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1 I - You need love


Notas iniciais
Oiii oii pessoas!
Aqui estou eu de novo, com mais uma história do meu casal favorito de todos os tempos.

Essa é uma história um pouquinho diferente, minha visão do que teria acontecido caso Regina tivesse decidido entrar no pub ao invés de fugir.

Tudo que tenho a dizer como introdução é que realmente espero que vocês gostem e se encantem com essa história, vou fazer o possível para surpreende-los!!

Sem mais delongas, vamos ao capitulo!
Boa leitura a todos!

— Eu sei exatamente o que você precisa Regina. – a voz de Tinker Bell, a irritante fadinha que já há alguns minutos a estava importunando, tentando de todas as formas fazer com que ela desistisse da ideia de se tornar aprendiz de Rumpestilskin voltou a ressoar nos ouvidos de Regina, e a morena, ficando cada vez mais irritada, virou-se para encarar a fada nos olhos, respondendo de pronto e sem conseguir disfarçar a irritação crescente em sua voz: — E do que é que eu preciso?

Tinker, sem parecer notar ou mesmo se importar com o tom cortante da resposta que recebera, voltou a falar, desta vez não se utilizando de longas frases como fizera antes. Não, para conseguir que Regina entendesse o que ela estava dizendo a fada verde só precisava de uma única palavra, uma palavra minúscula de apenas quatro letras: — Amor. – falou simplesmente, conseguindo, como esperava, desestabilizar sua ouvinte.

Por um momento Regina nada disse, o impacto da fala de Tinker fazendo com que ela sentisse como se todo o ar tivesse sido sugado de seus pulmões. Amor? Como aquilo era possível? Não, a fada estava errada. Ela já amara uma vez, amara com todas as suas forças, mas seu amor acabara se tornando seu ponto fraco, o motivo daquela dor imensa que consumia seu coração, a razão de suas lágrimas.

Não, ela não iria passar por todo aquele sofrimento de novo. Amar só trouxera tristeza e decepção para sua vida, só lhe causara problemas. De que adiantara amar com tanta intensidade apenas para ver seu amor ser arrancado de seus braços, apenas para o ver morrer sem conseguir fazer absolutamente nada para impedir?

No final das contas sua mãe tivera razão não é? O amor se tornara sua fraqueza, o motivo pelo qual ela se sentia tão vazia, tão incompleta, como se uma parte sua tivesse ido embora junto com Daniel no instante em que ela vira a vida se esvair do corpo dele.

— Não seja ridícula Tinker Bell. Eu não preciso de amor. Minha mãe fez questão de me mostrar como o amor é perda de tempo, uma fraqueza, que só faz te deixar vulnerável. Muito obrigada, mas eu realmente não preciso de mais problemas, de mais sofrimento. A vida e minha querida mamãe já se encarregaram disso. – Regina finalmente conseguiu fazer com que as palavras deixassem sua boca, embora sentisse que cada silaba aranhasse sua garganta, que por sua vez parecia estar tão seca quanto as areias do deserto.

Diante daquelas palavras, a fada soltou um longo suspiro, dando-se conta de aquele trabalho não seria tão simples quanto pensara de inicio. Regina era uma pessoa marcada pelo sofrimento, que via sua vingança como única forma de se sentir completa de novo, como sua única forma de ser feliz novamente, e mostrar o quão errada ela estava, livra-la desse caminho praticamente sem volta que era a vingança, não seria uma tarefa nada fácil.

— Não Regina, você está errada. – Tinker começou a falar novamente, tentando manter um tom de voz controlado, embora se sentisse ligeiramente exasperada diante das barreiras que estava enfrentando com a filha de Cora. – Sei que você está dizendo isso porque ainda sofre mito com o que aconteceu a Daniel. Posso ver que não consegue perdoar a sua mãe pelo que ela fez, e mais do que isso, sei que você não consegue se perdoar pelo que aconteceu. Mas você tem que ouvir o que estou dizendo. Vingança não é a chave para que você cure seu coração ferido, querida. Apenas um novo amor pode te trazer a redenção que você precisa. Só um amor forte é capaz de te dar um recomeço, de preencher sua vida de alegrias. Você precisa se dar uma nova chance Regina, por favor, escute as minhas palavras.

