Palimpsesto - Dramione
17 O aniversário de Hermione.
Notas iniciais
Wiltshire, Inglatera.
19 de setembro de 2004.
O Sol encobria com leve os céus da cidade de Wilshire.
Da biblioteca, onde todas as janelas estavam abertas para que a luz pudesse entrar, podia-se ver os tons azuis claros do céu, onde não havia quase nenhuma nuvem o cobrindo.
Hermione foleava as folhas de um livro sobre poções, que havia pego meramente por distração.
Dentro de si, sabia que dia era aquele. Havia visto na capa do jornal diário que foi entregue pela manhã, era dezenove de setembro. Se suas contas estivessem corretas, nesse dia estaria comemorando seu aniversário de vinte e cinco anos.
Ninguém sabia, e ela nem faria questões que soubesse, o que possuía absoluta certeza de que não era de importância nenhuma.
Fechou o livro com delicadeza, e já sabendo onde estava, ali mesmo o guardou. Caminhou até a janela, onde um vento agradável lhe acariciava as maçãs do rosto, e se debruçou sobre seu peitoral. O sol a pino iluminava todo o jardim da mansão, e os passarinhos voavam metros acima ritmadamente.
Era como se aquele mundo o qual odiava tanto fazer parte, lhe presenteasse com um dia de luz em meio a toda a escuridão.
—Parabéns para mim... —Cantou baixinho, fechando os olhos e deixando que a brisa jogasse seus cabelos para trás.
Tudo que queria naquele momento era estar entre seus amigos, comemorando seu aniversário da mesma forma que fazia em Hogwarts. Recebia sacos e sacolas, todos cheios de doces e besteiras trazidos da Dedosdemel. Sentia até mesmo falta das bugigangas trazidas da Zonko’s por Fred e Jorge, e poderia jurar que não os culparia por jogarem bombas de areia em seu cabelo nesse dia.
Adoraria descer as escadas para seu salão comunal e se deparar com Harry e Rony segurando um enorme e mal feito bolo, que provavelmente teria sido confeccionado por Hagrid. Se ainda pudesse, abraçaria os amigos e lhes agradeceria infinitamente pelo presente.
Se ainda estivesse nos aposentos do castelo, receberia uma coruja da senhora Weasley, que provavelmente traria uma carta a parabenizando, junto a um vestidinho tricotado cor de abóbora, com um enorme e desengonçado H bordado em amarelo.
Receberia, também, uma carta de seus pais. Provavelmente esses enviariam juntamente uma foto deles em seu consultório de dentistas, sorrindo e ainda trajando o jaleco verde-musgo de cirurgiões.
Mas ali, no ano de 2004, na mansão Malfoy e longe de todos que conhecia, não existiam seus mimos feitos por Hagrid, não lhe cabia esperar pelo abraço de Harry e Rony, nem torcer para que o “H” bordado em seu vestido não fosse tão chamativo como de costume. Não sorriria com a foto de seus pais, imaginando como eles haviam feito para enviar uma carta ao mundo bruxo.
Ali, nada disso existia.
Uma pequena lágrima escorreu solitária dos olhos de Hermione, descendo quente e pousando em alguma flor do jardim, logo abaixo.
Mesmo sentindo a angústia tomar conta de seu coração, sorriu.
—Nessa data querida...Muitas felicidades...—Seguiu cantando, abraçando a si mesma e sentindo sua própria pele corar. —Muitos anos de vida...Feliz aniversário, Hermione.
A quietude do momento era dolorosa. A mansão poderia até mesmo ser o sonho de lar, Aysha poderia até ser algo que lhe animava, e Draco poderia até mesmo não ser aquele covarde que imaginava, mas aquele silencio, aquela falta de risos, jamais seriam algo com que Hermione se acostumasse.
Um livro caiu atrás de suas costas, fazendo-a virar bruscamente.
Draco estava lá, ajeitando de forma perfeccionista uma pilha de livros na estante de cima.
O loiro tossiu, envergonhado por ter tirado Hermione de seu momento, e mesmo que não contasse para ela, pode presenciar aquela solitária lágrima caindo.
