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10 X - Choice
Notas iniciais
Robin acordou com a luz do sol queimando seus olhos. Estava tonto, sentia-se enjoado. Sua cabeça girava, e levou um momento até que as lembranças do que acontecera no dia anterior voltassem a sua mente.
Regina. A imagem da morena foi a primeira a vir a sua cabeça. Seu sorriso gigante, os olhos cor de mel que brilhavam, resplandeciam amor. Sim, amor. Ele estava completa e irremediavelmente apaixonado por ela. Nunca sentira algo assim por alguém, nem mesmo por Sarah.
Robin virou a cabeça pro lado, esperando encontrar a morena ao seu lado, sorrindo pra ele e dizendo que eles estavam atrasados, que precisavam ir embora antes que alguém os descobrisse. Tudo que seus olhos encontraram, no entanto, foi um espaço vazio. Regina não estava ali.
Um olhar mais atento foi suficiente para que o loiro se desse conta de que fora ele, e não ela, quem mudara de lugar. Aquele definitivamente não era o quarto de Regina no palácio. Estava em um aposento amplo, mas pouco mobiliado.
Correu os olhos pelo aposento, e o que encontrou foi uma mesa de madeira, diante da qual havia uma cadeira, também de madeira, uma estante de livros, completamente lotada, e a cama onde estava deitado.
Que lugar era aquele afinal Porque estava ali? Onde estava Regina? As perguntas se multiplicavam na mente do loiro, que não conseguia encontrar respostas para nenhuma delas. Estava confuso. Antes de acordar pensara ter ouvido Regina conversando com ele...
Não se lembrava de tudo que ela havia dito. Recordava-se apenas de ela lhe pedindo perdão, dizendo que muito em breve ele iria odiá-la, mas que ela sempre iria ama-lo. Será que havia sonhado com isso? Ou ela realmente conversara com ele enquanto ainda dormia?
Se fosse um sonho, o que será que ele significava? O que queria dizer? Se fosse real, porque a morena pensava que ele iria odiá-la, quando tudo que conseguia sentir por ela era o mais profundo e verdadeiro dos amores?
Os questionamentos de Robin foram interrompidos com o barulho da porta se abrindo. O loiro dirigiu o olhar para o local de onde o som tinha vindo, e viu-se encarando a ultima pessoa que esperava ver em sua vida. Por um breve momento ele havia pensado, havia desejado, que o barulho significasse a presença de Regina, mas ao invés dela, quem estava parado no batente da porta era Rumplestilskin, ou como era mais popularmente conhecido, o Senhor das Trevas.
Robin abriu a boca para falar, perguntar o que estava acontecendo, mas Rumple foi mais rápido. – Ah, finalmente você resolveu acordar. Estava me perguntando quanto tempo mais você iria dormir.
— Cadê a Regina? Que lugar é esse? O que estou fazendo aqui? Por quanto tempo eu dormi? – perguntou o loiro, atônito com a presença daquela criatura deformada e com uma risada macabra que pontuava cada uma de suas falas.
— Tsc, tsc, parece que o ladrãozinho tem muitas perguntas não é mesmo? Acho que é melhor eu responder em ordem não é? E pelo visto, o que mais importa para você é descobrir o paradeiro de certa morena...bom, ela esta onde deveria estar, no palácio que é a casa dela. – respondeu Rumple, sabendo perfeitamente bem que suas palavras trariam ainda mais duvidas do que resoluções, mas não se importando muito com esse fato.
— O que? Porque não estou com ela? O que está acontecendo? – Robin interrompeu a fala de seu interlocutor, expressando em voz alta as perguntas que borbulhavam em sua mente.
— Você realmente gosta de fazer perguntas, não é rapaz? Tem sorte de eu estar de bom humor hoje, caso contrário não responderia nenhuma delas. Só pra você saber, está na minha casa, ou no meu covil, como algumas pessoas costumam chamar. – continuou a falar Rumplestilkin, rindo sem humor de suas próprias palavras.