Ela estava escutando, sem dúvida que estava, mas ainda não se convencera. Tudo o que aquela fada verde estava dizendo, todas as suas palavras sobre um novo amor, um recomeço, eram apenas isso, palavras sem valor, que não tinham nenhuma outra função além de tentar fazer com que ela mudasse de ideia.

Afinal, como seria possível que um novo amor preenchesse seu coração quando ele ainda sangrava com a perda sofrida? Como ela poderia se dar uma nova chance, quando tudo que sentia era tristeza e culpa? Não, ela tinha certeza de que Tinker estava errada, não havia mais espaço para o amor em sua vida, talvez nunca mais houvesse.

Mesmo que fosse diferente, onde ela encontraria alguém que a amasse como um dia Daniel a amara? Como iria encontrar alguém que a fizesse sentir como se nada mais importasse, como se tudo se resumisse a aquele momento em que estavam juntos? Alguém por quem seu coração chamasse a cada troca de olhares....não, ela não podia se iludir com aquela baboseira. Ela não iria amar novamente, não iria encontrar um novo amor, simplesmente porque ele não existia.

— Me desculpe Tinker, sei que você só está tentando me ajudar. – começou a falar Regina, a irritação anterior se transformando apenas em pesar e cansaço. Não adiantava de nada brigar ou ficar irritada com a fada, ela só estava tentando fazer com que a morena retrocedesse em suas intenções, que mudasse de caminho, embora, infelizmente, aquela mudança não fosse mais possível. – Mas o que você está me dizendo não tem menor possibilidade de acontecer. Eu não posso me dar ao luxo de amar novamente, e mesmo que pudesse, duvido que conseguisse encontrar alguém que me amasse de volta. Isso simplesmente não vai acontecer.

— É ai que você se engana, de novo. Eu posso ajuda-la com isso Regina. Posso ajuda-la a encontrar o seu final feliz. Você pode encontrar o amor de novo, eu tenho certeza. – Tinker respondeu, repentinamente animada com suas palavras. Ela tinha certeza de que poderia ajudar a morena, afinal, seus poderes de fada seriam suficientes para achar a pessoa certa, só precisava que Regina concordasse com isso.

— Isso não é possível fada...simplesmente não existe essa possibilidade. – tornou a retrucar à morena, pela primeira vez naquela conversa começando a duvidar de suas próprias palavras. E se as palavras de Tinker fossem verdadeiras? E se ela realmente conseguisse encontrar um novo amor? Como seria? Será que o fim das contas, ela poderia se dar uma nova chance de se ver livre daquele caminho de vingança e de um casamento de fachada? Seria realmente possível que algo assim viesse a acontecer?

As perguntas giravam em sua mente e ela não conseguia encontrar resposta para nenhuma delas. Sentia sua cabeça girar com tal possibilidade, e ela não conseguia se decidir sobre como deveria proceder em seguida. Aceitar as palavras de Tinker e ver até onde aquela história de encontrar seu final feliz a levaria? Ou simplesmente virar as costas para aquela fada verde e seguir sua vida do jeito em que ela se encontrava, triste e vazia, tendo apenas a vingança e a raiva como suas companheiras?

Antes que Regina conseguisse tomar qualquer decisão sobre o que fazer ou como agir, Tinker Bell voltou a falar, tirando-a de seus devaneios sobre o que o futuro lhe reservava: — Olha, eu sei que você acha que o que estou te dizendo é impossível, que acredita que não pode mais amar ninguém, mas porque você não dá uma chance para mim, ou melhor dizendo, uma chance para si mesma, e deixa eu provar que você está errada?

