Palimpsesto - Dramione
38 Nostalgia
Notas iniciais
Azkaban
Belatriz Lestrange caminhava entre os corredores escuros da prisão, analisando cada cela com excessivo desdém. Encarava cada bruxo inocente, sorrindo como uma redentora, e ao lançar um feitiço em cada cela, tudo se silenciava e nenhum grito era ouvido, além do baque silencioso de algum corpo inerte batendo contra o chão.
A bruxa sorria, passeando pela prisão como se fosse seu palácio. Sentia-se a dona daquele lugar. Estivera por tantos anos ali, como prisioneira, que a ideia de estar ali novamente, no lugar daqueles imundos que a interrogavam, lhe beirava a excitação.
Estava lá a mando de seu mestre.
Mestre.
Seu mestre que tanto a havia iludido, a feito pensar de que um dia seria sua esposa, e, possivelmente, carregaria em seu ventre o fruto de Voldemort.
Mas não era em seu ventre que este herdeiro crescia.
Era ela. Aquela imunda.
Astoria Greengrass, a vadia que havia seduzido seu mestre e tomado-o para si com tamanha facilidade, enquanto Belatriz havia dedicado mais da metade de sua vida em tal feito, sem sucesso.
Mas estava lá a mando de seu mestre, e faria tudo que pudesse para conquistar sua confiança.
Deveria interrogar cada inocente sobre o paradeiro de Draco, Hermione e Gina. Matar não estava em seus planos, mas ao menos a tirava o tédio. Ao menos, a fazia imaginar que estava torturando aquela vadia que havia roubado seu mestre.
E não torturaria pouco. Estava atrás dela, da espada.
A espada de Gryffindor.
A espada havia sumido do castelo de Hogwarts, onde estivera segura durante todos esses anos.
E Voldemort estava incontrolável.
Ninguém havia invadido a escola, não com tantos comensais como professores, nem com os dementadores que rodeavam Hogwarts.
Não sabiam mais onde procurar, exceto recorrer aos inocentes presos em Azkaban. Nada impedia que soubessem o que estava acontecendo, afinal, Belatriz um dia também estivera lá dentro, sendo sua serva, e também havia escapado.
A única coisa que os Weasleys ouviam de sua cela era o riso estridente da bruxa, que caminhava, de cela em cela, cada segundo mais próxima da sua. O barulho de seu salto era estridente por toda Azkaban, baqueando como um relógio que contava os segundos para que os encontrasse.
Por segundos, era possível ouvir súplicas e pedidos de misericórdia por parte de inocentes, mas nada parava Belatriz.
George olhou para seus irmãos, seus olhos verdes focados em cada som de movimento, acompanhando-o como se pudesse o ver. Arthur Weasley, que procurava manter a calma, abraçou a esposa como se a pudesse proteger. Molly chorava, buscando com seu braço vago segurar todos seus filhos, na tentativa de envolvê-los em um abraço.
E de certa forma, todos naquela cela sabia que esse poderia ser o fim.
Cada segundo mais próximo.
Cada baque do salto de Belatriz anunciava sua aproximação com demasiada velocidade.
Belatriz gritava com os prisioneiros, ameaçando-os torturar. A cada tortura, mais alto era seu riso, e a cada morte, parecia saltitar, fazendo com que o eco de seus passos torturasse os Weasley.
Era o inferno na terra.
Seria o fim de Azkaban.
Não haveriam mais prisioneiros vivos.
—Onde está Draco Black Malfoy, seu inútil? —Gritou em determinado momento. O homem que estava naquela cela não teve tempo de responder, sendo atingido pelo feitiço cruciatus antes mesmo de negar saber. Os soldados, amedrontados, acompanhavam os risos de Belatriz, cada segundo mais fora de si.
A insanidade não apenas possuía Belatriz, como também parecia ser transmitida para cada sobrevivente daquele lugar.
Molly sufocou suas lágrimas, engolindo-as para que, se possível, Belatriz desistisse de chegar até os Weasley. Precisava ter coragem.
Era uma Grifina.
Mas era tarde.
Ouviram o momento exato em que a bruxa alcançou o último andar. Ouviam seus saltos batendo contra o chão de concreto, e o som da cobra, Nagini, que a acompanhava. A serpente foi a primeira a alcançar a cela dos Weasleys, encarando-os com o olhar do Lorde das Trevas por trás de seus olhos ofídicos.
