Notas iniciais
Olá! Desculpem os atrasossss Mas sigo aqui! Juro q não abandonarei... Boa leitura a todos ♥

Dean Florest, Inglaterra.

O momento não podia ser de maior confusão.

Os lábios permaneciam encostados, e algo naquela mescla de tons de pele parecia implorar para que assim ficassem.

As mãos de Draco jamais estiveram tão trêmulas, passeando pela maçã do rosto corado de Hermione.

Nenhum pensamento fazia questão de se colocar entre os dois. A castanha sentia a pele gélida de Draco, a proximidade, a textura de sua barba que já escapava em pequenos fios quase transparentes de seu queixo. Um sentimento de estranho conforto misturado a euforia perpetuava em seu coração acelerado.

Estava beijando Draco Malfoy.

E num assomo de nervosismo, seus olhos se abriram em um rompante, deixando a mostra o castanho aprofundado pelo vermelho das lágrimas que recém haviam abandonado aquele lugar.

Estava beijando um homem.

Depois de tanto tempo.

Depois de tantas coisas...

E aquilo que fazia lhe soou como um pecado naquele instante.

Hermione separou seus lábios dos de Draco, que ainda com os olhos fechados e pequenas gotículas de água escorrendo pela sua pele pálida, quase não percebeu que Hermione se afastava, novamente em direção a barreira que recém havia atravessado.

E ela o observava, os pés caminhando involuntariamente para trás, como se ouvissem sua mente em relação a decisão errada que havia tomado. Os olhos camuflados entre medo e euforia, o semblante de uma perfeita confusão.

—Isso foi um erro, Draco. —Alertou, e sem coragem de devolver o olhar ao mar azul que a encarava em tom de súplica, correu diretamente para a cabana que se balançava com o vento gelado.

E mais uma vez naquele dia, Draco estava só.

Não moveu um músculo, sequer tirou os pés do mesmo lugar. Fitou o vazio enevoado que havia atrás de Hermione, como se esperasse uma resposta divina sobre o que fazer naquele momento. Não conseguia compreender...Não conseguia assimilar.

Sequer compreendia seus motivos para realizar tal feito.

Ao menos ela havia ficado.

Não sabia o que faria só, sem Hermione, naquele ponto.

Ouviu alguns estalidos dentro da cabana, e para o conforto de sua mente, soube que uma chama havia sido acesa para aquecê-la.

Ao menos estaria aquecida.

Mas o que havia feito?

Piscou atordoado, sentindo a neve inundar seus pés, sem mais surpreendê-lo com o frio que tomou sua pele, roubando todo o calor que em algum momento estivera ali.

Estava dormente.

Mal podia sentir seus próprios pés, mergulhados sobre aquela fria e branca camada de neve, quanto mais poderia sentir o que seu gélido coração dizia naquele momento, afinal jamais havia percebido qualquer sentimento perpetuando por ali, exceto por sua mãe.

Não era como aquele sentimento morno e estável que havia se acostumado a reconhecer pela mulher que o criou. Era quente, quase fervia. Era movimentado e o fazia querer entrar naquela cabana e implorar mil perdões pelo que acabara de fazer, mesmo que sequer uma fagulha de seu ser realmente se arrependesse do que havia feito.

Não podia ser comparado aos momentos em que seus lábios haviam tocado aquelas mulheres belas e elegantes, apesar de arrogantes como ele, pelas dependências de sua mansão. Para ser sincero, naquele momento aquilo parecia ter ocorrido em alguma vida passada, e era como se sequer fizesse sentido naquela realidade em que estava vivendo.

O calor que Hermione trazia não dizia de uma completa lascívia tal como aquelas que já havia beijado. Havia um calor de aconchego ali, era humano, era vivo.

Era quase como uma casa na qual jamais havia habitado, mas conhecia perfeitamente cada cômodo.

Ouviu outro som dentro da cabana, e aspirando um ar que o fez sentir a garganta seca e fria, criou uma coragem misturada a ansiedade, e adentrou o fino tecido da barraca.

E ela estava lá, sentada em frente ao fogo. A pele corada e os olhos marejados. Abraçava-se a si mesma, e por um leve momento se assimilou àquela Hermione que havia conhecido ainda em Azkaban, assustada e precavida como um animal que corria perigo. Encarava o fogo de forma com que as labaredas laranjas fossem refletidas em sua íris, e era como se algo por trás daqueles olhos também incendiasse.

