Paladin

36 CAPÍTULO 36: Dentro da Dungeon


O grupo caminhou em direção ao portal, cada passo dado era mais pesado que o anterior. O arco de energia cintilante à frente parecia pulsar, emitindo uma vibração sutil que fazia o ar ao seu redor se distorcer ligeiramente. Raziel sentia uma mistura de ansiedade e adrenalina. Havia treinado para esse momento, mas agora, tão perto de atravessar o limiar, seu estômago dava voltas.


Assim que colocaram os pés dentro, uma sensação de frio gélido percorreu o corpo de todos. Não era apenas uma mudança de temperatura, mas algo mais profundo, algo que atingia diretamente os ossos. Raziel sentiu o estômago embrulhar, como se estivesse em queda livre. Ao seu redor, os outros pareciam igualmente afetados — Seraphine fechou os olhos com força, o rosto tenso, enquanto Ana mantinha a postura rígida, mas sua respiração denunciava o nervosismo.


Ao cruzar completamente o portal, o mundo ao redor mudou abruptamente. A sensação de náusea e a pressão em seus corpos desapareceram, substituídas por um silêncio profundo. O ar era denso, como se estivesse impregnado de uma energia antiga, esquecida.


Eles estavam no topo de uma colina, e de lá podiam observar o cenário que se estava diante deles. O horizonte revelava uma paisagem de desolação. Uma planice de árvores esparsas se erguiam como dedos retorcidos do solo, e no centro daquele campo devastado, uma cidade em ruínas. Construções destruídas, com paredes derrubadas e telhados partidos, estendiam-se até um castelo sombrio que se erguia no coração da cidade, imponente apesar de seu estado de deterioração.


— Então... isso é uma dungeon? — perguntou Seraphine, a voz embargada pela incredulidade.


— Parece um campo de batalha esquecido. — Respondeu Raziel, tentando controlar o nervosismo que se formava em seu peito.


Antes que pudessem processar a vastidão da cena à frente, o instrutor, um homem corpulento e de postura rígida, que havia os acompanhado até aquele momento, deu um passo à frente. Sua presença era autoritária, e ele os observava com um olhar severo.


— Vocês devem consultar sua janela de status — disse ele, sem rodeios. — As missões da dungeon sempre aparecem ali.


Raziel, Alexa e os demais imediatamente seguiram o comando. Com um gesto rápido, todos abriram suas janelas de status, e a missão brilhou diante de seus olhos:


"Missão:

Elimine todos os monstros da cidade.

Mate o Rei Goblin, o boss da dungeon."


Raziel sentiu um frio na espinha ao ler as palavras. O peso da responsabilidade se abateu sobre ele. A missão era clara, mas a magnitude do desafio que se desenrolava diante deles era imensurável.


— Parece simples o suficiente — disse Alexa, fechando sua janela de status e ajustando o cajado em suas costas. — Mas sabemos que não será.


— Boa sorte a todos — disse o instrutor, dando um passo para trás com um leve aceno de cabeça. — Vocês terão que caminhar até a cidade, fiquem alertas.


O grupo assentiu, trocando olhares rápidos entre si antes de começarem a descer o morro. O terreno irregular exigia atenção, mas a cidade em ruínas à frente era seu verdadeiro objetivo. Eles sabiam que, uma vez lá dentro, não haveria volta até que cumprissem sua missão.


Enquanto avançavam pela colina, o instrutor ficou parado, observando-os com atenção. Quando eles finalmente desapareceram na distância, seu rosto se contorceu em um sorriso sutil, quase imperceptível. Com um movimento discreto de sua mão, uma onda de energia invisível correu pelo portal atrás dele. A estrutura, antes luminosa e vibrante, começou a perder brilho. O sinal que conectava aquele mundo ao exterior diminuía, como uma chama sendo extinta.


Ninguém veria o que estava prestes a acontecer.


Do lado de fora, na base da Academia, um ambiente de alerta começou a se formar. Dentro da sala de controle mágica, uma das instrutoras, uma jovem de cabelos curtos e olhos arregalados, olhou para os monitores de cristal com expressão de pânico.


— Acabamos de perder o sinal de um dos grupos — disse ela, com a voz embargada de urgência. — O portal do grupo sete... parece que não existe mais!


Outra instrutora se aproximou rapidamente, os olhos fixos no monitor. Tentou reestabelecer a conexão, mas tudo parecia em vão. Todas as outras equipes passaram pelo mesmo portal, mas apenas a dungeon do grupo sete havia desaparecido completamente. Era como se eles nunca tivessem entrado lá.


— Isso não pode ser — sussurrou ela, movendo as mãos freneticamente sobre o cristal. — Chame Alya. Agora!


O clima de tensão dentro da sala aumentava rapidamente. Algo havia dado terrivelmente errado, e o destino do grupo desaparecido pendia sobre eles como uma sombra crescente.