ser descoberta, aproximou-se da mesa e se lançou à uma cadeira na diagonal de Hermione. Seu corpinho era tão pequeno que fez com que apenas sua cabeça fosse vista por fora da mesa.

Draco se levantou.

—Eu não acredito... —Murmurou, deixando toda sua comida no prato. —Não me basta uma sangue-ruim jantando na minha mesa, agora tem um elfo doméstico! —Exclamou de forma ácida, se direcionado até a cozinha.

Estava indignado. Tudo bem jantar com Hermione, um ser humano ao menos. O mínimo que faria para se desculpar por todos seus atos passados. Mas um elfo? Não é o tipo de coisa que um Malfoy permitiria em sua casa.

Aysha olhou para Hermione, agora com os olhinhos cintilando em desespero.

Hermione devolveu o olhar, mas com pequenas gotas escorrendo por suas extremidades.

O serzinho levantou de sua mesa, exibindo em sua face uma contorção que Hermione imaginou ser de raiva, e sapateou até seu mestre. Hermione se levantou de sua cadeira para observar o que a elfo faria.

Endureceu suas mãozinhas como se fosse dar um soco no ar, e mirou-as diretamente até as canelas de Draco.

—O senhor não ouse ofender a senhorita Hermione! —Berrou, mirando agora todos seus soquinhos para os joelhos do loiro, que observava a situação, sentindo uma mistura de confusão, raiva e descrença.

Draco levantou Aysha pelas orelhinhas até seu olhar, onde a encarou com desprezo.

—O que você fez foi muito, muito feio. Estou decepcionado com você.

Draco sabia que nada poderia deixar a criatura mais triste do que as palavras que soltou, como quem dava bronca em uma criança malcriada.

A criatura tampou seu rosto com as mãos e tornou-se a chorar ali, pendurada pelas orelhas.

Hermione encarava a cena atônita, sentia vontade de correr até Draco, tomar a elfo e subir para seu quarto, onde ele não a perturbaria, mas que direito tinha?

—Está vendo, Granger? —Apontou o homem, colocando Aysha, que saiu correndo, no chão. —Nem um dia aqui e é isso que você causa! Por isso eu não queria trazer você para cá, sua...

—Eu não te pedi nada, Malfoy.

Hermione passou por Draco com seus olhos ainda marejados, fazendo questão de pegar Aysha no colo e carrega-la para si em seu quarto. Rumou pela área leste até o aposento, onde bateu a porta com toda força que ainda tinha.

Na sala, Draco ficou só.

Não ousou sentar no sofá. Puxou de seu bolso uma caixinha que guardava apenas para as horas especiais, e de lá retirou um cigarro. Artefato trouxa que usava apenas em ocasiões extremamente desconfortáveis.

Acendeu magicamente a ponta do objeto, puxando toda a fumaça para dentro de si.

Abriu a porta para deixar que o cheiro forte fosse embora.

Hermione realmente não havia o pedido nada.

Mas também, a sangue-ruim o provocava.

Onde já se viu, um elfo doméstico sentando a mesa com seu senhor?

Descansou sua cabeça na parede, respirando fundo o cheiro que a noite trazia consigo. Baforou a última tragada de cigarro e a arremessou no chão, pisando a por cima,

Era um imbecil, não conseguia sequer concertar uma situação que estava estragada a anos, sabia disso.

Lembrou-se da primeira vez a qual se dirigiu a Hermione como sangue-ruim. A castanha havia chorado uma tarde inteira, ouviu falar. Lembrou-se do soco que levou no quarto ano, e poderia jurar que sentiu seu nariz arder ao lembrar, admirava a coragem que a grifina possuía. Nunca foi bom para ela, mas nada comparado a vida medíocre que a havia fadado ao trancafiá-la em Azkaban.

Enquanto o loiro passou anos dormindo na melhor cama, com os melhores alimentos que poderia ter e compartilhando da companhia de luxo, dinheiro e mulheres, a castanha havia desperdiçado seis anos de sua vida presa em um cubículo, se alimentando de restos e tendo como vaso sanitário, um buraco mal feito no chão.

Um sentimento diferente percorreu o corpo do homem alvo. Um aperto forte no coração.

Parabéns, Draco Malfoy.

Não que Draco achasse necessário um pedido de desculpas, afinal era demasiado orgulhoso para tal ato, mas sabia reconhecer quando estava errado.

Não, não pediria desculpas.

Adentrou a mansão, fechando a porta atrás de si com força, fazendo-a bater ainda mais forte do que Hermione havia batido a porta de seu próprio quarto.