— E o que exatamente estou fazendo aqui? Por que vim para cá? – Robin voltou a fazer perguntas, gostando cada vez menos do rumo que aquela conversa estava tomando.
— Está aqui porque Regina me pediu. Me fez prometer na verdade. E não adiantava você me perguntar o porque disso, esses motivos dizem respeito apenas a ela, não a mim. Você dormiu por quatro dias e cinco noites. E sim, isso é muito tempo para alguém passar dormindo. Devido às circunstancias, no entanto, acho até que você teve sorte sabia? Outro no seu lugar poderia não acordar nunca mais. – enquanto falava, o Senhor das Trevas tomou o cuidado de omitir alguns detalhes.
Não podia contar ao ladrão que Regina o mandara protege-lo. Não podia dizer que ela tinha tomado aquela atitude para protegê-lo, ou então seu plano iria por água abaixo. Precisava que Robin acreditasse que a morena não o amava mais, e para que isso acontecesse, mostrar era melhor que falar.
— Isso não é possível. Você está mentindo, está querendo me manipular. Quer me jogar contra Regina não é? Mas isso não vai adiantar sabia? Eu confio nela, sei que se ela tomou essa atitude, tem uma boa explicação. Sei que alguma coisa aconteceu. Da pra ver na sua cara que está me escondendo coisa, que está contando apenas uma parte do que aconteceu...mas não se preocupe, eu vou descobrir o restante, agora. – desafiou o loiro, pondo-se de pé e caminhando em direção à porta.
Sua mente estava uma confusão completa. Mesmo com as informações de Rumplestilskin, que ele ainda não decidira se podia ou não confiar, o loiro simplesmente não conseguia entender o que estava acontecendo. Aquele era um quebra cabeça no qual faltavam peças, faltavam informações para que ele pudesse realmente entender o que acontecia a sua volta.
Somada a essa confusão que sua mente se tornara, Robin estava preocupado com Regina. O que teria acontecido para que ela precisasse pedir ajuda ao Senhor das Trevas? A ultima lembrança dele era da noite que haviam passado juntos...e depois da voz dela, falando com ele, mas não conseguia lembrar-se de tudo. A voz da morena em sua mente mais parecia um fragmento de lembrança, um sonho distante...e se algo grave tivesse acontecido com ela? Só isso justificaria ele estar ali e não com ela...
Enquanto sua mente girava, Robin passou pela porta de saída daquele aposento, mas teve seu avanço retido por Rumplestilskin, que depositou sua mão ossuda e escamosa em seu ombro. – Eu não iria procura-la se fosse você. Pode acabar se decepcionando. – falou, em uma voz de quem estava mais se divertindo com a angustia dos outros do que propriamente dando um conselho.
— E porque eu iria me decepcionar? – questionou Robin, procurando saber exatamente o que o feiticeiro estava dizendo com aquele aviso.
Rumple não respondeu de imediato. Permaneceu em silencio, como se estivesse se divertindo com a atividade de torturar o ladrão com suas meias palavras. Por fim, ele fingiu assumir uma postura seria, e deu sua resposta: — Ela vai se casar com o rei Leopoldo. Hoje, ao cair da tarde.
Ao ouvir aquela frase, Robin sentiu como se o mundo parasse por completo, como se ele pudesse até mesmo ouvir o silencio que se instalava. Se casar? Como assim Regina iria se casar? E a promessa de fugirem juntos, de recomeçarem em outro lugar? O loiro simplesmente não conseguia entender o que estava acontecendo.
De repente, tudo que havia a sua volta perdeu o sentido, perdeu a função. As cores, antes vibrantes e cheias de vida, se transformaram em cinza diante de seus olhos. Um cinza chumbo pesado e grudento, que parecia colar todas as coisas do mundo em uma massa disforme e uniforme ao mesmo tempo.
