Palimpsesto - Dramione

31 Aquele com quem dancei.


Notas iniciais
Oii, tudo bem? Mais do que nunca, sei que devo desculpas a todos vocês. Sim, eu sumi, e talvez meu motivo, ao ver de alguns, não seja realmente uma justificativa, e então já vou pedindo desculpas desde agora. Por alguns dias, eu ligava o notebook, começava a escrever, lia o rumo no qual estava levando a fic e me odiava cada instante mais por isso. Não estive satisfeita, minha cabeça estava bem longe (trabalhos da faculdade, final de bimestre, provas pra estudar, etc), e eu realmente não conseguia escrever meio parágrafo o qual achava justo fazer que vocês lessem! Desculpem mesmo, do fundo do meu coração! Hoje mesmo terminei um trabalho da faculdade que fiquei meses planejando, vale muita nota e provavelmente é meu passe livre para o próximo período, então espero que entendam o quão eu tive coisas para fazer! Minha cabeça virou de cabeça pra baixo, e assim que eu terminei a última linha do trabalho, corri para o notebook, me concentrar em escrever o melhor que poderia. Felizmente, consegui. O capítulo não foi dos maiores, mas foi como um cartão de boas vindas depois de tantas semanas de vazio. Em compensação, também passei por algumas mudanças na minha vida, e nada foi muito planejado, então eu estou me acostumando com toda essa novidade, mas não se preocupem! Está realmente tudo bem, os trabalhos estão chegando no fim e todas as mudanças foram boas! Agradeço a Srta Potechi pela recomendação apaixonante! É extasiante saber que em meio aos problemas e a realidade, ainda existam pessoas como você, que fazem tudo isso se tornar incrivelmente real. No mais, espero que entre nós esteja tudo bem! Sinto falta de escrever e de ver vocês se emocionando com tudo isso! Até as notas finais e boa leitura!

Paris, França.

Hermione fitou o rosto do atual Viktor Krum.

Por um instante fez a menção de fugir. Seus lábios tremeram e, muito devagar, deu um passo para trás, esperando pelo momento que correria do bruxo ou desaparataria ali mesmo.

Ele o havia chamado de lorde, e para Hermione, aquilo era ainda pior do que uma traição.

O bruxo deu um passo à frente, simultaneamente á Hermione, que caminhava para trás, seus pés tão falhos que chegaram a se embaralhar um ao outro.

A castanha analisou o corpo do bruxo, procurando pela marca negra, e assim que chegou a seu braço, fez a menção de gritar.

Mas então seus lábios foram tampados com tamanha força que teve certeza de que ficariam com hematomas.

Estava contra a parede, na ponta dos pés. Os olhos amendoados lacrimejavam em resposta a seu medo enquanto Krum tampava seus lábios com uma mão, e segurava seu ombro com a outra.

—Fica quieta. —Murmurou o comensal, em tom quase ameaçador, antes de fita-la nos olhos e encontrar o medo que se mostrava em forma líquida. Um tom de compreensão sombreou seus olhos negros. —Estamos do mesmo lado, Herrrmion.

Os músculos de Hermione não relaxaram. Pelo contrário, não conseguia compreender o que Krum havia falado, e sua única reação, após uma rajada de coragem lhe inundar os pulmões, foi usar toda sua força para morder a mão do búlgaro.

Hermione correu em direção a porta enquanto Viktor urrava, segurando a mão sangrenta.

Mas a porta não se abriu.

—Alo...Alohomora! —Exclamou, mas a porta sequer se moveu.

—Seu gênio não mudou nada. —Gemeu Viktor, comprimindo o sangue que jorrava.

Hermione o fitou. Ainda não compreendia.

Estava em choque, mas isso não era algo do qual ela pudesse raciocinar naquele momento. Era ele. Viktor Krum.

Era seu primeiro romance, ali, a sua frente, possuindo a marca negra no braço e um semblante de dor, que caso suavizasse, o tornaria um homem muito bonito.

—Abra essa porta. —Hermione ordenou, apontando a varinha de Draco em direção a Viktor. O moreno ergueu o olhar do sangue, e um sorriso fraco escapou-lhe dos lábios.

—Você não teria corrragem. —Afirmou em tom de desafio. Seus olhos pretos possuíam um leve tom de divertimento que irritava Hermione profundamente

O coração de Hermione falhou.

Teria perfeitamente coragem de atirar um feitiço contra Viktor Krum, o ex jogador de quadribol mais famoso da Grã-Bretanha, o garoto que havia a levado para o baile de inverno, tantos anos atrás.