Subiu as escadas à passos pesados, em direção contrária ao quarto de Hermione. Encontrou a porta de seu quarto com facilidade e arremessou-se contra cama, retirando a camisa e a gravata, para respirar melhor. Encarou o teto, buscando pelas constelações que eram retratadas ali. Lembrava-se de passar horas fitando-as, anos atrás.

Anos atrás.

Um asco lhe percorria a garganta toda vez que amentava em sua memória a época em que havia compartilhado sua mansão com diversos comensais. Não havia privacidade. Festas eram realizadas quase todas as madrugadas, lhe tirando o sono. Lembrava-se perfeitamente de uma dessas madrugadas, quando foram trazidas diversas moças trouxas virgens. Havia sido repudiante.

Pode sentir o pouco alimento que havia ingerido se revirando em seu estômago.

Draco recordava-se de ter sido pressionado a ficar com uma dessas moças. Seu nome era Rebeca. Uma jovem de quinze anos na época. O loiro lembrou-se perfeitamente do momento em que a trouxe para o quarto, acompanhado de risadas nojentas dos comensais. Um vulto de memória o recordou que Dolohov estava nessa festa.

Ao menos livrou Hermione disso.

Naquela noite, o loiro adentrou seu quarto com a moça aos berros, e a colocou na cama desesperadamente. A moça de cabelos escuros e cacheados o olhou, suplicante. E ele atendeu a súplica sem sequer pensar duas vezes. Abafou o som de seu quarto com um feitiço e a pediu que não se desesperasse, que tudo ficaria bem.

Ao final da festa, pediu ajuda de Rebeca para rasgar as próprias roupas da moça, que o fez. Ao sair do quarto, todos aplaudiam Draco conforme caminhavam pelo corredor.

A moça foi liberta, e Draco exaltado por sua suposta masculinidade em tomar a virgindade da garota.

Ambos ainda eram virgens.

Naquela madrugada, o moço havia se tornado um comensal.

Uma noite depois, na festa que veio a seguir, Draco permaneceu em seu quarto. Não haviam moças virgens, mas sim mulheres ardentes pedindo por sexo, um sexo que o loiro não podia fornecer, e mesmo que pudesse não queria.

Não com elas, não dessa forma.

Lembrava-se de estar observando sua constelação quando Astoria Grengrass invadiu seu quarto. O pai da garota havia se tornado um comensal dias atrás, e a moça era uma das mais requisitadas pelo conselho.

A morena adentrou o ambiente, fechando a porta atrás de si. Trajava um vestido verde escuro que trazia seu comprimento até as coxas, onde possuía uma enorme fenda. Draco havia aberto os lábios para se pronunciar quando um “Imperius” escapuliu por entre os lábios sorridentes e avermelhados da jovem. Tudo que o loiro se recorda dessa noite foram comandos sexuais, todos atendidos à contragosto imediatamente.

Lembrava-se de cada gesto realizado, cada toque que forneceu.

Recordava do asco que sentia de si mesmo durante todo ato, acompanhado da vontade de vomitar.

Draco também não havia tido o poder de escolha.

Na manhã posterior à que transou com Astória, Voldemort havia descoberto pessoalmente que Rebeca ainda era virgem, da pior forma possível para a moça. E Draco apanhou.

Apanhou como nunca havia apanhado.

Foi permitido por Voldemort que cada comensal presente em sua mansão lhe causasse o dano desejado. Foi recebido em sua própria sala de estar com a visão da garota flutuando pelo ar, já sem vida. O feitiço crucio que veio a seguir foi realizado por sua própria tia. À sua esquerda, sua mãe o observava, mantendo a postura elegante que o havia ensinado, mas em seu olhar uma mistura de orgulho e compadecimento à acusavam.

Draco tremia em resposta a dor que sentia.

Eram monstros.

À sua direita, Astória Greengrass ria, juntamente aos outros comensais, gritando em alto e bom tom que a virgindade do loiro havia sido tirada por ela.

Garoto burro.

Retornou à realidade, agora com todas as tochas de seu quarto apagadas pelo vento forte que a tempestade trazia, balançando as cortinas como véus.

Os relâmpagos pareciam esbravejar contra o loiro, que se aconchegou em sua cama, agora fria.

Encolheu-se.

Abraçou a si mesmo na tentativa de se proteger do frio, e após minutos que pareciam eternos devido a sensação de vazio que sentia dentro de seu peito, acabou dormindo.

Notas finais
Como sempre, comentem! Os comentários são mto importantes! Até o próximo cap!