Paladin
37 CAPÍTULO 37: A Estrada Para a Batalha
Quando chegaram na cidade, o grupo começou a ouvir os sons agudos e perturbadores que ecoavam pelos becos em ruínas. Eram os estalares de língua dos goblins, um ruído irritante que rasgava o silêncio da paisagem desolada. Além disso, o som de madeira arrastando no chão sugeria que os monstros carregavam porretes, prontos para o ataque.
— Estamos entrando no território deles. — disse Seraphine, baixando a voz enquanto colocava a mão na espada.
Gabrielle, a hunter do grupo, parou por um momento e concentrou-se. Seus olhos brilharam com uma luz intensa quando ativou sua habilidade “Olho de Águia”. De repente, a visão dela se alçou aos céus, como se fosse uma ave de rapina sobrevoando a cidade. Cada detalhe ficava mais nítido à medida que ela vasculhava as ruas estreitas e prédios destroçados.
— São cinquenta... — falou, franzindo a testa. — Estão espalhados em grupos de cinco a dez, principalmente nas vielas e entre os escombros. A entrada está limpa por enquanto. Temos uma chance de chegar sem sermos vistos.
Ana acenou com a cabeça, aprovando o plano. O grupo seguiu a arqueira em silêncio, descendo pelas ruínas até a entrada da cidade. Os sons dos goblins continuavam distantes, mas presentes, como uma ameaça constante ao redor.
— Aqui está seguro, — enquanto apontava para uma casa meio destruída próxima à entrada da cidade. — Podemos entrar ali sem sermos detectados.
O grupo avançou rapidamente, entrando no que restava da estrutura. Paredes desmoronadas e móveis quebrados preenchiam o espaço, mas era um bom lugar para se esconder e formular uma estratégia.
Ana tomou a palavra, posicionando-se no centro do grupo. Seu rosto estava sério, os olhos fixos em cada um deles.
— Vamos dividir e conquistar. — Começou traçando o plano com um mapa mental da cidade. — Nos moveremos pelas bordas, eliminando os grupos menores primeiro. Assim que reduzirmos o número deles, podemos atrair os maiores para emboscadas. Nossa prioridade é avançar para a praça central e depois para o castelo, onde, provavelmente, o Rei Goblin estará. Temos que ser rápidos e precisos. Seraphine e John vão segurar a linha de frente, Gabrielle ficará nos pontos altos para observação e ataques de longa distância. Alexa, mantenha os buffs e cuide de qualquer inimigo que tente nos flanquear.
Todos assentiram. A estratégia era simples, mas eficaz. A chave seria a execução perfeita.
Antes de sair, Raziel ativou sua habilidade "Fé Inabalável". Uma onda de energia dourada irradiou de seu corpo em seguida envolvendo todos. Eles sentiram a diferença imediatamente — seus corpos ficaram mais leves, seus movimentos mais ágeis e seus sentidos mais aguçados.
— Sinto a força disso! — exclamou Seraphine, ajustando seu escudo com um sorriso determinado no rosto.
Alexa, logo em seguida, conjurou "Ice Armor", cobrindo cada um deles com uma fina camada de gelo mágico. Era como vestir uma segunda pele, fria, mas protetora.
— Isso deve aguentar os golpes mais pesados, — afirmou com confiança.
Por fim, Seraphine invocou a "Parede de Escudos", uma barreira mágica que reduziria os danos físicos que o grupo pudesse sofrer. Com os buffs ativos e a estratégia alinhada, saíram da casa em silêncio, movendo-se pelas sombras das construções desmoronadas. A primeira batalha não demorou a acontecer. Um grupo de sete goblins emergiu de uma viela, armados com porretes grosseiros e dentes à mostra em sorrisos sádicos. Os tanks tomaram a linha de frente imediatamente.
— Vamos mostrar a eles o que viemos fazer, — disse Raziel, erguendo sua espada de duas mãos, os olhos fixos nos monstros.
Seraphine avançou com seu escudo batendo com força contra o primeiro goblin, que foi arremessado para trás com o impacto. Outro tentou atacá-la pela lateral, mas a mesma desviou e, com um golpe certeiro de sua espada, cortou-o pela metade. Enquanto isso, Raziel girou sua espada, acertando dois goblins de uma vez. Os monstros caíram no chão, cortados pela força brutal do ataque.
— É agora, Gabrielle! — gritou Seraphine.
No alto de um edifício em ruínas, Gabrielle se posicionou, observando a batalha com olhos de águia. Soltou uma flecha atrás da outra, cada uma perfurando a garganta dos goblins com precisão letal.
— São rápidos, mas não o suficiente. — falou com um sorriso enquanto derrubava mais dois.
No centro da luta, Alexa conjurava suas magias com maestria, criando imponentes paredes de gelo que se erguiam ao seu comando, bloqueando o avanço dos goblins que tentavam flanquear o grupo. Os monstros, incapazes de prever o surgimento dessas barreiras geladas, chocavam-se violentamente contra elas, e o chão ao redor rapidamente se tornava uma armadilha.
A cada conjuração, o solo ficava coberto de uma camada fina e traiçoeira de gelo, fazendo com que os goblins perdessem o equilíbrio, seus pequenos corpos grotescos escorregando descontroladamente. Raziel e John, atentos a cada movimento dos inimigos, aproveitaram a oportunidade. O paladino, com sua espada erguida, avançou contra os goblins caídos, desferindo golpes mortais, enquanto John, com seu machado cortava no meio qualquer um que tentasse se erguer.