Belatriz veio logo em seguida, acompanhada do soldado gorducho com quem George havia discutido. A bruxa sorriu, vitoriosa, enquanto virava-se em direção do homem. Seus olhos possuíam um brilho amedrontador, quase desumano. Sua voz era arrastada e desinteressada.
—Apresente-os, soldado. —Pediu.
O soldado tossiu, antes de se virar para a cela. Passou com seus olhos arregalados, onde também havia medo, por cada Weasley, como se além de se despedir, também pedisse desculpas. E então começou a falar.
—Aqui temos todos os Weasleys, senhora Lestrange.
—Mas que preciosidade! Que honra! —Exaltou a bruxa, em um exagerado cumprimento. Os Weasleys a encaravam, aguardando por qualquer reação. Foram segundos intermináveis em que Belatriz devolvia o olhar, até que a sonserina começou a gargalhar, tal riso que ecoava pelas paredes da prisão e fluía com o vento pelas frestas.
Belatriz se aproximou ainda mais, abrindo um sorriso cada vez maior enquanto suas pupilas se dilatavam e um chiado escapava por sua garganta, já rouca.
—O que você quer? —Perguntou Arthur, fechando os olhos como se esperasse morrer naquele exato momento.
—Agora acontecerá o seguinte, sarnentos… —Começou. ignorando a pergunta do homem, que ainda pregava os olhos com força. Belatriz endireitou sua postura, e, como um general, marchava em frente a cela.—Eu e Nagini queremos brincar um pouquinho, mas só um pouquinho, tudo bem? Não vai doer quase nada. Vejam bem, eu falei quase. —A cobra se aproximou da cela, e a bruxa, por fim, a abriu. —Queremos saber onde estão seus pirralhos fedidos, e aquele maldito traidor de sangue que é filho de Narcisa Malfoy, minha falecida caçula.
Houve uma breve lucidez no rosto da bruxa ao citar o nome de sua irmã, mas a sombra de sua insanidade se instalou como se jamais a tivesse abandonado.
Arthur olhou para os filhos ao seu redor, mas ninguém tinha um resposta.
E sabia que mesmo se tivessem, ninguém diria.
E então George se levantou, parecendo não se importar com a presença da comensal.
—Eles estão vivos? O Uon Uon e aquela pirralha estão vivos? —Perguntou, encarando seus irmãos, em seu rosto, o sorriso mais sincero que já havia dado desde que foram para Azkaban.
Molly arfou, sentindo toda a preocupação com seus filhos mais novos sumindo por um segundo, enquanto toda a preocupação com George crescia.
—Garoto insolente! Como ousa levantar perante a mim? —Belatriz rosnou, e com um comando de sua varinha, George estava no chão, sob a maldição cruciatus. O ruivo não exibia nenhum som enquanto sua coluna se curvava em um perfeito “U”, e apesar dos gritos de seus irmãos e seus pais, o gêmeo que havia restado sorria por trás daquela máscara de horror que lhe cobria a face. Seus olhos permaneciam abertos, encarando o teto repleto de infiltrações, e seus dentes, ainda que cerrados, não escondiam o sorriso que ainda demonstrava. Parecia teimosia, também como parecia felicidade.
Era como se a tortura não o afetasse, afinal, sabia que seus irmãos estavam vivos.
—Mate a mim! —Pediu Gui, rendendo-se. —Ninguém aqui sabe onde eles estão, mas por favor, eu peço...Mate a mim! Deixe eles presos, mas mate a mim!
O bruxo caminhava lentamente até a figura de Belatriz, e Nagini, ao seu lado, preparava-se para dar o bote.
Belatriz sorriu, deixando a mostra seus dentes caninos e escurecidos, e então Nagini atacou.
Redlight District, Amsterdã
Draco encarava aquela espada a alguns minutos, pensando em como entraria dentro da vitrine e roubaria aquela espada sem a sua varinha. A mulher ruiva que dançava sensualmente pelo pequeno espaço de vidro, já havia percebido a presença de Draco, e agora fixava seus olhos profundamente verdes contra o loiro, tentando-o seduzir. Ela o chamava, fazendo sinais para que fosse até ela, e então Draco decidiu que iria.
Entrou pela porta ao lado da vitrine, onde subiu uma escada escura de lata enferrujada, regado de aplausos e comentários de homens do lado de fora da rua, que sabiam o preço que aquela dançarina teria.
Seria o preço que pagaria por roubar a espada, fingir que era seduzido por ela.