—Temos uma aniversariante aqui e eu nem sabia? —Perguntou, forçando sua voz para que se tornasse o mais sóbria o possível.
Dentro da mente de Draco, as dúvidas de sempre perambulavam como fantasmas.
Seria tão insuportável viver ali, que até mesmo o dia de seu próprio aniversário se tornaria um mártir?
—Você está aqui a muito tempo? —Perguntou, ignorando a retórica do homem.
—O suficiente para saber que Hermione Jean Granger, a bruxa mais inteligente de sua idade, acaba de se equiparar ao clube dos vinte e cinco. —Brincou, soprando o pó de um livro cheio de pó e enfiando-o desajeitadamente entre os outros.
Hermione não sabia o que falar, sequer sabia se queria falar algo. Voltou a janela e fechou novamente os olhos. O cheiro trazido do lado de fora lembrava aos dias de primavera em Hogwarts, quando desciam as escadas até o picadeiro que Hagrid montara para suas aulas de tratos as criaturas mágicas.
—Feliz aniversário, fedelha. —Ouviu a voz de Draco atrás de si, rouca e baixa, como quem acordava uma pessoa com calma.
—Obrigada, Draco. —Respondeu, sentindo seus lábios tremerem.
Todo seu corpo foi tomado pelo espasmo, e sem se demorar suas mãos agarraram-se com força a beirada da janela, em resposta ao tremor de suas pernas, que tremiam como se fossem esparramar-se no chão. Nenhuma lágrima lhe fugia, no entanto tudo em si lhe indicava a tristeza que o peso do dia trazia.
Draco, que passou a usar da desculpa de arrumar os livros para observar o estado de Hermione, sentia-se no dever de se oferecer para ajudar, mas perguntar para a garota se estava bem era uma ideia tão burra quanto achar que ele ajudaria em qualquer coisa.
Diversas formas de tentar ajudar a morena lhe passavam pela cabeça, mas todas eram incrivelmente ridículas ao seu ver.
“você está triste, Hermione?
É óbvio que estava triste.
“Precisa da minha ajuda, Granger?”
Era claro que precisava da ajuda de alguém, mas esperar que fosse ele o benfeitor que ajudaria, seria exagero de sua parte.
—Tem algo que eu possa fazer por você, Hermione? —Decidiu perguntar, juntando todo seu orgulho, vergonha e covardia, amassando-os e os jogando fora.
A mulher se virou. O rosto vermelho e os lábios trêmulos. Os olhos fixos em algum ponto distante, concentrando-se principalmente em não permitir que nenhum líquido escapasse de dentro deles.
—Posso conhecer o jardim? —Pediu, em tom de súplica. Sentia dentro de si que nada seria capaz de fazer com que sua dor passasse, mas sair daquelas quatro paredes que lhe prendiam, talvez fizesse com que sua mente se ocupasse com a beleza do lado de fora.
Sem pensar em nada que lhe contrariasse, Draco assentiu.
Se pelas janelas o jardim lhe parecia agradável, estar dentro de seus corredores era incomparável. Quando havia sido a última vez que teria contato com plantas, flores, grama?
Estava lá.
Sentia suas pernas coçarem devido aos pequenos mosquitinhos que pousavam em suas canelas, mas eram tão insignificantes perante a beleza do lugar que a vermelhidão não se demorou a transformar-se na mera sensação de cócegas.
Embaixo de seu braço, a maior pilha de livros que teria a capacidade de carregar.
Draco caminhava logo atrás, analisando cada emoção que a morena demonstrava. Sentia dentro de si aquilo que mesmo demorando para reconhecer, naquele momento sabia que era uma espécie de preocupação contida, exigia de si mesmo o maior cuidado em seus atos e palavras ditas, na tentativa de não magoar a garota ainda mais do que sentia que ela já estava.
Caminharam todo o perímetro da mansão.
Ria-se internamente toda vez que a mulher parava para analisar uma espécie de flor, e explicava sua origem como se ele, o dono de cada planta, não soubesse. Apenas assentia e seguia caminhando.
Depararam-se por fim com um enorme salgueiro-chorão. Suas folhas desmanchavam-se e caiam, quase alcançando a grama abaixo de si.
