Painting Flowers

12 Parte 2 - You Shook Me All Night Long


Notas iniciais
Gente, setembro não durou nem uma semana ou foi só pra mim??

A noite caiu mais depressa que o esperado. Nova York fervilhava de pessoas fantasiadas e jovens empolgados. Arthur olhava-se no espelho com as sobrancelhas franzidas. Não lembrava de sua fantasia ser tão apertada. Quer dizer, estava confortável, nada demais, só parecia meio… justa. Deus, só faltava ele ter pego uma calça feminina por engano.

— Tarde demais.

Ninguém ia perceber, de qualquer forma. Ajeitou a capa e endireitou os cabelos antes de pôr o arco com a mini-cartola. Até que estava bem, o lápis de olho e os dentes falsos ficaram ótimos. O inglês murmurou aprovador e enfiou um maço de dinheiro no bolso antes de sair do quarto.

Na porta do prédio, Alfred o esperava dentro de um táxi. Ele iria de Jason pelo visto. Uma roupa social antiga coberta por um chamativo sobretudo alaranjado. A máscara não cobria seu rosto, mas ele permaneceu encarando a janela quando Arthur entrou, as mãos pousadas em uma serra elétrica falsa.

— Desculpe a demora, estamos atrasados? — perguntou. Tinha se perdido no caminho de volta e teve que se arrumar as pressas.

— Não – respondeu Alfred mal se dignando a olhá-lo.

Arthur abaixou a cabeça e sentiu-se encolhendo. Sabia que deveria ter ido embora quando havia chance. Poderia estar com Noruega naquele momento, saindo de um hotel qualquer com uma conversa amigável. E não dividindo um táxi com um mudo.

Que, ao que parece, também não tinha um relógio. Eles estavam sim atrasados. O armazém brilhava até do lado de fora e quase todos os convidados já estavam la dentro. Por sorte, Francis havia chegado cedo e mantido tudo sobre controle.

Mas Arthur não se importava. A festa não era dele, Alfred que se virasse se fosse agir como um idiota. Enfiou-se na multidão na primeira chance que teve e não foi difícil achar Noruega e România.

A música eletrônica fazia o sangue de Arthur pulsar e em duas horas metade das pessoas estavam bêbadas e pulando no meio do salão.







— Então você está me dizendo que foi rude com ele? — indagou Francis descrente.

Alfred corou e deu de ombros como uma criança.

— Certo, chega. Je suis marre que tu. — Suspirou e deu um beijo rápido na bochecha de Matthew. — Fale com o seu irmão estúpido, vou beber alguma coisa.

O francês foi embora, sua fantasia – uma versão extremamente estilosa de um fantasma – esvoaçando às suas costas. O americano bufou irritado.

— Al… você precisa levar os sentimentos dele em conta – aconselhou Matthew com sua calma natural.

— Você acha que eu não levo? Matt, essa semana inteira foi em torno dele! Só fiquei puto, okay? Toda aquela droga de esforço pra chegar e ver ele arrumando as malas.

Canadá balançou a cabeça e assumiu uma postura severa.

— Isso não é nada comparado ao que ele já fez por você – Ouch. Foi como um tapa na cara. — Tente lembrar de quem foi o primeiro a ser abandonado.

— Eu não tive escolha.

— E foi um babaca por anos depois disso. Aliás, você jogou duas bombas nucleares em um dos melhores amigos dele.

Alfred queria abrir um buraco no chão para se esconder. Aquelas não eram coisas de que se orgulhava.

— Durante todo esse tempo, ele continuou te protegendo – ditava como uma mãe furiosa. — Então, sinceramente, me desculpe, Alfred, mas você não tem direito de agir assim. Somos nações, e você nunca vai se redimir pelo que fez, então eu sugiro começar de novo.

— Mais uma vez? — perguntou perdido.

— Sim. Arthur… ele é uma pessoa muito boa com você, e não vai te negar isso. Se se desculpar, é claro.

Era como se fosse uma colônia novamente e estivesse levando uma reprimenda de uma das babás. O modo como Matthew conseguia soar irado e suave ao mesmo tempo era impressionante, ele aprumou-se em sua fantasia de múmia.