Seu coração doeu, e Robin sentiu seus olhos arderem por conta das lágrimas que o inundaram. A voz de Regina voltou a sua mente: “sei que muito em breve você irá me odiar”....”eu sempre vou amar você”,” mesmo que um dia seu coração deixe de ser meu” . Será que era sobre isso que aquele sonho ou aquela lembrança se referia? Será que aquela havia sido uma despedida de Regina? Será que sua amada morena havia desistido dele, do amor que eles tinham, para se casar com um rei?
Não. Aquilo não podia ser verdade. Tinha que haver alguma coisa errada. Rumplestilskin estava mentindo, querendo atingi-lo com suas mentiras. Essa era a única explicação que ele conseguia encontrar. Por mais que seu coração ferido procurasse as mais mirabolantes das explicações, no entanto, sua mente insistia em lhe dizer que talvez, apenas talvez, o Senhor das Trevas pudesse estar dizendo a verdade, e ai, o casamento poderia realmente ser real.
Só havia um jeito de ele descobrir o que estava acontecendo, de tirar aquela história a limpo. Tinha que ir atrás de Regina. Precisava encontra-la. Conversar com ela. Saber a verdade pela voz dela. Ai sim, ele conseguiria decidir o que era ou não verdade.
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Ela estava de branco. Um vestido todo rendado e trabalhado e coberto de pedrarias cobria seu corpo escultural, mas ela podia estar vestida com trapos velhos, não iria fazer a menor diferença. Ela poderia ir a um enterro com aquele vestido. Poderia ir ao seu casamento vestida de negro dos pés a cabeça, não faria diferença nenhuma.
Seus olhos estavam irritados. Vermelhos e inchados, reflexo dos últimos dias e noites, durante os quais tudo que ela conseguia fazer era chorar, chorar de saudade. Droga, quando ela se tornara tão sentimental? Quando foi que se lamentar se tornou a sua especialidade?
Ela sabia perfeitamente bem a resposta para ambas as perguntas, mas simplesmente não queria pensar nisso. Se pensasse, as lágrimas não tardariam a chegar, e ela não aguentava mais chorar, não aguentava mais se ver imersa naquele mar de lágrimas, não conseguia mais pensar em seus amados oceanos azuis e se dar conta de que muito provavelmente ela nunca mais veria amor refletido neles.
— Nada de final feliz pra você não é? – falou com amargura, olhando sua imagem refletida no espelho.
Por fora continuava a mesma de sempre. Olhos castanhos, cabelos escuros, que hoje estavam presos em um coque desleixado, algumas mechas caindo sobre seu rosto, emoldurando como a um quadro. Como um último toque de rebeldia, o enfeite em seu cabelo era uma presilha de borboleta, tão negra quanto a noite. O batom, tão vermelho quanto o sangue.
Ela não podia negar que estava bonita, pelo menos por fora. Dentro de si, no entanto, a coisa era bem diferente. Bem mais complicada do que uma simples borboleta negra. Estava despedaçada. Sentia como se uma parte sua tivesse sido arrancada. Uma parte importante, essencial, e da qual ela sofreria a falta para o resto de seus dias.
Toda vez que fechava os olhos, mesmo que fosse por um único instante, a imagem do rosto de Robin voltava a sua mente, e ela sentia seu coração acelerar, gritando por ele, pedindo algo que lhe era constantemente negado. – Como será que você está meu amor? – perguntou, deixando que sua voz ecoar pelo quarto, mesmo sabendo que não receberia nenhuma resposta.
Uma batida na porta fez com que a morena se sobressaltasse, acordando de seus devaneios. A pessoa do outro lado da porta voltou a bater, e depois de um momento para tentar se recompor e parecer o mais apresentável possível, ela mandou que entrasse.
