Paixão Além da Coroa 3 - O Amor Atravessa Gerações
11 Capítulo 11
Notas iniciais
>>o Ponto de vista: Clary
Eu não sabia o que se passava na cabeça do Harry, mas sabia que de alguma forma a pequena Rachel mexeu com ele.
– Harry, por favor, eu preciso saber o que aconteceu com você.
– Desculpe, eu não sei o que deu em mim.
– Tudo bem, você quer conversar? — perguntei.
– Quero, mas não aqui. Quero conversar com uma xícara de chocolate quente, debaixo de um cobertor. — falou e eu sorri.
– Vamos lá!
>>o
– Não é a toa que são cozinheiros da família real. Que chocolate maravilhoso! — falei e Harry riu.
– Você tem toda razão!
Estávamos no meu quarto, sentados encostando as costas na cabeceira da cama, lado a lado debaixo do cobertor com copos de papel de chocolate quente.
– Pronto, já pode começar a falar.
– Clary, eu me imaginei na situação do floco de neve prestes a cair do galho.
– Não se sinta assim, você não vai cair.
– Não depende só de mim e você sabe.
– Eu sei, mas se quiser eu serei o vento. — falei sem pensar e ele me encarou.
– Como assim?
– Eu vou ser o vento. Se você quiser, eu te empurro pra cima e não deixo você cair. — Harry sorriu e colocou o copo dele em cima da mesinha de cabeceira, e eu fiz o mesmo.
– Você é simplesmente incrível, Clarisse Rodrigues.
Harry me beijou simplesmente, e eu quase fiquei sem ar. Meu corpo aqueceu rapidamente e eu não precisava mais de chocolate quente. Minhas mãos foram automaticamente para o seu cabelo que eu enrolava entre os meus dedos, as suas mãos faziam desenhos nas minhas costas, chegamos mais perto um do outro e eu senti o seu coração bater contra o meu peito.
– Deixa eu respirar, Harry. — falei empurrando ele levemente.
– Desculpe. — falou sem graça.
– O que você disse mesmo sobre eu ser incrível? — falei e ele riu.
– Você só prestou atenção nisso?
– Não, mas esse foi o que mais me interessou.
– Eu disse, Clary, que você é simplesmente incrível! — falou e me deu um selinho.
– Muito obrigada, nada que eu não eu soubesse, é claro. Mas é sempre bom ouvir.
– Quanta humildade! — falou pegando o chocolate quente, fiz o mesmo.
Bebemos nosso chocolate em silêncio, estávamos tão perto que encostávamos um no outro, mas eu não estava me importando, quando algo na minha mente estalou.
– Que horas são, Harry? — perguntei, ele olhou no meu celular que estava na mesinha de cabeceira.
– 16 hrs, por que?
– Porque eu tenho que me arrumar para encontrar com o Tiago e você também. — Harry endureceu o rosto na hora e fez uma careta.
– Clary, deixa isso pra lá. Tiago não deve estar nem lembrando... — começou, mas eu já estava levantando.
– Sem discussão, Harry. Eu vou sem você ou não. — falei, Harry revirou os olhos e levantou.
– Já que não tem como discutir com você, eu vou tomar banho e me arrumar. Encontro com vocês dois dentro do carro na entrada. — Harry já estava chegando na porta.
– Combinado! E Harry... — chamei e ele se virou. Fui ao seu encontro e o beijei.
– Vai ser divertido! — falei.
– Acho bom que seja, Rodrigues.
– Não se preocupe com isso, Lewis.
>>o
Eu encarava as minhas roupas enrolada na toalha, mas eu nem olhava pra elas. Pensava no Harry, pensava na decisão que eu teria que tomar assim que chegasse a hora de ir embora, pensava também no que eu representava para o Harry e no que o mundo achava que a gente era.
Depois de muito tempo, decidi vestir um vestido preto com um casacão verde escuro de lã, meia calça preta, cachecol estampado bege escuro e bota marrom escuro. Investi na maquiagem e fiz uma trança de lado no cabelo, peguei minha bolsa e fui atrás do Tiago.
