Paladin

16 CAPÍTULO 16: Respostas


O sol estava se pondo no horizonte quando Raziel deixou a ala dos Paladins, ainda absorvendo as palavras de sua irmã. Sophie sempre foi a imagem de força e habilidade, mas a profundidade de sua fé, a ligação entre o poder e a espiritualidade, era algo que ele não havia considerado com a devida atenção. A importância de uma divindade na vida de um paladin ressoava em sua mente enquanto ele caminhava lentamente de volta para casa.

Sabia que entender a fé dela não era apenas uma questão de curiosidade, mas uma parte essencial de seu próprio crescimento. Se a fé realmente oferecia os benefícios que ela descreveu — um aumento na força, velocidade e clareza —, então ele precisava explorar essa dimensão espiritual. Mas por onde começar? Raziel sentiu uma inquietação familiar crescer dentro dele, uma sede por respostas. A ideia de visitar a biblioteca da academia após as aulas do dia seguinte surgiu em sua mente como uma resolução. Lá, entre os volumes empoeirados e os textos antigos, poderia encontrar o conhecimento necessário para desvendar essa conexão.

A noite passou voando, assim como seus pensamentos, e na manhã seguinte, Raziel entrou na sala de aula para uma disciplina completamente nova: "Anatomia dos Monstros I". A atmosfera na sala estava carregada de expectativa. A professora já estava na frente da classe, aguardando em silêncio até que todos estivessem sentados.

— Bem-vindos ao estudo das criaturas que assombram nosso mundo — começou, sua voz grave capturando imediatamente a atenção de todos. — Desde o Grande Impacto, essas abominações têm sido uma ameaça constante à nossa existência. Entender sua biologia, suas fraquezas e suas táticas instintivas será vital para a sobrevivência de vocês no campo de batalha.

Ela caminhou pela sala, seus passos ecoando no chão enquanto começava a desenhar no quadro uma série de figuras grotescas, cada uma mais perturbadora que a anterior.

— Goblins, por exemplo, são pequenas criaturas de aparência frágil, mas nunca subestimem sua inteligência coletiva. Eles atacam em grupos, visando sempre os pontos mais vulneráveis de suas vítimas. Sabem o que é interessante sobre eles? — A professora parou, olhando para a classe. — Eles têm uma fraqueza nas costas, logo abaixo da coluna vertebral. Um golpe certeiro ali pode paralisá-los instantaneamente.

Enquanto os alunos absorviam as informações, a professora continuou a detalhar criaturas mais formidáveis.
— Dragões — ela disse, virando-se para o quadro onde agora estava desenhada uma gigantesca criatura alada. — Poucos sobreviveram para contar a história de uma batalha com essas feras, mas aqueles que o fizeram nos ensinaram que o ponto mais vulnerável de um dragão é a base de suas asas. Mas lembrem-se, a maioria dos dragões é extremamente inteligente, alguns até amigáveis à nossa raça.

Ela prosseguiu, agora desenhando figuras mais familiares.
— Vampiros e lobisomens. Duas espécies que compartilham a dualidade da existência. Existem tribos de lobisomens que são nossos aliados, assim como algumas linhagens de vampiros que vivem em paz entre nós. No entanto, nunca deixem de lembrar que, em combate, suas fraquezas tradicionais — prata para os lobisomens, estacas para os vampiros — apenas paralisam; são eficazes, mas não matam, tenham isso em mente.

Os alunos estavam completamente absorvidos, mas a tensão aumentou quando a professora mencionou os Pesadelos.
— Agora, os Pesadelos — ela disse, desenhando uma figura humanóide de aparência quase etérea. — Estes são os mais traiçoeiros. Eles se assemelham a humanos, mas sua presença é suficiente para causar um medo paralisante. Dizem que olhá-los nos olhos é como encarar o próprio abismo. Poucos têm a coragem ou a resistência mental para enfrentá-los de frente.

A última criatura a ser mencionada foi a mais aterrorizante de todas.
— As Calamidades — a professora desenhou um ser colossal, com uma forma que mal cabia no quadro. — Criaturas do tamanho de prédios, trazem destruição por onde passam. Não há ponto fraco óbvio, pois sua pele é tão resistente quanto o mais forte dos metais. Apenas os guerreiros mais experientes podem enfrentá-las, e, mesmo assim, algumas baixas vão acontecer.

Quando a aula chegou ao fim, Raziel sentiu que sua mente estava inundada com imagens e informações sobre essas criaturas. A sobrevivência no campo de batalha agora parecia muito mais complexa do que havia imaginado. Se aproximou de Alexa quando os alunos começaram a sair da sala.

— Preciso ir até a biblioteca — disse, sentindo a urgência em suas palavras.

— Biblioteca? — Alexa perguntou, surpresa. — O que você vai procurar lá?

— Quero aprender mais sobre a conexão entre fé e poder. Algo que minha irmã mencionou ontem realmente me fez pensar. Talvez eu encontre alguma resposta nos livros antigos.

Alexa assentiu, compreendendo a importância da busca de Raziel.
— A biblioteca é enorme, então se precisar de ajuda, sabe onde me encontrar.

Eles se despediram e Raziel se dirigiu à biblioteca da academia. Ao se aproximar, foi tomado pela imponência da construção. A entrada era grandiosa, com colunas que pareciam se estender até o céu, e portas de madeira pesada, intricadamente esculpidas com símbolos antigos.

Dentro, a biblioteca revelava-se como uma catedral do conhecimento. O espaço era oval, lembrando um coliseu, mas, em vez de arena, o centro era ocupado por fileiras e mais fileiras de mesas de leitura, cada uma com uma luminária de cristal que emitia uma luz suave. As estantes, que subiam até o teto curvado, estavam cheias de livros que pareciam ter sido tocados pelo tempo, suas lombadas gastas sugerindo segredos há muito esquecidos.

Respirou fundo, sentindo a aura do lugar. Este era o local onde poderia começar a desvendar o mistério da fé que Sophie mencionara. Estava determinado a encontrar as respostas que procurava, mergulhando nos textos antigos, em busca de uma compreensão mais profunda sobre a força que impulsionava os Paladins.

Enquanto o silêncio absoluto da biblioteca o envolvia, Raziel começou sua busca. As palavras de sua irmã ecoavam em sua mente, guiando-o através das prateleiras infinitas de conhecimento acumulado. Sabia que essa jornada seria longa, mas estava preparado para o desafio. Afinal, o verdadeiro poder não residia apenas no corpo, mas também na alma.

E sua alma estava faminta por respostas.