Ao chegar no topo da escadaria, a mulher já o esperava no breu. Era um quarto escuro que ficava logo atrás da vitrine, para que tivesse privacidade, caso desejassem. Usava uma lingerie verde escura, que combinava com seus olhos, e andava sobre um salto que fazia que quase atingisse a altura de Draco.
Draco sorriu com falsidade.
Precisava fingir, precisava ser, por só mais um segundo, o antigo Draco. O Draco que fingia, que mentia e que roubava. O Draco que não possuía uma cicatriz em seu rosto, e, em seu lugar, detinha de um ego inflado até demais.
E então Hermione o perdoaria.
Precisava que ela o perdoasse.
Precisava até mesmo se perdoar por isso.
A ruiva se aproximou até ele, dançando ao som da música, que ali dentro, era ainda mais alta. Sabia que a cicatriz, ainda recente em seu rosto, a assustaria. Sabia que não era mais o Draco de meses atrás, que seduziria aquela mulher como se estivesse em um jogo. Mas tentaria. Sabia também, que por trás daquele falso olhar sedutor, havia um foco repulsivo naquela maldita cicatriz em seu rosto, e que se possível, a mulher jamais se aproximaria.
—Como é seu nome, querido? —Perguntou com a voz fina e doce, chegando cada vez mais perto do loiro.
—Edward Malfoy. —Mentiu seu primeiro nome, sabendo o efeito que o sobrenome de Malfoy surtiria sobre a ruiva, que já conhecia seu pai. —E o seu? —Perguntou, dando de ombros e tentando lembrar como agiria se ainda fosse o velho Draco.
A mulher apontou para um pequeno cartão de papel que colocou no bolso da camisa de Draco, mostrando que seu nome era Helen.
Draco sorriu mais uma vez, ajeitando o bolso da camisa e aproximando-se da mulher. Não tinha vontade de estar com ela, e tampouco suas curvas e traços finos o chamavam atenção. Também não conseguia a olhar diretamente nos olhos, olhando durante todo o tempo para baixo, ou para a parede que o separava da espada.
Helen se aproximou ainda mais, roçando seu corpo contra o de Draco, e no momento em que a mulher aproximou os lábios vermelhos dos seus, o sonserino a interrompeu.
—Você sabe fazer outro tipo de dança? —Sussurrou no ouvido de Helen, que riu em uma falsa demonstração de prazer, ou até mesmo luxúria, ou, quem sabe, como se percebesse que seu beijo não era desejado, e agradecesse por isso.
Ninguém em sã consciência deveria querer beijá-lo.
—O que você quiser. —Respondeu, no mesmo tom de sussurro de Draco, enquanto se sentava na beira do divã que era separado para aquele tipo de ocasião.
—Eu vi uma espada na vitrine… —Desdenhou, fingindo não dar real importância a aquilo, e então tomou um gole de whisky que Helen o ofereceu, sentindo o amargo descer por sua garganta. Os olhos da ruiva brilharam.
—Quer que eu faça dança do ventre para você, Malfoy? —Sugeriu com um sorriso em seus lábios.
Draco deu de ombros, dando mais um gole no Whisky, porém devolvendo todo o líquido sem que Helen pudesse ver.
Precisava ser discreto.
Precisava, só por mais alguns segundos, fingir que não se importava.
A ruiva sumiu por trás da vitrine, e voltou com a espada que Draco queria. Era pesada o suficiente para que precisasse das duas mãos para a carregar, o que fez com que Draco soubesse que era a que procurava.
—Posso tentar uma coisa? —Pediu, segurando a espada que brilhava como se o convidasse. Usava seu melhor e mais sacana sorriso, pedindo de uma forma que esperava ser irrecusável.
—Tudo que você quiser, Malfoy. —Helen assentiu, ainda com um sorriso travesso, soltando-a nas mãos do loiro.
E foi o suficiente para que Draco aparatasse, levando consigo a espada.
Foi rápido demais.
O estômago de Draco se embargou enquanto viajava por dentro do próprio espaço, misturando seu corpo com o próprio ar, carregando consigo uma espada de mais de vinte quilos, e na outra mão, tão firme quanto a espada, um bracelete que logo seria destruído.
Mas para isso, precisava de Hermione.
Havia desaparatado do lado de fora da casa. Sabia que foram feitiços para que ninguém conseguisse entrar na casa, mas culpou-se por isso no mesmo instante.
Ali fora também era perigoso.