— A-agora, com licença, eu vou achar Francis.

Alfred passou a mão pelo rosto e ajeitou a máscara. Com um sorriso falso no rosto, embrenhou-se no meio dos países e procurou um inglês loiro.

Quando o encontrou ao lado da mesa de bebidas, rindo praticamente colado à Austrália desejou que sua serra elétrica fosse real. Mas o plástico somente rachou em sua mão com a força que apertava.

Seu primo estava vestido de ovelha, e gargalhava audivelmente segurando um copo.

Alfred esbarrou em seu ombro no caminho para se aproximar da mesa, deliciando-se com o modo como a risada diminuiu.

Encheu um copo de plástico com ponche batizado e encostou as costas na mesa.

What's up, mate? — berrou Kyle.

Nothing big.

— Essa festa tá… in… incrível — exclamou claramente bêbado. — Uma rodada por minha conta.

— É de graça.

— Esse é o espírito, Al!

Kyle deu um tapinha no ombro de Arthur e saiu pulando pela festa, falando com quem aparecesse no seu caminho.

A música retumbava no fundo, e com o escuro tornava o silêncio um pouco menos desconfortável. O inglês bebericou de seu copo e Alfred deixou escapar:

— Você já está bêbado?

— Ainda está fingindo que não existo? — retrucou.

Alfred corou de vergonha e pousou a serra elétrica na mesa.

— Me desculpe.

Arthur o encarou surpreso.

— Perdão?

— Não é uma piada. Me desculpe, eu sinto muito. Estou sendo muito idiota com você.

— Foi por algo que eu fiz?

Aquela pessoa… era… era… Impossível! América que o ignorou por um dia inteiro e lá estava ele, perguntando se havia feito algo errado. Como ele podia ser dessa forma? Alfred sabia lidar com o lado velho e vaidoso de Inglaterra, e o lado punk, até o bêbado… Mas aquele era simplesmente insuportável.

Arthur parecia ainda mais maravilhoso àquela noite. Seu cabelo loiro brilhava na luz negra e aquela cartola o deixava encantador. A capa e as calças apertadas eram uma das melhores combinações que Alfred tinha visto e desejou jogar algo no chão para que ele tivesse que se abaixar. Isso tudo, sem contar com a maldita maquiagem. O inglês já era atraente sem nada, no entanto com os olhos pintados daquela forma, o verde se ressaltava como se brilhasse e o americano só queria arremessá-lo contra a parede mais próxima.

Provavelmente Alfred não merecia Arthur, porém ele não merecia muitas coisas e havia corrido atrás de todas.

— Você aceita minhas desculpas ou não?

— Ah. Claro…

Alfred sorriu.

— A festa tá muito foda.

A boneca de bruxa, os fantasminhas, a luz negra e as teias de aranha falsa davam um ar incrível ao armazém. A bebida e a comida estavam sendo bem aproveitadas, quase tanto quantos os sofás – sempre cheios de um grupo conversando ou se agarrando.

— Valeu a pena – concordou Arthur. — Minhas dicas deixaram esse lugar quase perfeito.

— Continue sonhando – brincou. — Falando em quase perfeito, comprei um presente pra você.

Arthur o encarou desconfiado.

— Presente? O que é?

—Nope. Não vou contar. Vai saber quando formos pra casa.





Pra casa. Aquelas simples palavras fizeram eletricidade percorrer o corpo do britânico. Seu corpo relaxou instantaneamente e tomou mais um gole de seu suco – tinha decidido não beber nada alcoólico – antes de prosseguir a conversa com Alfred.

Era como qualquer outro dia daquela semana, talvez até mais coordenado. Eles falaram por longo minuto por sobre a música alta, nações iam e vinham pegando salgadinhos e ponche da mesa, algumas os cumprimentando. Devia ser tarde quando Alfred finalmente perguntou:

— Daqui consigo ver Brasil e Espanha discutindo perto do som. Acho que querem mudar as músicas. — Arqueou uma sobrancelha. — Quer dançar antes que fique muito difícil pra você acompanhar ou sua artrite não deixa?