Mas atirar contra um comensal da morte sem conhecer seus pontos fracos lhe parecia de extrema ignorância.

Mas soube que qualquer membro da armada de Dumbledore teria feito isso.

—Estupefaça!

Um barulho alto ecoou por toda a hospedagem quando o corpo forte de Viktor bateu contra a parede frente a recepção. Hermione não mais se preparava para fugir, e sim caminhava em sua direção, a guarda pronta para o momento em que lançaria o próximo feitiço.

E a qualquer movimento brusco dele, ela estaria pronta para fazer o que precisasse.

Viktor não se levantou no mesmo momento, o que fez com que a castanha se aproximasse ainda mais, os olhos vidrados em sua veia carótida, esperando vê-la inértil.

Mas o bruxo ainda respirava. Seus olhos estavam abertos e analisava Hermione com curiosidade. Um sorriso fraco brincava em seus lábios.

—Prronto? —Perguntou, sem mover nada além dos lábios. Parecia ter entendido o choque de Hermione, e também a necessidade de não fazer movimentos bruscos.

Hermione assentiu apenas, a varinha ainda apontada em direção o coração de Viktor.

—Posso? —Perguntou, fazendo a menção de se levantar. Hermione mais uma vez concordou, abaixando poucos centímetros a varinha.

E mais uma vez se fitaram. Hermione analisou cada pedaço da parte do bruxo, buscando por uma varinha escondida entre as vestes ou qualquer marca que a fizesse fugir ou tentar gritar novamente. A ideia de que teria uma marca negra pulsante em seu braço a incomodava, e a lembrança de ter estado um dia com o comensal parecia migrar vidas até chegar aquele momento.

—É uma mulherr corachosa, Hermionini. —Apontou Viktor, ajeitando as vestes enquanto caminhava novamente em direção a recepção. Hermione o seguiu, ainda na defensiva. —Vinho, Champagne?

—Não. —Respondeu, desejando que sua voz contivesse maior firmeza. —Quero saber como você sabia que eu viria.

—É obvio, nom? —Respondeu, servindo a si mesmo uma taça de vinho. —Voldemort me avisou.

Krum caminhou pela pequena sala, a mão machucada no bolso da calça, e se encostou em uma prateleira de livros de forma tão descontraída que fez com que Hermione questionasse sua sanidade.

O bruxo sorriu antes de tomar um gole do vinho.

—Por que ainda não me entregou? —Perguntou mais uma vez, sem desviar os olhos da varinha do bruxo, sobre a escrivaninha.

—Porrrque eu não estou do lado dele. —Mais uma vez, o bruxo parecia calmo demais para o que a situação pedia.

—Então por que é um deles? —Quase gritou, por fim demonstrando toda sua decepção. Não se importava com Viktor Krum, a tanto tempo sequer se lembrava se sua existência. Mas a ideia de vê-lo como um comensal a machucava. Era como se jamais o tivesse conhecido verdadeiramente.

—É isso ou morrerr. —Deu de ombros, agitando a taça em sua mão. —Mas querro que saiba que nom concorrdo com nada do que eles fazem.

—Eles sabem o que eu estou procurando?

—Se sabem, nom me falarram nada. Apenas pedirram para que eu a encontrrasse e levasse até eles.

—Mas vão saber que você está contra eles quando...

—Nom precissam saber que eu a encontrrrei. —Deu de ombros mais uma vez, e seu olhar subiu até os olhos castanhos de Hermione.

E ela não viu maldade alguma ali.

Mas também não viu motivos para que o confiasse sua razão, não tão cedo.

—Certo...vou embora. —Concluiu, dando mais um passo para trás e caminhando com velocidade até a porta. Encarou a madeira de carvalhos bem talhada a sua frente, e em questões de segundo soube que não teria para onde ir.

Olhou para trás mais uma vez, e percebeu a feição amargurada de Viktor Krum vários passos atrás, de forma que sabia que não a assustaria mais uma vez.

—Se prrecisar de ajuda, pode me pedirr.

—Obrigada, Krum.

—Pode me chamarr de Viktor. Como nos velhos tempos.

Hermione assentiu, um sorriso fraco e tímido surgindo em seus lábios. E por um momento soube que ainda era o mesmo bruxo que havia conhecido.

No fundo, nem todos os comensais eram ruins. No fundo alguns não tinham o que escolher senão isso.

O comensal sorriu em resposta, e num gesto de cavalheirismo, abriu a porta para a castanha.

