Paixão Além da Coroa 3 - O Amor Atravessa Gerações
8 Capítulo 8
Notas iniciais
>>o Ponto de vista: Clary
Eu estava muito nervosa com a tal conversa, eu não sabia o que pensar, o que sentir, o que fazer e isso estava me matando por dentro.
– Bom, pode começar. — falei e Harry sorriu.
– Por onde você quer que eu comece? — perguntou.
– Pode ser bem direto. — eu o encarava e ele me encarava de volta. Por um momento tentamos jogar a vergonha para escanteio e sermos totalmente sinceros um com o outro.
– O que você quer, Clary? — perguntou e eu respirei fundo.
– Talvez um pouco menos direto. — Harry sorriu, mas se manteve firme.
– Por favor, Clarisse seja sincera. — falou e eu olhei para o lado.
– Eu ainda não sei, Harry. Eu já falei que embora eu queira te beijar, e eu quero não me entenda mal, mas eu não sei se posso ou devo.
– Por quê? Eu não consigo entender.
– Harry, eu conheço o seu tipo. Vocês só querem o prêmio, beijar a garota difícil, depois mostrar pra todo mundo que conseguiu. E eu percebi que você é um garoto legal, embora seja um idiota com as garotas.
– You love me. — murmurou e eu sorri.
– Além do mais eu não quero me apaixonar por um futuro rei, ser rainha de um país não estava nos meus planos. — falei e ele abaixou a cabeça.
– O engraçado é que várias garotas sonham com esse cargo.
– Mas eu não sou uma delas. — Harry riu sem humor.
– Entendi o seu dilema, mas o que você está sentindo em relação a mim agora? — perguntou e eu fechei os olhos.
– Eu não sei, Harry. Tudo está tão confuso na minha mente!
– Eu entendo. — eu abri os olhos e ele estava olhando pro nada.
– E o que você sente em relação a mim, Harry? — falei baixinho, talvez temendo a resposta. Por um tempo ele não respondeu, e a ansiedade estava quase me enlouquecendo.
– Eu ainda não sei, Clary. Mas eu quero muito saber, mas de uma coisa eu tenho certeza. Você não é só uma amiga, muito menos uma garota qualquer.
– Então são duas coisas. — falei sem pensar, e ele riu.
– Você ouviu o que eu disse?
– Ouvi sim, e eu entendi. Só não sei como agir diante disso. — falei e ele chegou mais perto.
– Você pode ao menos uma vez na vida parar de tentar controlar tudo? — perguntou e eu sorri.
– Eu não consigo.
– Então deixa que eu faço isso pra você.
Nossos lábios encostaram suave e lentamente um no outro. Eu fechei os olhos quase imediatamente, e senti meu corpo relaxar.
– Se você me pedir pra te beijar, eu beijo. — falou Harry bem baixinho com a respiração parcialmente controlada.
– Me beija. — falei automaticamente, antes que eu mudasse de ideia e ele beijou.
Dessa vez eu estava esperando, e queria. Sua língua escorregou pra dentro da minha boca de um jeito gentil, mas apressado. Eu segurei seu cabelo e o puxei mais pra perto, Harry colocou as suas duas mãos na minha cintura e me puxou também. Íamos em um ritmo programado e automático, como uma dança. Agíamos devagar, embora meu corpo estivesse queimando por dentro e eu o desejasse. A única coisa que se passava na minha mente era por que eu não tinha o beijado antes.
Como um beijo te faz relaxar e te deixa elétrica ao mesmo tempo? Não fazia sentido, mas também não estava reclamando. Eu nunca tinha entendido a expressão "borboletas no estômago" até agora, porque era isso que eu sentia. Parecia milhões de borboletas voando pelo meu estômago, cada parte do meu corpo parecia derreter e ao mesmo tempo eu lutava para controlar a minha respiração que insistia em acelerar.
– Harry, eu preciso mesmo respirar. — falei e ele sorriu.
– Desculpe! — eu o encarei. Seus olhos estavam quase sorrindo, e o meu coração sambava no meu peito. Ele tinha que ter olhos azuis.
Nos encaramos por um momento e de repente começamos a rir fazendo todo o nervosismo e ansiedade se esvair do meu corpo. Eu estava de corpo e alma ali.
Porém rapidamente algumas questões começaram a surgir na minha mente, me deixando quase tonta e eu parei de rir.
– O que aconteceu? — perguntou Harry e eu o encarei.
– Harry, eu não sei o que isso quer dizer.
– Isso, o que?
– Nós, o beijo. Eu não sei como agir, até porque eu vou embora daqui a um mês, você vai voltar pra sua vida e eu pra minha.
– Clary, por favor, não faça isso.
– Não faça o que?
– Não planeje! Esse vai ser o objetivo das suas férias, não planejar. Deixe as coisas acontecerem!
Eu parei pra pensar se isso realmente ia valer a pena, já que raramente eu não planejava. Se bem que Londres não estava nos meus planos, e por enquanto está sendo mais que incrível.
– Por que não? Afinal, quem não gosta de surpresas?