Hermione caminhou até sua raiz, acomodou-se e depositou os livros ao seu lado.
Draco ficou sem entender, encarando a morena como se a ideia de sentar no chão úmido fosse demais para uma pessoa de seu nível, mas quando Hermione deu um leve tapinha ao lado dos livros, ele soube que seria bem vindo ali.
Encostou sua cabeça no tronco da árvore, e com o canto dos olhos pode ver a garota puxando um dos livros da pilha para seu colo, e no próximo segundo seus olhos cor de âmbar já estavam passeando pelas letras.
Observou-a ler, e percebeu o quanto foleava as páginas, sempre com um semblante de curiosidade pelo que viria a seguir.
O livro já estava dobrado ao meio quando Draco sentiu-se incomodado pelo silêncio.
—Qual é seu livro favorito?
Hermione respirou fundo, como se tivesse ouvido uma pergunta que sempre esperou, e possuísse uma resposta pronta para ela. Suas pupilas se estreitaram e uma pequena fenda se abriu em forma de sorriso enquanto falava, olhando para o alto da árvore e abraçando-se as próprias pernas.
—Bem... Eu acho o livro “Hogswarts, uma história”, realmente muito didático, também tem a literatura trouxa, e entre eles o livro que eu mais gosto é Romeu e Julieta de Shakespeare, com certeza um ótimo romance... Mas... —Revirou os olhos para si mesma, como se o que fosse falar fosse de uma infantilidade imensa, o sorriso sem desaparecer de seu rosto. —Mas o livro que eu realmente tenho um apego emocional era “Beadle, o Bardo”, foi Dumbledore que me deu de presente, sabe? ... Infelizmente acabei perdendo o livro... Naquele mesmo dia em que eu, Harry e Ron viemos para a mansão...
Enquanto Hermione falava, o homem percebeu que aquela havia sido a maior frase que escapara dela, ao menos dirigido a ele.
O semblante empolgado da castanha logo amuou, retornando a costumeira expressão inteligível ao se lembrar da noite em que foi levada, junto a seus amigos, para a mansão Malfoy. Odiava lembrar daquele dia, e pensar que estava ali, vivendo no mesmo lugar em que havia sido torturada, lhe causou um embrulho desconfortável na garganta.
Draco não a respondeu. Ficou em silêncio processando suas palavras, e lembrando da noite em que Hermione havia sido torturada.
Lembrava-se de, após a fuga do trio, ter encontrado uma pequena bolsinha no canto de sua sala.
Escondido de seus pais, levou-a até seu quarto e retirou tudo que havia lá dentro, se surpreendendo com o feitiço extensor, o que teve certeza que havia sido um feito da sangue-ruim. Haviam muitas roupas, o que havia deduzido ser dos amigos da sabe-tudo, mas o que realmente havia chamado sua atenção naquele dia era o pequeno exemplar de bolso de “Beadle, o Bardo”. Era seu livro favorito durante a infância, e ao tê-lo em suas mãos novamente, decidiu o guardar para si.
Sabia perfeitamente onde estava.
Na sua mesinha, bem ao lado da cama.
—Se não se importa, fedelha...Já volto.
Draco desaparatou ao lado de Hermione, o que lhe deu apenas tempo para soltar seu livro, e enquanto caminhava com os dedos para buscar o outro, o homem voltou a aparecer em pé, em frente a ela.
Em seus longos dedos que tremiam, um pequeno livrinho branco com detalhes azuis se materializara.
Dentro dos olhos cor de prata do homem, uma frase era gritada, alto e repetidas vezes.
Que ao menos seja suficiente para fazê-la se sentir melhor... Pelo menos hoje.
Hermione tocou o livro como quem esperasse que o morderia, e no próximo segundo o puxou como quem encontrava um ente querido. Encarou boquiaberta os contos de Beadle o Bardo em suas mãos. Folheou as páginas, buscando o símbolo das relíquias, e ao encontrá-los tornou seus olhos totalmente marejados em direção à Draco, sorrindo agora de forma que o homem jamais havia presenciado.
Em um salto, encontrou-se com o peito do homem de forma que se não fosse tão franzina, poderia ser considerada violenta.