— Eu não sei....- foi a resposta da morena, que intimamente lutava para decidir entre a vontade de recomeçar e o medo de sofrer de novo. Regina abriu a boca para tentar explicar a fada o turbilhão de emoções conflitantes que a atingiam naquele momento, mas não teve chance de dizer nada, sendo interrompida por Tinker, que ao perceber que podia conseguir faze-la mudar seus planos voltou a falar.

— Por que não fazemos assim: não faça nada, não tome atitude nenhuma por enquanto. Me de alguns dias e eu vou tentar encontrar a pessoa perfeita para você. Eu sei que ele está por ai, posso sentir a forte ligação que existe entre vocês, mesmo que você nem se de conta disso nem saiba de quem se trata, e vou usar essa conexão de vocês para encontra-lo. Se der certo, promovo o encontro entre vocês e você terá uma nova chance de ser feliz. Se der errado, prometo que não vou mais me intrometer e vou deixar que você siga com sua vida da forma que achar melhor. E então, o que me diz?

O tom de voz da fada era esperançoso. Regina pode perceber que ela tinha plena convicção de que era capaz de encontrar essa tal pessoa com quem dizia que a morena tinha uma forte ligação, alguém que poderia trazer o amor de volta a sua vida. Por um momento, não deu nenhuma resposta, tentando se decidir o que iria fazer.

Talvez, apenas talvez, aquela história pudesse dar certo, e então tudo seria diferente, tudo mudaria por completo. A questão central era: ela estaria preparada para uma mudança drástica como aquela, caso o plano de Tinker desse certo? Ela estaria preparada para deixar para trás seus planos de vingança? Pronta para deixar que a raiva e o ressentimento fossem enfim lavados de seu coração?

Ao pensar naquelas perguntas, ela se deu conta de que a resposta era sim. Embora tivesse relutado, tentado lutar contra, por mais que o medo de sofrer e se decepcionar ainda estivesse presente, ela estava disposta a correr o risco para ter o seu “final feliz” de volta. E no fim das contas, como a fada mesmo dissera, tudo que teria que fazer era esperar por alguns dias. Se no fim o plano desse errado, ela então seguiria com seu plano original, e ai sim, a vingança seria a única alternativa que lhe restaria.

— Tudo bem então. – responde simplesmente, ainda sem saber ao certo o que deve dizer a Tinker.

— Ótimo! Assim que eu tiver mais noticias venho te procurar! – falou a fada, sem conseguir conter sua empolgação diante da resposta afirmativa que recebera. Com toda ela conseguiria encontrar aquele que era a outra metade de Regina, e ai, com toda certeza tudo iria mudar, e ela teria cumprido com seu papel como fada, teria ajudado aquela moça a encontrar o seu final feliz.

Sem dizer mais nada, a fada diminuiu seu tamanho e começou a deslizar para longe da morena, ansiosa para começar sua busca, uma busca da qual ela tinha certeza que sairia vitoriosa.

Enquanto observava o pontinho verde brilhante se distanciar cada vez mais, Regina se perguntou que tipo de surpresas o destino ainda lhe reservava, e intimamente torceu para que, diferentemente do que vinha acontecendo, ela recebesse algumas noticias boas.

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Assim que deixou Regina, Tinker voltou ao local na floresta onde algumas fadas, incluindo sua mentora, viviam. Ela prometera que encontraria um novo amor para a morena, mas para que isso acontecesse precisaria de ajuda, e era exatamente atrás dessa ajuda que ela estava indo.

A fada verde, no entanto, não nutria ilusões sobre o que estava prestes a fazer. Sabia muito bem que seu pedido, embora viesse acompanhado de excelentes intenções, tinha grandes chances de ser rejeitado, e então ela teria que arranjar um outro jeito para conseguir o que precisava.