—Se quiser também, pode vir se alimentar aqui, Hermionini.

A grifina caminhou em direção a rua coberta com tijolinhos em mosaico, e estava decidida a pensar na ideia de ter onde comer, sem se preocupar ao menos com uma das tantas coisas que precisava pensar.

Ao olhar pra trás, Viktor Krum ainda sorria para ela.

—X—

Wiltshire, Inglaterra.

—X—

Draco passeou com o olhar mais uma vez pelo bilhete que recém havia chegado. Fizera questão de tomá-lo do pássaro antes que qualquer um dos Weasleys fosse capaz de ver do que se tratava, e entre a visão turva e a ansiedade que perpetuava em sua mente a cada palavra lida, um aperto já conhecido passou em forma de calor, escorregando por sua garganta.

Tenho boas notícias. Encontrei aquele com quem dancei no baile de inverno, e ele parece disposto a ajudar.

Com carinho, cuidem-se.

H.M

Para Draco, era óbvio de quem se tratava, e sabia que não houve emoção no tom de Hermione ao citar Krum como aquele com quem dançou, mas sim o sentimento de preservação ao saber que aquela mensagem seria entendida apenas por aqueles que a conheciam muito bem. Ainda assim, imaginar que Hermione esteve mais próxima de outro homem do que de si mesmo lhe causava uma sensação incômoda, que beirava a dor.

Talvez mais desesperador do que imaginá-la ao lado de Viktor Krum, fosse imaginá-la ao seu lado, observando pela primeira vez o semblante queimado. A imagem do semblante de Hermione, tão conhecido como era, respondendo a sua própria visão com olhar de piedade parecia ainda mais tortuosa.

Se sentia um monstro, e estar perto de Hermione não lhe soava mais como algo a se realizar, mas como um medo que estaria se aproximando a cada momento.

Odiava a si mesmo por imaginar-se longe dela. Não sabia quando aquilo aconteceu, mas além da dor em seu corpo, que dilacerava e parecia permanecer constantemente corroendo sua pele, outra dor apertava-lhe no peito.

Chutou com força a parede a sua frente, sem sequer se preocupar com a dor que viria, mas sim desejando que doesse ainda mais, para que assim a imagem de Hermione observando-lhe com dó no olhar fugisse de sua mente.

Mas ainda era pouco.

Ouvia gritos a seu redor, e demorou para descobrir que era sua própria voz, rugindo em resposta ao que a imaginação o havia levado. Draco se odiava. E a cada instante longe de Hermione, desejaria que ela estivesse perto para confortá-lo. E a cada visão que tinha do momento em que se encontrassem, desejava não mais ser visto por ninguém.

Sua imagem o enojava.

Era asqueroso.

—O que você está fazendo?

A voz de Gina soou mais alta perante seu gritos enraivecidos, e no primeiro instante em que viu a feição ruiva se aproximando, sua vontade era correr em direção oposta.

Sem sequer perceber, seus gritos mais uma vez haviam cessado.

O que vinha agora era muito pior do que os gritos.

O líquido que escorria de sua íris cinzenta escorria pela pele em carne-viva, deixando para trás apenas a sensação de que seu rosto continuava a se dilacerar, cada segundo mais. O sal das lágrimas lhe ardia de cima para baixo, de fora para dentro, e a cada momento parecia se aproximar mais de seu próprio coração.

E o nó em sua garganta se apertava a cada segundo, fazendo com que o alvo sentisse que estivesse sufocando entre soluços de raiva e angústia.

Sequer havia percebido que derrubara o bilhete de Hermione entre as poças de água e lágrimas, e que naquele momento o papel encharcado era lido atenciosamente pela ruiva, cujos olhos passeavam com compreensão, um fraco sorriso condescendente se apossava de seu rosto.

—Você gosta dela. De verdade. —Concluiu a ruiva.

Draco levantou o rosto em direção a garota. Seu semblante jamais esteve tão cansado. Carregava dor, sofrimento, angústia.

Sequer lembrava o mesmo Draco arrogante de anos atrás.

—Estivemos juntos. —Draco confirmou, de forma quase sussurrada enquanto diversas outras lágrimas lhe fugiam, eram tantas que em algum momento haviam até mesmo deixado de latejar contra sua pele.

Gina arregalou levemente os olhos, uma parte de seu rosto anunciava uma malicia velada enquanto seus olhos faiscavam com maldade.

—Sempre desconfiei do gosto da Hermione pra garotos.

Entre lágrimas e angústia, Draco riu baixinho.