Fucking asshole. Aguento mais tempo ali do que você.

— Pfff... por favor, vovô.

Arthur ergueu o queixo desafiadoramente e pôs seu copo na mesa. Deu meia volta e se enfiou nas nações saltitantes, ele andou até se ver totalmente cercado pelos corpos enérgicos. Era impossível não se mexer, o ritmo geral era inebriante. América logo surgiu à sua frente, parecendo muito mais alto do que realmente era e começou a dançar.

Ou tentar. América não parecia estar se saindo muito bem, não sabendo em que direção se mover ou como. Arthur riu, mudo graças à música, e levantou os braços, mostrando o modo certo.

Não há muita dificuldade em dançar eletrônica. Ou você pula até suas pernas quebrarem, ou rebola como se soubesse o que está fazendo

O inglês mexeu seus quadris esguios de um lado para o outro da melhor maneira que pôde, e Alfred fez a melhor imitação possível. Seus ombros moviam-se mais do que o resto do corpo, e Arthur articulava instruções, que ele tentava seguir rindo.

— Você é terrível! — gargalhou perto do americano.

América fez uma expressão ofendida e levantou os braços, sacudindo o corpo inteiro como uma minhoca. Era a cena mais ridícula que Inglaterra já havia visto, e ele jogou a cabeça para frente tentou conter o riso.

Então a música mudou, um ritmo mais acelerado e forte estourou dos altos falantes. As nações pularam mais rápido e nem Alfred ou Arthur hesitaram em imitar.

A pista enchia cada vez mais e os espaços entre cada pessoa tornavam-se menores, até que ambos estavam pulando quase roçando um no outro. O ar frio de outubro não era nada se comparado a atmosfera abafada que enchia cada pedaço dali, em pouco tempo suas pernas cansaram e seus rostos estavam vermelhos.

Voltaram a dançar, como no início, porém não havia nenhum ar de brincadeira. Arthur olhou para Alfred e quase sentiu sua boca salivar. Os cabelos loiros colavam em seu rosto com o suor e as pálpebras pesadas enfeitavam os olhos azuis que o miravam com uma concentração assustadora. A blusa social branca era fina e estava grudada em seu peito, deixando os músculos visíveis o suficiente.

Arthur voltou a rolar os quadris, o movimento deixando-o ainda mais próximo do americano. As nações à sua volta estavam tão excitadas que os apertavam juntos sem se importarem.

Por instinto, Alfred pousou suas mãos em suas laterais, tentando seguir seus movimentos e acabando por colar seus corpos. Arthur não conseguia descolar seus olhos dos dele, e parecia recíproco.

A situação havia saído do controle.

E ele não tinha forças para se importar.

O inglês pois as mãos em seus braços e jogou o pescoço para trás, acompanhando a música. A sensação de sua virilha roçando-se na do americano era tão clara que beirava a dor, se não parasse em breve teria uma ereção.

Alfred mexeu a boca dizendo algo, e Arthur negou com a cabeça. América inclinou-se para frente e roçou os lábios em sua orelha:

You are so hot – repetiu.

Inglaterra agradeceu pelo volume absurdo da música, porque assim Alfred não o ouviu dando um gemido baixo, vergonhoso.

Sentiu o nariz do mais alto roçar em seu pescoço.

Fuck – balbuciou quando sua orelha foi mordiscada. — Não… Não faça isso comigo, Alfred.

É claro que é inútil negar quando sua mão viajava na direção daquele maldito tanquinho que havia tentado tocar a semana inteira. Alfred ondulou o corpo mais para frente e envolveu sua cintura, ainda mexendo seus quadris.

— Tem certeza? — ele perguntou, uma série de beijos esquentando seu pescoço.

Arthur espalhou os dedos por seu abdômen.

— Queria isso por tanto tempo – confessou Alfred.

Ele levantou o rosto, o suficiente para penetrar o inglês com aqueles terríveis olhos azuis e o beijou. Sua boca era suave, e o interior quente e macio. Esfregando suas línguas era possível sentir o gosto do suco com um toque do álcool que Alfred bebeu.