A porta se abriu e lá estava a pequena Snow, vestida com um lindo vestido carmim, flores adornando os cabelos negros e um sorriso brincando nos lábios. – Vim saber como você está. Lá em baixo já esta quase tudo pronto....o que você tem? Não parece muito bem...precisa conversar?
Por um momento, Regina pensou em se abrir com Snow. Desabafar. Colocar para fora toda a dor que a dias a estava consumindo. Mas acabou por decidir que aquela não era uma boa ideia. Ela confiava na criança, sabia que ela só estava querendo ajuda-la, mas por outro lado, a ultima vez que confiara no julgamento de uma criança acabara perdendo um amor.
Não. O melhor que ela tinha a fazer era colocar um sorriso no rosto e tranquilizar a menina. Assim teria menos problemas com os quais ocupar sua mente. Ela se aproximou da porta e abriu um largo sorriso para Snow, que retribuiu, parecendo radiante de felicidade.
— Olá querida! Você está um encanto! Não se preocupe comigo. Eu estou bem, apenas um pouco emotiva. Afinal...não é todo dia que é o dia do meu casamento não é? – falou a morena, fazendo o possível para demonstrar animação em sua voz, quando seu coração estava cada vez mais fraco, cada vez mais murcho.
— Tem certeza? Está tudo bem mesmo? – questionou a menina. Snow podia ser uma criança, mas não era burra. Sabia que Regina não estava bem, que estava sofrendo por algum motivo que ela desconhecia, e queria ajuda-la a se sentir melhor.
— Sim querida, tenho certeza. Eu só preciso de alguns minutos a sós, e logo estarei realmente pronta para o grande dia. – foi à resposta da morena, que esperava estar imprimindo veracidade em suas palavras, embora aquilo não fosse nem de longe o que de fato ela sentia.
— Promete que vai ficar bem? – a voz de Snow soou receosa aos ouvidos de Regina, que sorriu novamente, desta vez um sorriso espontâneo e verdadeiro, ao se dar conta de quanto à pequena demonstrava carinho e preocupação com o que acontecia com ela.
— Eu prometo. – falou a morena, sentindo seu coração se apertar por saber perfeitamente bem que aquela era uma promessa que não poderia cumprir. – Agora me espera lá em baixo. Jajá será a minha grande entrada e quero que você esteja lá, bem na frente, para me apoiar. . – continuou, aproximando-se da menina e lhe dando um rápido e afetuoso abraço.
— Eu vou estar lá. – foi à resposta de Snow, que em seguida se virou e foi embora, deixando Regina sozinha novamente. Tão logo a menina saiu, ela fechou a porta de seu quarto e escorou as costas nela, sentindo uma ligeira falta de ar.
Agora não havia mais escapatória. Ia realmente se casar com aquele velho rei, porque não sentia absolutamente nada além de uma simpatia cordial. Leopoldo não era um homem ruim, estava longe disso. Era um rei justo e preocupado com a sua gente. Seu maior e talvez único defeito era que ele não era, nem de longe, a pessoa que fazia o coração de Regina dar cambalhotas. Não era o homem que ela amava. Ele simplesmente...não era Robin.
Ela fechou os olhos por um momento, desejando pela milionésima vez naquela hora que pudesse estar em outro lugar. Que pudesse simplesmente desaparecer. Fugir, sumir em uma nuvem de fumaça colorida como Rumplestilskin fazia. Tudo seria tão mais fácil se ela tivesse essa capacidade, não seria? Ai ela poderia ir atrás de Robin, pega-lo pela mão e leva-los para longe...para muito longe.
Uma lágrima rolou pelo rosto da morena, quente como brasa e salgada como o mar. Por que as coisas tinham que ser daquele jeito? Porque o destino parecia ter decidido que ela não tinha o direito de ser feliz, que havia nascido única e exclusivamente para sofrer?