—Não deixe que o Willabi saiba, por enquanto.

—Acho que ele já sabe, ouvimos conversas do seu lorde com sua tia, então você só confirmou o que já sabíamos.

Draco assentiu.

—Ela não vai ficar com ele, Draco. —A ruiva acalmou-o, sua voz tão cheia de confiança que chegava a ser difícil duvidar de suas palavras.

—Mas deveria. —Respondeu o alvo instantaneamente. —Qualquer coisa é melhor do que eu pra ela.

E no fundo, era o que Draco esperava.

Não era bom o suficiente. Não era mais sequer bonito, e não seria capaz de nomear qualquer qualidade em si mesmo.

Sentiu a mão cheia de calos da grifina o tocando no ombro, mas em uma breve sacudida, já estava livre de qualquer contato.

Caminhou mais uma vez pela masmorra úmida, fitava seus próprios pés levemente avermelhados ainda pelo contato com o calor em excesso das chamas. Sentiu o peso do olhar dos irmãos Weasley logo as suas costas, como se fosse um homem em delírio que a qualquer momento pudesse surtar.

E era sua vontade.

Encontrou mais uma vez o balde de água suja, asquerosa. Não sabia qual exata era sua cor, senão o tom marrom esverdeado que o líquido oferecia.

Encarou mais uma vez seu próprio reflexo. Repudiava cada centímetro de seu ser. Mantinha nojo e asco de cada célula de seu próprio corpo.

E teve certeza de que ao encarar seu próprio reflexo, estava frente a frente com o próprio demônio que era.

Era um inútil, nada lhe tiraria isso da mente.

Enquanto Hermione lutava pelo mundo bruxo, carregando-o mais uma vez em suas costas, ele nada fazia além de lamentar, e torcer de longe para que seus planos funcionassem.

Suas lágrimas haviam secado em seu próprio rosto, trazendo então um contorno grudento acima da pele calejada. A pele clara estava retorcida numa feição de pura angústia, misturada a vários tipos de semblantes que nada mais seriam classificados por Draco, senão nojentos. Seu olho azul cinzento ainda conseguia enxergar o que ele realmente era, enquanto o outro, totalmente cinza e sem vida, parecia nada mais do que uma mera companhia. Um peso morto.

—Você não pode se lamentar pra sempre.

Não era a voz de Gina que ecoava pelo ambiente, tão vazio que o som parecia muito mais alto do que deveria ser. Era Ronald Weasley que falava. Seu tom tão usual quanto se espera de uma conversa entre amigos.

—Você nem fez ideia... —Draco começou a falar, mas logo foi interrompido.

—Eu amei muito a Mione, Malfoy. —Rony anunciou. Draco desejou não levantar os olhos de seu próprio reflexo, evitando a visão que teria do homem que também já havia sido dono do coração da castanha. —Foi horrível pra mim, sabe? Ser jogado em uma cela sem saber o que aconteceria com ela. Ouvir os gritos...

Draco fechou os olhos com força, como se isso o impedisse de imaginar os gritos sufocados de Hermione. Sozinha. Abandonada.

Por sua culpa.

—Eu sinto muito. —Respondeu, ainda obrigando suas pálpebras a permanecerem trancadas.

Ronald abriu a boca mais uma vez para falar, mas o que forte das mãos de Ginevra contra sua boca o fez calar.

—Silêncio.

No andar de cima, uma conversa aos sussurros acontecia, tão baixo que de início sequer pareciam os mesmos comensais afobados da discussão anterior.

Draco fez o possível para se concentrar, caminhando devagar até a porta das masmorras e esperando que a cegueira ao menos aguçasse sua audição, tal como os boatos diziam.

Infelizmente, nenhum efeito parecia ser causado, senão o desespero por não entender todas as palavras pronunciadas, afinal o sotaque do homem que falava não era muito fácil de decifrar.

—A garrota foi lá pela manhã, Milorrrde, estava procurrando alguma coisa, mas nom aceitou ajuda.

—Você soube se ela achou o que procurava? —Perguntou a voz calejada de Voldemort. Mais fria e arrastada do que Draco jamais havia ouvido.

Parecia exausto.

—Parrece que ainda nom. —Havia frustração na voz de Krum. Beirava o tom e súplica.

—Finja que vai a ajudar. E então a impeça de cumprir o que deseja. —Ordenou.

—Sim, Milorrde.

Um som de estalo aconteceu, e então o silêncio voltou a perpetuar pela mansão.

Notas finais
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