Paladin

15 CAPÍTULO 15: Mana


Dentro da sala de aula, Raziel avistou John, que já estava acomodado em seu lugar. O gigante de dreadlocks parecia estar se ajustando melhor às dimensões da sala naquele dia, embora a cadeira ainda parecesse pequena em comparação ao seu tamanho.

— Fala aí, John! — sentou ao lado dele, sendo seguido por Alexa. — Pronto para a aula de hoje?

O gigante sorriu.
— Cara, ouvi dizer que hoje vai ser um desafio. Canalizar mana é algo que exige muita concentração.

— Então é bom estarmos preparados — Raziel respondeu, sentindo a adrenalina começar a correr em suas veias.

A professora entrou na sala, sua presença imediatamente atraindo a atenção de todos. Com seu cabelo loiro preso em um coque apertado e um olhar penetrante, parecia emanar a mesma energia que ensinava.

— Bom dia, classe — começou Sheila, caminhando lentamente em frente à turma. — Hoje vamos nos concentrar em canalizar. Canalizar mana é como abrir uma comporta em seu interior e permitir que a energia flua, essa energia é poderosa e deve ser controlada com precisão. Qualquer erro pode resultar em consequências desastrosas.

A professora fez um gesto, e uma aura brilhante de mana começou a se formar ao redor de suas mãos.
— Canalizar mana não é apenas sentir a energia, mas moldá-la e guiá-la. Isso exige bastante prática. Então, vamos começar.

Os alunos foram orientados a fechar os olhos e se concentrar. Raziel sentiu uma onda de antecipação tomar conta de si enquanto tentava seguir as instruções da professora. Respirando fundo, tentou se conectar com algo dentro de si, uma força que sabia estar ali, mas que nunca havia realmente acessado.

Então, sentiu.

Era como se um rio subterrâneo se movesse dentro dele, uma corrente fria e poderosa que fluía através de seu corpo. Tentou canalizá-la, guiando a energia com sua mente. A sala ao redor parecia diminuir à medida que se concentrava, os sons se tornando abafados enquanto a sensação de mana fluindo se tornava mais intensa.

Quando finalmente abriu os olhos, viu que uma leve aura avermelhada cercava suas mãos. A sensação era de puro poder, mas também de controle. Era como segurar uma espada afiada por ambos os lados — emocionante, mas perigoso.

Ao seu redor, outros alunos lutavam para fazer o mesmo, alguns conseguindo, outros falhando em manter o controle. John, ao seu lado, exibia uma aura verde, a expressão no rosto de pura concentração. Enquanto Alexa emanava uma energia azul, que trazia junto uma sensação de tranquilidade.

Sheila observava tudo atentamente.
— Lembrem-se — disse ela com uma voz firme —, canalizar é só o começo. O verdadeiro teste virá quando vocês precisarem usar essa mana sob pressão. Mas, por enquanto, bom trabalho.

Depois das aulas, como de costume, Raziel se dirigiu à ala dos Paladins. A rotina de observar os treinos de Templars e Crusaders havia se tornado parte essencial de seu dia, uma forma de se aproximar cada vez mais da decisão que precisava tomar. Hoje, porém, algo diferente chamou sua atenção. Ao adentrar a área de treino, Raziel viu sua irmã Sophie ajoelhada, com uma espada de duas mãos apoiada diante dela. Ela estava em uma posição de oração, com a cabeça baixa e os olhos fechados, o que era incomum para ela, pelo menos no que Raziel sabia.

Curioso, ele se aproximou lentamente, sem querer interromper o momento. Quando Sophie finalmente levantou o olhar, sorriu para ele, embora ainda mantivesse uma expressão séria.

— Maninha? — Raziel perguntou suavemente. — O que você estava fazendo?

Sophie se levantou lentamente, fazendo um sinal da cruz, segurando a espada com uma reverência que Raziel não havia notado antes.

— Eu estava rezando, Raz. Pedindo proteção a Deus.
— A Deus? — Raziel repetiu, surpreso. — Você nunca mencionou nada sobre isso antes.

Ela deu um passo em direção ao irmão, seus olhos refletindo uma profundidade que não havia visto antes. — Como paladins, nosso dever não é apenas lutar com força, mas também com fé. Oramos antes de cada batalha, pedindo a proteção divina para nos guiar e fortalecer. Isso nos dá mais do que coragem; nos concede força, velocidade e clareza que não podemos alcançar sozinhos. São benefícios que podem virar o rumo de uma batalha, Raziel. A fé e a mana estão entrelaçadas, e entender isso é crucial para se tornar um verdadeiro paladin.

Raziel sentiu o peso das palavras de sua irmã. Ela sempre foi uma guerreira forte, mas agora via que havia mais em sua força do que ele jamais imaginou.

— E você acha que isso realmente ajuda? — Ele perguntou, mais para entender do que para duvidar.

— Não é questão de acreditar, Raz. — sorriu, uma luz suave em seus olhos. — É saber. A proteção divina está conosco sempre que empunhamos nossas espadas em nome da justiça. E é essa certeza que nos torna invencíveis.

Raziel refletiu sobre isso enquanto observava Sophie voltar ao treinamento, o sol poente lançando sombras longas pelo campo. A cada dia que passava entendia um pouco mais sobre o que significava ser um paladin, e a escolha entre Templar e Crusader se tornava cada vez mais complexa.

Mas uma coisa era certa: fé e poder andavam de mãos dadas nesse mundo, e ele teria que aprender a equilibrar ambos para se tornar um verdadeiro guerreiro.