Notas iniciais
Olá, corujas! Depois de muito tempo e muita saudade, estou aqui mais uma vez! Bom, sei que respondi aos comentários explicando minha ausência, mas acho justo fazer algo ainda mais público, então vamos la. Como vocês podem ver, o dia de postagem da última atualização foi 14/11 e a próxima atualização deveria sair entre 21 e 23/11. O problema foi o seguinte: Dia dezessete comecei a passar super mal, dia dezoito internei em um hospital em outra cidade, não muito próxima da minha, e dia 21 passei por uma cirurgia de emergência. Tive apendicite. No meu caso foi um pouquinho pior, porque demorou um pouco mais do que deveria para fazer minha cirurgia, e desde então estive com dificuldade para voltar a escrever. Foram duas semanas de recuperação, deitada o dia todo e precisando de ajuda pra absolutamente tudo, ficar sentada doía e caminhar pela casa ainda mais. Minha cirurgia ocorreu EXATAMENTE na semana de provas da minha faculdade, e sim, aquelas mesmas provas pelas quais eu falei que estava estudando na últimas atualizações. Foi uma bagunça, mesmo. Assim que consegui sair de casa e caminhar sem muito esforço, fiz as provas da faculdade e peguei algumas finais, porque não consegui fazer segunda chamada de tudo. Ah, também voltei a trabalhar cerca de uma semana depois disso. ENFIM, corujas, está ai a explicação do meu sumiço. A cada dia eu sentia vontade de voltar aqui e escrever todas as ideias que me surgiam, mas eu também não conseguia escrever porque ficar sentada muito tempo doía demais, e logo após o fim do atestado precisei resolver esses probleminhas na faculdade. E como merecido, procurei escrever um capítulo bem emocionante para vocês, com algumas surpresinhas lá pra frente! Abraços e até as notas finais ♥

Paris, França.

O véu cinzento que cobria o céu impedia Hermione de saber que horas eram, e as grossas e geladas gotas de chuva pingavam com violência sobre seu rosto, escorrendo, desta vez, com delicadeza pela sua pele. O vento era frio e parecia não ter piedade da grifina, que se abraçava em busca de calor.

Nunca estivera tão frio.

Uma forte dor percorria seu estômago. Parecia tão distante àquele momento, quando poucos meses atrás encolhia-se de forma tão parecida dentro daquela maldita cela. A dor também era semelhante, e após certo tempo sem senti-la com tanta intensidade, Hermione poderia jurar jamais reclamar dela, parecia ingrato com o que o destino a presenteara. A fome teimava contra seu corpo, implorando teimosamente por alimento.

Ao menos, estava livre.

Dentro daquele beco, tudo parecia intocável. A umidade das gotas de chuva misturava-se ao chão, trazendo novas e imundas cores, e Hermione preferia fingir não ouvir os ruídos provocados pelos roedores que passeavam em busca de comida.

E se assim pudesse, ela também faria.

—Também está com fome, não? —Perguntou ao felino escuro, que parecia ainda mais incomodado com a chuva do que a castanha.

O gato meramente a encarou, seus olhos verdes trazendo-lhe a resposta antes mesmo do miado de desagrado. Em um pulo rápido, o animal já havia sumido de onde os olhos castanhos de Hermione se direcionavam, e atrás das caixas e pedaços úmidos de papelão, o som de vísceras foi ouvido com clareza.

E então o gato voltava, o rabo abanando enquanto o chiado em seu peito não enganava sobre sua felicidade. Dentro de sua boca, meio camundongo.

—Ronald Weasley te chamaria de assassino. —Riu-se a castanha, e, contente, o animal voltou a sua proteção seca.

E o estômago de Hermione continuou doendo enquanto as gotas que caiam do céu nublado misturavam-se àquelas que escorriam com delicadeza dos olhos castanhos.

Sentia fome, sentia frio e sentia falta, e naquele segundo que insistia em não ir embora, era quase impossível descrever qual sensação falava mais alto.

Os minutos arrastaram-se tortuosamente, como se provocassem Hermione a fazer algo que não estava em suas mãos. O tempo estava passando e aquilo era inegável, e a cada segundo perdido sua missão parecia perder o sentido. Precisava ir em busca daquilo que destruiria aquele maldito bracelete, e desta vez não existia Harry Potter algum responsável por aquilo.

Precisava ter foco. É o que antiga Hermione pensaria.

Abriu a mochila que carregava consigo, e sob o olhar de curiosidade do felino, que entortava teatralmente o focinho, enfiou todo o braço dentro da lona e tateou em busca do livro que havia ganhado uma vez de Dumbledore, uma vez de Draco.