Não demorou para que ela chegasse ao local que chamava de lar, a barulheira costumeira enchendo seus ouvidos assim que pousou. Como sempre, todas estavam trabalhando a todo vapor, sob o comando da fada azul, sua mentora, que também como sempre acontecia, não demorou a notar a presença de Tinker, indo logo ao seu encontro.

— Onde você estava Tinker? Em que confusão está metida desta vez? – perguntou a fada azul, em um tom de quem não estava nada satisfeita em ver que sua pupila havia desobedecido as regras novamente.

Tinker era uma ótima aprendiz de fada, tinha talento e um coração enorme que estava sempre disposto a ajudar as pessoas, mas como todo jovem, ela ainda tinha muito o que aprender. A fada azul tinha certeza de que a verdinha seria uma ótima fada madrinha quando completasse seu treinamento, mas para que isso acontecesse, Tinker Bell tinha que aprender a ouvir mais e principalmente a respeitar as regras. O que mais uma vez, parecia que não tinha acontecido.

— Eu...me desculpe senhora. Mas tenho um bom motivo dessa vez. Estou ajudando alguém a encontrar o seu final feliz. Não é isso que as fadas devem fazer? Ajudar as pessoas? – respondeu Tinker, tentando manter a voz firme diante do olhar penetrante que azul lhe lançava. A fada verde tinha plena consciência de que sua mentora desaprovava seu comportamento impulsivo, mas mantinha esperanças de que quando ouvisse a história de Regina ela mudasse de ideia e a ajudasse.

— Sim Tinker, é exatamente isso que devemos fazer. – começou a fada azul, suas palavras, embora ditas em um tom ligeiramente duro de reprimenda, fazendo com que a fada verde tivesse esperanças de que talvez sua mentora concordasse em ajuda-la. Essa esperança, entretanto, foi rapidamente deixada de lado com as palavras seguintes de azul, que encarava sua pupila com nada mais que severidade no olhar enquanto falava: — Este, porém, é um trabalho para uma fada que já completou seu treinamento, o que não é o seu caso Tinker Bell. Você tem que se concentrar em aprimorar suas habilidades, e não ficar zanzando por ai a procura de alguém que precise de ajuda, entendeu? Aliás, quem é que você está tentando ajudar?

Sentindo sua empolgação se esvaindo ao perceber que não teria da fada azul a ajuda e o apoio que precisava, Tinker abaixou a cabeça e respondeu em um fio de voz, agora concentrando-se em fazer com que aquela bronca terminasse logo para que enfim estivesse livre para pensar como conseguiria o pozinho que precisava. Tinha certeza que, depois de ver o bem que ela iria fazer na vida de Regina a fada azul iria mudar sua opinião sobre ela, iria ver que ela era sim capaz de ajudar alguém e a bronca que levava agora não passaria de uma lembrança ruim.

— Regina. Ela precisa reencontrar seu final feliz antes que entregue seu coração para a vingança, e eu vou fazer de tudo para ajuda-la. – falou a fada verde, ainda sem levantar os olhos para sua mentora. Ainda que sentisse estar fazendo a coisa certa ao ajudar Regina, ela simplesmente não conseguia encarar a fada azul quando esta estava lhe dando uma bronca.

— Regina? A filha do príncipe Henry, que está de casamento marcado com o rei Leopoldo? – questionou a fada azul, parecendo gostar cada vez menos daquela história. O que Tinker Bell pensava que estava fazendo, interferindo dessa forma na vida alguém, especialmente alguém como Regina?

— Sim, ela mesmo. Ela esta infeliz senhora. Perdeu um amor e acha que nunca mais poderá ser feliz novamente. Esse casamento não é o que ela quer, e, além disso, ela estava com a ideia fixa de se tornar aprendiz de Rumpestilskin. A senhora bem sabe o quanto aquela criatura das trevas pode ser perigosa, e eu sei que tudo que Regina precisa é de um novo amor. Tenho certeza de que se ela encontrar o amor novamente vai mudar de ideia sobre seu plano de vingança. Ela tem chance de ser feliz senhora, e eu quero ajuda-la a encontrar a felicidade. – falou a fada verde, na esperança de que suas palavras fizessem com que azul mudasse de ideia e concordasse em ajuda-la, mesmo que no fundo achasse aquela era uma possibilidade extremamente remota.

