Paciente 99

9 Virei mocinha


Notas iniciais
Mil perdões pela demora!! Pelos meus cálculos a fic ficou uns 20 dias sem atualização kkk mas foi por uma boa causa, estudos...haha boa leitura.

O dia começou normal como qualquer outro, no entanto ao acordar, tomar um banho e trocar de roupa, não fui recebida pela manhã pela doutora, mas sim por um guarda do hospital.

— Hoje é o dia do filme, queira me acompanhar. – Sua voz grave explicou, o que me deixou aflita. Onde estava a médica?

Passamos pelos corredores claros, pintados de branco e iluminados pela luz solar até chegar a um salão que já era familiar para mim. O refeitório.

— Arrume um lugar para se sentar. E tente socializar. – O mesmo pediu, indo embora.

O lugar estava lotado, assentos espalhados por todo o cômodo, ao redor de um único telão de projetor, onde o tal filme passaria. Procurei sentar na primeira fileira, só que a vista disposta não me agradava nem um pouco. A garota que me ofendera no primeiro dia nesta clínica estava lá, junto com seus dois amigos com aparência de presidiários. Mesmo depois de um nada amigável contato visual, decidi ficar ali.

Uma mulher alta e masculina, com o cabelo arrumado em um coque, perambulava entre os pacientes, que não ficavam quietos, como se estivesse vigiando, o que manteve a garota em silêncio.

— Ei! – A chamei, e o olhar em resposta não foi dos melhores – onde está a Margarete?

— Eu não tenho liberdade para responder isso se soubesse. Fique em silêncio. – Disse, séria, enquanto se ausentava. Engraçado ela falar isso sendo que o salão estava em falatório.

Os funcionários instalavam o projetor, em um grande telão branco, e assim que a mulher se afastou uma voz conhecida soou:

— Aí, chocolate! – O som familiar e feminino chamou, e eu sabia o que fazer, simplesmente ignorar. O que não quer dizer que seria fácil.

— Ô, gostosa, olha para cá! – Quem falou agora foi um homem, pois soou grave. Por que o Tag não está aqui?

— Ei, nós estamos falando com você! – Os três exclamaram em uníssono, e em seguida uma bola de papel atingiu a minha cabeça. Tudo bem, esta era a gota d’água.

Levantei e me virei, o trio estava sentado juntos, a uma certa distância, a racista com cara de demente no centro, um sujeito grande e barbudo, à direita, e a esquerda outro cara alto rindo feito louco. Precisei dar alguns passos até chegar na mesma que se ergueu e me encarou, mas antes que eu pudesse tomar outra ação, um guarda surgiu na minha frente.

— É melhor as duas se sentarem. Longe uma da outra. – Seus olhos penetrantes ordenaram. — O filme já vai começar. – Assim sendo, as luzes se apagaram e a obra foi sendo passada. Um olhar fulminante da garota, de madeixas longas e desarrumadas, me atingiu assim como de seus amigos, no entanto todos sentaram e eu voltei ao meu lugar.

Assim que sentei, senti algo úmido no assento, e frio. Olhei para baixo e percebi que não era o assento, e sim eu, eu estava úmida. A barra do meu vestido padrão hospitalar estava suja, em uma coloração escarlate viva. Sangue. Eu estava menstruada? Pela primeira vez?

— Preciso ir ao banheiro. – Avisei, depois de agitar a mão ao alto, e a vigia vir até mim, me fitando com a sua pior expressão.

— Você precisa esperar, ainda está na primeira parte do filme. – Deu a resposta, rude, já se retirando.

— Volta aqui! Por favor, eu... – olhei de relance em volta e sussurrei – estou menstruada.

A funcionária revirou os olhos imediatamente. Pelo jeito, a isso ela não tinha uma resposta pronta.

— Venha comigo. – Ao andar, eu a segui, deixando o refeitório e passando por um corredor que ficava no mesmo cômodo do salão onde se localizavam os banheiros.

— Eu vou precisar de um absorvente. – Pedi, antes de abrir a porta do feminino e entrar, era pequeno e com três toalhetes. Me dirigi ao primeiro, sendo que todos estavam vagos, ouvindo a mulher gritar para um guarda buscar o meu pedido.

Após me limpar com alguns papéis higiênicos, sentada na privada, percebi que se tratava mesmo da minha primeira menstruação. Um sorriso largo se formou em meu rosto. Agora sou mocinha.

O silêncio fez-me soltar um longo bocejo, eu não devia estar com sono a esta hora, já que havia acordado há pouco tempo. Esfreguei os olhos e a minha visão ficou embaçada; neste a porta do banheiro, que eu pensei ter deixado fechada, se abriu lentamente rangendo.

No chão a minha frente, dois pés escuros davam passos até se aproximarem mais de mim, e ao subir a visão se mostrava um reflexo de mim: o mesmo roupão verde, o mesmo rosto, o mesmo penteado cacheado. A minha outra eu.

— Olá. – Ela disse – Parabéns por ter encontrado todas as pedras. Agora é a hora de usá-las. Junto com elas eu coloquei um mapa, é muito importante que leia ele para encontrar um quarto esta noite. O quarto 99.

Atrás dela, o vidro do espelho que ficava em frente a uma pia, cujo não refletia a minha sósia, embaçou-se, e se escreveu sozinho o número ‘99’.

— Espera, por que eu faria isso? – Questionei, mas antes que pudesse ter um retorno, a porta se fechou e alguém bateu.

— Senhorita, consegui o absorvente que você pediu. Vou jogar por debaixo da porta. – A voz aguda da vigia explicou, e o objeto surgiu deslizando pelo chão. O apanhei e usei. Pelo jeito só eu havia visto o meu clone. E na pior das hipóteses, imaginado. E onde raios era o quarto 99?

Notas finais
Claro que a inimiga da Victory não deixaria de aparecer pelo menos mais uma vez rsrs E no próximo capítulo, o paciente 99! Por favor não abandonem a história.