Sem abrir os olhos, Regina sentiu que uma mão, quente e carinhosa, limpara a lágrima que antes descia por seu rosto. Era um toque acolhedor, que ela sabia perfeitamente bem a quem pertencia. Não, mas ele estava longe. Não era possível que estivesse ali. Ela deveria estar imaginando coisas, movida pela saudade que sentia dele, essa era a única explicação possível.
Robin se aproximou mais dela, e agora seus corpos estavam praticamente colados. Ela estava chorando. Ele tinha certeza de que havia algo errado. Ele podia sentir o coração dela martelando contra o seu, cada vez mais acelerado. Ela estava vestida de noiva. Uma linda e deslumbrante noiva, mas ainda assim, ele se recusava acreditar que as palavras que ouvira do Senhor das Trevas eram realmente verdadeiras.
Precisava ouvir da boca dela. Precisava desesperadamente que Regina negasse. Que dissesse que nada daquilo era verdade, que ela não iria abrir mão do amor deles para se casar com outro. Precisava que ela falasse, porque ele acreditaria em qualquer coisa que ela contasse.
O corpo de Regina tremia, e por mais que tentasse, ela não conseguia se controlar. Robin a abraçou pela cintura, provavelmente tentando acama-la, dizer com seu abraço que estava tudo bem, que tudo ia ficar bem. Mas ela sabia que não ia. Sabia que provavelmente ela nunca mais ficaria “bem” novamente.
Por aquele momento, no entanto, ela se permitiu ser abraçada. Se permitiu abraça-lo de volta. Afundou o rosto no pescoço do loiro, e sentiu seu cheiro inebria-la. Ela o abraçou com força, finalmente abrindo os olhos. Não, aquilo não era uma ilusão criada por seus sentidos. Era real. Robin realmente estava ali. Voltara por ela, mesmo que provavelmente já soubesse que ela iria se casar.
O coração da morena se dividiu. Por um lado estava radiante, feliz por ter Robin de novo em seus braços. Feliz por ver que ele viera atrás dela, em saber que, ao menos por mais alguns minutos, ela ainda tinha o seu amor. A outra metade, no entanto, estava desesperada, desolada, porque sabia que o loiro logo se daria conta de que ela realmente iria se casar, de que realmente iria abandona-lo, e então...bom, ai o amor se transformaria em ódio, tal como o vinho em vinagre.
— Diz pra mim que isso não é verdade morena. Diz...diz pra mim que você não vai se casar. Fala pra mim que nosso amor é real, que eu não fui só um brinquedo que você jogou fora quando se cansou. Por favor Regina, me diz alguma coisa, porque eu vou acreditar em tudo que você me dizer. – Robin falou baixinho, bem perto do ouvido dela.
Com aquelas palavras, Regina sentiu que seu coração se quebrava de novo. Que se espalhava pelo chão em milhões de pedacinhos. É claro que ela não podia falar nada do que Robin pedia. Por mais que essa fosse a sua maior vontade, sabia que não podia falar o que estava realmente acontecendo, e essa certeza era simplesmente devastadora.
Regina se desvencilhou do abraço, e seus olhos encontram os azuis de Robin. Tudo que ela enxergava naqueles oceanos azuis era amor. Amor e preocupação. Sim, o loiro confiava nela. Iria acreditar em qualquer coisa que ela dissesse. E isso, a morena se deu conta enquanto fitava os oceanos azuis que tanto amava, só tornava as coisas mais difíceis.
A morena abriu a boca para começar a falar, para dizer a Robin que fosse embora. Dizer que não o amava de verdade, que tudo não passara de um jogo, de uma diversão, mas não conseguiu forçar as palavras a saírem. As mãos do loiro foram parar no rosto dela, e ele colou sua testa a dela. Estavam muito próximos, suas respirações aceleradas se misturavam e seus olhos buscavam desvendar um ao outro. Robin queria respostas. Regina queria poder parar o tempo, congelar aquele momento e ficar presa nele para sempre.