A fada azul sabia exatamente do que a verdinha estava falando. Conhecia a história de Regina, sabia que ela fora vitima de uma armação de sua mãe, Cora. Tinha certeza que a jovem estava sofrendo com a morte do namorado, e também tinha consciência de que Regina tinha muito poder dentro de si, um poder que ela sabia que poderia causar grandes estragos caso fosse mal conduzido.

Ainda assim, azul continuava contraria a interferir na vida de Regina. Não, aquela pobre criança ainda tinha que passar por algumas coisas sozinha, tinha que aprender a lidar e a derrotar seus próprios monstros sem ajuda, e foi exatamente isso que ela tentou dizer a Tinker Bell, esperando que suas palavras fossem suficientes para dissuadir a fada verde da ideia de ajudar Regina a encontrar um novo amor.

— Escute Tinker. Sei que você só está querendo ajudar, mas há coisas nas quais nem as fadas podem interferir entende? Regina tem que achar seu próprio caminho, e por mais que suas intenções sejam boas, você pode acabar fazendo com que ela sofra ainda mais do que já está sofrendo se interferir na vida dela agora. Não quero mais que você saia por hoje. Ajude as outras nos afazeres daqui e esqueça essa história de final feliz, entendeu?

Diante da fala dura da fada azul, Tinker Bell simplesmente balançou a cabeça em sinal de concordância e se retirou da presença de sua mentora, tentando pensar em um jeito de pegar o que precisava sem chamar a atenção.

Ela entendia que a fada azul achasse importante seguir as regras e não interferir demais na vida dos humanos, mas naquele caso era diferente. Tinker podia sentir que tudo do que Regina precisava era de uma pequena ajuda, e ela estava disposta a ajuda-la, mesmo que isso significasse quebrar as regras. Não tinha dúvidas de que, quando visse o bem que um novo amor faria a Regina, a fada azul iria mudar de ideia e aprovar a atitude de Tinker.

Pelo resto do dia, a fada verde ficou de olho no local onde o pozinho mágico era guardado, esperando pelo momento certo para que conseguisse entrar e roubar um pouquinho. Se tudo desse certo, ela só iria precisar dele no final, quando já tivesse encontrado a pessoa certa para Regina, mas queria deixar tudo pronto para que não precisasse retornar quando finalmente o encontrasse.

Finalmente, quando o sol já estava quase se pondo, as sombras da noite surgindo sorrateira por trás de seus raios luminosos, a oportunidade se apresentou. Sempre havia uma fada que ficava de guarda do pozinho mágico, para o caso de uma eventualidade, e o momento da troca de guarda era perfeito para que a fada verde entrasse no local e pegasse o pouquinho de que tinha necessidade.

Quando laranja e lilás estavam distraídas conversando antes que uma tomasse o lugar da outra, a verdinha se esgueirou para dentro da grande flor onde o estoque de pó encantado ficava guardado e pegou um pouco com as mãos, depositando-o dentro da minúscula bolsinha que carregava em um de seus ombros. Aquela quantidade seria suficiente, ela tinha certeza. Agora, tudo que precisava fazer era encontrar o par perfeito para sua protegida.

Conseguindo sair sem ser vista por nenhuma das outras fadas utilizando as sombras da noite para se ocultar, Tinker Bell saiu em sua busca, seguindo o rastro luminoso que existia entre Regina e seu amado.