Draco andou um ou dois passos para trás, ainda sem compreender o que estava acontecendo, os olhos cinzentos arregalados como nunca, tendo como ponto de foque os cabelos castanhos e bagunçados próximo ao seu braço esquerdo.
Instintivamente, o alvo tentou desvencilhar-se, empurrando-a numa tentativa de não machucar, e desistindo logo ao perceber o estado em que Hermione se encontrava.
O sentimento de felicidade lhe fugiu da mulher de forma desenfreada, e ali, frágil e entregue, todas suas emoções passaram a aflorar e pedir por atenção.
O desespero que sentia ao ver-se só em sua cela em Azkaban, tendo como única companhia seres humanos que nada de bom lhe faziam.
O medo que sentia todas as noites antes de dormir, sempre alerta no caso de alguém tentar lhe invadir a prisão.
A saudades que sentia de seus amigos, de seus livros e suas magias. A saudade que sentia de Hogwarts.
A cabeça da mulher repousou juntamente a sua mão no ombro do homem. Tremia, soluçava e deixava que as lágrimas lhe escapassem agora, sem o menor controle. O calor de seu corpo aquecendo o de Draco gradativamente.
—Estão todos mortos Draco! —Pronunciou em meio as lágrimas salgadas. —Eu estou só...
Dentro de Hermione, um sentimento contido deixava-se escapar pela primeira vez. Um nó forte na garganta que se desfazia um pouco a cada lágrima que aprumou-se na camisa do homem. A sensação de que sua cabeça estava sendo espremida, que a deixava com leveza a cada soluço queixoso. O sentimento de não caber em si mesma e a forma como seu corpo parecia, a cada instante, encontrar-se e se realocar.
A quanto tempo não abraçava ninguém?
Harry, antes de sua morte, havia sido o último alvo de seus abraços apertados de adolescente, e após isso a única pessoa que se aproximara havia sido Aysha, apesar da elfo ser tão pequena que jamais lhe causaria a sensação de ser abraçada, não da forma como estava ali, depositando seus sentimentos sobre a camisa do homem.
Ainda confuso, Draco fechou os olhos. Sentiu sua própria mandíbula se travando, e deixou que as lágrimas molhassem seu ombro, sem se importar com a sensação de umidade. Sem jeito, arrastou sua mão até as costas da moça, onde passou a acariciar suas omoplatas não mais calejadas.
Quando havia sido a última vez que abraçou alguém? Não podia se lembrar de quando havia sido, e tudo que tinha certeza era de que possivelmente a pessoa alvo havia sido sua mãe
Deixou que cada soluço, lamúria e tremor de Hermione fossem depositados ali sobre ele, e sentia que nada mais fazia do que permitir ser culpado pela angústia causada.
Como que para consolar, o vento bateu forte contra os cabelos de Hermione, trazendo o frescor das folhas recém caídas. O vento uivou contra o ouvido de ambos, e logo após todo o mundo pareceu ter entrado em luto pela garota.
Tudo era silêncio, exceto os soluços descompassados de Hermione.
O tempo passou mais devagar do que nunca, arrastando-se vagarosamente enquanto a situação se tornava cada vez mais sufocante para Draco, que culpava-se internamente por estar abraçando aquela que havia condenado ao sofrimento. Sabia que era hipocrisia de sua parte, estar ali consolando o próprio fruto de seus danos, mas via-se sem saída, o que mais faria, senão pagar por seus pecados, e da forma que lhe traria mais remorso?
—Nada pode compensar o que eu fiz com você, Granger.
Hermione se afastou, os olhos inchados como nunca.
De forma que o platinado não foi capaz de acreditar, ela lhe soltou um sorriso fraco e compadecido.
Caminharam devagar até a mansão, em meio a noite escura que se formava. Draco carregou os livros, em silêncio.
Dentro da sala o cheiro do alimento que não seria comido podia ser sentido, e depois de devolverem seus livros e fecharem a porta da biblioteca, caminharam cada um para seu quarto, desejando apenas um fraco boa noite um ao outro, o que soou muito mais por educação do que propriamente pela vontade de falar, que não existia.