— Robin, eu...- Regina tentou de novo, mas suas palavras foram interrompidas pelos lábios do loiro, que se colaram aos dela. O beijo que se seguiu tinha gosto de saudade, de promessas, e a morena se entregou a ele, esquecendo-se de tudo que estava acontecendo, pelo menos por um momento.
Ela o puxou para mais perto, enterrando as unhas no pescoço dele, e Robin atendeu ao seu pedido, aproximando-se ainda mais. Aquele beijo dizia tudo que ele precisava saber. Regina ainda o amava, tinha certeza disso. Não se importava em deixar as explicações para mais tarde. Tudo que ele queria naquele momento era senti-la perto dele, matar a saudade daqueles dias de ausência.
Algo pareceu se acender dentro de Regina, fazendo com que ela se lembra-se do porque estava ali, escorada na porta, metida em um vestido de noiva. A imagem de Robin estirado na cama, quase sem vida, voltou a sua mente, e ela se obrigou a recuar, quebrando o beijo selado, empurrando Robin para longe.
Não. Ela não podia fazer isso. Não podia permitir que o loiro continuasse ali. Era a vida dele que estava em jogo. Era para protegê-lo que ela estava fazendo isso. Era para que ele vivesse que ela estava abrindo mão de viver o amor que sentia por ele. Tinha que fazê-lo ir embora. Agora.
— Não. Isso não pode mais acontecer. Você tem que ir embora Robin. Agora. – falou a morena, esforçando-se para manter sua voz firme, embora tudo que ela quisesse naquele momento fosse implorar para que ele ficasse. Ela se desvencilhou dos braços do ladrão e se afastou. Não tinha mais coragem de olha-lo nos olhos. Se fizesse isso, tinha certeza de que iria fraquejar.
Ao ouvir aquelas palavras, a confusão se instalou na mente e no coração de Robin. Ir embora? Porque Regina estava fazendo isso? Porque o estava expulsando de seu quarto, de sua vida, quando ficara claro ainda há poucos instantes que ela o amava com a mesma força que antes? O que estava acontecendo afinal?
— Regina....o que está acontecendo? Fala comigo meu amor. Porque você está me expulsando assim? Porque está abrindo mão de nós, de mim, com tanta facilidade? – questionou o loiro, tentando entender o que estava acontecendo.
Sentia-se perdido. Por um instante, quando ainda tinha a morena em seus braços, quando seus lábios estavam unidos, ele pensara que tudo ia ficar bem. Acreditara que eles iriam continuar juntos, que iriam seguir com o plano original de fugir...mas agora, ouvindo as palavras dela, ele começava a suspeitar que estes não eram mais os planos dela, e a verdade era que ele estava com medo de ouvir o que viria a seguir. Estava com medo de constatar que a tinha perdido para um título e um trono.
Regina demorou para responder. Tentava ao máximo controlar sua voz, sua respiração, para que parecesse segura aos ouvidos de Robin, para fazer com que ele acreditasse em cada palavra que ela estava prestes a dizer, mesmo sabendo que isso iria feri-lo. Mesmo tendo consciência de que ele sairia tão machucado quanto ela daquela conversa.
— Porque eu vou me casar. Meu casamento é daqui a alguns minutos, e está na hora de eu parar de fingir ter uma vida que não é a minha. Foi divertido enquanto durou, mas a brincadeira acabou, está na hora de eu voltar para a vida real. – falou por fim, ainda sem se virar para encara-lo. Não sabia se conseguiria manter aquela postura fria se tivesse que ver a dor nos olhos dele.
Robin sentiu seu coração gelar ao ouvir aquelas palavras. Não. Aquilo não era verdade. Não podia ser. Ela não podia estar jogando fora tudo que eles viveram apenas para se casar com um rei. Aquela não era a Regina que ele conhecia. Não era a Regina por quem ele tinha se apaixonado. Não era a Regina que estava em seus braços a menos de um minuto atrás. Ela parecia ter se transformado diante de seus olhos, e ele não fazia ideia de como fazer para traze-la de volta.
