Paladin
38 CAPÍTULO 38: O Segundo Round
O grupo estava sentado entre os escombros de uma antiga residência, recuperando o fôlego e a energia. O breve descanso, embora curto, fez maravilhas para suas forças.
Cada um deles sentia a mana fluindo de volta; os corpos antes cansados, agora estavam revitalizados. O silêncio da cidade arruinada ao redor oferecia um contraste estranho ao turbilhão de emoções que crescia dentro de cada um.
— Todos prontos? — perguntou Ana, ajustando as pontas do seu robe. Seu tom de voz carregava uma firmeza silenciosa, uma preparação interna para o que estava por vir.
— Nasci pronto! — disse John, levantando-se e girando os ombros. — Bora.
A hunter, de pé ao lado de uma janela quebrada, examinava o horizonte com seu “Olho de Águia”. Suas pupilas dilatadas pareciam absorver todos os detalhes da paisagem à frente. Após um momento de silêncio, virou-se para o grupo, sua voz baixa, mas clara:
— Vinte e cinco ao todo, misturados entre goblins comuns e alguns montados. Estão na praça à nossa frente, entre nós e o castelo.
— Perfeito! — disse Seraphine, com a mão pousada no punho de sua espada, a lâmina brilhando à luz fraca. — Vamos manter a mesma tática? Acredito que deve funcionar de novo.
Todos assentiram em uníssono. O plano era simples, mas eficaz. Avançariam juntos, cada um desempenhando seu papel com precisão. Sabiam que a batalha seria brutal, mas não podiam se dar ao luxo de falhar.
— Lembrem que ainda temos o Rei Goblin depois — disse Alexa, sua voz baixa, enquanto lançava um olhar sério ao redor. — Não podemos nos esgotar completamente agora.
Com a estratégia revisada, o grupo se levantou, cada um se preparando mentalmente para a próxima onda. O manto da “Fé Inabalável”, com sua aura dourada, caiu sobre o eles mais uma vez, revigorando seus corpos, fortalecendo seus espíritos e aumentando seus status. Logo em seguida vieram os encantamentos de Seraphine e Alexa.
— Round dois? Aqui vamos nós! — falou John, com um brilho determinado no olhar.
Eles se moveram com rapidez, atravessando os escombros em direção à praça central. A tensão no ar era palpável, o som dos goblins montados tornando-se cada vez mais próximo.
Quando finalmente chegaram ao limite da praça, a visão dos inimigos os aguardando foi como uma faca no ar. Goblins montados em lobos gigantes, empunhando lanças e porretes, patrulhavam o espaço aberto, enquanto outros goblins comuns circulavam em grupos menores, suas risadas grotescas ecoando pelo local.
Ana fez um gesto rápido com a mão, sinalizando para que todos tomassem suas posições. Seraphine e Fernando estavam à frente, seus escudos firmes, prontos para aguentar o impacto inicial. Gabrielle já estava no alto de uma estrutura desmoronada, o arco em mãos, enquanto Alexa começava a se preparar para lançar as primeiras magias de controle.
O primeiro movimento veio rápido. Um goblin montado avistou o grupo e lançou um grito ensurdecedor, alertando os demais. Os monstros avançaram em massa, a praça inteira irrompendo em caos. Os dois tanks receberam o impacto da primeira leva como uma muralha de aço.
Os goblins bateram contra seus escudos, o som de metal contra madeira ecoando pelo ar. Seraphine empurrou com força, fazendo um goblin tropeçar para trás. Com um movimento rápido, ela desferiu um golpe diagonal, cortando o monstro ao meio.
John, ao lado, segurava sua posição com o machado erguido. Ele girou a lâmina no ar, acertando o lado do pescoço de um goblin montado que avançava sobre ele. A besta grotesca gritou em agonia antes de cair no chão.
— Agora! — gritou Raziel, correndo para o flanco. Sua espada de duas mãos brilhava com energia sagrada. Ele atacou com precisão, acertando um goblin montado que tentava passar pelos escudos dos tanks. O golpe foi certeiro, derrubando o inimigo com uma explosão de sangue.