Draco correu em direção ao prédio, subindo as escadas do apartamento como se sua própria vida dependesse daquilo, e ao fim, dependia. Seus passos eram barulhentos e nem um pouco sigilosos, mas naquele momento, não era o que mais importava.
Chegou no apartamento que Hermione estava, e sem a menor paciência, bateu forte na porta. Não pode ouvir nada do lado de dentro, exceto um miado em reprovação.
Bateu novamente, mais forte, olhando para os lados, certificando-se que não havia ninguém o espionando.
E mais uma vez, ninguém abria.
Do lado de dentro, na cozinha a poucos metros da porta, Hermione encolhia-se a cada batida que a porta levava. Sentia medo.
Faziam quase doze horas que Draco havia ido, o que poderia significar que ele voltaria, ou que era outra pessoa.
Havia contado cada segundo em que estivera longe do bruxo, aguardando-o a cada mísero som pela casa. Mas agora, que sabia que poderia ser ele, ou até mesmo outro bruxo qualquer, sentiu medo.
E a ideia de ter outras pessoa na porta de sua casa a fazia tremer.
E se não fosse Draco?
Queria levantar, caminhar até a porta, mas a cada tentativa de se movimentar, seu corpo era repuxado por si mesmo, impedindo-a de levantar, num instinto de proteção.
Queria gritar. Queria pedir que Ronald ou Gina caminhassem até a porta, mas nada acontecia. Sua garganta doía com a força que efetuava contra si mesma, obrigando-a a calar-se.
E o gato de pelo escuro a encarava friamente, seus olhos verdes a espera de uma resposta enquanto soltava um miado de desaprovação.
Hermione engoliu em seco.
—E se não for ele? —Sussurrou.
Mais uma batida, ainda mais forte.
O gato a fitava com demasiada irritação, balançando sua cauda descompassadamente.
—Fedelha?
A voz de Draco descompassou o coração de Hermione, e quando se deu por si, a castanha já corria em direção da porta, derrubando tudo que ousasse estar à sua frente. Viu de relance Gina e Ronald saindo de seu quarto com o barulho, mas não parou para ver o que diriam quando abrisse aquela maldita porta.
E então a abriu.
E ele estava lá.
Tinha os braços abertos e em cada mão, um objeto que Hermione não parou para olhar. Sua visão se fixava apenas no rosto cansado e no olhar cinzento e triste que Draco a oferecia.
Mas e se não fosse ele?
—De que sabor era a primeira comida que você levou para mim em Azkaban? —Perguntou, torcendo para que aquele Draco à sua frente soubesse, e provasse que era o verdadeiro Draco.
O seu Draco.
—Sopa de abóbora. —O loiro respondeu, um pequeno sorriso em seus lábios traziam a mesma nostalgia que Hermione sentia.
E então Hermione pulou em seus braços.
Sentiu a camisa molhada do loiro contra seu corpo, molhando o que restara de seco em suas roupas manchadas de lágrimas. Mas não se importava. Ficou na ponta dos pés e apoiou a própria cabeça no ombro do sonserino, que em nenhum momento fez a menção de sair.
Se suas lágrimas alguma hora tinham acabado, agora voltavam com todas suas forças, sentindo aquele cheiro de menta que gostava tanto, aspirando-o e sentindo-se inundar a cada centímetro de seu corpo.
—Me desculpe, fedelha. —Draco pediu tão baixinho no ouvido de Hermione que fez com que a castanha se perguntasse se realmente havia escutado algo, ou se estava delirando.
—Tá tudo bem, Draco. —Respondeu tão baixo quanto, e soube que ele também ouviu.
E então se afastou, mas não o suficiente para estar distante. E olhou para o rosto dos Weasleys.
—Como você…? —Gina perguntou, olhando, abismada, para uma das mãos do sonserino.
E foi então que Hermione viu.
A espada de Gryffindor. A espada que havia visto quando roubara do banco, Gringotes. A mesma espada, o mesmo tamanho e brilho. A mesma cor prateada e os mesmos diamentes avermelhados cravejados em seu punhal.
—Achei que gostariam que eu trouxesse para que fizéssemos tudo isso juntos. —Draco deu de ombros, entregando a espada a Hermione, que apesar da fraqueza, a sustentou como se fosse um filho. —Não vai querer saber onde encontrei. —Afirmou para Hermione, e apesar da brincadeira, havia um tom de sobriedade que a irritou.
—Onde você estava? —Perguntou Gina, cujos olhos passeavam entre a espada, Draco e Hermione.