— Você não está falado sério. Não pode estar. O que aconteceu com “eu amo você”? Era mentira? Fingimento? Brincadeira? – explodiu o loiro, que não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Simplesmente não queria acreditar.
Ao ouvir o tom sentido e magoado que Robin usara para falar com ela, Regina sentiu seus olhos arderem e o coração doer. Ela o estava ferindo, partindo seu coração, quando tudo que queria era abraça-lo e dizer que nada daquilo era verdade, dizer o quanto o amava.
— Essas palavras nunca existiram. Você foi uma distração Robin. Uma maravilhosa distração, mas apenas isso. Agora por favor, e deixe sozinha. Eu preciso terminar de me arrumar. – disse a morena, sentindo como se alguém lhe desse uma facada direto no coração a cada palavra que dizia.
Antes que ela pudesse reagir, sentiu a mão forte de Robin em seu braço, e ele a girou, forçando-a a encara-lo. – Eu sei que você está mentindo. Basta olhar nos seus olhos pra ver que ainda me ama. Só não consigo entender o porquê de você está fazendo isso. Não consigo entender porque você quer me tirar da sua vida. – falou o loiro, em um tom de voz ligeiramente mais calmo, mas ao mesmo tempo suplicante.
Ele precisava desesperadamente que Regina confirmasse o que dizia. Precisava que ela dissesse que o amava, que explicasse o que estava havendo. Que dissesse o porquê de estar tomando uma atitude drástica e dolorida como aquela, quando estava claro que estava sofrendo.
— Me solta Robin. Você está me machucando! Eu não estou mentindo. Estou dizendo a mais pura das verdades, então vê se aceita. Você está vendo coisas onde não existem. Agora me larga e vai embora daqui. – exclamou a morena, colocando em suas palavras toda a raiva que estava sentindo de si mesma por ter que fazer aquilo.
— Não. Eu não vou sair daqui até você me dizer o que está acontecendo. E quero a verdade dessa vez. – respondeu Robin, que não conseguiu refrear as lágrimas que inundaram seus olhos. – Estou vendo que você está sofrendo. Porque não se abre comigo? Porque não me deixa te ajudar?
“Porque estou tentando proteger a sua vida!” “Porque não quero perder você”. “Não poderia deixar que você morresse” . Ela teve vontade de gritar aquelas coisas para ele. Teve vontade de contar-lhe toda a verdade. Mas não podia, não mais.
— Essa é a verdade Robin. Não tenho mais nada para falar com você. Então vá embora. – respondeu, juntando todas as suas forças para dizer aquela única frase.
Se aquilo continuasse por muito tempo, ela saberia que não iria aguentar. Iria acabar fraquejando. Iria se render a vontade de abraça-lo e implorar que ele a perdoasse. Ela abriu a boca para dizer mais alguma coisa, uma cartada final para fazê-lo ir embora, mas não foi preciso.
Uma nevoa negra apareceu no quarto, perto de onde eles estavam. Meio segundo depois, Rumplstilskin estava ali, parado ao lado deles, um sorriso zombeteiro brincando em seus lábios finos.
— Eu disse que era melhor você não ter vindo aqui ladrão. Mas você não quis me ouvir não é? Anda, solta ela. Agora. – ordenou o Senhor das Trevas, sua voz perdendo por um momento o divertimento que lhe era característico.
— E porque você se importa tanto? Porque interfere tanto no que acontece com a gente? – explodiu Robin. Ele estava irritado com aquela intromissão. Se Rumple mão tivesse entrado, ele tinha certeza que iria conseguir fazer com que Regina contasse o que realmente estava acontecendo. Mas agora, essa parecia ter se tornado uma tarefa praticamente impossível.