O homem se aproximou devagar, e de forma ainda mais lenta ocupou um espaço ao lado da grifina. Nada falou, apenas encarou as fagulhas fugindo da fogueira, e poucos segundos depois derretendo-se em contato com o ar.

Não tinha certeza do que falar. Ao menos sabia se deveria falar alguma coisa. Abriu a boca algumas vezes, sem deixar que nenhum som escapasse dali, e todas as vezes desistira temendo falar qualquer tipo de coisa que soaria diferente do que imaginara.

—Desculpa. —Sussurrou Hermione, no que parecia uma mistura de palavras com soluços. Seu corpo estava tremendo fortemente, e desta vez a castanha passara a se balançar contra o pequeno banco em que sentava. Não havia tirado os olhos das chamas, e algo dizia a Draco que tanto tempo, tão próxima ao fogo, poderia ser a razão de tamanha vermelhidão naqueles olhos chorosos.

E ele a encarou com firmeza. Sentiu seu maxilar sendo endurecido, mas em momento algum cogitou a possibilidade de desviar o olhar daquele semblante desesperado. Não podia sentir a dor da garota, mas conseguia ter uma ideia do que se apossava de seus pensamentos.

—Eu que peço desculpas, Hermione. —Respondeu em tom ofendido, e por um breve instante percebeu os olhos da castanha indo em direção ao seu rosto, e voltando tão rápido quanto ela havia percebido que era observada.

—Não...Eu... —Soluçou, aninhando-se contra seu próprio corpo numa espécie de escudo. —Eu não sei...Eu...Eu não devia ter feito isso com você...Não sei o que deu em mim, Draco...Eu só... —Um soluço ainda mais alto escapou de seus lábios, e pareceu, por um segundo, que havia se afogado. Engoliu todas as lágrimas e numa falha tentativa de parecer bem, estufou o peito, ainda abraçada em seu próprio corpo.

—Hermione... —Draco chamou, observando cada reação que poderia receber. Hermione tornou a olha-lo, mesmo que por um pequeno instante, e como se pega fazendo algo errado, encolheu-se novamente. Draco se aproximou, o mais devagar que seu corpo permitia. —Eu...Eu não sei o motivo, sabe...Mas...Passou. —Tocou sua mão contra o ombro da morena, e sentiu que a pele havia se contraído no mesmo momento. Recolheu sua mão tão rápido que sequer havia percebido. —Sinto muito por ter feito isso com você...Depois de...Tudo. —Concluiu, sabendo que seu “tudo” abrangeria literalmente tudo que a castanha havia passado em todos aqueles anos. A humilhação que passava em Hogwarts, a perda de Harry, os anos presa em Azkaban e a forma como havia sido tratada pelos guardas.

Draco se sentiu um monstro por ainda ter uma fagulha dentro de seu corpo que implorava pelos lábios de Hermione novamente tão próximos. Não podia ser o que pensava, sequer faria sentido.

A pouco se odiavam, e não havia muito tempo que haviam feitos as pazes de forma civilizada. A situação pela qual passavam em nada colaborava, e sequer faria sentido naquele momento sentir atração por alguém como aquela garota.

Jamais havia reparado em mulheres como Hermione, e lhe soava de extrema imaturidade desejar por alguém como ela naquele momento, e ainda mais por ela. Era hipócrita.

Não poderia ser aquilo que pensava. Estavam apenas confusos, era apenas isso.

E aquele desejo que sentia intensamente, de voltar os minutos e sentir novamente a pele quente de Hermione iluminando-se sobre a sua, poderia permanecer apenas como um desejo perante aquela moça que tanto culpava-se pelo que havia sido apenas um beijo.

Imaginou como teria agido no lugar dela. Com um namorado insano, fora da realidade e sem a menor lucidez, em uma cela presa por tantos anos, violada por um homem que sequer teve a oportunidade de conhecer. E quanto mais pensava como Hermione deveria sentir-se, mais tinha certeza de que sua escolha havia sido um erro.

—Fedelha?

E ela não o olhou. Abaixou seu olhar, e com repentino interesse, passou a encarar seus próprios pés, que tremiam em sincronia com o resto do corpo.

—Hum? —Um mínimo som fugiu de sua garganta, falha após tantos soluços e lágrimas que havia suportado.