—Vamos entrar, está perigoso aqui. —Pediu, empurrando Hermione para dentro e fechando a porta atrás de si.
Todos entraram, ainda sem tirar os olhos da espada, agora nas mãos de Hermione.
Assim que a porta foi fechada e um novo silêncio se instaurou, houve um momento em que Gina encarou cada um ali presente.
E então Ronald deu um passo à frente.
—Eu...queria pedir desculpas para você, Mione, por tudo que eu falei e fiz, você sabe...— O garoto bagunçava os próprios cabelos, como se não soubesse o que fazer com as mãos.
—Está desculpado, Ron. —Hermione sorriu fraco, encorajando-o.
—Também quero pedir desculpas. —Afirmou Draco. Seu tom de voz não era enrolado como o do Weasley, mas sim decidido, como se pensasse o que falar há tempos. —Eu exagerei e reconheço isso, Weasley. —E então estendeu sua mão, apertando a mão de Rony com demasiada força excessiva. —Mas se você ousar encostar na Hermione mais uma vez sem a permissão dela, eu não irei me arrepender de nada, está bem?
Ronald concordou, passando da cor de sua pele para um vermelho intenso.
E em apenas um segundo, tudo pareceu ficar bem novamente.
—Quero saber como você conseguiu essa espada, Draco. —Pediu Hermione, ajeitando-se no sofá e repousando a espada logo abaixo. Draco bagunçou os próprios cabelos.
—Eu...Estive em um lugar… Errado. Quero que me desculpe por isso. —Pediu antecipadamente. Hermione concordou. —Eu aparatei em um vilarejo que fica em Amsterdã. Não queria ir pra lá, mas algo que me dizia para ir… então eu fui. Haviam garotas dançando nas vitrines, sabe? eram...bem, eram prostitutas. —Afirmou, por fim, observando cada reação de Hermione. Pode ouvir um riso profundo de Gina enquanto via a feição de Hermione, que apresentava vincos na testa. —Bem, então...de longe, eu pude ver ela, a espada...Na vitrine de uma das.... garotas. Isso, na vitrine. —Finalizou, sentindo o ar voltar à seus pulmões.
Hermione o encarava com os lábios trincados e a testa vincada, e por um segundo, Draco a achou muito bonita com aquela nova expressão.
—Você foi procurar garotas de programa e encontrou a espada, é isso? —Perguntou, e enquanto falava, uma vermelhidão característica voltava para seus olhos.
—Não! Não, não é isso! —Explicou-se rapidamente, sentindo-se cada segundo mais envolvido em uma história errada. —Eu entrei na vitrine falei com ela, eu fingi que queria alguma coisa, sabe? Mas antes que algo acontecesse, eu pedi a espada e fugi.
A expressão de Hermione se suavizou, mas uma pequena linha em sua testa teimava em continuar ali. Draco sabia que teria que se explicar com detalhes mais tarde, e por um segundo, gostou daquilo.
E então, o sonserino pegou a mão de Hermione.
Foi um breve segundo que o trouxe diversas sensações, e um sorriso fraco escapou dos seus lábios.
Hermione sorriu de volta, e o toque de Hermione acariciando sua mão o fez esquecer brevemente de onde estavam, e lembrar do que o fez voltar para aquela casa.
Draco queria mais.
Queria abraçá-la e beijá-la e levantá-la no ar. Queria o cheiro de Hermione, queria sentir sua pele macia e seus cabelos castanhos. Queria, por um mísero instante, ser inebriado por Hermione.
Hermione corou, e, na frente dos amigos, abraçou o loiro e o beijou na bochecha, ignorando aquela cicatriz da qual por um momento Draco também esqueceu.
—Você é um grifino, amor. —Hermione sussurrou em seu ouvido.
E uma lágrima teimosa se formou nos olhos de Draco enquanto, ao longe, podia ouvir Gina fazendo um infantil som de nojo.
E então, mais uma vez, foi obrigado a soltar o abraço de Hermione.
—Vamos destruir essa porcaria. —Afirmou Ronald, levantando-se e caminhando em direção a espada, e pedindo, a Draco, a Horcrux.
—Essa Horcrux era algo de minha mãe. — Draco enfatizou, segurando-a entre as mãos e observando o brilho que possuía. Olhou para Hermione e a viu motivando-o. —Eu quero destruir.
E então a espada que havia sido pega por Ronald, foi entregue novamente às mãos daquele que a merecia.
Fale com o autor