Lá estava ele. Os contos de Beadle, o Bardo. A capa azul e levemente amassada e encardida, o que era apenas um mero detalhe comparado ao conteúdo que o livro trazia. Foleou as páginas escritas entre as runas antigas e sua caligrafia, que trazia breves anotações sobre possíveis pistas deixadas para ela.

Deparou-se com um capítulo em especial. As paginas estavam mais riscadas do que o comum, e pela primeira vez em tantos anos, Hermione lia suas anotações sobre a história. O coração peludo do mago. Este era o titulo do conto que havia a despertado tanto interesse.

Se tratava da história de um mago que havia decidido não se apaixonar, e apenas viria a mudar de ideia quando seu orgulho foi tocado. Entre as palavras escritas em runas, a caligrafia de Hermione frisava palavras como “poder”, “orgulho”, “beleza” e “astúcia.” No fim da página, o nome de Tom Riddle acompanhava os adjetivos dados ao mago.

A castanha assimilou cada comentário feito por ela mesma. Cada comparação ao mago, escrita tanto tempo atrás na busca de compreender onde estariam as últimas Horcruxes. Isso era o que precisava buscar. Precisava ter por onde começar sua busca, e aquelas palavras dadas como descrição de Voldemort destacavam seus motivos para voltar a Paris.

Pense, Hermione...

Harry havia a falado sobre o lorde das trevas. Conhecia o que precisava sobre a história do jovem Tom Riddle, sabia de suas extravagâncias e significados especiais a cada objeto, e questionava-se então, o porque de sentir que estava no lugar que precisava estar. Seu pensamento caminhava veloz em direção a luz, e ao olhar para o horizonte e ver que o céu escurecia, conseguia ver, entre as nuvens nubladas, A Torre Eiffel. Deslumbrante e chamativa em meio as trevas em que se encontrava.

E como luz em meio as trevas, a ideia lhe veio a mente.

E parecia irônico como não havia pensado naquilo antes.

Nada seria mais simbólico para o próprio lorde das trevas, o jovem Tom Ridle que ansiava pelo poder, pelo luxo, senão manter os dentes de basilisco, uma vez que não poderiam ser destruídos, no país em que havia se reunido tantos anos antes com seus antigos comensais, agora novamente reunidos, para planejar a morte de Harry Potter.

Lhe parecia tão distante a ideia de que o maior bruxo das trevas deixaria as armas que o poderiam destruir no fim de um cano escondido no banheiro de uma escola, tal como era imaginado. Voldemort não era assim. Era luxuoso e prepotente. Sentia que sua alma valia mais do que qualquer coisa, e faria o possível para valoriza-la, a escondendo na cidade que mais representava sua elegância.

E que cidade daquele lugar seria mais diplomática e elegante, senão a tão amada Paris? O luxo separado de forma tão singular da mediocridade, assim como havia sido a vida de Tom Riddle.

E como um circulo vicioso, Paris parecia tornar-se o centro das atenções daqueles olhos castanhos.

A chuva engrossava ainda mais, e o som dos telhados sendo mutilados pelo líquido parecia ecoar por toda Paris, arrastando-se pelos canos e infiltrando-se entre o cimento e as madeiras, fazendo uma fraca sinfonia angustiante. Cada centímetro daquela cidade se tornara severamente importante para a castanha, que após tantos anos de busca, sentia como se estivesse prestes a encontrar sua tão esperada paz.

E ao olhar para o céu nublado, não sentia mais a angústia que esperava, e sim como se aquelas gotas cristalinas trouxessem em sua essência a presença do dono dos verdadeiros orbes acinzentados.

Wiltshire, Inglaterra.

—Nós precisamos sair desse inferno agora mesmo. —Concluiu Draco, mirando os próprios pés. Não era uma pergunta, e seu tom de voz, apesar da rouquidão dolorida, trazia essa conclusão. Sentia o desespero de gritar para os quatro cantos do mundo o quanto Hermione corria perigo lá fora, e a raiva de si mesmo apenas aumentava quando sabia que ali de dentro, não conseguiria fazer nada.

—Por que não pensamos nisso antes, não é mesmo? —Ironizou a ruiva, que encostava sua cabeça contra a parede fria. O semblante firme e intocável, enquanto os olhos avermelhados a denunciavam com severidade.

