Notas iniciais
Oi pessoal, tudo bem? Bem, os comentários que tive me motivaram mto, e cá estou eu com capítulo novo para vcs. Espero que gostem, boa leitura.

Azkaban.

A ideia de ter um guarda novamente tocando seu corpo machucado não podia ser digerida por Hermione, que apesar de tentar-se manter indiferente, a faz agir seguindo seus impulsos.

—Não. —Pela primeira vez, após o que pareceu durar mais do que deveria, Hermione havia protestado contra algo, e quando seus olhos avermelhados encontraram os orbes confusos de Draco, não demorou a se retratar. —Por favor, doutor.

Sabia que sua reação seria punida, afinal desde quando prisioneiros de Azkaban tinham o direito de negar? Esperou uma reação de Draco, que ainda fixava suas íris cinzentas sobre seu rosto, com aquele semblante indefinível. Fechou os olhos com força, esperando pelo tapa que tinha certeza que viria.

—Vista suas roupas, Granger. —A voz rouca de Draco saiu em tom de desaprovação.

—Me desculpe. —Pediu, abrindo os olhos lentamente e analisando as feições de Draco. Nunca havia o visto tão perplexo. Parecia estar lutando com algo dentro de si. E estava.

Draco estava enojado, sentia seu estômago embrulhar de forma dolorosa, trazendo o bolo alimentar com força até a garganta, e fazendo-a voltar para seu aparelho digestivo bruscamente. Tudo ardia, devido a sensação de quase vomitar. Como poderiam ser tão baixos? Estuprar uma mulher era o ponto de maior animalidade que um ser humano podia chegar, apenas a ideia de tomar o corpo de uma mulher para si sem seu consentimento era desprezível. O loiro se perguntou quantas vezes isso teria acontecido com Hermione, mas foi covarde ao admitir que jamais perguntaria isso a ela.

Hermione o estudava, perplexa, e quando percebeu que não teria nenhuma resposta, levantou-se e se vestiu desajeitadamente, apoiando seu corpo magro na perna que ainda era -quase- boa.

—Você consegue tomar banho sozinha? —Draco tomou todas suas forças para conseguir fazer a fala sair de seus lábios, e as palavras foram quase cuspidas com uma brutalidade que ele não direcionava a ela, e sim a quem quer que seja que a usou. Analisou a morena novamente, agora vestida. Seu corpo era magro demais, pequeno demais, não precisou observar muito para deduzir que ela não conseguiria, mal conseguia se manter em pé sem se apoiar em algo. —Vá para sua cela, Granger, amanhã logo cedo eu encontro um banheiro para que você possa tomar um banho, vá.

Hermione ainda estava confusa com a situação, mas apenas assentiu, mancando até a porta de saída, abriu-a lentamente, e antes de sair espiou novamente dentro do ambulatório, onde Draco permanecia de pé, com uma carranca no rosto e os olhos fixados em um papel, onde escrevia o que ela imaginou ser seu relatório. Ao voltar para a sala de espera improvisada foi puxada pelo braço por um dos seguranças, que a guiou bruscamente andar acima, e jogou-a de qualquer jeito na cela. O rosto de Hermione não esboçou nenhuma reação, e a garota limitou-se a se embolar no chão com alguns trapos velhos e tentar pegar no sono, sentindo seu estômago doer, implorando por alimento.

As próximas horas de Draco em Azkaban pareciam não passar. Decidiu que não chamaria mais nenhum conhecido para ser atendido no dia, já era demais para sua cabeça ter Hermione Granger devastada daquela forma. E pensar que ele havia até se animado quando a viu, esperando receber tentativas falhas de coices e tapas que com certeza o fariam rir de sua incapacidade.

Draco sabia que não era um monstro, apenas gostava de aproveitar as coisas boas que a vida lhe fornecia, afinal sabia que enquanto a infância do trio-de-ouro havia sido brilhante e memorável por anos, a sua, desde sempre, fora uma falha. Nunca havia sido louvado como Harry era, nunca fora chamado de rei, tal como o Weasley, e sempre ficava em segundo plano, quando comparadas sua inteligência com a de Granger. Achava que seu primeiro dia se salvaria após jogar na cara de Hermione o quanto ele era melhor que ela, mas vê-la o fez sentir um lixo, afinal, ele que havia a colocado ali, a culpa era dele também.

—Já pode ir. —Draco avisou um paciente que havia acabado de atender, e julgou ser o último do dia., após quase trinta que já haviam passado pela sua sala. Enquanto o homem saia caminhando até a porta, Draco riscou seu nome no relatório, escrevendo ao lado.

