Paladin

46 CAPÍTULO 46: Sentinelas da Esperança


Alexa estava distraída na aula de Controle da Mana I, tentando manter o foco enquanto a professora explicava as complexidades do fluxo das habilidades. Porém, seu olhar constantemente voltava para o celular, em uma mistura de preocupação e esperança. De repente, o aparelho vibrou em suas mãos e uma notificação apareceu na tela: "E aí, sumida?", era a mensagem de Raziel. Leu rapidamente e, sem conseguir conter o choque, soltou um grito.


O som ecoou pela sala, e todos os olhos se voltaram para ela, inclusive os da professora.


— Senhorita Alexa! — disse a professora, franzindo a testa. — Quer nos iluminar com o motivo da sua interrupção?


A mesma se levantou de imediato, com o rosto vermelho de emoção.


— Raziel acordou! — E, antes que pudesse controlar a própria voz, um sorriso enorme tomou conta de seu rosto.


A reação foi instantânea. A sala, que antes estava imersa no silêncio acadêmico, explodiu em murmúrios e exclamações. A notícia percorreu o ambiente como fogo em palha seca, e o entusiasmo se espalhou entre os colegas de classe.


— O quê?! Ele acordou mesmo? — perguntou Seraphine, com um olhar de incredulidade.


— Finalmente! — exclamou John, levantando os braços em comemoração.


A professora, percebendo que a sala de aula havia se tornado uma zona de celebração, suspirou e ergueu a mão.


— Muito bem, parece que perdemos a atenção de todos — falou com um sorriso contido. — Vocês estão dispensados mais cedo. Corram dar a notícia a quem quiserem, mas por favor, com menos gritos na próxima vez!


Alexa não esperou mais nada. Assim que a professora terminou a frase, já estava se levantando, reunindo suas coisas apressadamente. Os três amigos correram juntos pelos corredores da academia e foram chamar o pessoal do outro grupo e Ana, movidos pela ansiedade de reencontrar o amigo.


Assim que chegaram ao hospital, a jovem mage não conseguia conter sua impaciência. Guiava o grupo com passos rápidos, e logo todos se encontraram à porta do quarto de Raziel. A mão tremia levemente quando abriu a porta.


— E aí, dorminhoco! — disse com uma voz que tentava soar descontraída, mas seus olhos estavam marejados ao ver que ele realmente estava acordado.


O garoto sorriu, recostado no travesseiro.


— Tô vivo! — brincou, sua voz ainda fraca, mas cheia de vida.


O grupo inteiro se aproximou, cercando a cama de Raziel com expressões de alívio e alegria. Fernando foi o primeiro a falar, erguendo o braço em um gesto dramático.


— O que acha? — perguntou, movendo o braço no ar. — Totalmente recuperado. A cura da Ana foi épica. Não sinto mais nada.


— Parece novo em folha.


John, que estava ao lado de Fernando, deu uma leve batidinha na perna.


— Se liga, mano, já posso até dançar se quiser. As pernas quebradas agora são coisa do passado, já tô até correndo de novo.


Enquanto os amigos conversavam animadamente, Alexa permaneceu ao lado de Raziel, sem conseguir se afastar. Sorria, rindo das piadas e dos comentários dos outros, mas seus olhos estavam constantemente voltados para o paladino, como se quisesse garantir que ele realmente estava ali, vivo e bem. A cada oportunidade, encontrava um jeito de tocar sua mão ou seu braço, como se o contato físico fosse a única coisa que a ancorasse na realidade.


— Fico feliz que todos estejam inteiros — falou com um sorriso para o grupo. — Parece que eu perdi mais do que só uma semana, hein?


Mas então, o momento foi interrompido pelo som suave da porta se abrindo. Todos se voltaram ao mesmo tempo para ver duas figuras entrando no quarto. Alya e Lyra, as Sentinelas da Esperança, estavam ali, de pé diante deles. Vestiam roupas simples, mas havia algo na postura das duas mulheres que imediatamente transmitia autoridade e graça. A beleza de ambas era impressionante, com uma aura quase divina envolvendo-as. Nenhum dos presentes conseguiria imaginar que elas estavam próximas dos cinquenta anos; suas aparências eram de alguém muito mais jovem, quase intocada pelo tempo.


— Alya... — murmurou Seraphine, boquiaberta. — E a Santa Sacerdotisa...


Era a primeira vez que todos viam Lyra pessoalmente, e sua presença parecia avassaladora. Tinha um semblante sereno e, ao mesmo tempo, intenso, como se estivesse observando além da superfície do que era visível. Quando seus olhos pousaram sobre Raziel, parou, seus lábios se curvando em um sorriso misterioso.


— Temos algo muito interessante acontecendo aqui, Alya — falou sem desviar o olhar de Raziel.


Para os outros, o jovem paladino parecia normal, ainda se recuperando do desgaste da batalha. Mas parece que a Santa via algo que ninguém mais podia ver. Ao redor do garoto, a energia de mana, usualmente fluida e dinâmica, estava envolta em um brilho diferente, uma luz suave, quase dourada. Como se a própria essência divina estivesse ali, disputando o lugar do núcleo com a mana. Alya se aproximou um pouco mais, com seus olhos curiosos.


— Realmente tem uma energia diferente ao redor — concordou, sussurrando quase para si mesma. — Algo mudou, mas não sei o que é.


Lyra assentiu, seus olhos brilhando com uma compreensão profunda.


— Não é apenas mana que corre por ele agora — respondeu Lyra, com um tom reverente. — Há algo mais raro, muito raro.


O grupo de amigos, ainda de pé ao redor da cama, observava a cena em silêncio, tentando processar as palavras da Santa. Raziel, embora ainda confuso, sentiu uma onda de calma percorrer seu corpo. As palavras do Mestre ecoavam em sua mente, e ele sabia que, mesmo que o futuro fosse incerto, estava no caminho certo.