Aquela mesma sensação de desalento passeava pelo corpo de Draco abrindo espaço entre sua garganta e parecendo cortar suas cordas vocais. Não havia o que fazer. Sabia que Hermione corria perigo, e ele não podia fazer nada em relação àquilo. Entre tantas sensações com que se preocupar, entre o medo visceral que esmagava seu peito e as dores reais que se instalaram por cada centímetro queimado de pele, a única coisa que lhe incomodava era aquela maldita preocupação.

Ela confiaria nele, Hermione Granger era uma criatura inocente comparada aos demônios que existiam lá fora. Era um anjo.

Se confiara até mesmo em um monstro como ele, o que a impediria de confiar em alguém que jamais a fez mal? Lobos em pele de cordeiro estiveram presentes durante toda a vida da castanha, ele era a prova viva daquilo, e também seria capaz de saber que assim como confiara nele, confiaria naquele que há tanto tempo conheceu.

Ela confiaria nele, e isso era o próprio inferno de Draco. Era como o inferno no qual estivesse acostumado a viver, porém desta vez instalara-se dentro de seu peito.

—Mande um bilhete a ela. —Dirigiu sua voz a Ronald, que parecia ainda tão chocado com as palavras do búlgaro que mal as havia assimilado. —Precisa ser rápido Weasley, agora mesmo.

—Nunca confiei naquele maldito... —Resmungou o ruivo, caminhando em direção a pequena fresta na parede, onde, desta vez, o pássaro não esperava.

Não tinham nada a fazer.

E a onda de frustração no peito de Draco a cada segundo aumentava, parecendo estar prestes a esmaga-lo. O ar que chegava a seus pulmões parecia a cada instante menor enquanto aquele monstro o comprimia lentamente.

—Isso não importa agora. —Ginevra murmurou, os olhos focados no teto manchado. —O que importa é que Mione está lá fora essas horas, procurando por alguma coisa que destrua aquele maldito bracelete, enquanto ainda estamos aqui nessa porcaria...Se ao menos pudéssemos chamar por ajuda...

As lamúrias da ruiva pararam de ser ouvidas por Draco, cujo a ideia da ruiva, ainda que não percebesse, ecoou por sua mente. Podia chamar por ajuda, estava a poucos metros de distância. Conhecia aquela magia, sabia como os elfos conseguiam invadir lugares trancafiados, assim como Dobby os havia traído para salvar aqueles que verdadeiramente amava...

Aysha.

Ignorando o tom de voz dos Weasleys, que discutiam entre si em busca de uma resposta, procurou ouvir o melhor possível de sua sala de estar. Ouviu passos caminhando logo acima de sua cabeça, o som de salto alto ainda era reconhecível aos seus ouvidos, e até mesmo a forma com que caminhava trazia a notabilidade de Astoria Greengrass atravessando a sala de jantar.

Se ao menos tivesse pensado nisso antes de receber o fogo que queimara sua face...

—Calem a porra da boca! —Sussurrou grosseiramente. O olhar grosseiro de Gina logo se estabilizou, ao perceber o mesmo que ele já havia percebido.

Um som de riso exagerado, um tilitar de taças e o arrastar de cadeiras. Duas cadeiras.

Estavam jantando.

E com toda certeza daquele maldito mundo, o que existia dentro daquelas taças não era suco de abóbora.

Um sino e o som de correntes, correntes estas que se arrastavam pesadamente sobre suas cabeças.

Aysha.

Um novo tilitar de taças, desta vez mais alto. As correntes se arrastando, os risos esganiçados.

Parecia o próprio inferno.

Com o passar do tempo o som diminuiu, e após as correntes pesadas serem arrastadas por longos e incabíveis metros, o único barulho que parecia ecoar por toda a mansão eram pequenos soluços entre lágrimas, estes que Draco conhecia tão bem.

Seu olhar cruzou-se com o dos Weasleys, que após tomarem compreensão do que se tratava, apenas assentiram. Estava seguro.

—Aysha. —Chamou, e como se fosse a primeira vez em sua vida, presenciou o estampido brilhante em sua frente, um sorriso fraco nos lábios.

A pequena criatura ainda soluçava debilmente, notavelmente sem perceber que havia sido conjurada. Abraçava seu próprio corpinho magro, onde se não fossem os soluços e a incapacidade de não tremer, Draco julgaria morto. Cada minúsculo osso se mostrava presente, e cada veia caminhava pelo corpo de Aysha como um rio de hematomas, que se misturava aos ferimentos cujo sangue ainda pingava com moleza em direção ao chão.

E pelo que poderia ser a primeira vez, Draco sentiu-se arrependido diante cada dor que já provocara a elfo. Sua garganta apertou-se violentamente e um enorme bolo parecia se formar em suas vísceras.