—O que você quer que eu faça? —Perguntou. Não havia o menor tom de ironia em suas palavras, e sim um sincero pedido de ajuda, quase uma súplica. Uma teimosa lágrima escapou de seus olhos envidraçados, mas o homem conseguiu piscar com força para que assim não fosse notado chorando mais uma vez.

A cabeça de Hermione se virou diretamente para o teto, onde uma camada de neve cobria a luz que poderia ultrapassar pelo tecido, levemente abaixado pelo peso.

—Eu...Não entendo.

—O que?

—O que está acontecendo comigo...com você...com a gente. —Concluiu, piscando pesadamente. Meia dúzia de lágrimas escorreram novamente, emoldurando-se aos cabelos escuros.

Aquele mesmo fantasma na mente de Draco parecia ter ocupado seu lugar, e sussurrava freneticamente, avisando-o para que falasse que foi apenas um engano e que não viria a se repetir, que seria uma vergonha para um homem de seu nível ter se envolvido com uma sangue-ruim como ela, e que o melhor a ser feito era que naquele momento cada um tomasse seu caminho.

E então Draco começou a falar.

Mas as palavras que fugiam teimosamente de seus lábios não condiziam com aquela voz que lhe sussurrava.

—Eu sou novo nisso, fedelha. —Engoliu em seco, sentindo o olhar de Hermione pesar sobre sua face, que provavelmente havia se avermelhado após tanto tempo em contato com as chamas. —Não sei quais foram seus motivos para me... para me beijar. Também não sei porque eu quis. —Hermione tornou a encarar o teto pesadamente, como se o que ouvisse fosse extremamente difícil. —E eu me sinto incrivelmente egoísta e hipócrita por ter gostado de beijar uma mulher que passou por tantas coisas como você, Hermione. —Concluiu por fim, tornando a observá-la. —Você pode olhar pra mim?

E ela também o olhou.

—Fedelha...Não estou te pedindo para que isso aconteça novamente... —Afirmou, puxando as mãos de Hermione, que após certa resistência deixou-as livres entre a palma do platinado. —Longe de mim fazer algo do gênero...Só quero que saiba que eu...Me senti bem, entende? E que caso você pense em se afastar de mim por isso, eu realmente espero que reconsidere, fedelha. —Concluiu, e um assomo de felicidade se instalou em seu peito após conseguir dizer aquelas palavras que saiam de forma pesada de seus lábios. —Eu não menti quando falei que você era tudo que eu tinha.

Um pequeno e notável sorriso fugiu do semblante de Hermione, que agora tinha um pequeno brilho escondido atrás dos orbes amendoados.

—Não vou mentir, Hermione, que se você quiser fazer isso novamente, eu não vou negar...Ainda não entendo meus motivos para querer, mas realmente eu não negaria. —Apontou, sentindo sua pele corar, e sentiu que precisava passar tudo que sentia para Hermione. —Mas eu jamais exigiria algo assim de você, compreende?

E a castanha assentiu.

—Draco? —Perguntou após o que havia sido um longo e pesado minuto olhando novamente para o chão.

—Sim?

—Eu posso te dar um abraço?

E o homem já havia se aproximado de Hermione, encaixando seu queixo sobre os cabelos castanhos e o corpo franzino da castanha contra o seu. Permitiu-se aspirar o aroma adocicado que ela trazia, e pela primeira vez admira-lo tal como merecia.

Nada estava realmente bem. Os comensais os procuravam, e sequer a relação que tinham permaneceriam bem, mas naquele mísero instante Draco se fez pensar que as coisas teriam de ficar bem, pelo menos uma vez.

E se lembrou do bracelete que havia jogado contra o pinheiro.

Não desejou ser rude, mas no mesmo segundo soltou-se do abraço com Hermione e correu em direção ao bracelete. A castanha encarou o vazio em perfeita confusão, mas sem tardar o loiro já havia retornado para o interior da cabana, o rosto em perfeita curiosidade para saber o que seria aquela relíquia.

—Precisamos conversar sobre isso. —Concluiu Hermione, observando a prata esverdeada.

E o loiro assentiu.

E um verdadeiro sorriso escapou de seus lábios, deixando a mostra os dentes claros.

Havia tido uma ótima ideia.

—O que acha de passearmos pela floresta, fedelha?

Notas finais
O que acharam???