Alexa, posicionada mais atrás, conjurava suas paredes de gelo com precisão cirúrgica. As barreiras geladas erguiam-se de repente, interrompendo o avanço de goblins que tentavam cercar o grupo.
Os monstros colidiam contra o gelo, escorregando e caindo, tornando-se presas fáceis para as flechas de Gabrielle.
Do alto, a hunter fazia seu papel com precisão mortal. Sua habilidade permitia que visse todos os movimentos no campo de batalha, e cada flecha disparada encontrava seu alvo. Eliminava os goblins montados antes que pudessem coordenar um ataque mais organizado, derrubando-os das bestas com tiros certeiros na cabeça.
Brian, o mage, estava concentrado em um canto, as mãos envoltas em uma luz marrom-esverdeada intensa. Ele entoava palavras antigas, e assim que levou as mãos ao chão:
— Fiquem atrás! — gritou, antes de lançar o feitiço.
Estacas de terra surgiram do chão, lançando os monstros pelos ares. Mas a batalha estava longe de terminar. Mais goblins se aproximavam, e os montados eram mais ferozes. Um deles, maior que os outros, desceu com uma lança longa em direção a Raziel. O golpe era preciso, mas o paladino foi mais rápido, desviando para o lado e contra-atacando com um golpe de espada que abriu o peito do inimigo em um arco de sangue.
— Cuidado! — gritou Seraphine, enquanto três goblins montados avançavam simultaneamente.
Ela levantou o escudo a tempo de bloquear o primeiro golpe, mas o impacto a fez recuar. John veio em sua defesa, girando o machado com brutalidade e cortando as pernas da besta montada mais próxima. A criatura desabou com um grito estridente, e Seraphine aproveitou o momento para enfiar a espada no pescoço do goblin que caía sobre o animal.
— Breno, mais um! — gritou Raziel, apontando para outro grupo de inimigos que se aproximava pela lateral.
O mage concentrou-se, suas mãos brilhando com uma energia flamejante. Invocou uma rajada de fogo, que varreu o campo e atingiu os goblins com força total. As chamas consumiram os monstros em segundos, deixando um rastro de destruição atrás.
O grupo começava a ganhar terreno, mas os goblins montados ainda eram uma ameaça constante. Alexa, percebendo a gravidade da situação, invocou uma nova barreira de gelo ao redor de Seraphine e Fernando, dando um momento para recuperar o fôlego. O gelo protegendo os despertados dos ataques enquanto se reorganizavam.
— Precisamos derrubar os montados! — gritou Ana.
— Deixa comigo! — respondeu Gabrielle, puxando uma flecha especial de sua aljava. A ponta da flecha brilhava com uma energia arcana. Ela mirou no líder dos goblins montados e disparou.
O objeto cortou o ar em um arco perfeito, acertando o líder montado no olho. O monstro gritou em agonia, caindo da sua montaria desabando no chão e derrubando outros dois goblins no processo. O impacto do líder caído desmoralizou os goblins restantes, que hesitaram por um momento. Era tudoo que o grupo precisava.
Raziel, com sua espada, avançou contra os últimos inimigos, desferindo golpes brutais e precisos. Seraphine e Fernando mantiveram a linha de frente, cortando qualquer goblin que tentasse se aproximar. Breno conjurava chamas e relâmpagos, enquanto Gabrielle eliminava os que restavam com flechas certeiras.
Em poucos minutos, o campo de batalha estava coberto de corpos. O último goblin montado caiu com um grito sufocado, e o silêncio finalmente se estabeleceu na praça.
O grupo, ofegante, trocou olhares. Haviam vencido.
— Conseguimos... — disse Alexa, baixando as mãos, aliviada.
Gabrielle desceu de seu ponto de observação, ainda atenta aos arredores.
— Está tudo limpo por enquanto — dizia guardando o arco.
— O castelo está logo à frente — falou Raziel, olhando para a estrutura sombria no horizonte. — O Rei Goblin nos espera.
O grupo assentiu em silêncio. Sabiam que a batalha final estava prestes a começar.
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