Aproximou-se devagar de Aysha, e sob os olhares dos ruivos, que mesclavam a confusão e o medo, abaixou-se na altura da criatura.

—Eu estou aqui, Aysha. Vamos precisar da sua ajuda.

Sussurrou tão baixo, de forma que teve certeza de que apenas aquelas orelhas, que no mesmo segundo se movimentaram, poderiam ouvir.

Um pequeno vislumbre violeta passeou entre os dedos de Aysha, que insistia em cobrir os olhos com as mãos, e Draco sabia que ela o havia visto.

Mas pior do que esperava, a criatura não parara de chorar ou sequer o olhara novamente. E sim esquivava-se do próprio dono, como se sua feição a afugentasse. Tremia descontroladamente contra seus dedos finos, e balançava-se de forma nauseante, cada segundo mais próxima da parede.

E por meros segundos, Draco teve certeza de que seu semblante tão nojento era a razão da esquiva de Aysha. Levou a mão ao próprio rosto, e da forma que mais o poderia angustiar, sentiu a textura irregular ao redor de seu olho, a pele queimada e áspera que insistia em lembrar que estava ali.

—Aysha está ficando louca! —Exclamou a criatura, sem tirar as mãos dos olhos esbugalhados. —Aysha está vendo coisas, com certeza está! O mestre de Aysha, tão machucado....tão... magro...com certeza Aysha está tendo um pesadelo....Aysha cuidava tão bem....Aysha sonhava em reencontrar seu mestre feliz e saudável, junto com a senhorita Hermione...Por Merlin...

Num rompante de segundo, a criatura já corria em direção ao cimento das paredes, onde Draco percebeu que se puniria e antes que pudesse tocar sua cabeça careca contra a solidez, já havia sido capturada pelas orelhas compridas.

—Eu sinto muito por tudo isso, tudo bem? —Perguntou Draco a Aysha, que esbugalhava seus olhinhos em sua direção, em meio ao violeta, a admiração e o zelo misturavam-se como jamais vistos. —Eu não queria que você se machucasse. —Concluiu o loiro, colocando a elfo no chão.

—Tão bom senhor Malfoy! Sempre tão bom com Aysha! É culpa de Aysha que tenha se machucado! Se Aysha tivesse cuidado melhor do seu senhor... Talvez o senhor não estivesse tão...

—Nojento e asqueroso? —Completou o sonserino, abaixando sua cabeça de forma que desejava esconder de si mesmo aquele semblante que agora possuía.

—Não, senhor Malfoy. Aysha ia dizer que o senhor Malfoy está muito machucado! Aysha nunca chamaria seu mestre dessas palavras feias! —Esperneou Aysha, e mais rápido do que Draco conseguiria levantar o rosto, sentiu o corpo franzino da criatura abraçado em seu pescoço.

Afastou-se no mesmo instante, e ao se deparar mais uma vez com aqueles olhos violetas banhados na vermelhidão das lágrimas que a elfo derramava por sua causa, permitiu-se aproximar novamente da criatura. Várias coisas passeavam por sua mente, e entre os ossos miúdos da elfo e os hematomas inchados cujo as mãos de um médico jamais conseguiriam ignorar, existia um motivo para tudo aquilo.

Sentiu cada lágrima de Aysha escorrer debilmente por seu pescoço, banhar suas vestes já sujas e pingar copiosamente contra o chão de concreto. Permitiu que Aysha aproveitasse cada instante longe de seu mestre, e mesmo sentindo que todo sentimento ali depositado vinha da carência da elfo perante seu dono, sabia que tudo aquilo era por sua causa.

E assim como Hermione, a pequena criatura confiava tão facilmente em um monstro tão perigoso, os olhos violetas banhados de lágrimas e inocência eram capazes de denunciar sua servidão perante seu mestre, e as mãozinhas tremulas acusavam a felicidade que emanava de Aysha.

—Precisamos cuidar de você, garota. Mas também precisamos que nos ajude a sair daqui.—Resmungou assim que a elfo o soltou por um misero instante, e após uma longa nova onda de gratidão que o inundara por parte da criatura, os soluços acabaram, e tudo que restara eram três bruxos debilitados, desta vez unidos a um elfo.

Draco sentia-se, mais uma vez em tão pouco tempo, inútil perante a existência da criatura. Do que lhe adiantava ser um medibruxo sem varinha? Sem equipamento? Sem ajuda de sua própria visão? Até mesmo sem sua magia. Restava-lhe utilizar de tecidos úmidos para estancar os sangramentos, e torcer para que fosse o suficiente.