– Tiago! — chamei e bati na porta, ele abriu logo em seguida.
– Clary, eu achei que não viesse. — falou ele sorrindo.
– Desculpe, eu me atrasei para escolher uma roupa.
– Você está linda! — falou sorrindo e só aí eu reparei nele. Tiago vestia uma calça preta, blusa azul claro que combinava com seus olhos, um cardigã vermelho e branco, tênis marrom. Ele parecia mais velho, estava uma graça.
– Obrigada! Você também está lindo, Tiago. — falei sinceramente e seus olhos azuis brilharam. Tiago tinha os olhos do pai, de um azul calmo, parecido com o céu do Rio de Janeiro, enquanto Harry tinha os olhos da mãe, de um azul escuro e penetrante de um jeito desconcertante. Olhando pra ele percebi o quanto Tiago parecia com o pai, os mesmos olhos, mesma cor do cabelo (loiro claro), e mesma postura rígida.
– Obrigado! Cadê o Harry? Ele não vai? — perguntou curioso.
– Não, ele está esperando no carro!
– Ele não queria que eu fosse, não é? — eu fiquei sem saber o que dizer, diante daquela carinha triste.
– Não é bem isso, Tiago. Seu irmão esperava sair sozinho comigo.
– Não precisa fingir, Clary. O Harry não gosta muito da minha presença, mas eu não me importo muito! — falou, mas eu vi nos seus olhos que isso não era verdade.
– Vem, vamos encontrá-lo! E eu prometo que você vai se divertir!
– Obrigado, Clary. Eu já estava cansado de ficar em casa estudando.
Eu já achava que a pressão que Harry carregava nos ombros era demais pra ele carregar, imagine para um menino de nove anos? Tiago falava e se portava como adulto, duvido que ele tenha tido infância.
Encontramos com o Harry, assim como dito, na entrada. Ele estava mexendo no rádio dentro do carro e abriu um sorriso quando me viu.
– Você está linda, Clary. — gritou e eu fiz uma pequena reverência.
– Muito obrigada, Lewis. — falei e ele riu. Tiago sentou no banco de trás inquieto, animado.
– Para onde vamos, Rodrigues? — perguntou Harry ligando o carro assim que eu bati a porta.
– Nós vamos para o parque. — falei e ele me encarou surpresa.
– Hyde Park, de novo? — perguntou e me virei para encarar o Tiago.
– Não, nós vamos para o parque de diversões. — falei e ele abriu um sorriso enorme.
– Eu nunca fui em um parque de diversões. — confessou e eu virei pra frente.
– Toda criança precisa de um parque de diversões de vez em quando, acredite. Pode ir, Harry. — falei e ele riu.
– Eu também nunca fui em um parque de diversões, Clary.
– Porque você não tinha um irmão mais velho que pudesse levar você, e uma pessoa como eu na sua vida. Agora, já pode ir!
– Mas onde tem um parque de diversões?
– Em Cambdrige. — falei e ele arregalou os olhos.
– Mas isso leva umas duas horas de viagem. — falou e eu dei de ombros.
– Está perdendo tempo discutindo comigo!
– Você que manda, Rodrigues.
Depois de duas horas de cantoria, conversa e "Falta muito?" da parte do Tiago, chegamos a Cambdrige.
– Pra onde eu vou agora, Clary? — perguntou Harry.
– Segue os focos de luz. — falei e ele suspirou, mas obedeceu.
Assim que viramos em uma rua do centro, as luzes invadiram o carro e Tiago colou o rosto no vidro chocado. Os brinquedos eram enormes e multicoloridos chamando a atenção das crianças que estavam no carro: Tiago e Harry, que nunca tinham ido em um parque de diversões.
– Bem vindos ao parque de diversões! — falei.
Quando descemos do carro pude perceber como Harry estava bonito de um jeito casual. Ele vestia uma calça bege, blusa branca de malha, blusa azul de botão, cardigã estampado e chapéu coco marrom.
– Harry, você está muito bonito. — falei e ele fez uma reverência.
– Muito obrigado, Rodrigues.
