Notas iniciais
Oi pessoal! A quanto tempoooo Bom, estou de volta! Não posso prometer um capítulo tão em breve, mas posso prometer que volto, e espero que logo! Estava morrendo de saudades de atualizar essa fic. Abraços e até os comentários!

Draco segurava com força a espada em suas mãos. Seus dedos tremiam enquanto a espada apontava diretamente para o bracelete de sua mãe, que jazia quase inocente no chão de madeira.

E por toda força que realizasse, a espada parecia não se mover sequer um centímetro.

—Vai lá, cara. —Ronald motivou, fazendo com que Draco se distraísse ainda mais.

Todos na sala continuavam a encarar Draco como se fosse um ser de outro planeta, aguardando que aquela espada atravessasse logo a superfície de metal da Horcrux.

E nada acontecia.

Gina havia trincado seu maxilar, seus olhos passeando categoricamente entre a espada e a horcrux, e em seguida para cada pessoa naquela sala.

—Anda logo. —Resmungou. —Anda, faz rápido.

Draco assentiu novamente, sentindo uma gota de suor escorrer por sua têmpora.

O som de seu coração ecoava pelas paredes, lembrando a todos o motivo de estarem ali.

Seus olhos cinzentos vagaram até Hermione, que, com o gato escuro no colo, parecia tão nervosa quanto ele. Ela o entendia. Não se esquecera do que uma Horcrux podia fazer ao ser encaminhada ao seu fim. Sabia também que no momento em que a destruíssem, Voldemort correria para onde estavam.

—Se eles souberem onde estamos, estão todos prontos para fugir? —Perguntou Draco.

Todos assentiram, apesar de não saberem exatamente para onde iriam. Mas tentariam.

É isso que faziam.

—Tudo bem. —Hermione motivou, acariciando a cabeça do gato como se em consolo próprio. —Vai ficar tudo bem.

E então Draco o fez.

Rápido.

Silencioso.

Desesperador.

O metal se quebrou em diversas partes que se espalharam pela sala. Os pedaços quebrados giravam em torno de si mesmos, e, então, jaziam como se nada fossem contra o chão.

Era isso.

Agora precisavam fugir.

Todos na sala caminharam em direção a cozinha, onde se juntariam para aparatar nos próximos minutos.

Menos Hermione.

Pelo contrário, ela encarava os pedaços de bracelete como se esperasse que uma cobra surgisse dentre eles, ou que um animal perigoso rugisse em sua direção. Mas nada acontecia.

—Esperem. —Pediu silenciosamente, um sussurro quase súplico. —Tem alguma coisa acontecendo aqui.

E então todos viram.

De cada pedaço de bracelete quebrado, uma pequena e quase translúcida imagem era desferida contra o ar, como uma holografia. a

Algumas traziam imagens felizes, mas que não voltariam mais.

Gina caminhou até uma imagem que mostrava sua própria imagem, beijando Harry Potter após o campeonato de quadribol do quinto ano. Um Rony e uma Hermione mais jovens os observavam à sombra da imagem, confusos.

Gina corou enquanto uma lágrima escapava de seus olhos.

Rony foi até outra projeção, que o lembrava com detalhes o dia em que Harry Potter foi pela primeira vez à toca. Duas crianças que nada sabiam brincavam e riam enquanto jogavam pequenos duendes longe da casa. Uma Gina muito menor ria enquanto olhava para Harry. Dois rapazes, idênticos, aprovavam a brincadeira, apostando entre si quem jogava os duendes mais longe. Uma senhora de cabelos ruivos e bagunçados os chamava, balançando um pano de prato ao vento contra a janela.

Desta vez todos, exceto Draco, choravam.

Era triste demais até para eles. Era uma tortura quase que atraente, permanecer horas ali, vendo o que aquele grupo já teve um dia.

Hermione deixou aquela lembrança e caminhou até outro canto da sala, espremendo o felino em seus braços como se fosse o próprio Harry. As lembranças ali já não era das melhores.

Uma garotinha dentuça de cabelos desgrenhados chorava ao se olhar no espelho, os dentes ainda maiores do que já foram. Apenas ela se dava conta do que era aquela lembrança, mas um Draco adulto ao seu lado sabia do que se tratava.

—Me desculpe, fedelha. —Sussurrou. Hermione concordou, deixando a memória de quando um pequeno Draco a amaldiçoou para trás.

Em outro extremo da sala, outra holografia. Esta porém, era mais real do que todas as que já haviam se manifestado, e passeava de imagem para imagem, demonstrando com clareza a que veio.

Era Hermione. Sua feição enquanto gritava era tão real que quase podia ser ouvida. Acima da garota, a bruxa de longos e espessos cabelos escuros arranhava seu braço, começando uma escrita de algo que Hermione sabia como terminaria.

Sangue ruim.

O Draco da imagem, de terno escuro e olhos assustados, apenas a encarava, sem nada fazer, sem sequer demonstrar qualquer espécie de piedade.

Sabiam como terminaria.

Era Rony que a havia salvo.