No entanto, essa era apenas a primeira onda. Mais daqueles monstros verdes começaram a aparecer, vindos de becos escuros e das ruínas ao redor. Suas estaturas baixas e agilidade os tornavam inimigos complicados de prever, mas o grupo mantinha a formação sólida. Gabrielle, a hunter, estava posicionada estrategicamente em um ponto elevado, seus olhos treinados acompanhando cada movimento no campo, viu outro grupo se aproximando, ainda maior do que o anterior.
— Temos mais quinze vindo pela esquerda, atrás dos escombros! — gritou, puxando uma flecha de sua aljava.
Seu arco tensionado fez um som quase musical enquanto disparava. A flecha cortou o ar com precisão cirúrgica, atravessando o crânio de um goblin que estava prestes a atacar Raziel pelas costas.
— Um a menos! — a arqueira tinha um sorriso de satisfação estampando sua face.
O próximo ataque foi ainda mais coordenado. Breno, o mago do grupo, começou a entoar um encantamento complexo, suas mãos dançando no ar enquanto manipulava o fluxo de mana ao redor. Uma esfera de fogo começou a se formar entre suas palmas, crescendo em intensidade até brilhar como um pequeno sol.
— Sai da frente! — gritou, enquanto lançava a bola de fogo diretamente contra um grupo de cinco goblins que se reunia ao lado de uma parede em ruínas.
A explosão que se seguiu foi ensurdecedora. O impacto da magia incendiou o ar ao redor, e uma onda de calor varreu o campo de batalha. Os goblins atingidos foram lançados pelos ares, suas peles verdes queimando instantaneamente com o fogo arcano. Alexa aproveitou o momento para conjurar outra barreira de gelo, prendendo dois goblins que tentavam fugir da explosão em um bloco de gelo cristalino.
Do outro lado, Fernando, o segundo tank, segurava a linha de frente com firmeza ao lado de Seraphine. Os dois formavam uma parede intransponível de aço e carne, bloqueando os golpes desordenados dos goblins com seus escudos e devolvendo ataques com força brutal. Fernando desferiu um golpe vertical com sua espada, partindo o crânio de um goblin ao meio, enquanto Seraphine bloqueava com maestria três inimigos ao mesmo tempo, girando com destreza para cortá-los no meio com sua lâmina afiada.
— Continuem pressionando! — gritou a tanker, seu escudo retumbando contra o corpo de mais um goblin que tentava atravessar a defesa.
O som das espadas se chocando, dos feitiços estourando no ar, e dos gritos de guerra dos goblins ecoava pela cidade em ruínas. Mesmo com a vantagem dos buffs de Raziel e das magias protetivas de Alexa, o cansaço começava a se acumular no grupo. Os goblins eram implacáveis, atacando em ondas sucessivas e utilizando a geografia da cidade destruída a seu favor, surgindo de escombros e becos sem aviso prévio.
A batalha atingiu um clímax quando os últimos dez monstros, aparentemente os mais fortes do grupo, decidiram atacar juntos. Seus corpos eram maiores e mais musculosos, e seus olhos brilhavam com uma selvageria que os outros não tinham. Armados com porretes cravados de pregos, avançaram furiosamente.
— Estão se organizando! — gritou Raziel, enquanto bloqueava um golpe brutal com sua espada.
Seraphine avançou para apoiar Raziel, bloqueando outro ataque com seu escudo. Os golpes eram mais ferozes agora, e a pressão sobre a linha de frente era intensa. O som de metal contra madeira ecoava pela praça enquanto a tanker bloqueava cada investida com precisão militar.
Breno, ao ver a situação se complicar, concentrou-se novamente. Desta vez, invocou uma rajada de fogo cortante, que varreu os goblins, desequilibrando-os por tempo suficiente para que John, com um rugido feroz, avançasse com seu machado, abrindo caminho com golpes devastadores.
O jovem paladino, com sua espada de duas mãos brilhando com a energia de “Fé Inabalável”, girou a arma em um arco completo, atingindo o goblin montado diretamente no peito. O impacto foi tão poderoso que o monstro voou para trás, batendo contra uma parede antes de desabar no chão, sem vida.
O campo de batalha, antes cheio de goblins gritando e se contorcendo, estava agora coberto de corpos. O grupo ofegava, suas respirações pesadas misturando-se com a fumaça das explosões e o cheiro metálico de sangue. Haviam eliminado os primeiros vinte e cinco. Gabrielle, ainda do alto, fez uma varredura final com seu “Olho de Águia”, certificando-se de que não havia mais inimigos à espreita.
— Tudo limpo por enquanto. — dizia descendo de seu ponto de observação com agilidade.
Estavam exaustos, mas determinados. A batalha estava longe de terminar. O caminho para a praça central ainda estava à frente, e com ele, o desafio mais mortal de todos: o Rei Goblin.
— Vamos em frente, — disse Raziel, ajustando a espada. — O verdadeiro teste ainda está por vir.
E com isso, começaram a avançar novamente, seus corações pesados, mas seus espíritos inabaláveis.
— Estamos perto, — falou Gabrielle, voltando a usar "Olho de Águia". — Vejo o castelo ao longe. Está quieto demais por lá... Espera um pouco, os outros 25 goblins restantes estão na praça na frente do castelo. Para chegarmos no chefe, vamos ter que passar por mais uma batalha, o quê acham de recuperarmos um pouco do folego antes do segundo round?
Trocaram olhares, todos concordaram com um aceno de cabeça. O momento decisivo estava prestes a acontecer, e todos sabiam que o verdadeiro teste estava apenas começando.
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