Harry sorriu, mas não pode responder porque foi interrompido com uma batida na porta.
– Quem será? — perguntou curiosa e receosa.
– Eu vou ver quem é. — falou levantando. Eu estava sentada no sofá esperando com certo medo de quem podia ser.
– Olá, Clary. — falou alguém atrás de mim. Era a rainha, Angelina.
– Olá. — falei constrangida e levantei.
– Vocês arrumaram uma confusão e tanto. — para minha surpresa, ela estava sorrindo.
– Desculpe mesmo, mas eu... — comecei, mas ela me interrompeu.
– Não precisa explicar, eu já entendi. Agora, Harry, você pode pegar as coisas de vocês lá em cima? — perguntou e ele olhou pra mãe, depois pra mim com certa curiosidade.
– Tudo bem. — falou apenas. Assim que ele terminou de subir as escadas, ela sentou no sofá e sinalizou para que eu sentasse também.
– Vamos falar em português, Clary, porque eu não quero que Harry ouça.
– Como quiser. — falei agora com muito medo.
– Eu só quero que você me responda uma pergunta: Vocês dois se beijaram? — eu estava surpresa.
– Como? — perguntei sem acreditar no que tinha ouvido.
– Você ouviu.
– Por que a pergunta?
– Vamos, Clary, responda. Eu estou curiosa, e sei que você provavelmente vai querer contar pra alguém, mas tem medo de parecer metida, e se contar pra sua mãe, ela morre. Então, fale comigo. — falou e eu estava chocada, confesso. Mas, eu não sei como, ela tinha razão.
– Ah Angie, eu estou tão confusa. — comecei — Eu o beijei, mas tenho medo. O beijo foi bom, na verdade, foi maravilhoso. Nunca tinha sentido nada igual, mas fico dividida entre isso e o fato de que eu vou voltar ao Brasil daqui a um mês.
– Entendo. — falou apenas e eu joguei minha cabeça pra atrás para encarar o teto.
– O que eu faço, Angie?
– Pare de pensar. — falou e eu a encarei.
– Como assim?
– Você pensa demais. Acredite em mim, se eu pensasse demais como você, hoje eu não seria a rainha.
– Então a sua solução é que eu paro de pensar nisso e deixe as coisas acontecerem?
– Exatamente. Faça isso, minha querida, e no final desse mês você fale comigo e me diga se ficou arrependida. Combinado?
– Combinado. — falei sem nem pensar e ela riu.
– Perfect.
–What's perfect? – perguntou Harry com as nossas coisas no final da escada.
– So sorry, son. But it's secret! – falou Angie e piscou pra mim. — Right now, let's go meu casal preferido.
– What you say in portuguese?
– Nothing, son, nothing.– Harry encarava a mãe com muita curiosidade, me fazendo rir.
– Vamos, Harry. — falei pegando algumas sacolas da sua mão.
– Mas eu só peguei nossas roupas e o cobertor.
– Não tem problema, o resto eu peço para pegarem depois, só vamos embora logo antes que a Ana tenha um infarto. — falou Angie sorrindo. Embora isso me deixasse um pouco preocupada, eu estava me sentindo bem.
– Será que ela vai me matar? — perguntei e Harry riu.
– Se sua mãe vai te matar eu não sei, mas que meu pai vai me matar de tédio, com certeza. Eu vou ouvir o maior sermão da minha vida. — falou rindo.
Angelina deixou a gente ir no carro que tínhamos ido, enquanto ela ia no carro real, o que foi melhor porque fomos cantando, rindo e imaginando as formas que os nossos pais usariam para nos matar.
>>o
– Pronto, chegamos! — falou Harry assim que passamos pelos portões do palácio.
– Não estava nem um pouco ansiosa. — falei e ele riu.
Angelina tinha ido à frente, então quando estacionamos ela já tinha entrado provavelmente ido chamar os nossos pais, o que não nos deixava animados. Adentramos o salão e ouvimos uma música conhecida, mas eu não conseguia identificar.
– De onde tá vindo isso? – perguntei e ele sorriu.
– Eu tenho certeza que minha mãe tem haver com isso. – falou jogando a mochila em um canto.
– O que foi, Harry? – ele pegou a minha bolsa e jogou do lado da dele.
– Vem, vamos dançar. – falou oferecendo sua mão.
– Eu não sei dançar valsa. – falei sinceramente, mas aceitei sua mão assim mesmo.
– É muito simples, quem conduz sou eu.
Eu segurei sua mão meio relutante, mas ele estava firme. Harry colocou uma mão na minha cintura, e eu tentava acompanhar os seus passos olhando pro chão.
– Clary, você tem que olhar pra cima. Pra mim! – falou e eu o encarei. Seus olhos estavam me fitando, e eu fiquei ligeiramente constrangida.
– Por que sua mãe colocaria uma música pra gente dançar? – perguntei curiosa e ele riu.
– Eu tenho um palpite, mas não tenho certeza. – falou apenas.
– Ainda estou curiosa. – falei e ele apenas levantou meu rosto.
