País do Fogo
2 Acordo
A sala era escura e úmida. Havia ordenado para que trouxessem a prisioneira para aquele lugar. Temera que a operação fracassasse, apesar de todos os elementos apontarem para seu êxito, visto que ela havia sido demasiadamente boa em escapar de suas tropas.
Quando ela chegou, pode constatar que a criminosa era tão jovem quanto dizia as histórias. Seus fios rosa eram longos e rebeldes e os olhos eram marcados por duas esferas verdes e intensas que se destacavam na pela clara. As correntes que prendiam os seus braços já deixava marcas de sua luta e desespero para se libertar. A prepotência daquilo era quase impressionante. Era para ela saber, no momento que a prendeu, que não conseguiria escapar.
— O que você quer? — indagou com olhar desafiador após sentar-se e fita-lo por um longo momento.
— Não é você que faz perguntas aqui. — determinou. — Mas eu tenho uma proposta pra você.
— Nós dois sabemos que não direi onde está o Tamísia. Então qual é o ponto disso? — debochou.
— Você é uma piada. — disse estendendo a cápsula dourada cravejada por runas indecifráveis.
Seu olhar era impassivo quando se voltou para a esfera, não era possível imaginar o que se passava em sua mente ao perceber que ele já tinha o objeto em poder.
— Seus blefes não funcionarão aqui.
— Então veio me contar que já sabe como descriptografar. — disse, dramatizando sua melhor expressão de surpresa. — Não, espera, não sabe. — Desdenhou, sabendo que eles precisariam dela para isso.
— A proposta é uma só: Sua liberdade em troca de nos levar a Ilha das Pedras. — propôs, ignorando a postura debochada da jovem.
Apesar de saber do potencial de suas tropas, aquela mulher desprezível era a única pessoa viva a ter chegado a Ilha das Pedras. Era, a contragosto, a melhor chance de fazê-lo em tempo hábil.
— Aposto que você tem proposta melhor. — disse, tomando a esfera de sua mão sem cerimônia.
— Senhor. — corrigiu pretendendo esclarecer que essa seria sua única chance quando foi interrompido.
— Você é um general, eu sou uma capitã, iremos trabalhar juntos... Não acho que precisamos de formalidades. — provocou, interrompendo qualquer coisa que ele tivesse interesse em falar. — Ou você acha que é tão melhor assim que eu?
— Levem-na. — disse, dirigindo-se aos guardas — Não vou perder meu tempo com uma ladra imunda como você.
— Eu não sou a única dessa sala. — falou a mulher de modo voraz. Seus olhares se prenderam por um segundo e algo naquilo o fez sinalizar para que os guardas não a levassem. — Ou acha que o eu fazem é muito diferente do que faço? Vocês roubaram as terras das cidades livres do norte por cem anos, às colonizaram, as fizeram guerrear por décadas, e após estas conquistarem independência, vocês tem roubado cada centavo com os empréstimos que elas precisaram fazer para se reconstruir devido a uma guerra que vocês mesmos começaram. — prosseguiu com lábios crispando, referindo-se o Tratado de Konohagakure , que estabelecia diretrizes à respeito da situação das antigas colônias, em geral, as subordinando a ceder isenções fiscais astronômicas no comércio com o País de Fogo e pagar pelas dívidas adquiridas com a sua reconstrução.
— Então é essa sua desculpa. As cidades assumiram as dívidas, e possuem a obrigação honrá-las. — falou incisivo — Não que eu espere que alguém como você possa entender de honra. — Concluiu, fitando-a de cima a baixo com um sorriso contido.
A mulher desviou o olhar impaciente.
— E o que justifica seu país lucrar em cima de juros e mais juros abusivos e amortizações, investindo somente em dinheiro, na compra de títulos de dívidas, sem nunca dar retorno nem para seu próprio povo? Se aquele dinheiro que roubava não era meu, posso garantir que não era de vocês também.
Os dois se encararam por um longo momento de silêncio. Era impossível para ele não se irritar com sua arrogância. Uma criminosa imunda achando-se no direito de justificar seus atos ilegais na frente de um general. Chegava a ser ofensivo.
— Acho que terminamos.
— Não, acho que você ainda não ouviu minha proposta: — falou, fazendo-o voltar sua atenção para ela novamente — Anistia a minha tripulação. A todos.
— Já disse que você é uma piada.
— Espero que o rei tenha sorte em conseguir outro general, então. — disse-lhe, estendendo a esfera.
— Três nomes. — propôs. Era definitivamente sua ultima oferta
— Tudo bem.
Ela não confiava em toda a sua tripulação, apesar de não achar certo não procurar proteger a todos. Era sua capitã, afinal. Ponderou os três nomes, sabendo que deixaria pessoas importantes para trás: Uma fora a primeira que a acolhera, outro um velho que aprendera a amar e o último alguém doce o suficiente para que ela não quisesse ver amargar na prisão.
— Estando implícito, claro, que deixarão minha família em paz. E Hinata.— completou, após citar os três nomes.
— Com essa você não precisa se preocupar, honramos aos que são leais à coroa. — disse com satisfação, lembrando-a da traição da garota. Ele pareceu subitamente afetada, e ele sentiu-se grato por poder apreciar isso.
Por fim, ela assentiu.
— Bom negociar com você.
Ele não respondeu. Limitou-se a sinalizar que os guardas a levassem para a capital. Era tempo de decifrar o mapa da Ilha das Pedras.
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