Ronald e Ginevra, por sua vez, permaneceram em silêncio por muito tempo. Pareciam perceber a intimidade que a situação trazia. A ligação entre mestre e elfo doméstico da qual tanto ouviram Hermione falar nos anos escolares apenas havia sido vista uma vez antes, e a morte de Dobby parecia ainda tão recente...

Não haviam mais rastros de sol quando Draco terminou de limpar os sangramentos de Aysha. Sabia que não poderia pedir que a criatura aparatasse para tão longe. Não enquanto carregava consigo três bruxos e com tantos ferimentos ainda recentes. A chance de estrunchar era gigante, e não é um risco que submeteria a criatura. Não mais.

Sentia pressa ao enviar Aysha para Paris, mas acima disso, esperava encontrar o pássaro que os visitava com frequência naquela maldita fresta, desejando não precisar condenar a elfo a morte.

E sabia que não podia esperar muito mais.

Ao anoitecer, Aysha dormia abraçada ao punho de Draco, que apenas observava a criatura, os olhos passeando entre Aysha e a fresta na parede, na espera do pássaro que poderia salvar Hermione se fosse rápido o suficiente para avisá-la. Ronald e Gina caminhavam pela masmorra, observando cada mancha de sangue no chão e escutando cada som de passos no andar acima. Os segundos pareciam passar rápido demais no mundo lá fora, como se a cada instante o momento em que Hermione seria capturada se aproximasse. Mas ali, dentro daquela masmorra onde o cheiro ruim apenas se tornava mais evidente a cada segundo, os segundos viravam horas.

Draco olhou mais uma vez para Aysha. Respirava normalmente e não possuía mais nenhum sangramento forte.

Era hora de pedir que ela encontrasse Hermione.

Como se pensassem juntos, Gina e Rony olhavam para a elfo e confirmaram que Draco deveria fazê-lo, e então torcer para que a criatura sobrevivesse.

O sonserino moveu o pulso devagar e com delicadeza, tanto pela dor que sentia no corpo a qualquer mínimo movimento quanto pelo medo de assustar Aysha, cujos olhos moveram-se sob a pálpebra, sem qualquer sinal de que se abririam naquele momento.

—Aysha...—Sussurrou, agitando ainda mais as mãos.

Com um bocejo longo e preguiçoso, Aysha esticou os bracinhos para o alto, fazendo com que estralassem. Um sorriso débil escapou dentre os lábios de Ronald.

—Foi o melhor sono da vida de Aysha, senhor... —Bocejou, e Draco não pode evitar sorrir junto com o Weasley.

—Certo. Aysha, precisamos que faça uma coisa. —Começou sentindo no mesmo instante a prontidão com a qual a elfo passou a se portar, prestando atenção em cada palavra de seu mestre. —Vai ser perigoso e precisa ser rápido, antes que aquele homem mau note que você sumiu, tudo bem?

Aysha assentiu rapidamente, e o aperto no coração de Draco apenas aumentava ao imaginar que ela não conseguiria aparatar para tão longe sem sair com nenhum efeito negativo...Ainda estava tão machucada.

—Você vai precisar encontrar Hermione fora daqui, tudo bem? Encontre ela e avise que Krum está tramando contra ela, e faça isso rápido e volte para cá, está me entendendo?

—Aysha compreendeu, mestre.

Num estalar fraco e rápido, a criatura já havia ido. Ansiava por satisfazer seu mestre, e sua própria integridade física não parecia a preocupar ao menos por um minuto.

Draco tinha mais coisas para falar. Pediria que a criatura tivesse cuidado, a avisaria para aparatar o mais perto possível de Hermione, diria adeus...

Aysha era sua última esperança, e a sensação de a estar sacrificando para salvar a vida de Hermione fazia com que seu coração acelerasse fortemente contra o peito. Doía.

Um estranho clima de luto ecoou pela masmorra. Gina e Rony o olhavam com condescendência, também compreendiam o que significava aquela viagem.

Precisava que ela ficasse bem.

Precisava que ela fosse rápida.

E ainda mais, precisava que Voldemort não percebesse sua falta na mansão, ao menos por algumas horas, pois sabia que se em qualquer instante o lorde das trevas desconfiasse do sumiço de Aysha, estariam a mercê da morte.

Notas finais
Gostaram? Senti falta de ler seus comentários, então poooor favor comentem, tá bom? Inclusive, feliz ano novo para todos vcs! Abraços e até logo.