Paladin
47 CAPÍTULO 47: Dois Núcleos
Alya deu um passo à frente, seus olhos sérios, mas cheios de respeito pela presença dos amigos de Raziel.
— Com licença, pessoal — disse, sua voz firme, mas gentil. — Precisamos conversar com ele a sós agora.
Os amigos trocaram olhares rápidos, um misto de curiosidade e preocupação no ar. Alexa, relutante, foi a última a se mover, seus olhos permanecendo fixos no paladino, como se quisesse prolongar cada segundo ao seu lado. O garoto deu um leve aceno, tentando transmitir segurança.
— Nos vemos em breve — falou com um sorriso tranquilizador.
O grupo começou a sair em silêncio, mas, antes que a porta pudesse se fechar completamente, Sophie e Júlia, nome da mãe de Raziel, chegaram ao quarto.
— Como ele está? — perguntou Júlia, apressando o passo até o lado do filho.
— Melhor agora, mãe — respondeu tentando aliviar a tensão no ar.
As Sentinelas trocaram um olhar, mas a rainha de Eterna foi a primeira a falar.
— Acho que seria bom vocês ficarem, essa é uma questão que envolve a família também.
A tensão no quarto era palpável. Lyra, a Santa Sacerdotisa, manteve seu olhar fixo no jovem, como se estivesse analisando algo muito além de sua forma física. Finalmente, se aproximou da cama e, com uma mão leve, colocou a palma da mão sobre a cabeça dele.
— Existe uma dualidade em você, pequeno despertado — fechando os olhos por um momento, como se estivesse sentindo as correntes invisíveis de energia. — Sua mana, que sempre foi a fonte do seu poder, agora está entrelaçada com outra força... algo divino.
As palavras dela pairaram no ar como uma sentença. Sophie e Júlia ficaram imóveis, tentando absorver o significado daquilo. Raziel sentiu uma onda de inquietação. Mana divina? O que isso realmente significava? Lyra soltou um suspiro longo, como alguém que finalmente compreendeu o peso de uma decisão crucial.
— Você está em uma encruzilhada — continuou, seus olhos abertos novamente, mas agora mais intensos. — Se escolher seguir o caminho dessa mana divina, vamos precisar refazer seu núcleo. E isso... — fez uma pausa, sua expressão grave. — Isso vai ser incrivelmente doloroso. O processo será feito sob os cuidados do nosso reino, porque é delicado, exigirá uma cirurgia astral. Vai ser como reconstruir sua essência do zero.
A irmã, que estava ouvindo atentamente, arregalou os olhos.
— Mas... ele vai sobreviver, não vai? — perguntou, sua voz carregada de preocupação.
Lyra deu um leve aceno, mas seu olhar permaneceu fixo em Raziel.
— Vai sobreviver, mas ele precisa entender que será um longo processo de dor e recomeço — falou com sua voz suave, mas carregada de seriedade. — Seu núcleo será completamente refeito. Sua capacidade de mana será redefinida, provavelmente para um rank B. Com sorte, talvez um A+. Mas, mesmo assim, vai ser preciso muito treino para voltar ao nível de um S. No entanto, se escolher esse caminho, seu poder será diferente... algo que poucos sequer compreendem.
A sala ficou em silêncio enquanto todos absorviam aquelas palavras. Júlia, que até então estava imóvel, respirou fundo, seu rosto preocupado. Segurou a mão do filho, apertando-a com ternura.
— Raz... — começou ela, sua voz cheia de emoção. — Essa é uma decisão que só você pode tomar. Não vou interferir. Só quero que você esteja preparado para o que quer que venha a seguir.
Olhou para todos ali. Sabia que essa escolha era muito importante. As palavras de seu Mestre ecoaram em sua mente: "Tempos difíceis pela frente, sua fé será testada." Isso ia além do que uma simples escolha de poder. É uma decisão sobre o rumo de sua vida, sobre quem queria ser. Lembrou da conversa com o Mestre, sobre confiar no piloto, deixar Deus guiar sua vida.Respirou fundo, sentindo o peso da escolha, mas também a clareza que vinha com ela. Sabia o que precisava fazer.
— Eu preciso de um dia — suas palavras começaram a sair, com a voz firme, mas serena. — Quero me despedir dos meus amigos... avisar que volto logo.
Lyra sorriu, um sorriso suave e compreensivo, como alguém que já havia visto muitas almas fazerem escolhas difíceis.
— Você tem até o meio-dia de amanhã, Raziel. Quanto mais tempo demorarmos, mais difícil será a correção do seu núcleo. O processo precisa começar logo.
Raziel concordou, sentindo a gravidade de suas palavras. Olhou para sua irmã e para sua mãe, que ainda segurava sua mão. A decisão foi feita. Esse era o caminho que deveria seguir, a escolha que seu Mestre havia previsto. Optando entre a mana comum e a divina, e ele não hesitava mais.
— Até amanhã ao meio-dia então.
A Santa assentiu em resposta, enquanto Alya permanecia em silêncio, observando o jovem com uma expressão serena. Raziel sentiu um estranho conforto, uma sensação de paz que começou a envolvê-lo. A jornada seria dolorosa, difícil, mas estava pronto para seguir adiante. A partir de agora, seria uma questão de fé.
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