A próxima imagem era mais forte, mais vívida ainda. Era quase real.

Rony e Hermione trocavam um beijo em meio ao castelo de Hogwarts, a guerra e os estilhaços presentes em seus corpos cansados, mas um sorriso de esperança surgia em ambos os lábios.

Draco percebeu onde chegariam.

Hermione chorava silenciosamente olhando para os dois homens na sala, temendo uma nova discussão.

E então as imagens se desfizeram no ar, e, em outro canto da sala, uma nova imagem se refez.

Era maior. Ocupava todo o espaço da sala.

Era como se estivessem naquele lugar.

Era a guerra. Era Hermione chorando em desespero após saber da morte de seu melhor amigo, sem sequer encontrar Ronald em meio as fagulhas que, entre o verde e o vermelho, a seguiam cada vez mais. Os comensais estavam em maior número. A Guerra estava perdida.

Hermione corria em meio ao tumulto. Empurrando quem estivesse à sua frente, pedindo licença aos poucos que reconhecia como colegas. Precisava fugir, precisava encontrar Ronald e fugir, não haviam mais esperanças.

Passou ao lado de um homem de cabelos loiros, e sem sequer olhar para o seu rosto, o empurrou também, correndo bruscamente sem se preocupar em olhar para trás.

Mas o homem olhou.

Seus olhos cinzentos acompanharam o pequeno corpo de Hermione enquanto corria em sua direção, buscando alcançá-la. Draco sabia, naquele momento, que prender um dos integrantes do trio de ouro lhe traria enormes recompensas, e eram elas que o interessavam.

Estavam na torre de astronomia. Hermione corria desesperadamente enquanto subia as escadas em formato de caracol, pequenas gotas de sangue eram deixadas como rastro.

Mas naquele momento, ela não sentia dor.

Draco seguiu com maestria cada gota de sangue, identificando o quanto precisaria lutar com sua inimiga para que fosse capaz prendê-la. Sabia que Hermione não era uma rival fácil de vencer, e rezava a Merlin que a garota estivesse frágil o suficiente para que fosse capaz de levá-la.

No último degrau, Draco a viu.

A garota, que jamais parecera tão frágil até aquele momento, chorava enquanto olhava para o horizonte. Hermione podia ver cada corpo morto no pátio da escola, sendo pisoteado pelos comensais como hienas que lutavam pelo alimento.

Viu enquanto uma bruxa de vestes sujas pisou sobre o rosto de Neville antes de o levitar e carregar até o Lorde das Trevas como um troféu. Viu quando um bruxo de aparência grotesca lambeu o rosto de Luna Lovegood antes de levantá-la no colo grudando-a contra seu corpo de forma asquerosa. Viu o corpo de Harry Potter levitando acima de tudo, suas feições eram inertes enquanto seus olhos claros eram destacados, visando o nada. E por fim, viu uma cabeleira ruiva sendo engaiolada, ainda em vida, por um grupo de bruxos que riam com prazer.

E então seu corpo caiu.

Draco pode ver cada movimento que o corpo da castanha realizou até o chão, onde descansou de qualquer jeito.

E então o garoto, com um sorriso no rosto, a levou. Não pensou duas vezes, tampouco reconsiderou. Tampouco olhou em direção aos amigos de Hermione, e não havia vinco em sua testa. Apenas um sorriso grato.

E então estavam novamente na sala.

Hermione chorava como nunca. Havia soltado o gato, senão o espremeria, e recolhia-se em um canto, encarando Draco como se fosse, mais uma vez, levá-la ao inimigo.

—Eu sinto muito Hermione, sinto mesmo. —Draco falou, aproximando-se.

Os olhos castanhos de Hermione não se mexiam. Encaravam apenas o semblante de Draco, pesarosos com cada movimento.

—Saia de perto de mim. —Rosnou, como uma leoa que sabia que a morte se aproximava.

Draco, então, sentiu uma coisa nova surgir dentro de si.

Pode sentir com clareza enquanto seu coração se quebrava, podia até mesmo descrever qual era a sensação. Podia perceber em si mesmo as mudanças físicas, sentia-se morto enquanto olhava para aquela garota e via apenas medo e asco. Podia perceber o ar lhe escapando pela boca enquanto nada tinha a falar, senão pedir novamente desculpas.

E então uma risada surgiu na sala. Não era uma ilusão, era real, real como jamais havia sido, real como a dor que sentia em seu próprio peito.

Era Bellatriz, e consigo, um grupo de soldados e comensais, que não paravam de surgir, e uma família Weasley amordaçada e amarrada.

Gina gritou.

Rony encarou sua própria família, abstendo seu olhar ao encontrar sua mãe, que, apesar das mordaças e cordas que a prendiam, sorria ao encontrar o filho vivo.

—O que temos aqui? —Bellatriz riu, erguendo o rosto do senhor Weasley enquanto o puxava pelos cabelos. —Vocês tem muita sorte.

Gina e Ronald já haviam sacado suas varinhas, e apontavam contra o grupo muito maior que também estava armado.

