Paladin

48 CAPÍTULO 48: Despedidas e Confissões


A noite havia caído sobre a cidade, trazendo consigo o frescor do ar noturno. Raziel, sentado na cama do hospital, sabia que não teria tempo de encontrar todos os amigos naquela noite. O peso da decisão ainda estava sobre seus ombros, mas uma coisa era clara: havia uma pessoa que precisava ver antes de partir. Alexa.


Levantou da cama com surpreendente facilidade, como se o coma de uma semana não tivesse deixado marcas. Sua mãe e Sophie haviam trazido roupas casuais limpas, que vestiu rapidamente. Pegou o celular e digitou o número da mage.


— Raz? — atendeu Alexa, sua voz surpresa. — Como você está? Tudo bem?


— Tem como a gente se encontrar agora?


— Claro, ainda moro no mesmo endereço, só chegar.


Depois de encerrar a ligação, saiu com sua família, que o acompanhavam com olhares protetores e curiosos. Minutos depois, o carro estacionava em frente à mansão. Uma casa elegante, imponente, mas com um ar acolhedor. Os pais da garota os receberam na porta com sorrisos calorosos.


— Raziel, é bom saber que você está bem — disse o pai de Alexa, apertando sua mão com firmeza. — Não sabemos como te agradecer pelo que fez por nossa filha.


O paladino sorriu, envergonhado.


— Não foi nada. Só fiz o que acredito ser certo — respondeu, tentando minimizar o impacto de suas ações.


A mãe de Alexa se aproximou, dando um leve abraço nele. Logo atrás estava a garota. Sophie e Júlia ficaram na sala de estar, trocando conversas animadas com os pais da amiga, enquanto os dois caminharam por um longo corredor até os fundos da casa. Saíram em uma varanda que dava para um amplo jardim iluminado por luzes suaves.


— Então, o que está acontecendo? — perguntou a garota, a voz cheia de curiosidade.


O rapaz apoiou-se na grade da varanda, olhando para o jardim abaixo, como se estivesse buscando forças para as palavras que viriam. Depois de alguns segundos, virou-se para ela, os olhos sérios, mas ao mesmo tempo suaves.


— Vou precisar ir embora... para o Reino da Fé — disse, sem rodeios.


Alexa o olhou com uma mistura de surpresa e preocupação.


— Por quê? O que aconteceu?


Raziel respirou fundo antes de continuar.


— Preciso passar por uma cirurgia astral. — fez uma pausa, observando a reação dela. — Descobriram algo no meu núcleo. Uma mana divina que está disputando com minha mana padrão. Para resolver esse problema, vão precisar reconstruir meu núcleo. Vai ser doloroso e... vou ficar fora o resto do semestre.


A menina ficou em silêncio, absorvendo a informação. Sua expressão era uma mistura de alívio e medo. Alívio por saber que havia um tratamento, mas medo pelo que aquilo significava para ele.


— Você vai ficar bem? — indagou, finalmente, sua voz hesitante.


— Vou. Vai ser difícil, mas vou voltar. E, quando eu voltar, vou estar mais forte. — fez uma pausa, olhando diretamente nos olhos dela. — Alexa... Eu preciso te contar uma coisa. Algo que venho sentindo desde a época da escola preparatória.


Os olhos da jovem se arregalaram levemente, como se soubesse o que estava por vir, mas ao mesmo tempo incapaz de acreditar.


— Eu... — respirou fundo. — Eu sinto algo por você. Sempre senti, desde aquela época. Mas nunca tive coragem de dizer.


Por um momento, em silêncio a mage ficou absorvendo as palavras dele. Então, um sorriso suave apareceu em seus lábios, e seus olhos brilhavam com uma ternura que Raziel nunca havia visto antes.


— Orra, cara, você sabe quanto tempo esperei pra ouvir isso? Eu também sempre senti algo por você — respondeu com sua voz baixa, mas cheia de sinceridade.


Os dois ficaram em silêncio por um instante, o mundo ao redor desaparecendo. Sem dizer mais nada, Raziel deu um passo à frente, e Alexa não hesitou. Seus lábios se encontraram em um beijo suave, carregado de anos de sentimentos não ditos. Era o tipo de momento que parecia eterno, onde tudo finalmente fazia sentido. Quando se afastaram, os dois sorriram, a conexão entre eles agora inegável.


— Quando eu voltar, vou cobrar beijos com juros e atrasos — disse o jovem.


— Eu sei que vai — falou Alexa, ainda sorrindo. — E, se não cobrar, eu vou entrar na justiça cobrando meus direitos.


Sorriram um para o outro e foram voltando para dentro da casa. O clima era descontraído na sala, mas todos perceberam a nova proximidade entre o novo casal. No entanto, ninguém comentou, deixando que os dois lidassem com o que sentiam no tempo certo. Raziel deu um leve aceno de despedida para os pais de Alexa.


— Eu preciso ir agora — disse ele, antes de se voltar para a mage. — Avise o pessoal que este semestre eu não volto mais... mas logo vou estar aqui.


— Vou avisar, pode deixar.


Com isso, o paladino saiu da mansão, acompanhado por sua mãe e irmã. A noite agora parecia mais leve, apesar das incertezas do futuro. Tinha conhecimento que o caminho à frente seria doloroso e desafiador, mas também entendia que não estava sozinho. Quando chegaram em casa, Raziel começou a arrumar suas coisas. Amanhã, ao meio-dia, tudo mudaria: novos passos em direção à sua glória ou ruína.

Notas finais
Chegamos ao final do ATO I, voltarei a escrever o ATO II, em breve. Antes vem por aí uma história de Vampiros.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!