Paciente do sexo masculino, meia idade.

Pequenas escoriações no ombro e tórax, que devem ser tratadas com feitiços revigorantes. Apto para serviços extraordinários fora da localidade de Azkaban.

Sabia que liberar alguém para servir Voldemort era um destino pior que a morte, e podia dizer por si mesmo, afinal odiava ser seu servo, mas também sabia que a vida em Azkaban podia ser ainda mais asquerosa,o que o fez sentir a consciência limpa.

Arrumou sua pequena maleta, e antes de sair leu novamente o relatório de Hermione Granger. Lembrando de ser o maior relatório que havia feito no dia.

Paciente do sexo feminino, jovem adulto.

Paciente debilitado física e psicologicamente. Escoriações no rosto, busto, costas e pernas. Pupila dilatada. Abaixo do seu peso indicado para sua altura. Confusão e histeria. Síndrome do pânico. Fora de condições normais de higiene. Paciente inapta para atividades extraordinárias, sendo necessário tratamento de longa duração com poções e feitiços revigorantes e antibióticos.

Respirou fundo, o tratamento de Hermione era prolongado e necessário, e talvez, se um dia a moça tivesse sorte, poderia ser liberada de sua cela.

Ignorando a negatividade saiu da sala, se deparando com uma infinidade de pacientes que não havia tido tempo de atender.

—Voltem para suas celas, nas próximas semanas o procedimento será realizado diariamente.

Não tinha tempo para rodeios. Os prisioneiros caminharam rumo à escadaria, alguns puxados pelos braços ou cabelos. Draco pode ver novamente Ronald Weasley, mas dessa vez não se sentiu vitorioso sobre o ruivo.

Desaparatou, imaginando a mansão Malfoy, na qual ainda residia após o falecimento de seus pais.

Wiltshire, Inglaterra.

A casa, como sempre, estava vazia. Estava acostumado com a solidão, que já não o incomodava tanto quanto no começo.

—Aysha. —Pronunciou, observando a pequena elfo materializando-se logo em sua frente, vestida com trapos que já haviam sido capas de almofadas. —Vou querer uma sopa de abóbora com carne de javali, no meu quarto, em uma hora.

—Aysha estará lá com a sopa em menos que uma hora, mestre. —Curvou-se para o seu dono, que passou reto, subindo as escadas de mogno até seu quarto, que estava perfeitamente organizado.

Até poderia se dirigir até a cama confortável, se não fosse a lembrança que teria que dar um banho na Granger no próximo dia, e duvidava que Azkaban fornecesse sequer um sabonete. Rumou até o banheiro, onde pegou seu próprio xampu, condicionador e um sabonete ainda úmido pelo banho matinal, para a sangue-ruim estava mais do que ótimo. Jogou tudo em um saquinho marrom e os depositou ao lado da cama, se deitando. Aconchegou-se sentado nos travesseiros e puxou seu jornal, que estava costumeiramente localizado no pequeno móvel à sua direita. Foleou as páginas, sem ânimo pelas notícias.

—Sua sopa, mestre.

Espiou por fora do papel, observando a pequena elfo lhe entregando a sopa, ao lado de sua cama. Parecia deliciosa.

Azkaban, 4 de setembro de 2004.

Após algumas horas de sono, Hermione acordou com a luz da lua batendo fortemente contra seu rosto. Demorou a se acostumar com a claridade, mas quando o fez, passou a observar o grande satélite em sua frente. Estava cheia, e diretamente à frente de sua cela.

Hermione já estava acostumada a cochilar durante o dia e com sua insônia noturna. Acordava costumeiramente em algum horário que imaginava ser entre dez da noite e duas da madrugada, uma vez que sua cela era em uma torre alta, e sempre que acordava a lua estava à pino.

Estava entediada, como sempre. Precisava contar para manter sua sanidade.

E contou.

Contou até a luz acinzentada do sol iluminar sua cela, afinal, o sol nunca aparecia por Azkaban.

Um som característico de passos pesados parecia rondar sua torre, o que a tornou alerta. Deixou de contar seus números e passou a contar os passos, sabia quantos eram necessários para chegar até sua cela. Duzentos e catorze.

211.

212.

213.

214.

E então um guarda apareceu, o mesmo de sempre.

Hermione recuou, observando as feições ferozes daquele mesmo guarda que havia a usado aquela vez. O homem lhe forneceu seu sorriso mais amedrontador.

Seu corpo franzino reagiu rápido, engatinhando desajeitadamente rumo à parte escura da cela, onde era difícil de ser enxergada. Era o máximo que podia fazer para recuar. Ouviu, ao longe, passos caminhando em direção à sua sala.