Era uma sensação indescritível, não há palavras que façam jus a beijar.

Arthur sentia-se dopado, a realidade não condizia com a lógica. Há menos de uma hora só estavam conversando, e há um pouco mais, se ignorando. Aquilo não devia acontecer, e por isso mesmo o inglês o beijou com mais vontade.

Uma mão larga serpenteou para baixo de suas costas, até envolver parte de sua bunda e apertar com vontade.

— Ah!

Alfred soltou sua boca e voltou a violar seu pescoço, sem beijos suaves dessa vez. Uma mordida perto de sua clavícula o fez gemer alto.

— Alfred…!

— Artie, vamos pra casa, por favor – pediu.

E como ele poderia negar algo assim? Não era uma situação totalmente sexy, até porque estavam em público e precisavam berrar para serem ouvidos, mas Arthur sentia-se ficando duro em uma velocidade alarmante.

De qualquer forma, aquela era sua chance de dizer não e acabar com aquela coisa ridícula.

— Vamos – concordou.

Arthur não se lembrava de nada da viagem pra casa. Sabia que tinham pego um táxi, e que em algum momento haviam tido que caminhar. No entanto, sua memória pulava da hora em que estavam se esfregando na pista de dança, para quando foi pressionado contra uma das paredes da sala do americano.

Alfred era sufocante, de um modo incrível. Sua respiração deixava o ar quente em volta dele, suas mãos apertavam a carne do inglês e sua boca mordia e beijava o que estivesse na frente. Arthur nunca se sentiu tão desejado.

América enfiou a língua dentro de sua boca sem nenhuma delicadeza e Inglaterra aceitou. Puxava os fios loiros curtos e em algum momento a máscara de Jason foi parar no chão. Inconscientemente tiravam os sapatos e as meias, e enquanto Alfred voltou a estalar chupões em seu pescoço, Arthur desabotoou sua camisa.

— Você tem ideia – ofegava o mais alto – de quão difícil era dormir com você aqui? Só queria entrar no seu quarto e te foder a noite inteira.

— Não diga essas coisas – gemeu.

Mas o inglês tampouco tentou pará-lo. Ele empurrou sua blusa e o sobretudo de uma vez, e eles aterrissaram pesadamente no chão. Alfred agarrou suas coxas e o ergueu sem dificuldade, por instinto Arthur enlaçou as pernas em sua cintura e voltou a ser posto contra a parede.

Era possível sentir as ereções se roçando mesmo com as calças, e o atrito fazia sua virilha esquentar.

A demora o incomodaria, se a visão à sua frente não fosse tão fantástica. O torso de Alfred era algo feito para ser contemplado. Os músculos saltavam e delineavam-se em complexas linhas rígidas que mudavam sempre que se impulsionava na direção de Arthur. E uma trilha de pelos, tão clara que era quase invisível, seguia do centro de seus quadris musculosos até sumirem dentro da calça.

Can I fuck you, baby?

Arthur balançou a cabeça murmurando algo nas linhas “Yes” e “Anything”.

Alfred ofegou, e como se não pesasse nada, o carregou daquela forma até o quarto, nunca desgrudando a boca da sua. Ele foi arremessado no colchão macio e América logo estava ali em cima, de quatro.

— Tire suas roupas – disse com uma voz rouca.

E, Deus, se aquilo não tinha sido difícil… Arthur errava os botões, pois estava ocupado demais olhando para Alfred. E sempre que um finalmente saía do buraco, havia aquela maldita mão serpenteando cada vez mais perto de seu abdômen. Ela apertava sua cocha, acariciava sua bunda e esfregava seus quadris, até encontrar a pele quente de sua barriga.

— As calças.

— Tire você elas, não vou fazer todo trabalho – reclamou.

Esperava que Alfred fizesse algo insuportável, como tirá-la com os dentes ou arrastá-la lentamente pra baixo. Mas foi pego de surpresa quando suas calças foram arrancadas com violência, sendo jogadas sem cerimônia contra a parede. E junto com elas, sua cueca.

Notas finais
ENFIM! Como foram esses dois meses de vocês, amores?