>>o
– Eu quero ir primeiro na roda gigante! — falou e eu ri.
– Tiago, vamos nos outros briquedos primeiro. Na roda gigante nós já fomos várias vezes, e a de Londres é muito maior. — falou Harry e ele assentiu.
– Então aonde vamos? — perguntou, eu encarei os briquedos a nossa volta.
– Carrinho bate-bate. — falei e ele sorriu.
– Vamos logo! — Tiago puxou a minha mão e a do Harry, fazendo a gente rir.
– Vá com calma, Tiago. — falei. Não paramos na fila, porque rapidamente um funcionário colocou a gente na frente.
– Esse negócio de não enfrentar fila nenhuma é muito legal! — falei e Harry riu.
– Continue conosco que você vai até acostumar.
Cada um sentou em um carrinho, e ajeitávamos o cinto enquanto as outras pessoas sentavam nos seus. Assim que sinalizaram que poderíamos andar, Tiago arrancou e bateu na murada. A risada que ele soltou fez andar duas horas de Londres a Cambdrige valer a pena, e Harry ria junto com o seu irmão fazendo o meu peito se inundar de alegria.
Batíamos um no outro de próposito, e a cada batida uma risada era tirada de nós. Quando acabou o tempo, eu não queria sair, muito menos o Tiago.
– Eu não quero ir! — falou como uma criança de cinco anos.
– Mas tem muitos brinquedos mais divertidos! Acredite! — falei e ele tirou o cinto meio a contragosto.
– Se você está dizendo eu acredito.
– E agora, Clary, guie-nos. — falou Harry assim que saímos da pista.
– Vamos nas xícaras gigantes. — falei e os olhos de Tiago brilharam.
– Eu estava esperando você dizer esse. — ele correu na frente, eu e Harry nos encaramos e corremos também.
– Vamos logo! — falou Tiago sentando no meio de uma xícara, eu e Harry sentamos ao seu lado. — Isso vai ser muito divertido!
>>o
Depois de duas horas já tínhamos ido no Crazy Dance, montanha russa, roda gigante, carrossel, barco gigante, enfim.., a praticamente todos os brinquedos, Tiago resolveu ir sozinho pela terceira vez na montanha russa.
– Tudo bem, mas nós vamos no Túnel do Amor e você encontra a gente na saída. — falou Harry
– Combinado! — falou Tiago e saiu correndo.
– Acho que você estava planejando isso desde que a gente chegou aqui. — falei e Harry riu.
– Ficar sozinho com você? Eu planejo isso desde que você saiu daquele táxi na entrada da minha casa.
– Que coisa mais fofa! — falei e ele riu.
– Vamos logo, Clary. Eu já vi em filmes, mas nunca fui em um.
– Você vai gostar! — falei e puxei ele pela mão.
Entramos em um barquinho que seguia por um túnel com fotos das cenas românticas mais famosas do cinema, a música que tocava fazia eu querer chegar mais perto do Harry e foi o que eu fiz.
– Eu estou simplesmente amando ficar esse tempo com você. — falou Harry e eu sorri.
– Aqui no parque?
– Claro que não, todo esse tempo. Desde que você falou que eu não era o seu príncipe ideal, eu fiquei destinado a te conquistar. Mas foi você que acabou me conquistando!
– Mas você também me conquistou quando começou a ser sincero comigo, quando desistiu de parecer o príncipe perfeito. E eu achando que ia odiar essa viagem.
– Eu tenho que agradecer a sua mãe por ter te obrigado a vir. — falou Harry beijando minha testa.
– Eu também! Agora, por favor, me dê um beijo de verdade! — eu não precisei nem pedir duas vezes.
Beijar o Harry era algo no qual eu não tinha me acostumado e nunca ia me acostumar! O seu cheiro, sua respiração, seu coração batendo contra o meu me deixava sem ação, mas ao mesmo tempo agindo por impulso. Ele agia eu reagia, como uma máquina perfeita.
– Vocês dois ainda estão se beijando? — perguntou Tiago fazendo uma careta, a gente nem tinha percebido que tínhamos saído.