Estava no décimo quinto passo.

Hermione sabia que apesar de ter ocorrido apenas uma vez, o guarda poderia ter o feito quantas vezes quisesse, e se ainda não tinha feito, era apenas por preguiça ou desleixo, ou talvez falta de vontade, e também sabia que mesmo que alguém estivesse rumando à sua cela, isso não impediria o guarda.

O homem fez menção de entrar na cela, erguendo suas mãos sujas de barro até o cadeado, agora reproduzindo sua melhor feição de galã para a garota.

175 passos.

176 passos.

177...

Hermione abraçou as próprias pernas e mordeu fortemente o lábio inferior, segurando um grito que armazenava na sua garganta calejada. Sua cabeça ardia com a força que sua mente fazia para não chorar.

185 passos.

186.

187.

O homem adentrou a sala, caminhando com aquele sorriso em seus lábios. Rumou até Hermione e a puxou pelos pés, arrastando-a de forma que a fez arranhar suas costas.

—O que pensa que está fazendo? —A voz ecoou de trás do homem, campo de visão que Hermione não tinha no momento.

O homem olhou para trás, e seu sorriso sumiu.

—Ia levar a prisioneirazinha aqui para seu ambulatório, senhor Malfoy. —A voz com medo fez Hermione se perguntar o quanto o nome Malfoy era influente, longe das celas.

—Tire suas mãos dela. —A voz de Draco saiu rosnada, quase grutural. —Agora.

O homem se afastou de Hermione, soltando-lhe um sorriso forçado.

—Nos vemos amanhã, sangue-ruim.

Toda a cena seguinte foi confusa demais para Hermione, que estava esfomeada demais para manter-se focada.

Draco puxou o homem pelo colarinho com uma velocidade que Hermione lembrava de não ter visto durante os jogos de quadribol. O homem parecia sufocar, seus pés flutuavam longe do chão. O loiro aproximou seu rosto ainda mais do guarda, que se mesclava em cores pálidas e o quase-roxo.

—Você nunca mais vai chegar perto desta torre, está me entendendo? —O homem tentou sibilar alguma palavra, mas a falta de sangue em seu cérebro e a falta de ar em seus pulmões o impediram, fazendo-o sacudir a cabeça com um “sim” quase imperceptível. Draco o soltou, fazendo um barulho estrondoso. O homem olhou para Draco com o mesmo medo que Hermione olhava para o homem, o que fez o loiro sentir um prazer inenarrável em chutar suas costelas com força, fazendo-o urrar e vomitar sobre as cobertas ensebadas de Hermione.

—Quero esta cela impecável até a hora que a prisioneira voltar, está me entendendo? —Draco já não podia controlar seus instintos, gritando em direção ao guarda, que não respondeu. Mais um chute, agora no membro do homem. —Está me ouvindo?

O homem urrou um “sim”, o que contentou Draco momentaneamente. Ao olhar para Hermione pode perceber seu olhar assustado para a cena violenta que havia acabado de ver.

—Venha Granger. —Estendeu sua mão para Hermione, fazendo-a recuar institivamente.

Draco revirou os olhos, mas sabia o quanto a cena realmente era forte demais para se ver. se agachou em frente a Hermione de forma lenta demais, o que fez seus joelhos estralarem, e fixou seus orbes cinzentos nas íris amendoadas da prisioneira, que tremia sem cessar. Sabia que havia acabado de agir como um monstro, mas sabia que monstro maior era aquele que jazia respirando pesadamente ao seu lado.

—Escute bem o que vou te dizer, Granger. —Tentou falar de forma lenta, afinal os olhos da morena pareciam não focar em local algum, o que ele deduziu como um sintoma pós-traumático. —Eu fiz isso com este homem pois sabia o que ele ia fazer com você, está me entendendo?

Ela assentiu rápido, como se fosse uma ordem.

—Ele não vai mais vir aqui. Agora se acalme e levante-se. —Tentou formular a frase como uma ordem, mas saiu em tom de súplica.

—Obrigada. —As palavras saíram roucas demais, baixas demais. Mas os ouvidos afiados de Draco perceberam.

—Venha, você realmente precisa de um banho. —Sabia que o momento anterior havia sido íntimo demais para uma prisioneira e seu médico e precisava fazer algo para concertá-lo. —Agora, Granger, não tenho o dia inteiro.

Levantou-se das cócoras e rumou até as grades da cela, olhou para trás, impaciente, esperando Hermione levantar e segui-lo pelos corredores.

Notas finais
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