Draco havia puxado Hermione para perto, e, apesar da luta que ela fazia para se desvencilhar, parecia pouco convencido a soltá-la. Em um meio abraço, a segurava perto, enquanto, com a outra mão, apontava sua varinha para a própria tia.

Bellatriz parecia não perceber as varinhas apontadas contra si, apenas vangloriava-se, caminhando pela sala como em um bosque florido. Não temia eles. Não temia nenhum deles.

—Eu estava preste a matar esse garoto aqui. —Apontou para Gui, pressionando a varinha contra a têmpora do homem. —Quando um chamado me disse que a espada de Godric Gryffindor havia simplesmente sumido! É óbvio que eu não deixaria meus amiguinhos para trás, e, então, em menos de uma hora, vocês destruíram essa belezinha. —A bruxa fez um biquinho enquanto olhava para cada pedaço do bracelete. —Sempre gostei do estilo da minha irmã, mas confesso que esse bracelete combinaria mais comigo. —Assumiu.

Draco grunhiu. Queria a ajuda de Hermione. Queria que qualquer um ali confiasse o suficiente nele para que ele fosse capaz de ajudar. Mas não conseguia.

Sabia que se ninguém confiasse nele, tampouco ele confiaria.

—Solte minha família. —Ronald mandou, em sua voz, não havia o mínimo de insanidade, mesmo que em suas falas houvesse.

Bellatriz riu, caminhando até Ronald e firmando a própria varinha contra o pescoço do ruivo.

Desta vez, quem riu foi o próprio Ronald.

—Anda, bruxa velha. —Provocou, em sua voz havia a mesma presunção que já teve em sua juventude. —Me mata.

Gina gritou em resposta, se jogando em frente ao irmão. Os diversos comensais que circulavam o grupo de amigos parecia prensá-los cada instante mais contra a parede.

Draco sentiu Hermione se mover contra seus braços, e, mesmo sabendo que não deveria, apertou-a mais contra seu corpo.

Não poderia perdê-la.

Hermione observava a cena a sua frente como se presenciasse um filme de terror. Olhava dos comensais para seus amigos, e então para Draco, e então para a família Weasley amordaçada no outro canto da sala. Tão perto. Tão longe.

Sabia que não teria como todos saírem vivos dali.

Sabia que para que pudessem sobreviver, teria que dar sua vida.

Aceitaria de bom grado ser sua isca.

Olhou para Draco, sentindo seus olhos derrubarem lágrimas que escorriam silenciosas pelo rosto, e percebeu a redenção que encontraria.

Percebeu-se viva, e sabia que estava viva graças ao homem que a segurava com força contra o próprio corpo.

Pouco lhe interessava naquele momento se estava ou não prestes a morrer. Pode viver, nem que fossem poucos meses, longe daquela prisão de pedra, e cada dia longe de Azkaban era um dia a ser comemorado.

Queria poder agradecer a Draco por tudo que fez. Queria poder se desculpar por suas crises de medo, e por esquecer por sequer um segundo que o homem que ele era agora não era o mesmo de anos atrás.

Sentiu-se culpada por sua crise a poucos minutos atrás, mas sabia que não era esse o sentimento que Draco gostaria que tivesse.

Ele a entendia.

E Hermione esperava que entendesse o que faria em seguida.

Tomou coragem, respirou, engoliu suas próprias lágrimas e juntou a força que ainda tinha.

E então fez.

—Eu te amo, Malfoy. —Sussurrou antes de morder as mãos pálidas que a prendiam, soltando-se com facilidade.

Sentiu uma nova tentativa, sem sucesso, de ser agarrada. Ignorou-a e seguiu em frente, era esse o momento de distração que eles precisavam, e ela o daria.

E, enquanto diversas varinhas agora apontavam contra seu peito, pode ver o rosto de Dolohov em meio delas, mas resignou-se em seguiu em frente.

—Eu me entrego. —Falou em alto e bom tom, levantando as mãos, que tremiam. —Eu me entrego, desde que prometam que levarão todos de volta, em vida, para Azkaban. —Finalizou, sabendo a resposta que teria.

Se aproximou mais um passo.

Bellatriz riu, uma nova risada.

Era confusa. Era quase distraída.

—Quem você acha que é para ditar ordens, sua sangue sujo? —A bruxa exclamou, fazendo com que o riso dos comensais, por pura influência, se sobressaltasse.

Hermione riu junto.

Precisava ser forte.

—Eu acho que sou melhor do que a bruxa que segue Voldemort sem sequer receber o amor que merece em troca. —Sua voz saiu como uma fagulha. Quente, firme, forte. —Acho que sou melhor do que uma mulher invejosa que espera um amor que jamais terá. —Hermione viu com clareza quando Bellatriz levantou a varinha em sua direção, e, antes que pudesse proclamar qualquer feitiço, finalizou. —Como anda a gravidez de Astoria?

E estas, imaginou, seriam suas últimas palavras.

Notas finais
Comentem!!!