— Ah, eu não me importo ladrão. Acontece que eu tenho uma promessa para cumprir, um acordo na verdade. – falou o Senhor das Trevas, dirigindo seu olhar de Robin para Regina. – E se você continuar aqui por muito mais tempo, vai ficar difícil para que eu cumpra a minha parte do trato.
Com um puxão forte, Regina conseguiu soltar seu braço do aperto de Robin, e se afastou do loiro, sentindo que seu coração doía mais a cada passo que dava. – Vá embora Robin. Você não tem mais nada para fazer aqui. – falou, virada de costas para ele. Não suportaria ver a decepção em seus olhos.
— Então é isso? Você escolheu o poder, as riquezas...o trono, ao invés de mim. É, talvez você esteja certa e eu é que fui burro o bastante para não enxergar que não passei de uma brincadeira para você. Boa sorte no seu reinado, majestade. – respondeu o loiro, sentindo seu coração doer. Ele a perdera. O amor deles não gora suficiente para ela, e não adiantava ele tentar lutar contra isso. Sem dizer mais nenhuma palavra ele saiu do quarto pelo caminho de onde tinha vindo, desejando mais do que tudo que aquele dia não tivesse acontecido. Desejando que nunca tivesse acordado no covil de Rumplestilskin.
Quando se virou e viu que Robin não estava mais ali, que tinha ido embora, Regina desabou. Caiu no chão, deixando que seu corpo tremulo encontra-se o piso de mármore enquanto as lágrimas voltavam. Ela queria gritar. Implorar para que ele voltasse, mas sabia que não podia fazer isso. Sabia que tinha agido certo, mesmo que isso a matasse por dentro.
Por um ou dois minutos, Rumple apenas assistiu a morena ser consumida pelas lágrimas, encolhida feito um novelo de lã, sofrendo pelo amor que acabara de perder mais uma vez. Pensou em deixa-la sozinha, afinal, que importância para ele que ela estivesse sofrendo? Por mais que esse pensamento girasse em sua mente, entretanto, ele continuou exatamente onde estava.
Até que por fim se cansou. Cansou de ver aquele pranto descontrolado. Cansou de ver aquela pobre criança sofrer por escolhas que tinha sido forçada a fazer. Ele se abaixou e pegou as mãos de Regina entre as suas, fazendo-a se levantar. – Chega de chorar. Você tem um casamento para participar ainda, esqueceu? Precisa ser forte. Você fez a melhor escolha que pode.
Com aquelas palavras, ele esperava apenas fazer com que a morena parasse de chorar, ou ao menos que diminuísse aquele pranto sentido e inconsolável, mas não foi bem isso o que aconteceu.
Sem nem pensar no que estava fazendo, querendo apenas algum conforto, alguma coisa familiar a qual se agarrar naquele momento de desespero e dor, Regina lançou seus braços ao redor do pescoço de Rumple, e o abraçou, chorando ainda mais que antes. – Eu não...eu não consigo. Ta doendo tanto. Eu...só quero tirar essa dor de mim Rumple. Só quero que esse pesadelo termine. – falou a morena, sua voz saindo entrecortada por conta dos soluços que a acometiam.
Por um instante ele não conseguiu reagir. Não estava acostumado com demonstrações de carinho como aquela. Não estava acostumado a ter que consolar alguém. Já fazia muito tempo que ele não era procurado para oferecer apoio, e se deparar com aquela demonstração de Regina foi realmente surpreendente. Tão surpreendente que ele não sabia o que fazer, então simplesmente envolveu a cintura da moça com os braços e afagou suas costas, tentando fazer com que ela se acalmasse.
– Eu não prometo que você vá parar de sofrer. Esse tipo de dor nunca vai embora sabe? – falou, sua mente repentinamente voltando a história que tivera com Cora no passado. – Mas te garanto uma coisa: você acaba aprendendo a conviver com essa dor, quase como se ela fizesse parte de você. Com o tempo as coisas se tornam mais fáceis.
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