– Clarisse, encare o meu rosto apenas. Você tem que sentir a música, segue os meus passos. – eu estava nervosa, mas me deixei levar. Mesmo assim eu pisei no pé dele, milhões de vezes.
– Não dá, Harry. Eu não nasci pra isso! – falei frustrada, mas ele apenas riu.
– Eu vou te ajudar! – Harry me levantou e eu fiquei em cima dos seus pés.
– Assim não é trapaça? – perguntei.
– Não, necessariamente. Eu estou te apoiando, e tenho todo o direito.
Nós rodopiamos pelo salão e eu o encarava fixamente, confesso que estava (ligeiramente) admirada. Harry estava mostrando uma delicadeza e cuidado que eu não conhecia. Depois ele me botou no chão e me girou. Com a mão que estava livre, me puxou e me beijou. Na hora eu me apoei nele antes que caísse porque o meu corpo estava derretendo.
>>o Ponto de vista: Angelina
– Onde eles estão? – perguntou Ana andando, quase correndo.
– No salão principal. – falei e ela saiu correndo.
– Ela não aprende nunca? – perguntei e Lucas sorriu.
– Ela estava preocupada, perdoa. – falou seguindo a esposa, enquanto eu andava devagar ao lado de Edward.
– Eu pensei que você não fosse tirá-los de lá. – falou Ed no meu ouvido.
– Eu não ia, mas eu tive algumas ideias. – falei e ele rolou os olhos.
– Angelina, por favor, a Ana não tem o coração tão forte.
– Edward, eu sei o que estou fazendo.
– Eu espero mesmo!
Mal chegamos à entrada, e lá estavam Ana e Lucas parados encarando algo que eu já sabia o que era.
– O que aconteceu? – perguntou Ed e Lucas apontou.
– Nossos filhos estão se beijando. – falou e eu sorri. Ed olhou pra mim pelo canto do olho, ele já sabia que era culpa minha.
– Eu aposto que tem dedo seu nisso, Angelina. – falou Ana apontando pra mim.
– Não bote a culpa em mim, Ana. Eu não obriguei ninguém a se trancar dentro de uma casa longe dos nossos olhos. – falei e ela me puxou pelo braço para um canto.
– Angelina, eu te conheço. E eu tenho certeza que você planejou alguma coisa para eles ficarem juntos. – falou ela em português, com a voz levemente alterada.
– Ah, Ana, por favor. Sejamos racionais! Harry é complicado, eu sei, mas tem seus encantos e sua filha é linda, simpática e encantadora. As coisas acontecem.
– Angie, eu quero que você entenda uma coisa. Eu não quero que minha se meta com a política, ouviu? Ela ainda é uma criança pra mim e para lei do Brasil. Não quero que ela se envolva com seu filho.
– Se você não percebeu, você não tem mais escolha. – falei apontando pra frente. Clary e Harry estavam dançando e rindo, e se beijaram de novo sem perceber que eu estava quase sendo ameaçada de morte do outro lado do salão.
– Eu posso arrastar Clarisse daqui em dois segundos, você quer ver? Eu não sei o que você estava planejando, Angelina. Mas quando eu decidi arrastá-la pra cá, eu nunca tinha imaginado que ela ia ter alguma coisa com o Harry. – Ana não olhava mais pra mim, e sim para a parede. Edward e Lucas discutiam alguma coisa.
– Ana, não acho isso justo. A sua mãe deu o apoio necessário quando você decidiu que ia sair com um príncipe, e eu tenho certeza que ela sabia dos riscos e no que isso custaria.
– Mas, essa história não acabou bem, acabou? Porque eu não sou a rainha aqui, certo? – as palavras dela me acertaram em cheio e eu dei um passo para trás surpresa.
– Então o problema está em você não estar com o Edward? Sério? Depois de vinte anos? – Ana arregalou os olhos e se aproximou.
– Angie, eu... – mas eu a interrompi.
– Eu vou acabar com isso, então. – eu saí batendo o pé, mas Edward segurou o meu braço.
– O que você está fazendo?
– Resolvendo as coisas para a minha amiga. – falei carregando todo o veneno que consegui na palavra “amiga”.
Lucas tomou a dianteira e caminhou na minha frente.
– Olá, queridos. – falou apenas e eles se assustaram, Clary congelou na hora e Harry conseguiu ficar mais branco do que já era.
– Pai, eu... – começou a Clary, mas o Lucas sinalizou pra ela parar.
– Clary, eu não quero conversar com você aqui, ok? E Harry, acho que seus pais querem falar com você. – falou ele apontando pra trás.
– Tudo bem, a gente se vê depois? – perguntou Harry pra Clary e ela assentiu sorrindo.
Harry andou na nossa direção sem pressa, embora ele demonstrasse preocupação, seus olhos mostravam ansiedade e até alegria.
– Vamos ao escritório do seu pai? – perguntei e ele concordou.
– Vamos, né? – falou meio sem jeito.
Antes de sair do salão eu vi a Ana me encarando de longe, eu estava chateada com ela e gostaria de algumas explicações. Mas nem tão cedo, porque no momento eu tinha que dar uma de mãe e não sei se me sairia bem.
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