Paciente 99

8 Ginecologista


Notas iniciais
Eu sei que atrasei, a demora foi grande desta vez...mas foi praticamente impossível postar antes, eu tinha tanta coisa pra estudar que nem deu pra escrever mas aí está!!Aproveitem

Minhas pálpebras se abriram, e tudo que vi foram as lâmpadas fluorescentes que iluminavam as quatro paredes brancas do meu aposento. Eu estava no meu quarto! Ah, até que enfim aquele dia horroroso teve fim! Mal posso acreditar, meus movimentos voltaram! Eu ainda estava usando o roupão verde padrão e envolta em lençóis brancos na cama, me levantei rapidamente e coloquei minha cabeça em ordem. Espero que ninguém tenha me dado banho enquanto estava desacordada.

Não vou deixar aquela doutora maluca me drogar nunca mais. Deixei a cama e fui em direção à gaveta onde deixei as pedras. O baú ainda estava intacto. Ninguém mais sabia a sua localização. Aliás, acredito que só eu veja essas joias. O que era estranho. Estavam ali, agrupadas, brilhantes e muito lindas. Poderia admirá-las o dia inteiro.

A que eu arranjei no Raio X ainda estava em meu bolso, o que confirmava que não trocaram a minha roupa, por sorte, então a coloquei no objeto, as unindo, as cinco. A que eu consegui no terapeuta era uma pedra brilhante, grande e azul, a que eu obtive no sanatório tinha a superfície esférica e o outro lado, pontudo, parecia ser do mesmo tamanho que a outra joia, mas era roxa, quase rosa, a do auditório que fora apenas um bônus da minha outra eu, era amarela como urina, mas não de modo cômico, ela era a que mais se destacava das outras e parecia exótica, eu lembro que ela pesara no meu bolso junto com a outra, antes de ser transferida para o baú. A do urologista, sua cor era marrom escura, e cada fragmento dela reluzia muito, perfeita, e por fim a última, sua cor era vermelha como sangue, e suas partículas delicadas e perfeitas reluziam conforme o ângulo em que era vista.

Alguém bateu à porta. Guardei tudo rapidamente, nervosa. Permaneci de pé e a pessoa entrou, passando pela passagem que exibia a numeração 15. Se tratava da doutora.

— Bom dia, Victory. – Começou, com um ar de quem nunca sedou alguém a força. – Hoje é um dos seus últimos procedimentos, a sua visita ao ginecologista. Espero que esteja preparada.

— Claro, eu estou pronta. – Respondi, tentando agir naturalmente. Pensando bem, já se passaram cinco dias, o que significa que amanhã é meu aniversário de 18 anos, e eu ainda não menstruei. 17 anos sem menstruar agora são 18.

*

Victory! – A ginecologista chamou, eu estava na sala de espera, depois de finalmente tomar um banho e trocar de roupa; o traje era o mesmo, porém era limpo.

Me dirigi até o cômodo onde seria atendida, depois de conferir com a recepcionista. Percorri um corredor, muito claro como todo ambiente do hospital, até chegar a uma sala pequena.

— Pode entrar – uma voz feminina chamou, e eu obedeci, vendo como era lá dentro, organizado, cheiroso e limpo. A médica surgiu do nada, quase me assustando, uma jovem baixa e de cabelos escuros cacheados, de óculos como a maioria dos funcionários da clínica. – Queira se deitar naquela maca por favor? – Pediu.

A maca que ela apontou tinha uma breve escada para alcança-la, então demorou um pouco a me posicionar no assento.

— Deixe as pernas abertas, por favor. – A mesma solicitou, e eu fiquei um pouco nervosa. Tudo bem, não era minha primeira vez nesta situação, mas agora parecia especial. – É a sua primeira vez no ginecologista? – Droga, ela lê mentes agora?

— Não, só que.... Amanhã é meu aniversário, sabe? – Respondi.

— Que legal, Vic. Quantos anos faz?

— Dezoito. O problema é que eu nunca menstruei. – Falei, direta.

— Isso não chega a ser um problema. Tire a calcinha, se estiver usando. – Avisou, enquanto anotava algo em sua planilha e puxava uma cadeira em frente a mim, de pernas abertas.

Puxei a peça branca até a altura dos calcanhares, me ajeitando na maca; tudo que eu via era aquele vestido esverdeado tapando a minha visão. A ginecologista mexeu em algumas ferramentas em uma mesinha, escolhendo uma seringa. Ah não, injeção de novo?

— Eu só vou usar uma anestesia inofensiva. – Alertou ela.

—Espera! Isso é realmente necessário? – A interrompi.

— Calma, é só uma picadinha. – A doutora sorriu e logo já estava se aproximando de mim com a agulha. Como todo procedimento deste lugar, não poderia ser impedido por um paciente.

— Escuta, é que...eu estou cansada de ser sedada, eu só não gosto disso... – minha frase sequer foi escutada, e logo eu estava caindo em mais um sono, em mais um sonho.

Eu ainda estava deitada na cama, só que a visão estava embaçada e os meus movimentos, novamente perdidos, eu não tinha forças para me mexer. Eu não via o rosto da médica, apenas seu cabelo negro e cacheado. Queria falar, porém não conseguia.

— Amanhã é seu aniversário, o que significa que hoje é o último dia em que encontrará uma pedra preciosa, Victory. – Sua voz feminina tornou a falar, o que me confundiu. Como é que ela sabia disso?

— Isso mesmo, é neste consultório que você encontrará sua última joia. Parabéns! – Ela continuou, e eu tentava responde-la sem sucesso...queria poder enxergar o seu rosto. A sua voz também parecia diferente.

Em seguida, a doutora se levantou, quando finalmente vi quem era, não a doutora, mas sim a minha clone. O cabelo era muito parecido, só que a estatura era a mesma que a minha, então claro que era mais alta que a médica. A outra eu se vestia da mesma forma que eu.

— Espero que você menstrue hoje também, assim poderá parar de choramingar. “Ai, eu não menstruo. Ai tem um problema comigo. ” Que drama! – Exclamou, caçoando. Em seguida levou a mão até a minha parte intima. Ao erguer o braço de novo, sua palma, mais pálida que o resto do corpo, mas mesmo assim negra, estava manchada de sangue. – Parece que hoje é o seu dia de sorte, vadia!

Um segundo depois, meus movimentos voltaram. Parece que o efeito da toxina passara. Meus glóbulos oculares quase saltaram, no entanto, minha visão não estava comprometida. A respiração rarefeita e os batimentos acelerados.

— Está tudo bem? – A voz fina perguntou, agora eu tinha certeza de que se tratava da médica.

— Eu estou menstruada? – Respondi com outra pergunta.

— Não, mas está tudo bem com a sua vagina. Sinto muito por isso. Eu tenho certeza de que isso vai acontecer em breve. – Ela removeu as luvas hospitalares e se levantou. – Agora preciso que preencha uns papéis, já volto. – A seguir a mesma tomou a planilha de novo e se ausentou.

Beleza, eu vou continuar com esse problema então. Vesti a calcinha de novo, e me posicionei na maca até sentar. Ao observar a mesinha de ferramentas da ginecologista, percebi que entre os bisturis, gazes e esparadrapos, havia algo mais. Uma gema espaçosa e elegante, de uma coloração azul oceânica, diferente da primeira pedra que eu havia encontrado esta era como se fosse feita do mar. Como se fosse um pedaço dele. A toquei, fria e sólida, e levei a joia até o bolso da minha roupa, enquanto a doutora retornava.

Notas finais
Obrigado por ter chegado até aqui :3 deixe um comentário se puder...