Dentro do seu quarto, o homem encarava sua própria constelação. O céu estava limpo e estrelado, de forma que há tempos não acontecia. Sentia um peso em seu peito, e um bolo na garganta. Cada lágrima que Hermione derramava lhe confirmava suas dúvidas, era um monstro. E mesmo ela estando ali, a salvo, jamais seria feliz como um dia foi.
Odiava do fundo de sua alma Voldemort, e toda vez que a imagem de seu mestre lhe surgia a mente, o asco se formava dentro de suas vísceras. Não era apenas por Hermione. Era também pela filha da senhora da pousada, que ainda criança havia falecido. Era por Gina e Ronald Weasley, que apesar de nunca serem suas pessoas preferidas, não mereciam o destino que lhes foi entregue. Era por Molly Weasley, que apesar dos anos em Azkaban, mantinha a pouca sanidade que possuía e ainda prezava pela vida de seus filhos.
Era por Hermione Granger, que foi torturada, e as marcas de seu sofrimento seguiriam marcadas pela eternidade em seu corpo.
Não tirava a culpa de si, mas sabia que havia um culpado ainda maior por tudo que houve. Se jamais tivesse sido pressionado, nunca precisaria fazer o que fez. Se seus pais não tivessem sido ameaçados, não seria um comensal.
Odiava com todas suas forças a si mesmo, mas mantinha fúria ainda maior por aquele o qual precisava fingir uma idolatria nojenta e mentirosa.
Pegou-se observando os céus, em busca de qualquer forma que lhe tiraria a dor da culpa de suas costas. Não havia vira-tempo ou feitiço de memória que fosse capaz de apagar o que ele havia feito, graças a sua covardia. Daria tudo para ter coragem o suficiente para tirar o mundo das trevas, mesmo que para isso precisasse eliminar a si mesmo.
Na janela de Draco, o piar de uma coruja interrompeu seus pensamentos e mesmo sem ser convidada, a ave entrou.
A mesma coruja que tanto lhe soltava aquele maldito olhar de julgamento, parecia ter um novo peso sobre seus olhos amarelos. Entregou o rolo de pergaminho ao homem, sem deixar de lhe dar uma boa bicada, e voou janela a fora.
Por que estariam lhe enviando uma carta, ainda mais durante a noite?
O pergaminho era conhecido, com seus detalhes elegantes e cheio de floreios.
A letra era a mesma de costume, o que fez o loiro se lembrar momentaneamente de Amanda.
Caro Sr. Malfoy.
O ministro tem o prazer de anunciar que a mansão Malfoy foi a escolhida, neste ano, para ser a sede da festa de comemoração do dia das bruxas, no dia trinta e um de outubro. Como de costume, deve-se saber que será uma festa de gala, onde apenas a alta comunidade bruxa participará. O senhor deve comparecer durante a próxima semana diretamente ao ministério, onde os detalhes lhe serão passados com maior clareza.
Atenciosamente.
Revirou os olhos, amassou os papéis contra suas mãos e fez questão de lhe pisar com toda força, raspando-o de qualquer jeito contra o chão. Odiava as festas, tinha nojo de receber aquele tipo de pessoas dentro de seu lar, e principalmente odiava as falsas adorações ao Lorde das Trevas, que provavelmente permaneceria a festa inteira em seu pedestal, recebendo elogios e sendo idolatrado por matar pessoas inocentes.
Tinha vontade, ao fundo de si, de estar esmagando a própria imagem de Voldemort, expulsando-a do mundo e lhe convidando a morte em pessoa.
Pisoteou, arrastou e sentiu sua pele corando de raiva ao encarar o convite nojento.
O que você está fazendo consigo mesmo, Draco?
Retornou a própria realidade, e sentiu o quanto pareceria insano ao esmagar um papel como uma criança mal criada.
Ao buscar o papel no chão, pode perceber o pergaminho amassado e com letras quase invisíveis, que não traziam mais mensagem alguma exceto poucos rabiscos do que alguns segundos atrás eram palavras.
Era um palimpsesto.
E o homem quis do fundo de seu ser, ser apagado tal como aquele maldito papel.
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