Aquele rastro funcionava como uma corda, uma corda fininha e prateada, que apenas as fadas conseguiam enxergar, e que ligava dois corações amantes um ao outro. Seguindo aquela ligação, Tinker tinha certeza de que não demoraria a encontrar quem estava procurando.

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Regina fazia o possível para controlar sua ansiedade e tentar dormir pelo menos um pouco, mas o sono parecia ter se tornado seu inimigo implacável, fugindo dela e escapando entre seus dedos toda vez que ela tentava pega-lo.

Já haviam se passado três dias desde que Tinker Bell partira com a promessa de encontrar um novo amor para Regina, alguém que segundo a fada era sua alma gêmea, sua chance de ser feliz, mas até aquele momento ela não retornara, e a falta de noticias estava deixando a morena em uma verdadeira pilha de nervos.

Seu casamento com o rei estava se aproximando, e se a fada não conseguisse voltar a tempo? Pior que isso, e se ela voltasse e dissesse que não havia ninguém? Que não existia no mundo outra pessoa que pudesse ama-la?

Naquele momento, escorada no beiral da sacada de seu quarto no castelo, a morena se deu conta de que não saberia lidar com uma noticia dessas. Por mais que no inicio tivesse se mostrado relutante, agora que havia começado a aceitar a ideia de que talvez realmente existisse uma outra chance, ela percebeu que não estava preparada para uma decepção, que não queria deixar que aquela possibilidade se mostrasse irreal, que queria tentar ser feliz de novo.

A mente de Regina estava perdida nesses pensamentos incertos, os olhos ardendo por conta da falta de sono, quando um brilho verde se fez presente no horizonte. Bem pequenininho no inicio, nada mais que um ponto luminoso no breu da noite, mas que aos poucos foi se aproximando, até estar diante dela, o sorriso da minúscula fadinha verde quase superando o brilho de suas asas.

A fada não disse uma única palavra enquanto voava pelo quarto, pousando no alto de uma poltrona que havia ali, mas a verdade é que palavra alguma era necessária para que Regina entendesse o recado, a expressão no rosto da fada já dizia tudo que precisava saber Tinker Bell conseguira, encontrara um novo amor para ela.

— Você...- a morena começou a dizer, mas suas palavras se perderam diante da fala enfática e animada da fada, que parecia não conseguir conter a empolgação que estava sentindo.

— SIM! Eu consegui Regina! Eu o encontrei, e ele está mais perto do que você imagina. Está aqui mesmo, nessa cidade. – falou a minúscula fadinha, percebendo o sorriso de felicidade e espanto que se espalhava no rosto da morena ao ouvir suas palavras. – Vou levar você lá para que se conheçam, tenho certeza que o encanto será instantâneo, basta olhar a forte ligação entre vocês.

Tão rápido quanto surgira, o sorriso de Regina se desmanchou, o medo do desconhecido e da rejeição inflando-se em seu coração. E se as coisas não saíssem como a fada estava esperando? E se ela não conseguisse sentir a tal conexão que Tinker tanto falava? Se ela tivesse achado a pessoa errada, como seria?

Por mais que estivesse feliz com a oportunidade que estava diante de si, o medo também estava presente. Medo de que, assim como todo o restante de sua vida, aquele encontro não saísse como o planejado, e ela acabasse sofrendo, de novo. É claro que ela estava curiosa sobre quem seria ele, sobre como o encontro seria, mas também estava com medo, e esse medo a estava impedindo de falar qualquer coisa, enredando-a em um silencio confuso e cheio de questões sem solução aparente.

A morena foi desperta de seus devaneios pela voz de Tinker Bell, que voltava a falar com ela, incentivando-a a deixar o medo de lado. – Regina, olha, eu sei que você está com medo. Sei o que está passando em sua cabeça, que eu posso ter achado a pessoa errada ou que o sentimento pode não existir quando vocês finalmente estiverem frente a frente, mas acredite no que eu digo, não tem como isso acontecer. E sabe por quê? Por que o sentimento que liga vocês dois foi o que me fez encontra-lo, Regina. Esse amor, forte e verdadeiro, já esta ai, dentro do seu coração, assim como está no dele. Confie em mim, tenho certeza de que vai dar certo.