– Desculpe, vamos ganhar brindes? — perguntei e o rosto dele se iluminou.
– Eu quero ganhar o dragão de pelúcia!
>>o
– Eu adorei cada minuto que eu passei aqui. — falou Tiago na saída. Tínhamos conseguido o tal dragão de pelúcia, um ursinho enorme branco pra mim, dez balas, cinco lápis e várias outras coisas.
– Fico feliz, essa era a intenção. — falei ajudando a carregar as coisas.
– Eu nunca vou esquecer esse dia! — falou ele sorrindo e correndo na frente.
– Nem eu! — falou Harry me dando selinho.
– Ótimo! Minha missão aqui foi concluída!
– Vamos gente! — gritou Tiago encostado no carro com o dragão de pelúcia na mão.
– Já estamos indo! — gritei de volta.
>>o
– Eu adorei o parque de diversões. Obrigado Clary pela ideia, e obrigado Harry por ter me levado também, foi o melhor dia da minha vida. — disse Tiago deitado no banco de trás agarrado com o dragão.
– De nada, Tiago. Foi um prazer! — falei.
– Eu também adorei, maninho. Não tem que agradecer! — falou Harry e Tiago sorriu. Poucos minutos depois ele estava dormindo.
– Sabe, Clary, acho que nós dois precisávamos desse momento para voltar a infância. — falou Harry.
– Eu sei, eu pensei nisso assim que Tiago falou que estava estudando. Toda criança merece um pouco de paz, um tempo para brincar...
– Ele tem sorte de ter alguém como você agora!
– Mas ele tem você também! Ele te ama, Harry. Você que esquece um pouco dele!
– Eu sei, quando a gente foi na montanha russa, só nós dois, ele segurou a minha mão e disse que confiava em mim. Percebi que eu tinha que aguentar tudo por ele, e eu digo tudo mesmo. O reino, as responsabilidades, as pessoas, os meus pais...
– Você já mudou muito, Harry. Desde do momento que eu te conheci até agora, eu percebi que você já amadureceu.
– Eu sei e te agradeço por isso, Clary. Obrigado por abrir os meus olhos, por me ajudar a perceber o que é certo, obrigado por ser o vento. — falou e eu beijei sua bochecha.
– De nada!
O resto do caminho passamos em silêncio, Tiago dormia tranquilamente, e eu olhava a paisagem pela janela. Quanto mais tempo eu passava na Inglaterra, menos eu queria voltar pro Brasil, o que eu ia fazer?
>>o
– Vem, eu levo o Tiago pro quarto e você leva o dragão. Porque se ele acordar e esse bicho não estiver lá, ele vai fazer um escandâlo. — Harry tirou o Tiago do carro e levou ele no colo até o quarto. Colocou ele na cama e eu fui atrás levando o bicho de pelúcia, coloquei do lado dele e Tiago o abraçou.
Voltamos pro carro e pegamos o resto das coisas, minha bolsa e o meu urso de pelúcia enorme. Enquanto Harry colocava o carro na garagem, eu fui andando pro meu quarto apertando o urso nas mãos. Quando ele chegou, eu já tinha colocado o bicho aos pés da minha cama.
– Eu vim dizer boa noite! — falou Harry encostado no mural da porta.
– Boa noite! — eu disse e ele riu.
– Desse jeito não tem graça, Rodrigues.
Eu sempre me surpreendia com o jeito dele de me fazer esquecer do mundo, e da questão que estava agora constantemente na minha mente. O jeito que ele tinha de me manter aquecida por dentro, calma e elétrica.
– Você tem toda razão, Lewis. — falei assim que nos afastamos e ele sorriu.
– Boa noite, Clary! — falou encostando seu nariz no meu.
– Boa noite, Harry. — beijei seus lábios suavemente, de um jeito quase inocente. E sua respiração acelerou, me pegando de surpresa, já que ele sempre parecia ser tão controlado.
– Clary, eu acho melhor ir embora. Antes que eu resolva entrar... — falou e eu ri.
– Boa noite, Harry. — fechei a porta com o coração acelerado e necessitando de água quente para relaxar a mente.
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