— Tudo bem então. – respondeu Regina em um fio de voz, lutando para deixar o medo de lado.

— Ótimo! Então está na hora de irmos. – com essas palavras, Tinker abriu a pequena bolsinha que carregava nos ombros e gesticulou para que Regina se aproximasse um pouco mais de onde ela estava. Quando a morena se aproximou, a fadinha tirou de dentro da bolsa um pó prateado e muito brilhante, que soprou nela.

No mesmo instante, Regina sentiu seus pés deixarem o chão. Seu corpo estava leve como uma pluma, um sorriso brincalhão brotando em seus lábios. Desde que era muito pequena, ela sempre tivera curiosidade para saber como era voar, e bom, ali estava sua resposta. Era como ser carregada pelo vento, como flutuar, uma sensação indescritivelmente maravilhosa.

— Vamos Regina! Não podemos perder tempo! – Tinker a chamou, a esperando no vão da sacada. – Você não tem medo de altura não é? – perguntou, repentinamente preocupada de que o voo pudesse trazer algum desconforto para a morena.

— Não, mas acho que você deveria ter me perguntado isso antes de me embrulhar em pó de fada, não acha? – brincou a morena em resposta, rindo da cara de falsa zanga que a fada exibiu pra ela.

Sem responder, mas também rindo, Tinker guiou Regina por entre as casas e construções da cidade, afastando-se cada vez mais do palácio, o que para a morena era um motivo de verdadeiro alívio. Há tempos que o palácio deixara de ser seu lar para se tornar uma verdadeira prisão, um lugar no qual ela se sentia sufocada e sem alternativas.

Por fim, chegaram quase ao limite da cidade com a floresta. Aquela parte era menos iluminada, e as construções eram engolidas pelas sombras da noite, as luzes do interior de casas e estabelecimentos funcionando como verdadeiras fogueiras a céu aberto, pontos luminosos que do alto mais pareciam olhos que piscavam na escuridão, indistintos e curiosos.

— Chegamos! Ele está ali, naquela taverna! – a voz da fada verde cortou o ar e chegou aos ouvidos de Regina, que sentiu sua pulsação se acelerar de imediato, seu coração martelando de excitação e expectativa do que ela estava prestes a encontrar.

Elas desceram suavemente até o chão, parando diante de uma das janelas da taverna. Assim que tocou os pés no chão, Regina sentiu os efeitos do pó mágico se dissipando, sentindo como se seu corpo repentinamente ganhasse peso e se prendesse firmemente ao chão.

Alheia ao que acontecia a morena que estava ao seu lado, Tinker encostou o rosto na janela fria da taverna, seus olhos correndo por todo o interior do lugar, procurando o homem por quem viera até ali. Não demorou para encontra-lo, estava sentado no balcão, pegando um copo de bebida que o barman lhe entregava.

— Ali! Ele está ali Regina! O homem com a tatuagem de leão no braço! – a voz da fada fez com que Regina acordasse de seu torpor por conta de terem terminado os efeitos do pó mágico. Ela olhou pela janela na direção em que Tinker apontava, e seus olhos pararam exatamente na tatuagem de um leão negro, seu coração disparando instantaneamente. — Agora, tudo que você tem que fazer é entrar lá, o destino fará o resto. – continuou Tinker, fazendo com que a morena sentisse seu estomago afundar de nervoso.

Notas finais
E então? O que vocês tem a me dizer sobre esse primeiro capitulo?
Como acham que será o encontro deles? O que será que eles vão sentir quando seus olhos se encontrarem??
Espero sinceramente que eu tenha conseguido prender a atenção de vocês com minhas palavras, e aguardo ansiosamente por reviews!
Beijoos